You Make It Real
2 That smile
Notas iniciais
Ter uma vida planejada desde nascimento pode ser extremamente estressante, pois é assim que levo minha vida acho que ate mesmo minha concepção foi planejada por minha mãe Cora Mills. Ela me criou para ser uma dama perante a sociedade e profissional implacável, eu fiz todas as suas vontades desde que aprendi a falar, bom não que eu tivesse muita escolha. Aulas de piano aos cinco anos e alemão, francês, espanhol aos sete. Equitação ao dez, antes mesmo aos doze eu já dominava quatro línguas diferentes era uma amazona perfeita, infância nunca fez parte da minha vida. Cresci uma menina sozinha somente na adolescência eu tive um pouco de liberdade e um amor louco que me tirou dos trilhos que Cora Mills havia traçado para mim. Daniel foi como estrela cadente passou tão rápido mais deixou uma lembrança inesquecível no meu coração.
Depois dele nunca mais pensei que pudesse amar de novo. As vezes a vida é tão injusta um câncer o tirou de mim ele tinha vinte anos quando partiu e levou com ele todos os meus sonhos e vontades de ser feliz novamente. Minha mãe me dizia amor é uma fraqueza Regina. E depois da morte de Daniel eu voltei a ser o que ela queria, me foquei nos estudos e na minha carreira profissional. Tornei-me a mulher que ela queria uma advogada respeitada e temida que não havia perdido nenhuma causa ate hoje e futuramente iria gerencia o escritório de advocacia da família Mills. Na vida sentimental segui pelo caminho mais fácil em algo que fosse seguro. Há quatro anos Robin entrou na minha vida ele é tudo que minha mãe deseja em um homem. É de uma família nobre, educado e com um diploma de peso na parede. Bom ele deveria ser tudo que eu quero mais no fim a opinião de minha mãe sempre conta. Mais com passar do tempo eu vi que faltava algo, havia um vazio em meu coração que me incomodava e me consumia todos os dias e que eu não sabia como preencher eu tinha tudo que alguém poderia desejar e ainda sim não era feliz.
Um dia qualquer chegando na empresa para trabalhar eu vi algo peculiar e que definitivamente me chamou atenção uma mulher de cabelos loiros ela parecia ser alguém humilde mais ainda sim tinha um sorriso no rosto, alguém com tão pouco era feliz e eu não. Segui meu caminho para mais um dia de processos e reuniões exaustivas.
— Zelena, preciso da sala da presidência limpa em hora pode resolver isso? – Aviso minha irmã que gerencia o departamento pessoal da empresa, era sempre ágil em resolver essas coisas.
— Tudo bem maninha vou pedir a faxineira para lá agora mesmo. E a propósito bom dia para você também Regina.
— Bom dia Zel desculpe eu estou com dor de cabeça!
— Você precisa de umas férias isso sim. Minha irmã insiste nisso há meses e eu sei que minha mãe não concordaria que eu me afastasse da empresa agora.
— Eu vou pensar nisso ok. Agora preciso ir ate depois Zel.
Sigo para minha sala para analisar alguns processos antes da reunião com diretoria da empresa hoje seria um dia daqueles. A primeira coisa que dou falta são meus óculos onde diabos possa ter deixado não faço ideia de onde deixei pela ultima vez. Ainda é cedo e não adiantaria ir perguntar a secretaria porque ela ainda não havia chegado, então eu mesma teria que procurar. Recordo-me da ultima vez que o usei estava na sala de reuniões o jeito é ir procurar por lá. Ao entrar na sala me deparo com uma visão engraçada, porém agradável, uma faxineira limpando a sala com empolgação e fones de ouvido a musica parecem embalar o dia dela. Gostaria de compartilhar essa felicidade. Ao ver aquele sorriso tão marcante eu me lembro da loira que vi antes de entrar na empresa mesmo com roupas de faxineira não impede de lembrar-se desse sorriso, era ela.
Observo, por um tempo antes de tirá-la do seu transe e perguntar se ela viu meus óculos.
— Oi desculpa atrapalhar seu serviço, mas deixei meus óculos aqui ontem será que você achou? Ela se assusta antes de virar para mim, mas quando virou e me olhou diretamente nos olhos senti meu coração para dentro do peito era uma sensação estranha, mas reconfortante. Ela era linda mesmo com cabelo bagunçado e aquele uniforme sem graça. Ela parecia em transe me olhando e precisei perguntar novamente para que ela voltasse a si.
— Então você viu ou não?
— Não... Quer dizer não achei nada eu comecei a limpar a sala agora, mas se achar eu entrego a secretaria.
— Obrigado querida ficarei grata. — Agradeci e sai daquela sala tão rápido quanto havia entrado, porém com a sensação de que veria aquela mulher novamente.
(...)
Depois de um dia exaustivo e decisões difíceis, eu estava com uma enxaqueca terrível ainda precisava dirigir ate em casa, para tomar um remédio. Desci para estacionamento completamente distraída entrei no meu carro e dei a partida. Na saída do estacionamento e do nada um fusca entrou no meu caminho um barulho alto e o estrago estava feito. Tinha que me certificar que o motorista estava bem afinal foi minha culpa.
