You Are My Endless Love
10 Cap 9 - Feelings
Notas iniciais
Capítulo totalmente tenso e oferecido novamente para a mais nova beta da fic (entrará na segunda parte, que por sinal já está bem perto de começar, hm), minha cumade limda Suz!!! ♥
[Hyukjae POV]
Acordei na manhã do terceiro dia de viagem logo aos primeiros raios de sol. Fui abrindo os olhos lentamente tentando me localizar. Ah sim! Havíamos dormido na sala de estar. A lareira ainda fumegava um pouco, coberta de cinzas. Olhei para o lado, e vi Donghae dormindo pacificamente. Sorri, admirando a cena.
Sem acordá-lo, me levantei cuidadosamente, e fui até a cozinha. Já estava sem sono, então era bom preparar logo algo para comer. Peguei uma frigideira, tirei algumas fatias de bacon da geladeira e deixei-as na pia, enquanto colocava água na cafeteira.
Observei o silêncio da casa sendo aos poucos substituído pelo barulho de coisa fritando e água caindo. Aquela paz foi me tranquilizando, como se amenizasse tudo o que estava acontecendo comigo naqueles dias. Pensei em Donghae e em nosso primeiro dia aqui.
Naquela tarde, eu estava me corroendo de dor e agonia e sequer entendia bem o porquê daquilo tudo. Simplesmente sentia que o meu mundo havia sido destruído e não achava uma explicação plausível para aquilo. Estava tão cego que sequer havia percebido que Donghae sofria junto comigo, tanto que só dei conta quando ele se aproximou de mim e me abraçando, consolou-me.
Aquele momento para mim foi quase... eterno. Senti que tudo que me angustiava descia pelo ralo e dava espaço para uma paz que nunca mais — desde que a minha mãe era viva — havia sentido. Foi alí, naquele momento, que o turbilhão de sentimentos confusos teve algum sentido para mim.
O beijo que ele me deu foi tão doce e tão cheio de sentimento, que eu desejei mais. Suas palavras totalmente puras me mostraram a luz e me deu segurança o suficiente para encarar o que eu sentia. A ficha havia caído. E eu finalmente entendia tudo. Então as lágrimas realmente começaram a descer, e um alívio me preencheu.
- Então é aí que você estava? — fui tirado de meus sonhos por uma voz que eu conhecia bem. Ele estava alí do meu lado, ainda sonolento, bocejando, mas ainda lindo. – Acordou cedo. Aconteceu alguma coisa?
- Ah não. Só perdi o sono mesmo. – ele se aproximou espiando por trás de mim o que havia no fogão. – Quer café?
Ele assentiu sorrindo. Devolvi-lhe o sorriso e mandei-o se lavar antes, ele resmungou um pouco e subiu. Eu logo o acompanhei, levando comigo uma parte da bagunça que estava na sala de estar. Ao terminar, ele se juntou a mim para deixar a sala no mínimo apresentável. Trabalho feito, fomos tomar café.
- Vamos sair hoje? – ele me perguntou antes de colocar mais um pedaço de bacon na boca.
- Não sei... Pensei em passar o dia na piscina, o que acha?
- Piscina? – Donghae me olhou surpreso. – Aqui tem piscina?
- Você ainda não viu? – estranhei.
- Não.
- Ótimo, decidido então. É só esperarmos o pessoal aparecer que eu os mando ajeitarem a varanda para nós.
Pouco depois que terminamos de comer, os empregados finalmente apareceram. Ordenei que eles arrumassem e providenciassem tudo. Uma hora depois já estávamos enfiados na piscina. Esta ficava aos fundos da casa, no meio do imenso jardim. Se não fosse pela forma meio oblíqua, eu diria que ela se compararia com uma olímpica, tamanha era a sua grandeza. Me admira que Donghae ainda não tivesse percebido que ela existia.
Passamos a manhã inteira lá, alternando entre a água e as redes – importadas do Brasil – armadas na varanda. Na cozinha, algumas ajummas cozinhavam carne coreana e kimchi para o almoço e alguns quitutes para comermos enquanto esta ainda não estava pronta. O cheiro gostoso da gordura se misturava ao das folhas e flores caídas pelo jardim. Lembrei-me que já havíamos entrado no outono.
