You Have Me
74 My Family
Passado uns tempos, os meus pesadelos voltaram a desaparecer. Demorou um pouco, mas com a ajuda da minha família e do psicólogo consegui voltar a não ter pesadelos. Acho que o facto de a Rose se encontrar bastante melhor, também me ajudou e muito. Tudo o que eu queria era que a Rose se encontrasse melhor e voltasse a ser a menina curiosa e alegre que eu conheço. Era óbvio que não estava a cem por cento mas eu acho que isso não iria acontecer. Eu nunca vou voltar a ser a mesma pessoa depois de tudo o que passei. Vou ter sempre a insegurança e o medo que as pessoas que mais amo me abandonem, nunca me vou livrar desse medo, mesmo com toda a ajuda do mundo. Acho que se aplica o mesmo à Rose, mesmo que ela volte a ser feliz e siga em frente, o medo do que lhe aconteceu nunca vai desaparecer. É assim que as coisas são e não podemos fazer nada em relação a isso.
As aulas entretanto acabaram e para surpresa minha, consegui passar a todas as disciplinas, mesmo a matemática. Acho que o facto de ter tido positiva no teste global ajudou. Tinha-me esforçado imenso para esse teste para poder ter positiva, e consigui. Fiquei tão feliz quando recebi o teste. A Rose andava a tratar de tudo para se poder candidatar à universidade. O primeiro dilema foi escolher o curso que queria escolher. Ela nunca tinha pensado nisso e quando chegou à hora de escolher, ela nem fazia ideia do que queria seguir. Até que finalmente se decidiu por medicina, decidiu-se por ajudar pessoas como a ajudaram quando ela mais precisou. Nunca tinha visto o Carlisle chorar, mas quando a Rose anunciou que iria seguir medicina tal como o pai, vieram as lágrimas aos olhos do Carlisle. Ele estava tão feliz e orgulhoso que a sua filha seguisse os seus passos. O Emmet iria seguir advocacia. Quando me disseram, eu fiquei embasbacada, nunca pensei que o Emmet teria notas para seguir advocacia. Mas eu estava feliz por ele, por ele e pela Rose.
- Em que estás a pensar? — Perguntou o Jasper beijando a minha testa. Estávamos os dois deitados no sofá na nossa bolha particular.
- A pensar nas últimas semanas, apenas. Vai mudar tanto a partir de agora. A Rose não vai estar em casa durante a semana e não vou poder tagarelar com ninguém ao final da tarde. — Comentei com um sorriso meio triste. Eu iria sentir tanta falta da Rose, quando ela fosse para a universidade.
- Podes tagarelar comigo. — Disse o Jasper sorrindo fazendo-me olhar com descrença para ele.
- Desligavas nos primeiros cinco segundo e passavas o resto do tempo a dizer “pois” e a afirmar com a cabeça. Achas que não te conheço? — Perguntei, fazendo-nos cair os dois na gargalhada.
- Tens razão, mas existem sempre telemóveis e internet.
- Ela vai andar muito ocupada a estudar para poder falar comigo, Jasper. — Disse triste.
- Claro que ela vai andar ocupada, mas vai sempre arranjar um tempinho para falar contigo, achas que a Rose conseguiria passar uma semana sem falar contigo? — Disse ele para me animar. — Mas não penses mais nisso, quando a altura chegar, encaras isso, está bem?
- Está bem. — Respondi sorrindo para ele. — A Esme e o Carlisle? — Perguntei.
- Não sei. — Respondeu ele encolhendo os ombros. — Devem ter ido aproveitar para ir passear visto que o meu pai não está de serviço, hoje. — Disse.
- Não achas que a Esme tem andado muito nervosa e apreensiva? — Perguntei. Nos últimos tempos, eles têm saído muitas vezes e quando voltam a Esme vem nervosa e apreensiva. Já lhe tentei perguntar mas ela não me disse nada, então não insisti. Se ela não queria dizer, não a ia obrigar.
- Sim, também achei e já lhe perguntei se se passava alguma coisa, mas ela disse que estava tudo bem. — Respondeu.
- Também lhe perguntei e ela disse o mesmo. Espero que esteja mesmo tudo bem. – Disse suspirando no final.
- Se estivesse algo errado, ela dizia-nos. Podes ficar descansada. Está bem? — Perguntou ele.
- Está bem. — Respondi sorrindo para ele. Ele sabia sempre como me acalmar e me fazer sorrir, e era por isso que eu o amava. — Amo-te tanto. — Declarei-me beijando-o de seguida.
Continuamos na nossa bolha o resto da tarde, até que o Carlisle e a Esme chegaram. Tal como das outras vezes, a Esme encontrava-se nervosa e apreensiva mas de certa forma feliz. Não conseguia perceber o que se estava a passar. Depois de nos cumprimentarem, subiram os dois para o quarto deles. Passado um bocado também subi, visto que o Jasper foi jogar consola com o Edward. Ia desenhar um pouco. Assim que passei no quarto da Esme e do Carlisle, ouvi a voz preocupada da Esme.
- E se ela não quiser mais, Carlisle? — Perguntou nervosa.
