You Want Kiss Me
20 Deus Grego
Notas iniciais
Elena
Passei o resto do dia completamente fora de sintonia. Meu corpo estava ali, entrando e saindo de aulas diferentes, mas minha cabeça estava em um lugar totalmente diferente.
Eu havia tomado uma decisão, e sabia disso... Mas eu estava com medo.
– Elena! — uma voz conhecida gritou atrás de mim.
Eu estava saindo da aula de inglês e forcei um sorriso para a pessoa.
– Olá Bonnie — falei, tentando ser educada, afinal ela não tinha nada a ver com meus conflitos internos... E havia acabado de se recuperar de um afogamento. — Como você está? — perguntei.
Ela deu de ombros, me lançando um sorriso tímido.
– Estou bem — disse. — O médico falou que eu tive sorte por Damon estar lá, um pouco mais e a água teria invadido meus pulmões.
Meu sorriso se expandiu em orgulho. Mesmo não gostando de Damon na época, ele havia sido muito corajoso ao pular na água para salvar Bonnie.
Mesmo resultando em um desastre, eu não conseguia deixar de sentir orgulho dele... E raiva de Rebekah por tê-lo chutado quando ele voltou para ajudar.
– Fico feliz por você — falei, e estava sendo completamente sincera.
– Na verdade — Bonnie continuou timidamente, — eu queria saber se Damon estava bem. Eu fiquei sabendo que ele perdeu a memória e estou me sentindo muito culpada. Minha mãe disse que agradeceu ele essa manhã por ter me salvado, mas eu ainda não tive a chance, por que eu ainda não o vi e... Bem não sabia o que dizer exatamente para ele. Pode agradecê-lo de novo? Por mim?
Eu sorri, estendendo uma mão e apertando seu ombro, já que Bonnie estava visivelmente nervosa.
– Ele está bem — garanti, então o avistei atrás de Bonnie, caminhando em nossa direção, lindo como sempre. — E você pode agradecer Damon pessoalmente — falei, apontando para trás do ombro dela.
Bonnie Bennet virou e corou furiosamente ao vê-lo.
– Eu não... — começou.
– Damon! — chamei, a interrompendo.
Continuei a segurando pelo ombro para impedir que fugisse.
Ele veio para perto de nós e sorriu antes de se inclinar para me dar um beijo na bochecha.
– Princesa — cumprimentou sorrindo, então virou para Bonnie. — Olá?
Ela abaixou os olhos, vermelho passando de suas bochechas para seu pescoço.
Era fofo.
– Essa é Bonnie Bennet — apresentei.
O sorriso de Damon vacilou um pouco e seus olhos arregalaram levemente.
Ele com certeza sabia quem ela era, só não a havia visto ainda.
– Ela veio agradecer pessoalmente pelo o que você fez — continuei e ela levantou os olhos, assentindo minimamente apenas para confirmar.
– Não precisava — Damon disse. — Eu não me lembro, mas fico feliz por ter te salvado.
Bonnie assentiu de novo, sorrindo um pouco para ele.
– Obrigada — ela murmurou, dessa vez sem minha ajuda. Então correu para longe.
Céus, que garota tímida.
– Ela não é fofa? — perguntei para Damon, rindo.
Aquele episódio havia me feito esquecer dos meus conflitos internos e eu me sentia incrivelmente mais leve...
Até que lembrei de novo e voltei a sentir meus ombros ficando tensos.
– Você está bem? — Damon perguntou, notando a tensão que havia me tomado.
Assenti, então sem conseguir me conter eu o abracei firmemente.
Rodeei meus braços ao redor de sua cintura e o apertei o máximo que conseguia, como se ele fosse desaparecer a qualquer segundo.
Ele me abraçou de volta e eu senti seu peito vibrando quando ele riu.
– Se eu soubesse que estava com tanta saudade eu teria vindo antes — comentou.
Apoiei meu rosto em seu peito, ouvindo as batidas ritmadas de seu coração que eram totalmente ao contrário das minhas, que estavam descontroladas em medo e preocupação.
Fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes.
– Preciso falar com você — falei rápido ainda de olhos fechados temendo perder a coragem.
Senti quando ele começou a acariciar levemente meu cabelo com uma mão.