- Então... – Hae se sentava na rede à minha frente, secando o cabelo com uma toalha pela milésima vez só esta manhã. – O almoço sai que horas mesmo? – ele riu.
- Já está com fome? – brinquei.
- Já?!? Como assim “já”? Que horas foi que nós tomamos café hein? – ele jogou a toalha de sua mão na minha cara. Peguei-a, deixando que o cheiro dele misturado ao cloro da piscina fosse inspirado discretamente por mim. Sorri-lhe quando a abaixei.
- Estou brincando seu bobo – ele me fez uma careta. — Não acho que vá demorar muito tempo não.
Fomos interrompidos por um barulho, que reconheci sendo o meu celular. Peguei-o sentindo minhas forças se esvaírem ao ver quem era. Vi que Donghae me observava, pigarreei e pedi sua licença, me esforçando para parecer o mais normal possível; me levantei e dei a volta para o outro lado da casa para atender a chamada.
- Oi pai – falei ainda fraquejando. Sabia o motivo da ligação e eu temia aquilo mais que tudo.
- Olá filho – meu pai parecia bem animado do outro lado da linha. Meu estômago começou a se revirar. Aquilo definitivamente não era um bom sinal. – Você já deve imaginar porque eu liguei, não é?
- Fala de uma vez pai. – Não estava com ânimo para as brincadeiras de meu pai. Não hoje.
- Ok, ok, eu falo – ele pausou dramaticamente por alguns segundos, segundos que para mim pareciam uma eternidade. – Ela aceitou.
Depois dali, eu não ouvi mais absolutamente nada do que meu pai falava animadamente do outro lado da linha. Minha cabeça zumbia, e por um segundo, achei que fosse desmaiar. Desliguei o celular, ignorando totalmente a voz alta que falava nada que me fosse inteligível. Baixei-o e fiquei olhando-o, me sentindo absolutamente perdido.
In Rin havia aceitado. Mas por quê? Eu havia passado a vida inteira achando que ela não me via mais que um irmão mais velho e agora... isso? Ela teria sido pressionada pelos pais? Ou pelo meu pai? Na verdade, nada mais disso adiantava. Íamos casar, querendo ou não. Agora mesmo meu pai devia estar planejando os preparativos para o jantar de noivado junto com os pais dela. A imagem da cena em minha cabeça me enojou.
- Hyukjae, você quer me dizer o que raios está acontecendo? – me assustei ao ouvir a voz de Donghae se aproximando.
Ele vinha a passos largos e decididos. Tinha uma expressão firme, e talvez até raivosa. Segurou o meu braço fortemente, se colocando à minha frente, me forçando a olhá-lo. Tentei me desvencilhar de si, mas não consegui. Naquela hora, a raiva que sentia de meu pai, de In Rin e de tudo, juntou-se a audácia dele de tentar me controlar, fazendo o meu sangue ferver.
Explodi.
Com uma força descomunal, me soltei de seu braço e o apertei, arrastando-o casa a dentro. Os gemidos e reclamações de dor de Donghae não me faziam efeito, e já estavam relativamente altos quando os empregados vieram até a sala ver o que acontecia.
- Sumam todos daqui! – gritei raivoso, sendo prontamente atendido. Segundos depois, a casa estava completamente vazia, a não ser por mim e por Donghae.
Andei mais alguns passos, ignorando as tentativas dele de se soltar, e o joguei com força contra a parede, perto da escada; o baque de suas costas se chocando contra a parede sendo seguido de um gemido alto de dor.
Me aproximei e apertei minha mão direita em sua mandíbula, segurando seu corpo com a esquerda e prensando-o contra a parede, forçando a me olhar. Ele se encolheu, toda a valentia de antes sendo substituída pelo medo. Vi seus olhos começarem a ficarem vermelhos e a lacrimejarem. Sua respiração acelerada estava úmida e se chocava contra o meu rosto. Estava assustado.
O que diabos eu estava fazendo mesmo?
