Notas iniciais
Então, como eu disse mais cedo, voltei agora com o primeiro cap xD
Vejam as notas no fim do capítulo ok?

Os primeiros raios de luz começam a me afetar os olhos quando os abro e escuto uma voz longe me chamando. Fecho eles novamente e volto a me concentrar no silêncio da minha cabeça. Por pouco tempo.

...ae...

...onghae...

– Donghae-yah! – Me levanto num solavanco ao reconhecer a voz que me chamava do outro lado da porta.

– Senhor?

– Acorda rapaz! Vai acabar perdendo o horário! – Horário? Olho para o relógio no criado-mudo e... COMO ASSIM JÁ SÃO 7:40H?!?! Caramba, vou me atrasar!!! Ainda tenho que tomar banho e... Que tomar banho o quê?! Um dia só não mata, não é? Me levanto da cama às pressas, já pegando qualquer calça pelo chão e enfiando uma das pernas dentro, me desequilibro, meu outro pé se engancha no lençol... Resultado: Levo um tombo daqueles. – Só não precisa se machucar menino! Sua tia já aprontou seu café lá na sacristia. Parecia até que ela estava adivinhando! Hahahaha...

Santa titia! Essa aí sim merece um lugarzinho bem lindo e aconchegante no céu.” Penso enquanto me levanto e coloco a outra perna dentro da calça.

– Obrigado Padre! – Logo pego uma camisa qualquer e me jogo dentro já correndo para o banheiro.

Depois de arrumado e feito a higiene matinal, pego minhas coisas e desço até a pequena cozinha que há na sacristia. Lá dou de cara com o velho Padre da paróquia sentado, lendo o jornal, minha tia de frente para o fogão mexendo algo pastoso numa vasilha, meu café já posto na mesa e o cheiro delicioso de biscoitos no ar... Já falei que a minha tia merece um lugar vip no céu?

– Bom dia! – Falei alegre, avisando aos presentes a minha chegada.

– Bom dia dorminhoco! – Respondeu o Padre de forma carinhosa e deu uma risada gostosa. – Está doendo muito?

– Nem tanto... – Disse meio sem jeito.

– O quê que está doendo? – Minha tia se vira e pergunta sorrindo. – Caiu da cama de novo Donghae?

– Na verdade, dessa vez eu só embolei meu pé no lençol quando fui me vestir ok? – Todos do recinto riram. Oras! E eu tenho culpa de ser desastrado? – Fazendo biscoitos, tia?

– O Padre me pediu ontem para fazer e distribuir para as crianças do orfanato e como eu teria de vir aqui cedo mesmo para trazer o seu café então...

– Vou poder comer também? – Perguntei e aposto que meus olhinhos estavam brilhando neste momento.

– Não.

– Aish...

Comecei a tomar (leia-se: engolir, no sentido mais literal da palavra) o meu café, acompanhado das risadas do Padre e de minha tia. Já estava acostumado àquela atmosfera familiar depois de dois anos assim.

Dois anos. Já se passaram tudo isso?

– Menino coma devagar! Vai acabar se engasgando desse jeito! — Concordei com a cabeça, já que falar estava um pouco impossível graças às torradas na minha boca.

– Melhor eu ir. Já está tarde. – Falei com muito esforço, me levantando e pegando minhas coisas. – Sua benção Padre.

– Que Deus te acompanhe filho – escutei já quase fora da sacristia.

Juro pelos céus que já sequer nem lembrava disso, mas assim que eu pus o pé para fora da cozinha o cheiro de biscoitos me atentou e... Eu acabei voltando e parando em frente a bandeja abandonada. Sim, abandonada. Minha tia havia saído do local pouco antes para pegar algo no altar e eu vi nisso a oportunidade perfeita para eu roubar... quer dizer, pegar inocentemente um, dois, melhor, três biscoitos.

Nada demais não é? Adoraria que pra ela também fosse...

– Eu literalmente não faria isso se fosse você – o Padre havia parado de dar sua atenção ao jornal para ver o que eu estava aprontando. Por que ele sempre advinha? – Você sabe que quando ela sentir falta...

– Quando ela sentir falta eu já estarei dentro do ônibus Padre, não se preocupe – respondi sorrindo e saindo de fininho do local.

– Se você diz...

Vou caminhando (ainda de fininho) pelo corredorzinho para fora da igreja e distraído (com medo de ser pego pela minha tia) acabo me esbarrando em Ki Joon, o coroinha da paróquia.

– Roubando biscoitos da sua tia, hein? Se ela ver vai te matar...