— Doida você comprou sua carteira onde? Por Deus podia matar alguém. — Quando sai do carro minha surpresa era ela a loira do sorriso mais lindo que já tinha visto na vida. O destino só podia estar brincando comigo. Ela parecia extremamente nervosa o que a deixava, mas linda ainda.
— Senhora eu não estava distraída a senhora entrou com tudo em cima do meu carro. Bom já aviso que não tenho seguro, e esse é meu único bem estava indo buscar meu filho na escola e pelo visto agora terei que ir de ônibus.
— Tenha calma ok, pode ser que eu estava distraída. —Respondo tentando me justificar. — Eu pago o concerto do seu carro e te dou dinheiro pra um táxi para que possa buscar seu filho.
Tudo que poderia fazer era arcar com as dispensas já que erro tinha sido meu. E a honestidade na voz dela me fez querer abraça-la e dizer que tudo ficaria bem. Dei meu cartão a ela enquanto falava com Robin ao telefone ele acionaria o seguro e tudo se resolveria rapidamente. Como sempre ele exagerou e trouxe um policial junto. Afastei-me para conversar com ele pouco depois vejo uma confusão e a loira nervosa com o policial sendo algemada, aquilo não era necessário já que errada tinha sido eu. Tinha que intervir.
— Ei o que esta acontecendo aqui?
— Acontece que eu achei drogas no carro dessa senhora e vou levá-la ela terá que explicar na delegacia. Vi o pânico nos olhos dela e queria mais uma vez abraça-la e dizer vai ficar tudo bem.
— Senhora pela vida do meu filho isso não é meu, como disse estava indo buscar meu filho na escola. Aquele desespero nos olhos dela me cortou o coração em mil pedaços. Iria fazer tudo que pudesse para ajuda-la.
— Se acalme me passe o endereço da escola de seu filho, eu vou busca-lo. E quanto ao resto tudo se resolvera. Ela parecia desconfiada de confiar a mim seu filho mais por hora era tudo que podia fazer. Uma coisa de cada vez.
— Emma confie em mim. — Emma era um nome lindo para mulher linda como ela. Penso comigo mesma. Continuo discutindo com Robin que não fica muito satisfeito.
— Eu vou cuidar de tudo você já fez estragos demais. Cuide do meu carro e ligue para o seguro. Ele acaba me acatando e sai resmungando algo.
— Emma você vai com o policial e eu vou buscar seu filho, como ele se chama?
— Henry, ele se chama Henry. Acasos, coincidências o filho dela tem nome do meu pai
— Mas como à senhora vai me ajudar?
— A parti de agora sou sua advogada Emma apenas confie em mim. A propósito lindo nome do seu garoto.
Por um minuto todo vazio que senti parecia preenchido ela confiava em mim mesmo sem conhecer e faria tudo para merecer tal confiança antes de sair ela só me respondeu e segui para busca seu filho.
— Eu confio.
Agora me encontro na porta da escola primeira na espera do menino, Emma me deu uma descrição rápida e acho que não será difícil identifica-lo. Já havia entrado em contato com a diretora da escola, bom o nome Mills tem seu peso nessa cidade e não foi difícil ela confiar a mim o menino. Poucos minutos o sinal bate e vejo as crianças saindo no meio vejo um garotinho de cabelos castanhos e olhar inconfundível parecia procurar alguém. Sai do carro e fui de encontro a ele.
— Olá você deve ser o Henry. — Ele me olha desconfiado.
— Moça minha mãe diz que não devo falar com estranhos. — Ele me responde.
— Tudo bem pequeno, sua mãe esta certa. Porém estou aqui a pedido dela, ela teve um problema e me pediu que viesse busca-lo. Vi em seus pequenos olhinhos, o mesmo medo que havia visto nos olhos de Emma mais cedo.
— Ela me deu para você? — Ele disse com lagrimas em seus olhinhos. Deus eu não estava preparada para isso. Abaixei-me para ficar a sua altura.
— Não amor ela só teve um problema, mas eu juro que ela esta bem e eu vou levar você até ela e ninguém vai separar vocês. Mesmo desconfiado ele me abraçou chorando.
— Você promete mesmo, promessa de dedinho?
— Sim eu prometo. — Respondi segurando seu pequeno dedinho.
— Então vamos ver sua mãe?
— Sim, mas qual é seu nome moça?
— Regina me chamo, Regina Mills.
— Nome bonito. — Ele me deu um sorriso que lembrava sua mãe.
— Uau seu carro é demais. — Ele me pareceu impressionado.
— E só um carro Henry.
Mas um sorriso e meu coração se encheu de alegria, era estranho como uma mulher e menino que haviam chegado do nada na minha vida e se tornaram tão necessários e eu soube no instante que peguei sua mãozinha eu faria tudo por eles e nem mesmo sabia o porque disso, só sabia que era certo a ser fazer.
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