You Found Me
2 Two
Notas iniciais
Desculpa, mas nem lembrei de procurar uma capa. Vou ver se acho uma o quanto antes porque já está me dando nervoso.
Agora o capítulo. Já estava pronto há muito tempo, mas, como queria ver se conseguia escrever um pouco mais, fiquei enrolando. Isso não aconteceu e aqui estamos.
Essa semana está sendo de atualizações quase gerais. Estou tão orgulhosa de minha pessoa... ~bate cabelo~
Dakara, o tanosimi. Enjoy ♥
Talvez não fizesse parte da feliz tarde de Mikey encontrar-me desmaiado em uma viela perto de nossa casa. E tampouco fazia parte dos planos dele ter que me arrastar até em casa. Até onde eu sabia, seus planos consistiam em passar o final de semana com sua namorada e ele não teria sequer me encontrado se não fosse pelo fato de ter que pegar algumas roupas em casa.
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Agora, enquanto encarava-me na frente do espelho de meu quarto e via as memórias de um mês atrás, sentia-me débil e indefeso. Há um mês não saia de casa, que dirá para ir às aulas. As férias do meio do ano já haviam passado havia um mês. No meu caso, minhas férias estendiam-se há quase três meses.
A notícia de que eu jamais sairia de meu quarto novamente não alegrou muito meus pais, que já haviam acatado meu pedido de tirar-me daquela escola, entretanto, não pedi para que me colocassem em outra. Sair de casa implicava um dilema moral enorme e começava a ter medo de tudo que viesse de fora, o que é natural para quem passou por tudo que eu passei.
Voltando meus olhos para a imagem danificada à minha frente, senti desgosto do que via. Como a maioria dos adolescentes, nunca gostei da minha aparência. E aquilo tudo viera para fazer-me ter mais ódio ainda de mim.
Inconscientemente, todas as noites, sentia meus dedos correndo por todas as cicatrizes, pontos, cortes e tudo mais. Isso me fazia cair em um abismo próprio, e como eu saia dele? Multiplicava todos aqueles cortes, satisfazendo-me no prazer de sentir meu sangue escorrer quente por um passado que preferia esquecer, porém, isso incitava as lembranças e tudo que passei naquela tarde, refém de pessoas que nunca vi na vida, voltavam como se tivessem acontecido naquele dia, segundos antes.
E por que comecei a fazer aquilo? Típica resposta: aquilo me fazia esquecer a dor interna e os conflitos psicológicos dos quais já estava tão cansado.
Nada na minha vida tinha um por quê, apesar de saber perfeitamente que deveria haver, que eu deveria saber justificar minhas escolhas e tudo mais, afinal, ninguém pode escolher seguir um caminho por simplesmente querer. Minha vida parecia ser uma prova de que um ser humano pode não saber porque quer fazer tudo aquilo, mas faz mesmo assim.
Os únicos momentos — após todo este trauma recair sobre minha vida — em que sentia alguma coisa era quando o ódio me dominava e eu deixava ser tomado por isso, afinal, era a única coisa que sentia depois de tudo que passei.
Sim, posso estar me fazendo de vítima e tudo mais, mas, sinceramente? Nada mais me importava, nada mais fazia sentido e tampouco queria que fizesse.
Três horas da manhã, era o que informava o relógio em minha mesa de cabeceira. Sábado geralmente é o dia em que ninguém naquela casa acordava antes das nove horas da manhã, o que favorecia meu caso.
A passos leves, tranquei-me no banheiro do corredor e permiti-me chorar novamente. Sobre qualquer coisa, pouco me importava, só queria dar vazão à sensação de sufocamento que tinha há pouco mais de uma semana. Por mais que meus episódios de automutilação viessem se tornando tão frequentes quanto gostaria, aquilo parecia não me satisfazer mais. Queria apenas sair e ir para qualquer lugar, me perder madrugada à dentro e voltar dias mais tarde, sem me lembrar de muita coisa e um pouco mais estável. Sabia que tudo aquilo estava matando a família e não fazia nada para impedir, pelo contrário: apenas dava ainda mais razão para terminar de ruir a casa.
