You Are My Endless Love
1 Prólogo
Notas iniciais
Já era bem tarde da noite e ela ainda corria. Estava cansada, ofegante; pelo vestido, que uma vez foi lindo e causava inveja a todas as outras moças, barro e poeira. Já estava à procura deles há mais ou menos duas horas, quando o pai descobriu através de vizinhos fofoqueiros e amigas falsas sobre o relacionamento deles.
Ela e os dois.
Quanto a mim, apenas a seguia. Estava muito interessado, admito. Queria ver o desenrolar da história antes de ter de agir. Historinha bem complicada, devo dizer.
Ela, Song YeonJae, filha do capitão da guarda da cidade, era noiva de um jovem bem apessoado e famoso por sua beleza, Kim TaeWon. Ela o amava – ou pelo menos era o que dizia – e era correspondida à altura. Mas acontece que durante o período em que o noivo teve que passar um tempo fora da cidade, uma tia muito distante resolvera aparecer para uma visita à sua família e trouxe seu filho, Yan MinGi. O rapaz era muito charmoso e educado, mas tinha o espírito livre e isso lhe dava um ar de rebeldia, não demorou muito para a guria começar a ser atraída pelo jovem.
Por serem primos – distantes, mas ainda sim primos – e ela comprometida, tiveram de se encontrar às escondidas. Seis meses assim e a garota começou a achar que não sentia mais nada pelo noivo. Mas a conclusão só durou enquanto ela não o via. E para piorar a situação, ela descobriu, logo assim que o noivo chegou a sua casa, que ele e o primo se conheciam de alguns anos atrás e tinham alguma pendência entre si, já que eles pareciam bem incomodados à presença um do outro.
Em outras palavras, ela era noiva de um e tinha um caso proibido com o outro, amava os dois, os dois a amavam e pareciam se odiar por algum motivo. Quer mais diversão do que isso? Simples. Hoje, depois de mais três meses se dividindo entre um e outro, YeonJae-shii acabou por ser descoberta. Mas pela história ter sido um pouco distorcida pelos seus informantes, o pai, que achou que a filha havia sido enganada pelos dois rapazes e não ao contrário, decidiu dar cabo dos dois. Pronto. Circo armado, só faltava pegar fogo.
Mais um pouco de caminhada – ou correria – e chegamos a um celeiro abandonado. E lá estavam os dois se encarando, prontos para avançarem um no outro a qualquer momento. O espaço era bem amplo, cheio de feno, daria para eu me encostar- em qualquer canto e assistir tudo de maneira bem confortável. Acabei por me sentar em um montinho de feno amarrado perto de uma fresta quebrada em uma das paredes de madeira, enquanto via a jovem correr para o centro do recinto e tentar avisar, em vão, que os moços corriam perigo.
— Vocês estão ouvindo o que estou falando? – A coitada estava quase aos berros. – Meu pai está quase chegando e ele vai matar os dois se não saírem logo daqui!
— YeonJae, é melhor que você saia e se salve – dizia paciente o noivo. – Não precisa se preocupar comigo, vai dar tudo certo.
— Isso, noona. Também não é necessário que você se preocupe comigo. – O primo dizia fuzilando o outro com o olhar, talvez pelo comentário anterior. E eu me pergunto: Como podem esses dois continuarem a proteger essa garota, quando é eles que correm perigo de vida?
Depois de mais umas tentativas, a menina se deu por vencida e saiu do recinto chorando. Provavelmente sabia que aquilo não ia terminar bem, o pai certamente ia matá-los, e isso se não acabassem por se matarem antes. Fiquei lá, só olhando o silêncio, ansioso para ver quem daria o bote primeiro.
— Você não tem jeito mesmo, não é MinGi? Não perde a chance de tomar o que é meu, mesmo quando ela é sua prima! – O noivo quebrou o silêncio.
