You Want Kiss Me
16 Pequenas Coisas
Notas iniciais
Ok, tenho certeza que você deve estar se perguntando: “Ela não odiava ele com todas as suas forças? Porque então parece tão bem com toda essa coisa de namoro falso?”.
E a verdade é que eu não o odeio mais.
Nem mesmo consigo me lembrar como era odiá-lo tanto. Damon ainda me irrita? É claro que sim, mas até isso me faz querer ficar perto dele.
Não estou dizendo que passei a gostar dele, ou até amá-lo, apenas estou dizendo que não consigo mais me afastar dele.
Gosto de sua companhia. Gosto de seu carinho e da forma como me beija...
Céus, gosto até quando ele me irrita ou me desafia.
Então viver com ele não poderia ser tão ruim assim. Eu tinha certeza que conseguiria aguentá-lo sem esforço algum até que recuperasse a memória, então talvez pudéssemos até virar amigos...
Se ele não passasse a me odiar até lá.
E ainda tinha Stefan, que havia passado a puxar qualquer assunto que pudesse inventar apenas para conversar comigo e que na última semana havia passado a me chamar para sair, mesmo Caroline tendo divulgado para a escola toda que eu tinha cedido a Damon e que estávamos namorando.
Stefan não parecia se importar.
– Elena? — ouvi alguém batendo na minha porta.
Me levantei e fui até ela, sabendo quem era antes mesmo de verificar.
– Oi, Damon — cumprimentei meu “namorado”.
Olhei brevemente para o relógio ao lado da minha cama e gemi interiormente ao constatar que eu estava acordada às 06h00min em pleno domingo. Qual era o meu problema?
– Posso entrar? — perguntou, tentando disfarçar o olhar que lançava para minha roupa.
Desviei meu olhar para meu pijama, corando ao notar que eu não usava nada além de uma camiseta enorme que chagava até a metade da minha coxa.
– É confortável — me defendi, afastando-me da porta e dando espaço para que ele entrasse.
Damon entrou, me dando uma visão geral do que ele próprio vestia, e meu Deus... O que aquele homem estava pensando?
Vir ao meu quarto às 6 horas da manhã, apenas com calça de moletom, descalço e sem camisa? Só podia estar louco.
– Porque não está dormindo? — perguntei, voltando para minha cama e me enfiando novamente embaixo de minhas cobertas.
Damon riu e se sentou ao meu lado.
– Eu poderia te perguntar a mesma coisa — retrucou.
Meus olhos se desviaram involuntariamente para seu peito e eu me estapeei mentalmente por isso.
Nada de ceder pela visão do paraíso, Elena. Seja forte, mulher.
– Vou reestruturar minha pergunta — falei. — O que faz no meu quarto às seis horas da manhã?
– Eu não consegui dormir mais, então vim ver se estava acordada — respondeu.
Ajeitei-me melhor embaixo das cobertas e o encarei.
– Sorte a sua que eu estava — eu disse. — Porque detesto ser acordada de madrugada. Me deixa de mau humor.
Ele riu e deitou ao meu lado, sobre as cobertas, de forma que o pano nos separava.
– Eu adoro te ver de mau humor — comentou.
Senti vontade de bater nele, porém isso exigiria que eu me mexesse e saísse um pouco da coberta, o que estava fora de cogitação.
O cansaço começou a me sondar e em pouco tempo senti o sono voltando com força total.
Por isso eu não acordava cedo. Eu não funcionava de manhã.
– E o que queria comigo? — perguntei, porém o sono fazia minha voz sair mais baixa.
Forcei meus olhos a ficarem abertos e continuei encarando Damon.
Céus, eu estava parecendo aquelas velhas que pegavam no sono do nada.
Damon riu e levantou um pedaço da coberta para se juntar a mim, após estar ajeitado ao meu lado, circulou minha cintura com um braço, me puxando contra ele e com a outra mão acariciou meu rosto.
Eu não disse nada, mas aquele ato me despertou um pouquinho do sono, apesar da sua mão acariciando meu rosto o estar trazendo rapidamente de volta.
Dessa vez me senti como uma criança sendo ninada.
– Senti sua falta, princesa — ele sussurrou. — Faz duas noites que não durmo ao seu lado e eu simplesmente não consigo dormir. Talvez eu tenha ficado mau acostumado.
Sorri para ele, afastando o sono por um momento.
– Não podemos dormir juntos aqui em casa, Damon — falei, mesmo sabendo que eu sentia a mesma coisa que ele. Sem ele lá ao meu lado, era como se faltasse algo... Céus, eu estava fodida. — Tia Jenna absolutamente não iria aprovar isso.
Ele tirou alguns fios do meu rosto e se aproximou mais.
– Nós estamos namorando, Elena — reclamou. — Aposto que ela sabe que não seremos puritanos para sempre.
Arregalei meus olhos, sentindo meu rosto esquentar.
– Acho que estamos falando de coisas diferentes — eu disse.
Ele riu.
– Tem razão. Melhor mudarmos de assunto.
Eu bocejei, colocando a mão sobre a boca, então sorri para ele.
– Sobre o que quer falar?
Damon retribuiu meu sorriso, se ajeitando melhor na cama, de forma que seu rosto ficasse próximo ao meu.
– Você está com sono — disse, como se não fosse óbvio.
– Dúh — retruquei, arrancando um sorriso mais largo dele.