– Roubar é uma palavra um pouco forte não acha? – Falei enfiando um dos biscoitos na boca do menino. – E você vai obedecer ao hyung e ficar quietinho sobre isso, ouviu? – Ele concordou com a cabeça. Tadinho, tão obediente! Me lembra muito outro menino que eu conheço...

– LEE DONGHAE!!! – Nem precisei escutar o resto para começar a correr dali o máximo possível.

~x~

Um dia diferente. Era só isso o que eu queria hoje.

Sabe quando você acorda de manhã e reza para que o dia seja... sei lá... diferente? Quando você pede com todas as forças para os céus que lhe dê só um dia fora de sua maldita rotina? Pois é, foi o que eu fiz hoje. Mas sabe, quando eu fiz esse pedido eu queria somente que o dia não fosse comum, porém acho – acho não, tenho certeza – que Deus distorceu um pouco as coisas.

Eu me acordo às 7 em ponto, tomo um banho, me arrumo, tomo café, pego meu carro e vou para a faculdade. Saio ao meio-dia, almoço, passo no hospital para visitar o meu pai, vou para casa, estudo um pouco, tiro um cochilo, acordo, como algo, vou para alguma balada ou beber com os amigos, volto mais ou menos às 3 ou 4 da madrugada – depende da minha disposição – desmaio na cama e espero o despertador tocar avisando que já são 7 da manhã novamente.

Isso em dias comuns.

Já hoje, quando o despertador tocou, eu sabia o que teria que fazer só que o meu corpo não obedeceu. Estava enfadado desse dia-a-dia desgraçado. Nunca acontecia nada. Assim, eu fiz esse pedido inocente, mas de coração, aos céus e... Quando eu acordei de novo já eram 7:30!

Me levantei num pulo, corri pro banheiro, descobri que a ducha de água quente havia quebrado, tomei banho de água gelada, corri novamente, levei um tombo, me vesti, me dei conta que bêbado ontem havia dispensado a empregada, fui atrás de fazer café sozinho, me queimei, saí para a garagem, descobri que o meu cachorro fugiu, entrei dentro do carro, vi uma multa caríssima que eu tenho certeza que nunca levei na minha vida, saí de casa fumaçando e soltando os cachorros, quase atropelo duas vovós, quase bato em três carros, fui paquerado por uma senhora que parecia ter seus setenta anos, vi meu carro morrer no meio da estrada, liguei pra oficina que me disseram que só podiam levar o carro daqui a duas horas, dei o endereço de onde ele estava e agora vou seguindo todo o caminho a pé atrás de um ponto de ônibus. Isso tudo e agora que são 8:00h! Nada me tira da cabeça que eu vou acabar terminando hoje o dia num hospital, nada!

Lembrete para mim: Nunca mais queira mexer na sua rotina chata, porém pacifica.

Vou caminhando em silêncio, pensando em nada especial, apenas observando as pessoas, vendo elas se virarem em seus próprios assuntos. Uma senhora vendendo coisas, um homem com uma maleta na mão, crianças indo para a escola, e lá mais a frente várias pessoas amontoadas na praça saindo da igreja. Paro um pouco e espero a multidão de pessoas se dispersarem para poder seguir em frente. Por que as igrejas sempre estão lotadas de gente tão cedo?

Quando todos se vão, eu volto a andar. Devagar mesmo. A esta altura não tava nem ligando se chegava ou não atrasado na faculdade, as primeiras aulas seriam um porre de qualquer maneira.

Acontece que enquanto estava andando bem distraído com o vento e as folhas balançando, eu começo a escutar gritos raivosos vindo da igreja e quando eu paro em frente para ver o que acontecia, acabo sendo atropelado por alguém que vinha correndo porta a fora. Cai completamente desnorteado, espalhando todas as minhas coisas e sentindo um peso enorme acima de mim.

– Ai! Ai! – O peso começa a sair de cima de mim e eu me levanto sentindo uma terrível dor de cabeça. – Oh Deus me desculpa! E-eu te machuquei?

– Não, tá tudo bem – levanto o meu olhar e me deparo com um rapaz, muito atraente por sinal. Pele clara, cabelos castanhos escuros meio rebeldes e caídos pelo rosto. Seu rosto, que parecia ter sido feito por encomenda divina, se mostrava numa mistura de preocupação e receio. Minha cabeça estava explodindo, mas eu não conseguia parar de sorrir olhando-o. Tinha certeza que já o tinha visto em algum lugar...

– Tem certeza? Você parece meio tonto...

– Tenho – escuto novamente os berros de dentro da igreja. Era uma mulher, parecia estar procurando alguém e eu tinha quase certeza que era ele. Certeza que foi comprovada ao vê-lo se levantando desesperado e juntando suas coisas o mais ligeiro possível. – Espera aí! Está fugindo dela? – Segurei seu braço para que não escapasse. Ele se virou e concordou com a cabeça. – Vem comigo então!