— Tomar o que é seu? Infelizmente, foi você que deixou sua noiva sozinha, sem falar que eu sequer sabia que ela ERA sua noiva! – Dizia sarcástico, o mais novo. – Até porque se eu soubesse disso, não teria apenas me envolvido com ela e sim ter arrastado-a pra bem longe de pessoas como você. Era até um favor que eu estaria fazendo a ela, se fomos pensar bem.
E eu, na curiosidade. O que poderia ter acontecido entre os dois afinal? Pareciam se conhecer bem. O que poderia ter causado tanto ódio? Vasculhei minha cabeça em busca de informações, provavelmente eu devo ter conhecimento de algo, só não me lembro. Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho seco, um gemido de dor e algo caindo no feno. Viro o olhar e dou de cara com o mais novo no chão, com a face meio inchada. “E é agora que começa a melhor parte!!!” Penso animado, assim que vejo MinGi-shii se levantar repentinamente e devolver o soco.
O mais novo, se aproveitando de que o outro está no chão, se joga em cima do outro e começa uma sequência de socos. Acertava todos os cantos do corpo de TaeWon e eu já achava que MinGi levaria a melhor quando de repente o outro consegue arranjar força e empurrar o rival longe, se jogando também em cima deste. Já estava me preparando para assistir mais massacre, quando vejo o mais velho apenas segurar os braços do jovem, que se debatia por inteiro, acima de sua cabeça enquanto o encarava sério.
— O que você está fazendo? – Perguntou raivoso o mais novo. Repeti a mesma pergunta, olhando incrédulo para a cena.
— Por que é que você está fazendo isso? – Rebateu. – Não é isso que você quer na verdade, não é MinGi?
— Do que é que você está falando? – Mais uma vez repeti a pergunta do garoto. Mas mal tive tempo de processar alguma resposta em que TaeWon-shii poderia dar e me vejo olhando uma cena bem... Intrigante. De uma hora para outra TaeWon começa a beijar o garoto embaixo de si e o pior, a ser correspondido!
— Pera aí! Vocês não deveriam estar se matando agora não?!? – Gritei a plenos pulmões, mas sem ser ouvido pelos dois. Fiquei boquiaberto, por uns 10 minutos enquanto via os dois entre agarros e beijos só acordando quando os dois começaram a se despir.
— Ah, então era essa a pendência que eles tinham?
— Verdade – concordei, me tocando só depois que eu havia concordado com algo. Me voltei para a direção da voz e vi um garotinho entrando pela fresta na parede e ficando ao meu lado. Voltei para o quase-filme-pornô à minha frente.
— Você não acha eles estranhos? Deviam estar correndo da morte agora, não?
— Pois é, pra você ver como é...
— Por que você não os amaldiçoa?
— Por que eu faria isso? Maldições são muito bregas – respondi novamente. Espera um pouco!!! O moleque está falando comigo?! Me virei de repente e o mirei assustado. Engoli em seco quando o garoto passou a me fitar também.
Só naquele momento reconheci a criança. Era Song YeongMin, irmão mais novo da infeliz que causou tudo isso. Tinha sete anos, estava de pijama, de pés descalços, sofria de uma doença gravíssima e era o próximo que eu iria visitar após terminar meus assuntos com os dois amantes aqui. Definitivamente não era para estar aqui, mas estava e isso pelo menos me poupou o trabalho de ir até a sua casa, no entanto tinha que algo não estava certo...
— Você consegue me ver? – Perguntei receoso. Ele afirmou com a cabeça. Meu queixo caiu de novo. – Mas... Como?
— Não sei – respondeu de maneira inocente.
— Não tem medo de mim?
— Eu devia? – Parei e pensei um pouco na pergunta simples, mais justa do menino. Era mesmo necessário que me temessem? Sabia qual era a resposta.
— Não, não devia.
— Por que não os amaldiçoa?
— Por que quer que eu os amaldiçoe? – Passado o susto inicial, me concentrei na pergunta do moleque.
— Eles enganaram a minha irmã.
— Não, eles não a enganaram. Na verdade, foi mais o contrário.