- Porque não haveria de querer, querida? Foi sempre o que ela mais quis. — Disse ele com a sua voz calma.
- Eu só tenho medo que ela não aceite. Iria destroçar-me.
- Eu garanto que ela irá aceitar. Ela vai ficar tão feliz quando souber. Vais ver! Não fiques assim, já estás a preocupá-los todos, sem razão para isso.
- Está bem. — Disse ela um pouco mais calma. — Quando contamos? — Perguntou.
- Hoje, depois do jantar. Já está na hora. — Disse ele. Percebi que o Carlisle estava a sorrir, ele estava feliz, notava-se pela voz dele. Devia sair algo bom para o Carlisle estar feliz, o que me fez descontrair um pouco, não queria que nada de mal se estivesse a passar. Segui o resto do caminho até ao meu e sentei-me na cama a desenhar. Como sempre perdi a noção do tempo e quando dei por mim, a Esme já estava ao meu lado para me chamar para irmos comer.
- Ficas tão abstraída quando estás a desenhar, querida. — Comentou ela sorrindo. — Tive que chamar-te três vezes até perceberes que eu estava dentro do quarto. — Comentou ela rindo um pouco.
- Desculpa. — Disse meio envergonhada.
- Não faz mal, querida. Gosto de ver a tua paixão pelo desenho. — Disse ela sorrindo, fazendo-me sorrir também. Descemos as duas e quando chegámos à mesa, já todos estavam à nossa espera para jantar. Sentámo-nos e servimo-nos, jantando no meio de conversa e risadas. Quando acabámos de jantar, eu e a Rose ajudámos a Esme a levantar a mesa e a arrumar a cozinha. Depois de estar tudo arrumado, fomos para a sala, onde eles estavam. Dirigi-me automaticamente para o sofá onde o Jasper estava e sentei-me perto dele, aconchegando-me de seguida. Ele beijou-me a testa carinhosamente e depois vidrou o olhar na televisão. Estava a passar um programa que ele gostava.
- Queridos, queremos dar-vos uma noticia, principalmente à Alice. — Disse a Esme um pouco nervosa. Olhámos os quatro imediatamente para ela, enquanto ela olhava para o Carlisle, que tinha um sorriso feliz no rosto. O que será que eles me queria dizer?
- Bem, queríamos dizer que, finalmente, o processo da adoção da Alice começou, por isso é que nestes dias temos andado fora de casa. Temos estado a falar com a assistente social e a resolver tudo. Dentro de bastante pouco tempo, a Alice vai pertencer oficialmente à nossa família. — Explicou o Carlisle.
Eu nem conseguia pensar como deve de ser. Estava tão surpreendida e feliz com a notícia que nem sabia o que fazer. Eles já tinham falado sobre adotar-me, principalmente, no inicio de eu ter vindo morar aqui para casa, mas eles nunca mais falaram sobre o assunto, pensei que eles o tinham esquecido ou simplesmente já não me queriam adotar.
- Isso é a sério? — Perguntei com uma voz chorosa e com algumas lágrimas nos olhos. Eu estava tão feliz!
- Sim, querida, é a sério. — Respondeu a Esme sorrindo mas ainda um pouco nervosa.
Era a sério, eles iam me adotar e eu ia fazer parte da família Cullen a sério. Eu ia ter uma família, finalmente. Era uma sensação tão boa, tão reconfortante. Legalmente, eu e a Rose e o Edward seríamos irmãos e a Esme e o Carlisle, meus pais. Quando dei por mim, já estava a abraçar a Esme e a chorar ao mesmo tempo.
- Obrigada! Obrigada! Obrigada! — Era a única coisa que eu conseguia dizer entre os meus soluços, e não era o suficiente para lhes agradecer por tudo o que têm feito por mim e por tudo o que irão fazer. A Esme abraçou-me com força e quando se afastou um pouco beijou a minha testa e limpou as minhas lágrimas. Olhei para o Carlisle que estava ao lado da Esme e ele sorria lindamente, o que me fez atirar-me para os braços dele e abraça-lo com força. Ele retribuiu o abraçou e depois beijou-me a testa como a Esme fez. Algumas lágrimas ainda caiam dos meus olhos e a Esme voltou a limpá-las.
- Não chores, querida. — Pediu enquanto me limpava as lágrimas.
- Estou tão feliz. — Disse sorrindo o que fez todos sorrir.
- Alice, estás aos pulinhos. — Disse ele rindo, fazendo todos rirem.
- Jasper! — Exasperei fazendo um biquinho indo-me sentar ao pé dele.
- É verdade, Alice. — Disse ele puxando-me para o seu colo. — Mas ficas amorosa quando ficas assim. — Disse sorrindo beijando-me a bochecha, o que me fez sorrir.
O resto da noite foi mergulhada em alegria, estávamos todos tão felizes. Percebi que o nervosismo da Esme tinha a ver com o facto de ter medo de eu rejeitar a adoção mas ela agora está tão feliz, também. Não poderia ter recebido melhor família.
Notas finais
Beijinhos
S2
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