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— Na gaveta da esquerda — murmurei e tornei a fechar os olhos.
— É tudo na esquerda com o Frankie — ouvi-o zombar com aquela voz harmoniosa. — É tudo na esquerda — quando repetiu, já estava em cima de mim novamente, apertando meu corpo desnudo e com certeza deixando marcas.
— É tudo na esquerda — repeti tentando reproduzir aquele tom de voz que tanto me encantava, sem sucesso.
Uma de suas mãos rapidamente foi para o meio de minhas pernas, começando a massagear o local. Permaneci com os olhos fechados, mas não com os lábios cerrados. Foi impossível não gemer. Billie sempre sabe onde me tocar para me fazer abrir as pernas. Não pensei à grosso modo, é realmente verdade.
Talvez fosse uma reação exagerada, mas era sempre assim. E não faziam nem vinte minutos desde que eu saíra de cima dele.
— Vai me deixar fazê-lo, não?
— Claro, até porque isso não vai sair deste quarto... — abri os olhos e focalizei em seus olhos verdes e permiti-me gemer novamente.
Ele levantou-se novamente e deixou-me na cama sozinho, indo posicionar a câmera no lugar de sempre. Olhou-se no espelho e deu uma leve bagunçada em seus cabelos, sorrindo para o espelho enquanto me olhava por este. Sorri de volta e chamei-o com um dedo, em seguida colocando-o na boca e chupando-o.
Ele voltou para meu lado e subi em seu colo, deitando-o na cama e esfregando meus quadris contra os dele, fechando os olhos e gemendo relativamente alto demais.
A nossa sorte é que meus pais não estavam em casa.
Ele pegou-me pelos ombros e puxou-me para baixo, de forma que meus lábios foram tomados pelos seus, e logo em seguida sua língua invadira minha boca, a busca da minha. Quando o ar se fez necessário, ele sussurrou na minha orelha, não sem antes mordiscar o lóbulo:
— Vire de frente para a câmera. Não quero ter apenas suas costas, quero algo mais interessante.
Com movimentos simples, ele mesmo encarregou-se de virar-me e aquilo me deu uma ideia que nunca havia testado antes — ao menos não com ele.
Impedi que ele se deitasse novamente e tomei seus lábios, pegando uma de suas mãos e levando-a ao meu sexo túrgido, ao mesmo tempo em que eu me ocupava em deixar que ele me tomasse, descendo rebolando e tão logo dando início aos movimentos de vai e vem, mais deixando que a gravidade ajudasse do que qualquer outra coisa.
Deitei a cabeça em seu ombro e comecei a gemer contra seu ouvido, agarrando aqueles fios escuros e puxando-os de leve.
Quando ele atingia minha próstata, eu fazia questão de gemer ainda mais alto. Rebolava ao executar os movimentos de subir e descer, apoiando uma de minhas mãos em seu joelho e praticamente ficando de quatro à sua frente, pedindo que ele parasse de me estimular; queria novamente aquele orgasmo arrebatador de ser estimulado apenas por trás. Por diversas vezes Billie não entendia aquela minha estranha obsessão até masoquista por gozar sem ser estimulado pela frente também.
E não era a coisa mais fácil de explicar se você não sente isso.
— Frankie... Oh, Frankie! — ele gemia cada vez mais alto, principalmente quando eu retesava meu corpo, de forma até inconsciente. Era apenas uma reação às estocadas.
Fechei meus olhos e curvei meu corpo para baixo, voltando a grudar meu tronco contra o dele. Sentia-me perto, perto demais...
— Hey... Comigo... Ah, por favor... — implorei com gemidos arrastados de prazer, sentindo as raias do ápice.