— Não foi não. Eles diziam que a amavam, mas desprezaram seu pedido desesperado para que fugissem e ficaram para resolver suas pendências antigas. E no fim, olha só quais eram! Tiveram algo entre si antes mesmo de terem com a minha irmã e ainda esconderam esse fato depois de descobrirem que viviam perto da mesma mulher. Se TaeWon-hyung ou MinGi-hyung a amasse de verdade não deveriam ter dito a ela que já tiveram um caso antes? Mesmo que isso não significasse mais? O que eu vejo que é mentira.
— Pensando por esse lado... – O garoto chegou num ponto interessante. Me viro novamente para o novo – ou antigo, depende do ponto de vista – casal e acabo por concordar com ele. Eles pareciam se amar de verdade, o que quer dizer que nenhum dos dois haviam se esquecido do outro nesse espaço de tempo em que passaram separados, e isso por sua vez quer dizer que mesmo amando um ao outro, o mais velho decidiu se casar com outra pessoa, enquanto o mais novo, começou um caso com outra pessoa. O erro aí – tirando o fato de terem tentado enganar a si mesmos e a alguém mais – foi que escolheram a mesma pessoa para tentarem se esquecer, o que faz essa novela ficar ainda mais excitante!
— Se bem que a minha irmã também não é inocente... Ficou com os dois ao mesmo tempo, dizendo que os amava também. Mesmo agora se você a perguntar será essa a sua resposta.
— E você não acredita nela?
— Não. Acredito que nenhum deles ame ao outro de verdade. Nenhum dos três.
— Não acha que uma pessoa seja capaz de amar a duas pessoas ao mesmo tempo?
— Não. E você?
E aqui estava eu, sentado em um monte de feno, vendo dois homens transarem na minha frente, conversando sobre amor com um garoto de sete anos e achando que estava perdendo na conversa. O moleque era bem inteligente, devo admitir. A verdade é que em toda a minha existência, sempre teve certas coisas nas pessoas que eu achei que fosse apenas coisas de suas cabeças. E eu não estou falando de unicórnios, fadas do dente, ou coisas do tipo. Mas coisas que elas sentem, que elas juram e acreditam com todas as forças ser realidade, mas que na verdade poderiam não existir. Tipo ilusões de óptica, vozes na sua cabeça, gravidez psicológica, amores duplos...
— E por isso você acha que eu devo amaldiçoá-los? – Ele afirmou com a cabeça. – Com que tipo de maldição?
— Lace-os.
— Acha errado o que houve, mas quer que eles vivam a mesma coisa na próxima vida? – Perguntei intrigado.
— Se amar duas pessoas dessa forma é possível então eles podem fazer acontecer de novo não? Observe-os desde o princípio novamente, dessa forma você poderá concluir por si mesmo.
— E quanto a você? Não quer saber?
— Eu já sei o que acho. Embora seja muito novo para entender sobre esse assunto, não acho que isso seja amor. O que eu realmente queria saber é outra coisa...
— Como assim?
— Não interessa agora – levei na testa de novo. Me voltei ao casalzinho novamente e me toquei de uma coisa.
— Vem cá! Você sequer deveria estar aqui, não? Está tarde e você está doente.
— Estava em casa sim. Mas senti sua presença, a segui e cheguei até aqui. Você ia lá em casa logo em seguida de qualquer forma, não é? – Procurei algum vestígio de medo ou coisa do tipo em seus olhos, mas não achei. Que espécie de criança era ele?
— Tudo bem. Mas essa não é o tipo de cena que um menino da sua idade possa ver.
— Não acho que ver ou não isso vá fazer alguma diferença daqui a algumas horas, certo?
História intrigante, criança intrigante. Acabei por me dar por vencido e acatar a sugestão dele. Por quê? Ah, não quero que a história acabe por aqui. Isso, na minha opinião, ainda dá muito pano pra manga...
— Muito bem então. Será como você quer – Olho novamente para os dois, estavam agora deitados, abraçados e respirando acelerado. Passaram um tempo assim e depois se vestiram, talvez esperando pelo que viria. O que não demora a acontecer.
