You Want Kiss Me
15 Adeus, hospital
Notas iniciais
– Anda, princesa — Damon reclamou, — seja mais rápida.
Eu o encarei, irritada.
– Estou tentando, Damon — retruquei. — Você bem que podia me ajudar, seu preguiçoso.
Ele se encostou melhor na cama e esticou os braços por cima da cabeça, acomodando-se melhor.
– Eu estou bem desse jeito — disse.
Soltei sua mala, onde eu tentava enfiar todas suas coisas, e me virei para ele.
– Olha aqui, seu idiota — falei. — Se não vier aqui me ajudar agora, enfiarei essa mala em um lugar que, garanto, você não vai gostar.
Ele riu e se esticou na cama, de forma que seu braço rodeasse minha cintura e ele me puxou contra seu corpo.
– Amo quando você me ameaça — comentou perto do meu ouvido. — É sexy.
Ignorei o arrepio que se alastrou por minha coluna.
– Não é uma ameaça — garanti. — É um fato.
Levantei a mão para seu peito, tentando afastá-lo de mim, porém ele não me soltou.
– Então faça — disse, seu rosto se aproximando do meu enquanto ele tentava me beijar.
Tentei afastar meu rosto do dele, porém quando sua boca encostou na minha, eu só conseguia me derreter.
Como esse anencéfalo preguiçoso conseguia fazer aquilo?
Depois de uma semana com ele naquele hospital, Damon havia aprendido a melhor forma de cessar discussões e me fazer calar a boca... E era me beijando.
Ele tinha esse tipo estranho de controle sobre meu corpo, não importava o que meu cérebro dizia, o meu corpo insistia em obedecê-lo.
Em uma semana, Damon ainda não havia recuperado nada de sua memória, mas eu havia descoberto com absoluta certeza de que a pancada não havia arruinado nem um terço de sua personalidade. Ele ainda era a pessoa que mais me irritava nesse mundo...
Mas agora era diferente...
Era melhor.
Damon tentando abrir passagem por entre meus lábios com sua língua me fez acordar de meus devaneios. Aproveitei esse momento para morder com força desnecessária seu lábio inferior.
Eu estar derretida em seus braços não iria fazer as malas se ajeitarem sozinhas.
Meu “namorado” se afastou rindo, levando a mão até o lábio que eu havia mordido.
– Não temos tempo para isso — reclamei irritada, porém o tom rouco tirou a credibilidade da minha voz.
Ele arqueou uma sobrancelha.
– Por que você sempre tem que estragar a diversão? — perguntou.
Eu ri, me ajoelhando na sua frente e lhe dando um rápido beijo nos lábios antes de levantar e voltar para as malas.
– Porque — respondi, — alguém tem que ser o responsável aqui — então eu joguei um amontoado de camisetas pretas em cima dele. — Agora vem me ajudar.
Ele riu um pouco, mas se levantou, indo na minha direção e me ajudando a dobrar o resto de suas roupas para colocar na mala.
Graças a Deus que tia Jenna havia feito a minha mala mais cedo, isso dava muito trabalho.
– Como se sente sabendo que vai sair desse hospital? — perguntei para Damon, caminhando até o canto onde havíamos colocado livros, DVD’s, revistas e coisas aleatórias.
Ao olhar aquela bagunça, pensei: “Céus, como isso tudo um dia coube nessa mala?”.
– Não sei — Damon respondeu. — Meio estranho.
Peguei tudo que eu conseguia colocar nos braços e levei até a mala.
– Não está feliz? — voltei a perguntar.
Ele sorriu para mim, porém não me pareceu um sorriso genuíno.
– Claro que estou — disse.
Joguei as coisas de qualquer jeito dentro da mala e me virei para ele.
– O que foi? — eu quis saber.
Ele continuou focado no que fazia, dobrando as roupas.
– Nada.
Suspirei e fui até ele, tirando as roupas de sua mão e jogando na cama.
– O que foi? — repeti. Ele abriu a boca, mas eu o cortei: — E nem ouse dizer que não é nada.
Ele riu, então acabou com a distância entre nós, me abraçando.
– Obrigada por se preocupar, princesa — disse perto do meu cabelo. — Mas juro que não é nada. Só estou com certo receio de sair daqui.
Rodeei sua cintura com meus braços e afastei o rosto apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.
– Por quê? — perguntei. — Você não vai para a sua casa, não vai precisar encontrar seu péssimo pai. Você vai para a minha casa, não vai passar por isso sozinho. Do que tem receio?
Ele riu, me abraçando mais forte.
– Desde que eu perdi a memória — disse, — eu só me lembro de estar em dois lugares. Aqui, e ao lado da piscina da escola, com você me abraçando. E aqui já é familiar para mim. Acho que estou com receio de ir para um lugar completamente estranho.
Assenti, como se entendesse o que ele queria dizer.
– Sei que vai ser difícil se ajustar lá em casa sem sua memória — falei. — Mas vai ser melhor do que aqui. Você vai gostar, te garanto, é muito mais confortável... E tem internet!
Damon riu mais alto, abaixando o rosto e beijando de leve a minha bochecha.
– Vamos dormir no mesmo quarto? — perguntou brincando.
Senti meu rosto esquentando e levantei o braço pra lhe dar um tapa no ombro.
– É claro que não! — respondi. — Você vai dormir em outro quarto... Bem longe do meu.
Ele fez um bico, fingindo estar imensamente decepcionado.
– Você é a pessoa mais malvada que eu conheço — reclamou.
Sorri amplamente. Eu não me importava de ser a malvada, não quando se tratava de Damon Salvatore. Nunca me importei, na verdade, achava até legal.
– Porque diz isso? — questionei.
– Porque você passou a semana me mimando — explicou, — dormindo ao meu lado e estando ao meu alcance para tudo que eu precisasse, e agora simplesmente tira isso tudo de mim. Como espera que eu sobreviva sem isso?
Aproximei meu rosto do dele e lhe dei um rápido beijo nos lábios.
– Sobrevivendo — retruquei, soltando ele e voltando a ajeitar a mala.
Fale com o autor