Os primeiros soluços chorosos dele me acordaram de meu transe, me fazendo ver a cena que fazia. Fui afrouxando aos poucos os nós dos meus dedos ao redor de sua mandíbula, junto com os que o seguravam. Ambos os locais estavam vermelhos e marcados. Dei um longo suspiro, fechando meus olhos e tentando pôr a cabeça no lugar. Abaixei meu braço direito, envolvendo – agora com os dois – sua cintura nua num abraço, e descansando minha cabeça na curva de seu pescoço, sentindo seu perfume agindo como um calmante para mim.
- Perdão Hae – sussurrei rouco em seu ouvido. Senti a pele dele arrepiar-se imediatamente, me incentivando a continuar.
- Hyuk, eu... – ele começou baixinho, mas eu o interrompi.
- Shiii... – sussurrei antes de começar a percorrer a linha de sua mandíbula, marcada antes pelos meus dedos, com os meus lábios. Vi ele mordendo o lábio inferior, na tentativa de prender um gemido, sorri satisfeito com a reação.
Fui descendo aos poucos até o queixo e voltei a fitá-lo. Sua respiração misturava-se a minha e eu podia novamente sentir seu gosto, tão próximos estávamos. O apertei mais contra mim, a parte de cima de nossos corpos completamente desprovidos de roupa, tentando prender totalmente sua atenção. Seus suspiros descompassados e os gemidos tímidos funcionando como injeções de deleite em mim. Mais uma vez eu estava descontrolado.
Acariciei de leve cada pedaço de seu rosto com meus lábios, terminando nos dele. Rocei-os de leve, enfeitiçando-o aos poucos num beijo simples. Estava pronto para avançar outro passo, mas eis que minha mente retomou o rumo e, me fez desistir.
Tombei a cabeça para frente, encostando a testa na parede fria, usando o choque de temperatura para me acalmar. Ainda o apertava contra mim quando voltei ao seu ouvido.
- Hae... sobe... e troque... de roupa – sussurrei, fazendo um certo esforço por conta da respiração enlouquecida.
- Hum...?
- Suba... e se troque... – pausei, ainda reunindo fôlego. – Vamos sair.
- Pra onde? – sua voz era quase inaudível.
- Sem perguntas – sussurrei-lhe de novo, calmamente. – Apenas faça o que eu disse. Vou me trocar também e esperarei dentro do carro, ok? – Ele assentiu e eu finalmente o desprendi.
Donghae subia a passos lentos as escadas me olhando de vez em quando, enquanto eu o observava subir. Quando escutei a porta do seu quarto fechar, passei a mão pelos cabelos, respirando profundamente antes de subir ao meu próprio quarto. Tomei uma ducha rápida, e vesti um jeans preto combinando com o colete desabotoado também preto que usava por cima da camisa branca gola em V. Calcei meu par de coturnos favoritos, ajeitei os cabelos e desci para pegar o carro.
Dez minutos de espera no carro e eu vejo Donghae saindo pelo portão de madeira da casa. Vestia uma regata longa estampada e uma calça preta colada. Meu coração deu um pulo, e borboletas se debatiam em meu estômago. Já achava que ele não viria mais. Abriu a porta do banco do passageiro e entrou totalmente calado. Talvez o choque do que havia acontecido na sala há poucos minutos ainda não tivesse passado, e justamente eu não podia reclamar disso. Assim que fechou a porta, eu arranquei com o carro.
Eu não sabia para onde exatamente eu estava dirigindo, somente dirigia, me distraindo com os prédios e casas que passavam. Donghae ao meu lado nada dizia, apenas também procurava se distrair com a cidade passando pelo vidro da janela. Mantinha a cabeça encostada de lado no vidro e o olhar distante, tão distante quanto o meu.
Passando do meio-dia, resolvi parar em algum canto para comer e libertar um pouco Donghae de seu confinamento ao meu lado. Achei um pequeno restaurante de aparência simpática perto do começo de uma rodovia. Paramos e entramos. A não ser na hora de fazer o pedido, Donghae permanecia em silêncio, embora não aparentasse estar com raiva ou chateado, o que foi o meu alívio. Comemos e depois de pagar a conta, voltamos para a estrada.