Ele se aproximou mais e me deu um beijo breve nos lábios, que fez com que minha boca formigasse de uma forma gostosa.
– Vai dormir, princesa — ele pediu. — Estarei bem aqui do seu lado quando acordar. Conversamos mais tarde.
E eu juro que sei que devia tê-lo mandado de volta para seu quarto... Mas eu estava tão cansada. Eu havia dormido tão mau...
E eu me sentia tão bem em seus braços, que eu não pude dizer nada.
Deitei em seu peito, enquanto o som de seus batimentos cardíacos traziam a escuridão para mim.
Em menos de um minuto, eu estava dormindo.
*****
Acordei com uma sensação estranha e prazerosa em minha bochecha e meu pescoço.
Sorri e me mexi minimamente para frente, querendo que aquilo continuasse.
Ouvi uma risada baixa e aveludada vindo da sensação prazerosa, mas não me permiti abrir os olhos.
A sensação continuou, indo do meu pescoço para o lóbulo da minha orelha.
Logo percebi que eram beijos. Beijos curtos e carinhosos que faziam minha pele se arrepiar.
Os beijos pararam brevemente, o que me fez resmungar baixinho.
– Princesa — o dono da risada maravilhosa disse perto do meu ouvido.
Gemi um pouco, não querendo sair daquele estado maravilhoso de quase sono. Virei meu rosto e o enfiei na primeira coisa que vi.
Era ele, e seu peito vibrou levemente com uma risada curta.
Inalei seu cheiro maravilhoso, ficando estranhamente consciente de que era Damon ali.
– Acorda, princesa — Damon chamou novamente, passando a mão nas minhas costas.
Continuei com o rosto grudado em seu peito nu, não querendo sair nunca dali.
– Não quero — reclamei.
Ele riu mais alto. Senti quando Damon se mexeu e beijou minha testa.
– Eu fiz café da manhã para você — disse.
Abri meus olhos, surpresa.
Quase sorri ao ver que as cortinas do meu quarto estavam parcialmente fechadas, o que dificultava o acesso da luz até meus olhos. Luz essa que me irritava profundamente pela manhã.
Porém tinha luz suficiente para ver os olhos maravilhosos do meu “namorado”, seus cabelos negros desgrenhados e seu peito nu.
Aquele homem queria me enfartar logo pela manhã? Desde quando Damon era tão bonito?
– Você fez café da manhã pra mim? — repeti, sem acreditar.
Damon assentiu.
– Acordei faz algum tempo — explicou. — Jenna saiu então pensei em testar meus dotes culinários. Imaginei que se eu cozinhasse bem antes de perder a memória isso podia ter ficado, não sei.
Sorri para ele, aprovando o fato de estar testando sua memória sozinho, sem precisar de minha ajuda.
– E deu certo? — perguntei, curiosa.
Seu sorriso sexy ampliou.
– Veja você mesma — disse, apontando pra um canto aos pés dele, em cima da cama.
Levantei meu corpo um pouco, me apoiando pelos cotovelos, então eu vi.
Damon havia trazido café da manhã na cama pra mim.
Virei para ele com uma sobrancelha arqueada, apesar de não conseguir conter um imenso sorriso que se apoderou de meus lábios.
– Café na cama? — perguntei — Está tentando me conquistar?
Ele sorriu também, negando com a cabeça.
– Não preciso disso para te conquistar — disse. — Não sei se já de uma olhada em mim, Elena, mas eu sou praticamente irresistível.
Ri alto, apesar de concordar com suas palavras.
Sentei-me na cama e estendi o braço, pegando a bandeja onde estava meu café da manhã.
Meus olhos se arregalaram quando analisei o que havia ali. Waffles, panqueca, ovos mexidas, bacon, suco... Como ele esperava que eu fosse comer aquilo tudo?
Me ajeitei bem ao lado de Damon e arrumei para que a bandeja ficasse em meu colo, tomando cuidado para não derramar nada na cama.
– Céus, Damon — falei. — Tem muita comida aqui.
Ele sorriu, dando de ombros.
– Come o que conseguir.
E assim eu fiz, experimentando tudo naquela bandeja, e tinha que admitir, Damon cozinhava melhor que tia Jenna cozinhando a vida inteira.
O que era grande coisa.
Eu estava equivocada ao falar que não conseguiria comer tudo. Praticamente aspirei todo alimento em menos de minutos.
Era um pecado desperdiçar um café tão delicioso.
– Acho que gostou — Damon disse, parecendo se divertir com minha gula.
– Se eu gostei? — perguntei — Meu Deus, Damon. Se continuar fazendo esse tipo de coisa eu acabarei ficando obesa. Mais do que já sou.
Damon tirou a bandeja do meu colo, a colocando no chão de qualquer jeito, em seguida subindo em cima de mim para me beijar.
– Você não é gorda — disse, então passou a mão pela minha barriga, como se quisesse ilustrar o que dizia, porém, por ter colocado a mão por dentro da minha camisa, isso resultou em uma exposição desnecessária de minhas pernas e minha calcinha. — É incrivelmente gostosa. — e ao dizer isso, sua voz soou rouca, enquanto seu olhar descia para minhas pernas.
Meu rosto ficou instantaneamente vermelho, mas ao invés de empurrá-lo de cima de mim como eu normalmente fazia, eu o puxei para um beijo.
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