You Have Me
75 Social Worker
Na manhã seguinte, acordei com uma Rose entusiasmada em cima de mim.
– Alice! Alice! Tens de acordar! — Quase gritou aos meus ouvidos. Puxei uma almofada e coloquei em cima da cabeça, estava com muito sono para acordar, ainda devia ser cedo. Senti a puxarem a almofada de volta. — Está sol! Vamos para La Push! — Gritou desta vez.
– Rose... — Gemi de sono. — Ainda é muito cedo, não pode ser mais daqui bocado? — Perguntei ensonada.
– São dez e meia da manhã, Alice, não é assim tão cedo! Está um dia tão bonito, não te vou deixar a dormir a manhã inteira. — Disse ela deitada ao meu lado. — Por favor, levanta-te! Quero tanto ir para a praia! E eu sei que tu também amas aquela praia! — Disse ela.
– Está bem, venceste! Vou levantar-me! — Disse enquanto saía debaixo das cobertas e me sentava na cama. Olhei para ela e reparei que já estava pronta para sair de casa o que me fez rir.
– Vá despacha-te! — Disse ela rindo. Levantei-me da cama e fui até ao meu armário, tirei o meu biquíni, uns calções e uma blusa de um tecido fresco mas que ao mesmo tempo tapasse as cicatrizes. Dirigi-me à casa de banho para fazer a minha higiene matinal e depois vesti-me. A Rose ainda estava à minha espera deitada na minha cama. Assim que me viu pronta, levantou-se e puxou-me para o corredor.
– Rose, faltam os meus chinelos! A praia não vai fugir! — Disse-lhe rindo ao mesmo tempo. Ela largou-me o braço e eu fui até ao quarto buscar as minhas havaianas. Voltei para o corredor e desci com a Rose. Comi qualquer coisa rápida, visto que já estavam todos à minha espera e depois fui ter com eles para irmos até à praia. O Emmet e a Bella iriam nos encontrar lá. Assim, que chegámos à praia, fomos para um local mais reservado e estendemos as nossas toalhas. Não demorou muito para que o Emmet e a Bella chegassem. Eles quiseram ir para a água, mas eu deixei-me estar na toalha. Nunca tinha ido para a água do mar em toda a minha vida, eu mal sabia nadar. Numa piscina, sentia-me minimamente segura mas aqui, tinha um pouco de receio. O Jasper percebeu que eu fiquei sentada na toalha e veio ter comigo.
– Não queres vir connosco? — Perguntou acariciando-me a bochecha. Neguei com a cabeça um pouco envergonhada. — É por causa das cicatrizes? Estamos num sítio reservado, ninguém vai ver nada, podes ficar descansada. E mesmo que vissem, não tinham que dizer nada. Eu estou aqui para te proteger.
– Não é isso, Jazz. — Disse num tom baixo e com um sorriso pequeno no rosto por causa do lado protetor do Jasper. Eu adorava esse lado dele.
– Então é o quê? — Perguntou meio confuso.
– Não sei nadar, Jasper, e nunca entrei na água do mar. Tenho medo. — Disse sinceramente. Sabia que podia confiar nele.
– É só isso? — Perguntou com um sorriso brincalhão nos lábios.
– Não te rias, Jasper, não tem piada! — Disse fazendo beicinho.
– Alice, achas que alguma vez eu deixaria que te acontecesse alguma coisa, ainda por cima comigo ao pé de ti? — Perguntou retoricamente. — Vou estar sempre a segurar-te, sim? Não precisas de ter medo. — Disse beijando-me de seguida. Levantei-me da toalha e tirei a minha roupa, ficando apenas de biquíni. De seguida, dirigimo-nos para a água, onde os outros estavam. Além de estar bom tempo, a água estava fria.
– Está tão fria! — Exclamei, o que fez o Jasper rir.
– Depois de entrares fica ótima. — Disse.
Entrámos aos poucos e como ele prometeu, não me largou um minuto. Acho que não teria conseguido entrar se ele não estivesse comigo.
– Vamos mergulhar? — Perguntou o que me fez olhar com medo para ele. — Eu não de vou largar. — Prometeu.
– Está bem. — Respondi. Quando veio a próxima onda, mergulhámos debaixo dela. Ele não me largou um segundo o que me fez sentir um pouco mais segura, mas só queria vir ao de cima. Ele foi primeiro e depois puxou-me, abraçando-me de seguida.