– Mas... Pra onde?

– Anda logo!

Saí puxando ele pelo braço até a lateral da igreja, bem a tempo da tal mulher – que eu sequer havia visto ainda, mas pelo medo na cara do rapaz parecia ser bem assustadora – não nos ver ao sair do prédio. Devia ser a namorada dele, talvez. E não sei bem o porquê, mas essa ideia me incomodou um pouco, embora estivesse me divertindo ao ajudar alguém a fugir de um compromisso.

Ficamos estáticos, quase nos fundindo com a parede da igreja, sequer respirávamos com medo de que isso pudesse chamar a atenção dela para nós. Aproveitei a deixa para observar melhor o fujão. Se não fosse pelas roupas um pouco surradas e que pareciam ter sido escolhidas aleatoriamente, eu diria que era um modelo famoso ou algum ídolo desses da televisão. Era alto, tinha porte, com um pouco de aprendizado teria até a elegância de um nobre. Certamente a garota tinha toda certeza de persegui-lo acirradamente. Pelo menos, se fosse eu, era o que faria.

– Ela é sempre tão grudada? – Sussurrei curioso.

– Não. É que eu aprontei, sabe? Aí ela ficou furiosa... – Ele sussurrou de volta. Parecia estar se segurando para não rir, coisa que eu, ao vê-lo, comecei a fazer também.

– Aprontou, é? Dentro da igreja? – O cara parecia ser dos meus. Do tipo que se aproveita dos cantos mais inocentes para fazer coisas nem tão inocentes assim e não ser percebido. Será que ele havia traído ela? Curiosamente a ideia me agradou...

– Ah não foi nada demais...

Passados alguns segundos, escutamos a perseguidora entrar novamente na igreja e assim podemos finalmente respirar aliviados.

– Cara, realmente obrigado. Não sei o que ela faria comigo se me pegasse... – Disse começando a rir. Eu o acompanhei, extremamente feliz, mesmo não entendendo o motivo.

– Que é isso, não precisa agradecer. Eu entendo perfeitamente você. Acontece sempre comigo, já estou até acostumado a esse tipo de situação! – Ele sorriu tímido e eu fiquei fascinado pela visão. – Meu nome é Lee Hyukjae, muito prazer!

– Ah prazer. Meu nome é... DEUS, OLHA SÓ QUE HORAS SÃO!!! — Me assustei com o berro que ele deu ao olhar instintivamente para o relógio. – Desculpe, mas eu tenho que ir ou vou chegar extremamente atrasado! Prazer e obrigado de novo Hyukjae-sshi!

E desse jeito meio atrapalhado, ele se foi.

Quanto a mim, fiquei parado no meio da pracinha da igreja – perto de onde nós nos esbarramos – com a maior cara de desgosto por não ter tido tempo de sequer saber o nome dele. Me abaixo para pegar minhas coisas que ainda estavam largadas no chão e percebo algo que não me pertencia junto delas. Era uma carteirinha. Da mesma faculdade de onde eu estudava, só que com outro nome e com a foto do fujão.

Sorri totalmente satisfeito. Finalmente havia encontrado um motivo para ainda teimar de ir para a aula mesmo sabendo que chegaria quase na hora do intervalo. Afinal, eu era um bom moço e por isso teria que fazer a boa ação de procurar o rapaz e entregar a identidade para o dono, não?

– Lee Donghae, não é? Pois é... Talvez o dia não vá ser tão ruim assim!


Notas finais
Primeiro capítulo postado, já viram que os personagens principais (por enquanto) serão EunHae. Mas temos mais algumas coisinhas a considerar: Primeiramente, a história será dividida em duas partes, essa primeira será como uma espécie de introdução (bem grandinha por sinal xD), que servirá pra ajudar a vocês entenderem a segunda parte que é justamente onde o caldo vai engrossar e a história vai começar a andar nos trilhos. Outra coisa é que apareceram seres de outra banda na segunda parte, mas por enquanto estes será surpresa. E também apareceram outros sujus, embora o único couple de suju será EunHae mesmo, descupem TTOTT.
Mais uma coisa é que a história será toda em primeira pessoa (com excessão dos flashbacks) e não se preocupem que eu irei indicar quem é que está narrando, a não ser que seja personagem novo, aí eu gosto de deixar na surpresa.
Bjinhos pessoas e até o segundo cap! o/
OBS: Ô Dayane, é você mesmo muié? Como diabos você me achou? xD