Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Minha terceira história no Nyah, espero que gostem, capítulo pequeno apenas para terem um introdução, estou com umas ideias muito legais, se eu conseguir passar para o papel, acho que vão adorar!

A água me tranquilizava. Era como chocolate, chá quente ou doce de leite. Depois de um péssimo dia, eu fechava a porta do banheiro, enchia minha velha banheira com água quente e sais de banho, para então mergulhar em um mundo onde todos meus problemas se desvaneciam.

Em alguns dias isso não era o suficiente.

– Perguntou para ele?

Segurando o telefone contra meu ombro, peguei um punhado de bolhas e assoprei sobre meu estômago.

Eu podia optar por ignorar a pergunta, certo? Principalmente porque ninguém iria gostar da resposta.

– Elena... — Caroline insistiu.

Quando as bolhas bateram na água e se dissolveram na película espumante, eu suspirei.

O ponto desse banho era me fazer esquecer de meu desastroso dia, incluindo o tema da pergunta de Caroline, mas isso parecia impossível. Se bem que, eu me sentia ligeiramente melhor do que quando havia deslizado para dentro da água vinte minutos atrás.

– Não — admiti com um gemido frustrado. — Eu não perguntei.

– Pensei que havíamos concordado — ela disse soando exasperada. — Você ia perguntar na aula de trignometria.

– Nós concordamos — admiti, — mas...

– Mas o que, Elena? — ela interrompeu — Seu tempo está acabando.

– Eu já sei.

E eu sabia mesmo, cara, a areia do meu relógio do tempo estava quase no fim, o baile estava quase virando a esquina.

Encostei minha cabeça sobre a borda arredondada da banheira, deixando meu cabelo cair até o chão. Uma grande desordem escura que desafiava todas as tentativas de controle.

– O Sr. Kingsley fez a troca de novo — expliquei. — Eu não tinha como fazer a pergunta na aula.

Caroline gemeu, e eu podia imaginar o olhar de repugnância em seu rosto.

– Odeio quando ele faz isso — ela disse. — Da última vez tive que sentar com aquele garoto que cospe. Foi horrível.

– Eu sei — concordei. — Foi um fracasso total.

Ultimamente nosso único foco têm sido o próximo baile da escola, cujo tema é: Sonhos no Fundo do Mar, e com o baile a apenas uns dias (tipo três), ele parece mais urgente que qualquer outro assunto da escola.

Só que essa noite, eu prefiro falar da escola. Ou dos cosméticos. Ou de um enxame de medusas assassinas. Qualquer coisa além do que ela estava me perguntando. Analiso os planos... Outra vez. A última coisa que eu precisava agora era de Caroline me dizendo outra vez:

Você é covarde, Elena Gilbert.

... Sou covarde.

Principalmente quando se tratava de Stefan MacCullough.

Seres humanos são covardes naturalmente. Mas com Stefan era como se eu pegasse um voo para um nível de covardia totalmente diferente.

– Eu tentei, Car — minha cabeça caiu para trás contra a banheira de porcelana, fazendo um merecido ruido seco. — Realmente tentei. Dessa vez estive super, super perto. Respirei profundamente, e depois disse seu nome, e...

– E o que?

– Damon Salvatore jogou um monte de papéis em mim.

Isso havia bastado para me levar à última gota de autocontrole, pouco depois o sinal de saída tocou, evitando que eu saltasse do meu lugar e batesse em Damon até transformá-lo em uma pequena pilha de pó que eu poderia soprar para longe de mim.

Normalmente eu era uma pessoa tranquila, mas esse garoto me fazia desejar viver em uma sociedade onde assassinato não fosse crime, só para que eu pudesse matá-lo de uma das formas criativas que eu normalmente imaginava.

– Aquele cachorro — Caroline disse, só que ela não usou a palavra "cachorro". — Acho que a missão da vida dele é fazer da sua vida um inferno.

– Eu sei, ok? — esfreguei minhas pernas distraidamente — Porque ele me irrita? É como se seus passatempos preferidos fossem sua motocicleta e me atormentar.

O negócio é que, eu ainda não sabia porque ele se dedicava tanto a me incomodar constantemente. Não é como se eu lhe tivesse feito algo, além de me mudar para casa ao lado. E arrancar a cabeça do Max Steel dele. E morder seu braço quando tentou colocar fogo em minhas casinhas da barbie. E colocar creme depilador em seu shampoo na quinta série. E colocar tinta azul na piscina de sua casa. E...

Ok, eu sei porque ele me odiava.

Mas só para deixar claro, tudo o que eu fiz foram respostas para as coisas que ele fazia comigo, como por exemplo: Roubar minhas roupas no vestiário da escola, arruinar meus encontros, pular minha janela à noite, cortar meu cabelo e pintar ele com tinta rosa para tecido, jogar spray de pimenta nos meus olhos...

Enfim, ele não era um santo.

Os garotos não parecem ser tão complicados na televisão.

– Ele precisa... — um beep cortou a resposta de Caroline — Diversificar.

– Espere — me movi para uma nova posição meio sentada. — Tenho outra ligação.

Tia Jenna já havia se cansado dos meus banhos quentes que fritavam os circuitos telefônicos do andar de cima, onde havia três telefones. A última substituição não tinha um identificador de chamadas e ela havia me jurado que esse era meu último telefone. Se eu arruinasse esse, já não haveria mais telefones na banheira. Eu deveria ter muito cuidado para não deixar este cair, então o apoiei melhor com uma mão e pressionei o botão.

– Alô?

– Você deveria verificar as cortinas antes de tomar banho, princesa — uma voz profunda e brincalhona disse.

– O que? — eu meio que gritei, enquanto tentava me esconder atrás da banheira.

A toalha mais próxima estava dobrada ordenadamente sobre o vaso sanitário, e havia outra do outro lado do cômodo. Com um impulso me joguei de lado, caindo sobre o piso frio de ladrilhos, e fui diretamente até a toalha. Quando alcancei a toalha e consegui me cobrir, ouvi um estalo de risos vindo do aparelho receptor. Franzindo o cenho, peguei novamente o telefone.

– Elena — ele disse, ainda rindo. — Você sempre me diverte, princesa.

Aaarrgh! Bati o telefone contra o piso, esperando que os golpes lhe ferissem o tímpano.

– Por quê?!? — olhei para o telefone que havia sofrido alguns choques devido ao meu acesso de fúria, depois para as cortinas que cobriam perfeitamente a janela do banheiro. Parando o telefone contra meu ouvido e ignorando a risada que ainda soava através do fone eu perguntei — Por que você gosta tanto de me torturar?

– Porque... — Damon conseguiu dizer entre risos — Você torna isso tão fácil.