– Como foi? — Perguntou sorrindo.
– Um pouco assustador! — Disse ainda um pouco temerosa o que o fez rir. — Não te rias! — Disse batendo no peito dele o que o fez rir mais.
– Vamos para o pé deles? — Perguntou apontando para o sítio onde estavam os outros.
– Pode ser. — Respondi sorrindo. Ele continuou a segurar a minha mão e puxou-me para o pé dos outros. Ficámos um bocado todos na brincadeira mas eu comecei a ficar cheia de frio. Eu não sei como é que eles aguentavam, a água estava gelada. O Jasper percebeu que eu estava cheia de frio e disse perto do meu ouvido:
– Estás com os lábios roxos, Alice. Vamos para a toalha.
– Está bem. — Respondi tremendo. Ele puxou-me e rapidamente saímos da água. Caminhámos rapidamente até à toalha. Visto que a minha toalha era larga, deitamo-nos os dois, um ao lado do outro, ele puxou-me para o pé dele e colocou a toalha dele por cima de mim para eu aquecer mais rapidamente, visto que ainda estava a tremer e com os lábios roxos. — Não tolero muito bem o frio. — Comentei rindo um pouco.
– Já percebi isso. — Comentou ele rindo também. — Estás melhor? — Perguntou.
– Sim, estou. Já me sinto mais quente. — Respondi. — Não sei como é que vocês aguentam tanto tempo na água gelada. — Comentei o que o fez rir.
– Tu é que não estás habituada, nós vimos aqui desde pequenos, a temperatura desta água já nos é normal. — Disse ele. — Os teus lábios ainda estão um pouco roxos. — Comentou beijando-me de seguida.
– Sempre podes aquecê-los. — Comentei marotamente quando ele interrompeu o beijo. Ele riu-se e voltou a beijar-me até que os outros chegaram e o Emmet começou com os comentários dele.
– Estão na praia e não num quarto, gente. Tenham respeito. — Disse num tom de brincadeira.
– Emmet, cala a boca! — Disse a Rose, batendo-lhe na cabeça.
– Rosie! Isso doeu! — Queixou-se, fazendo beicinho.
– Era para doer mesmo. Deixa-os em paz, eles são tão queridos quando estão na bolha deles, se não tivesses dito nada nem tinham dado pela nossa presença. — Comentou a Rose fazendo-me corar, porque o que ela tinha dito era provavelmente verdade. O Jasper apenas acariciou as minhas bochechas corados e sorriu para mim. Todos acabaram por ir para as suas toalhas e eu voltei a aconchegar-me melhor ao Jasper, voltando para a nossa bolha. Fechei os olhos e fiquei assim, apenas a sentir a caricia que o Jasper fazia no meu ombro, onde se localizava a minha cicatriz. Acho que acabei por cair no no sono porque a próxima coisa que me lembro, é o Jasper a acordar-me para irmos ao bar da praia comer qualquer coisa. Levantámo-nos todos e fomos até ao bar almoçar. Depois disso, acabámos por voltar para as toalhas, onde estivemos todos a jogar às cartas. Eles acabaram por voltar para a água a meio da tarde, mas eu recusei. Depois disso, decidimos irmos todos para casa. Já estávamos cansados e queríamos apenas tomar um banho e deitarmo-nos todos no sofá a ver um filme. O Emmet e a Bella acabaram por ir para casa deles e nós, mal entrámos em casa, fomos todos tomar banho. Acabei por vestir o meu pijama e encontrar a Rose na sala a ver a nossa série preferida.
– Começou há muito tempo? — Perguntei aconchegando-me ao pé dela.
– Cerca de cinco minutos, não perdeste muito. — Respondeu sorrindo.
Ficamos as duas aconchegadas uma na outra a ver a série até tocarem à campainha. Olhei para a Rose porque já era final da tarde, quase hora de jantar e não estávamos à espera de ninguém.
– Meninas, vão atender, se faz favor! – Ouvimos a Esme a pedir da cozinha.
– Mas mãe, estamos as duas de pijama! – Resmungou a Rose. Voltaram a tocar e a Esme veio apressada para a sala.
– Preguiçosas! – Disse ela num tom brincalhão dando-nos um beija na testa quando passou por nós para ir atender a porta. Voltámos as duas a prestar atenção à série que estava prestes a acabar.