– Eu também precisava falar com você — ele disse. — Mas você pode falar primeiro.
Levantei os olhos, olhando para os seus incrivelmente azuis, a curiosidade me dominando.
– Fala primeiro — pedi baixinho, e odiei a forma como minha voz saiu manhosa.
Ele sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, então pousou sua mão nesse ponto e usou o polegar para acariciar meu rosto.
– O que acha de sairmos essa noite? — perguntou — Podemos ir no cinema. Parece que tá em cartaz um desses filmes de nerd que você gosta, o que acha?
Então eu ri, levantando uma mão e batendo no seu peito.
– Filmes de nerd? — repeti ofendida — Não são filmes de nerd.
Ele arqueou uma sobrancelha.
– Então Star Trek, Star Wars, Senhor dos Anéis e aqueles milhares de filmes de super heróis que você assiste não são filmes de nerd? Tem certeza, princesa?
Bufei alto, desistindo de discutir com ele.
– Eu saio com você — falei. — Mas pare de criticar meu gosto para filmes.
Ele riu.
– Eu também gosto, boba.
Então ele abaixou o rosto e me beijou.
Nesse momento tudo fugiu da minha mente.
Esqueci que eu precisava contar algo para ele. Esqueci até mesmo meu nome.
Os lábios dele manuseavam os meus de forma gentil, mas ao mesmo tempo sedutora. Eu conseguia sentir seu sorriso contra meus lábios, e ele parecia estar imensuravelmente feliz, como se estivesse se segurando para me contar algo.
Gemi quando sua língua encontrou a minha e quase desfaleci em seus braços quando sua mão acariciou minhas costas por dentro da minha camiseta.
– Antes que essa mão suba — alguém disse ao nosso lado, fazendo com que eu pulasse para longe de Damon com o susto, — acho que devo lembrá-los que estão no meio de um corredor e que tem uma dúzia de adolescentes encarando vocês.
Encarei a loira na minha frente com ódio mortal.
– Você me assustou, Caroline — reclamei.
Ela sorriu.
– Estou apenas evitando que minha melhor amiga perca a virgindade dela no meio do corredor da escola.
Fiz uma careta, ignorando o rubor que tomou conta de minhas bochechas.
Caroline se virou para Damon e forçou um sorriso.
– Espero que não se importe, mas vou roubar minha amiga por alguns minutos — então ela estendeu a mão e me puxou pelo braço para longe dele.
Olhei para trás e lancei um olhar de desculpas para Damon, mas ele apenas sorriu em retorno, como se dissesse que não havia problema.
Virei para Caroline que me puxava até o fim do corredor para então virar no que levava à secretaria.
– O que foi, Car? — perguntei.
Ela me olhou e me lançou um sorriso tão largo que pensei que partiria seu rosto ao meio.
– Vou te mostrar meu futuro marido — anunciou.
– Eu já conheço o Matt — retruquei.
Ela fez uma careta, me olhando como se eu fosse louca.
– Matt? — repetiu. — Perdeu o juízo? Claro que não! Que nojo.
Olhei pra ela sem entender.
– Mas você foi com ele no baile — apontei.
– Porque ele queria fazer ciúmes na Rebekah — falou. — Deixei de gostar dele faz tempo Elena. Meu futuro marido é outro, você vai ver.
Fiquei calada e deixei que ela me levasse até onde ela queria.
Porém pouco antes de chegar à secretaria ela parou no corredor.
– Eu não conheço ele ainda — explicou. — Mas ele é tão bonito, Elena. E britânico. Você sabe que eu gosto de britânicos. Eu quero ele.
Revirei os olhos. Caroline e sua mania de se referir a homens como objeto de posse.
– Onde ele está? — perguntei, ficando curiosa para ver esse tal homem.
– Dentro da secretaria — falou. — Parece que ele é parente de algum aluno ou coisa assim.
– Ele é mais velho? — perguntei, apesar de já saber a resposta.
Caroline deu de ombros.
– Ele não é tão velho assim, parece ter uns 24, no máximo. E é lindo, Elena. Parece um Deus grego.
Então a porta da secretaria abriu e o tal Deus grego saiu.
Porém eu o conhecia.
O Deus grego de Caroline era Niklaus Mikaelson, o médico de Damon.
Fale com o autor