Agarrei o canto da toalha que agora estava muito molhada, a joguei contra a parede junto a porta onde estava o cesto, e a vi deslizar para dentro dele.

- Você... — eu disse pra o telefone enquanto me jogava na beirada da banheira — Você é malvado... — para logo me afundar de novo na água morna — Repugnante, estúpido, narcisista, verme.

Segurei o telefone com meu ombro antes de enfiar minhas mãos sob a água novamente.

Ele riu mais uma vez antes de responder:

- Esses são novos.

- Tem muito mais de onde veio esses — eu lhe assegurei e bati minhas costas na parede da banheira, enquanto fechava os olhos. — Quer ouvir um pouco mais?

A água cheia de sais de banho me envolveu, acalmando ligeiramente meus nervos eletrizados.

- Algum dia — disse, — pode ser que eu aceite sua oferta.

- Idiota — murmurei.

- Admita, princesa — disse Damon, — sua vida seria entediante sem mim.

- Sem você — lhe respondi, — eu teria um encontro para o baile.

Silêncio repentino. E senti pontadas em meu pescoço.

- Um encontro? — repetiu.

Meus olhos se abriram subitamente.

Eu não queria ter dito isso para ele.

Não devia nunca abaixar minha guarda, nem por um segundo, principalmente quando falava com Damon.

- Você ainda baba pelo idiota do McCullen, certo?

E era por isso que eu não devia ter dito nada.

- MacCullough — corrigi automaticamente, e depois disse: — Não sei do que está falando.

- Acho que sabe, princesa.

- Quer saber? — digo decididamente — Não sei porque ainda estou falando com você.

- Você está falando comigo — ele disse antes que eu pudesse desligar e voltar a conversar com Caroline, — porque você, lá no fundo, me ama. E vai acabar ficando comigo.

- Ah, tá — falei brilhantemente e ri nervosamente. — Sonhe, Damon.

- Ótimo — ele disse, com se eu estivesse fazendo uma escolha ruim. — Quando mudar de ideia, já sabe onde me encontrar.

Sim, na casa ao lado, me espiando enquanto eu tomava banho.

- Espero nunca ficar louca a esse ponto — falei. — Ei! Como você sabe que estou no banho? — silêncio — Alô?

Droga! Eu queria desligar dessa vez.

O telefone emitiu um bip, me deixando saber que Caroline ainda estava me esperando na linha. Eu deveria saber que ela não ia desistir tão rápido de mim, não quando ainda havia a questão: Eu-mais-Stefan-mais-baile.

Apertei o botão.

- Estou de volta.

- Demorou — Car reclamou. — Quem era?

Dei de ombros, mas então percebi que ela não conseguia me ver.

- Ninguém — falei em voz alta.

- Damon — ela disse, e não era uma pergunta.

Suspirei. É, esconder coisas de Caroline nunca funcionava mesmo.

- O que ele queria? — essa era um pergunta.

- Me irritar — respondi, — porque é a única coisa que ele sabe fazer.

Ela riu.

- Conheço o tipo — disse, — mas, agora, voltando ao Stefan...

Lá vamos nós.

*****

Escola. Quinta-feira. Dois dias para o baile.

- Faça — Caroline me empurrou. — Agora.

Olhei para Stefan. Ele estava parado em seu armário, a apenas alguns metros de mim, usava tênis, jeans e camiseta polo — que evidenciava seus músculos e me fazia querer babar.

- Acho melhor não — falei.

Porque eu era covarde.

Caroline riu de mim e me empurrou de novo.

- Se não for agora — ela disse, — Rebekah Mikaelson vai acabar convidando ele. É isso o que quer?

- Céus — falei, — não.

- Então vai — ela me empurrou mais forte.

Acabei soltando o meu armário e tropeçando para mais perto de Stefan. Parei um pouco para ajeitar minhas roupas e meu cabelo... Era agora ou nunca. Caminhei na direção dele com passos decididos.

Não ia deixar nenhuma barbie oxigenada roubar meu par para o baile, não mesmo.

- Stefan — disse quando parei na frente dele, minha voz soando um pouco alterada.

Ele parou o que quer que estivesse fazendo em seu armário e se virou para mim.

- Gilbert! — ele disse me reconhecendo, e abriu um largo sorriso — Como você está?

Fiquei vermelha instantaneamente, como eu sempre ficava perto dele, e tentei imitar seu largo sorriso.

- Estou ótima — respondi, — e você?

Ele deu de ombros.

- Normal — disse. — Apenas tentando passar em todas as matérias.

Eu ri um pouco e peguei — sem querer, juro — em seu braço para me apoiar.

- Vai conseguir — falei, — você é muito inteligente.

Ele riu um pouco também e disse “Eu espero” quando o sinal tocou.

- Preciso ir — falou.

Ah, não! Não vai mesmo. Eu ainda nem fiz a pergunta!

Segurei seu braço mais forte, fazendo ele ficar imóvel na minha frente.

- Espera! — falei — Eu quero fazer uma pergunta para você.

- Pode fazer — ele disse de forma amigável, — mas faça rápido.

Eu sorri nervosamente e me preparei.

Ok, era agora.

- Stefan — comecei, — quer ir... Bem, quer ir ao baile... Comigo?

Tirando minha voz baixa e o fato de eu ter gaguejado um pouco, acho que eu fui bem.

Stefan sorriu e passou a mão no cabelo dele.

Ele hesitou.

Deus, me ajuda!

- Baile? — repetiu — Eu nem queria ir, Elena. Rebekah me pediu, eu disse que eu não ia e... — ele parou de falar quando viu meu rosto desabando — Sim.

Congelei no meu lugar.

- O que? — perguntei.

Talvez eu tivesse ouvido errado, quer dizer, porque ele iria...?

- Eu disse que sim — ele sorriu. — Vou com você ao baile... — o segundo sinal tocou — Tenho que ir — disse, — te pego ás sete?

- Claro — falei. — Boa aula.

Ele já tinha sumido no corredor.

Stefan MacCullough iria ao baile comigo.

Obrigada, Deus.

E eu estava vomitando arco-iris de tanta felicidade quando uma voz conhecida disse atrás de mim:

- Não deveria estar na sala, princesa?

Notas finais
Devo continuar?