Começámos a ouvir a Esme a falar com outra mulher. Não conseguia perceber quem era e quando olhei para a Rose, percebi que ela também não. Até que entraram as duas na sala e eu reconheci quem era a mulher que estava a falar com a Esme. Era a assistente social que me tinha levado da instituição quando a Ellen me abandonou. Entrei em pânico mal a vi, ver ela aqui em casa só me fazia lembrar de quando ela me foi buscar à instituição e queria levar-me para outra instituição longe de Forks.
– Mãe, o que se está a passar? – Perguntei com o medo a notar-se na minha voz. Senti a Rose a chegar-se a mim e a perguntar baixinho no meu ouvido se era a assistente social e eu apenas afirmei com a cabeça para responder à pergunta dela.
– Calma, querida! Nós falámos no outro dia sobre isto, lembraste? É uma visita normal, apenas isso. – Disse a Esme chegando-se ao pé de mim e pegando-me nas mãos. Sim, é verdade, a Esme e o Carlisle tinham falado comigo sobre uma suposta visita surpresa da assistente social a nossa casa. Mas eu mal a vi só pensei que ela me vinha buscar e eu ia para longe da minha família.
– Sim, eu lembro-me. Desculpa, só pensei que iam levar-me para longe de vocês. – Expliquei.
– Querida, eu não vou deixar que ninguém te leve para longe de nós, sim? – Perguntou ela dando-me um beijo na testa. Eu apenas afirmei com a cabeça. Depois disso, a Esme levou a assistente social para conhecer o resto da casa enquanto nós ficámos na sala a ver televisão. Entretanto o Carlisle chegou.
– Boa noite, princesas! – Disse ele com um ar cansado assim que entrou na sala. Deu um beijo na testa de cada uma e depois perguntou pela Esme.
– Está com a assistente social, a mostrar-lhe a casa. – Respondeu a Rose.
– A assistente social está cá? – Perguntou ele surpreso.
– Sim, chegou há bocado. – Respondi.
– Bem, então vou tomar um banho e já volto para baixo. – Disse ele subindo as escadas. Passado uns minutos, o Jasper e o Edward voltaram para baixo. O Jasper sentou-se ao meu lado e eu aconcheguei-me no peito dele. A Esme e a assistente social, eventualmente, acabaram por descer e foram para a cozinha, visto que a Esme estava a acabar o jantar. Antes de irmos jantar, a assistente social ainda teve a observar-nos na sala e a fazer algumas perguntas até que fez a pergunta que eu tinha mais medo.
– Vocês os dois namoram? – Perguntou. Tinha medo que o meu namoro com o Jasper afectasse no processo de adopção. Eu não queria isso mas também não concordava em esconder que eu e o Jasper namorávamos.
– Sim. – Respondeu o Jasper por mim.
– Isso afecta em alguma coisa o processo da adopção? – Perguntei a medo.
– Não, em princípio não. – Respondeu simplesmente. – Como é que é viver com os dois a namorar? – Perguntou a assistente social para a Esme e o Carlisle.
– É perfeitamente normal, eles namoravam antes de pensarmos em adoptar a Alice. Nós colocámos algumas regras cá em casa, mas essas também aplicam-se aos meus outros filhos e aos seus namorados. Eles nunca nos desrespeitaram, nem nunca precisámos de os chamar à atenção. Como disse, algo perfeitamente normal. – Explicou a Esme.
– Está bem. – Disse ela apontando alguma coisa nos papéis que ela tinha no colo. – Bem, já vi tudo e perguntei tudo o que tinha a perguntar. Vou-vos deixar para jantarem sossegados. – Disse ela sorrindo um pouco enquanto se levantava do sofá. A Esme e o Carlisle também se levantaram e acompanharam a assistente social até à porta.
– Não é preciso ficares tão apreensiva, Alice. Está tudo bem e correu tudo bem. – Disse o Jasper abraçando-me por trás.
– Eu sei, mas tenho medo que ela tenha visto algo que não gostou e que me leve para longe de vocês. – Desabafei.
– Querida, já te disse que não vamos deixar que te levem, vamos lutar pela tua guarda até ao fim. – Disse a Esme quando entrou na sala.
– Obrigada! – Disse com os olhos marejados e um sorriso sincero no rosto.
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