Apenas mais duas estocadas bastaram para que me saciasse e a ele também. Sentia-me tão bem... E incrivelmente esgotado.
Agora, enquanto o abraçava sobre as cobertas — já tendo desligado a câmera —, tinha a certeza de que ele já fora a melhor coisa que me acontecera na vida e não tinha a intenção de mudar isso. Billie Joe era minha razão de alegria e eu não poderia desejar que fosse diferente.
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Sob protesto e talvez discórdia, acabei tendo de aceitar a ideia de que meus pais encontraram um novo lugar para que eu pelo menos terminasse o colegial. Reconhecia que o problema maior — o único — era eu e não queria que a casa afundasse ainda mais, principalmente por minha culpa.
Ainda não havia sequer cogitado a possibilidade de ter que sair de casa. Querendo ou não, ainda tinha medo e podia imaginar que qualquer um podia ver meu corpo danificado, por mais que as roupas e meus cabelos escondessem boa parte do que me fora feito — e do que eu fazia comigo mesmo quase todas as noites. Não podia suportar sequer a ideia de ter a atenção inteiramente voltada para mim. Tudo isso era demais para suportar sozinho.
— Vai ficar tudo bem — Donna comentou, tirando-me de meus devaneios e temores silenciosos.
— Hm.
— Sabe que o melhor modo de vencer isso é encarar, não?
— Sei.
— Você não está sozinho.
Murmurei qualquer coisa e continuei em silêncio, apenas encarando a vida que transcorria normalmente no mundo fora de meu quarto. Não sabia se sentia falta de tudo aquilo ou se sentia-me feliz por já não fazer mais parte de tudo aquilo. Sinceramente? Preferia nem pensar naquele assunto.
— Como estão os cortes? — ela perguntou antes de sair de meu quarto.
— Cicatrizando.
Fora inútil tentar esconder dela qualquer coisa. Determinada noite ela me flagrara desmaiado no corredor de meu quarto, com cortes profundos nos pulsos e meu pescoço inteiramente lanhado, provocado por minhas próprias unhas.
Ela só vira aquela crise, não sabia que antes daquela houveram inúmeras e depois ocorreram mais crises. E também não queria falar. Ela ficara desolada e perdida quando me viu naquele estado, sem consciência por perder tanto sangue e perdendo mais a medida que o tempo passava.
Sempre tentei ser o bom filho que fazia tudo que os pais pediam, tudo o que queriam e tudo que mais sonhavam. Quando confessei-lhes que não sentia atração por mulheres, tudo pareceu andar um pouco para trás, reação normal. No entanto, eles pareceram se acostumar bem com o fato de que o filho mais velho deles era diferente, sempre defenderam isso e, passado o choque, passaram a me apoiar ainda mais, principalmente porque aquilo era uma resposta aos meus esforços.
— Se acontecer novamente, avise-me. Só quero lhe ajudar. Seu pai também.
— Sei disso.
Depois que fui agredido e deixado ali para morrer, começava a ver o mundo de uma forma diferente. Meu eu anterior sumira e um novo agora existia. Era uma personalidade fria e distante, e aquilo, de certa forma, me assustava. Por vezes, algo dentro de mim entrava em conflito com o atual eu, só não sabia o que era e tinha receio de descobrir. Aprendi da pior forma que determinadas coisas devem ser deixadas do jeito que estão.
— Sinto sua falta, meu amor — ela sussurrou e então se foi, provavelmente com lágrimas nos olhos.
Eu poderia dizer que também sentia falta, mas não seria inteiramente verdade. Inúmeras vezes já me surpreendera com o quanto aquele novo eu poderia ser bom. Não haviam mais tantos sentimentos e isso era ótimo, já que com isso não vinham as consequências.
Notas finais
Sumimasen TTATT
Mas me desculpem também os erros.
Reviews? :3
Kissus. Way.
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