De longe, escuto o som de cavalaria da guarda. Eram eles. Me levantei e escondi o menino atrás de um monte de feno pouco antes de ver o pai deste invadir o recinto e passei novamente a observar. Os dois do centro se levantaram, mas por pouco tempo. Sem dizer nenhuma palavra, o capitão ordena a seus homens abrir fogo contra os dois que logo são atingidos por três tiros cada, e ainda em silêncio, se retira do local em seguida. “Agiu exatamente como eu.” Pensei . Veio em silêncio, saiu em silêncio.
— Minha deixa – falei enquanto me aproximava dos dois. Do montinho de feno atrás de mim, o pequenino saia e me acompanhava. – Vocês tiveram uma vidinha bem conturbada não?
— Quem é... Você? – Me perguntou o mais velho, agonizando. Sempre fazem esse tipo de pergunta. – Espera um pouco... YeongMin é você? O que faz com ele? Corra e chame um médico rápido!
— Desculpe, mas não posso. Não vai adiantar. Ele está aqui pra levar vocês, não tem como fugir.
— Exatamente – concordei com o garoto.
— Então... Você é...? – O rapaz me olhava temeroso e com um braço tentava bloquear minha passagem ao mais novo, como se o protegesse.
— A Morte? Isso mesmo – sorri satisfeito, já erguendo meu cajado (não, eu nunca usei uma foice se é o que querem saber) para tocá-los e arrancar-lhes a alma. – Mas não se preocupem, não ficarão separados por muito tempo. Graças ao pedido desta criança, eu agora lhes amaldiçoo. O amor duplo... triplo... tanto faz, que vocês viveram nesta vida, será seu carma na próxima. Viverão tudo novamente, talvez mais ameno, talvez pior, mais ainda sim tão complicado quanto. Quero que me mostrem o que há de verdadeiro nisso tudo, se é que há algo...
— Um pedido seu? – perguntou minha vítima, se dirigindo ao garoto. – Por quê?
— Só estou curioso com uma coisa. Toda história tem um vilão não? – Olhei surpreso para o garoto, que mirava o quase-cunhado de forma cínica, indiferente à morte deste e do primo. Parecia até que estava... – Quem seria nesta? Você? Hyung? Minha irmã? Papai? Provavelmente a morte de vocês será descoberta, papai será preso, mamãe entrará em depressão, noona se matará por culpa e eu já terei ido. Ou seja, minha família se destruiu hoje por culpa de vocês e tudo o que aconteceu. Só quero saber se tudo isso pelo menos teve algum valor a vocês e se não... Bem, eu preciso de alguém a quem culpar não?
Precisa dizer que eu simplesmente A.DO.REI esse garoto? Acho que não, né? E foi com essas palavras que eu ceifei as almas dos dois rapazes e as lancei para os céus, observando-as até sumirem.
— Você os odeia? – Me dirigi ao pequeno.
— Sinceramente? – Fiz que sim com a cabeça. – Não sei. – O menino deu um grande suspiro e acabou tendo uma crise de tosse que de tão forte expeliu sangue em sua mãozinha. – É minha vez agora, não é?
Novamente afirmei com a cabeça. Virei meu cajado, pondo a ponta em sua cabeça e empurrando contra ela retirei sua alma.
Deixei o corpo ali mesmo. Me virei para sair do local, mas não sem antes olhar para trás e ver os corpos sem vida dos três. “Devia lhes dar um funeral justo pelo menos, já que por conta deles eu terei bastante diversão pelas próximas décadas...”
Saí do celeiro e vi uma tocha bem perto da entrada. Estava meio bamba para o lado, coisa muito descuidada de se fazer. “Um sopro de vento e ela cairia facilmente não?” Sorri satisfeito. Me aproximei e derrubei a tocha na palha seca que imediatamente ficou em chamas. O fogo não demorou a se espalhar por todo o lugar e logo haviam pessoas gritando por conta de um incêndio.
“Primeiro ato... Concluído.”
Notas finais
Quem será os dois bonitinhos da história hein???
Depois eu volto com o 1ºcap ok?
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