Entrei na rodovia que ficava ao lado do restaurante e fui seguindo sempre reto. Sequer sabia onde aquela estrada ia parar, mas no momento qualquer lugar no mundo é melhor do que aquela casa e a capital. Alguns minutos depois, já estávamos longe da civilização, por assim dizer. Apenas se via mato e estrada, então me ocorreu uma ideia. Apertei um botão no painel de controle e a capota portátil do carro foi encolhendo para trás, fazendo meu carro voltar a ser o velho conversível. O vento nos batia no rosto, dando a sensação de liberdade que eu tanto ansiava novamente.
Após ver a transformação que o carro havia passado, Donghae sorriu e abaixou imediatamente o vidro do carro, deitando os braços por cima da porta e pousando a cabeça de lado neles; fechando os olhos e sentindo o vento. Feliz, por ver que ele havia gostado, acelerei.
Passamos horas na estrada, correndo de cidade a outra e parando somente para comer ou abastecer. A essa altura da viagem já havíamos voltado a nos falar, mesmo que não tocássemos em nenhum assunto que parecesse constrangedor. Paramos em mais pelo menos dois restaurantes e uns três bares, conhecemos pessoas novas, compramos lembranças, ajudamos uma senhora a levar as compras até sua casa, até vimos um idoso que havia servido na segunda guerra mundial – que nos puxou para conversar e nos contou parte de suas histórias como um soldado.
Já estava anoitecendo e eu vi que infelizmente já era hora de voltarmos. Pegamos a estrada novamente e já estávamos de volta à cidade, mas antes que pudéssemos chegar em casa, mais uma ideia me veio à cabeça. Olhei de relance para Donghae que mexia nas lembrancinhas que havíamos comprado em uma de nossas paradas e observei suas roupas, eram simples, mas estavam no ponto certo.
Dobrei em uma esquina, passei por uma avenida, depois dobrei em outra. Donghae percebeu que finalmente tínhamos um itinerário fixo e começou a observar a estrada a fim de tentar adivinhar aonde chegaríamos.
- Vamos visitar alguns amigos – falei, matando sua curiosidade. – Eles trabalham por aqui. Veja, é ali.
Apontei para uma pequena, mas movimentada, boate que ficava numa esquina. Ele me olhou surpreso, e depois para a fila que se estendia dobrando a esquina e descia até baixo da rua.
- Não se preocupe, não pegaremos fila – respondi sua pergunta muda. Estacionei o carro nas vagas Vips e nos dirigimos à entrada.
O segurança da boate era tão meu amigo quanto o dono e o barman do lugar, e assim que me viu abriu um largo sorriso.
- Oh céus, quem é vivo sempre aparece hein? – disse ele me puxando para um abraço. – E ele... – se virou para Donghae. – está com você?
- Está sim – falei aproximando Donghae do segurança. – Hae, este é Kangin, estudamos juntos no secundário. Kangin, meu velho, este é Lee Donghae. – Kangin olhou Donghae de cima a baixo e pareceu gostar do que viu, então me lançou um olhar questionador. — Faz faculdade comigo. – respondi, sabendo o que ele queria perguntar. Ele me deu um sorriso amarelo, e talvez não acreditando no que eu disse, me deixou passar com um meio sorriso presunçoso.
Entramos na boate. Estava completamente tomada de gente. Puxei o braço de Donghae para que me acompanhasse, no entanto algo me parou o gesto – a cena de mais cedo. Tinha medo de lhe machucar como antes. Escorreguei lentamente minha mão até a dele, segurando firmemente enquanto abria espaço entre as pessoas até sairmos perto do bar.
Respirei profundamente ao sairmos da nuvem de pessoas e ao avistar o segundo de meus amigos servindo bebida para um casal que saia. Acenei para ele, e ao me ver, vi ele fazendo o mesmo com um sorriso acolhedor no rosto.
- Gente do céu, e eu que pensei que você tivesse morrido rapaz! Esqueceu dos amigos foi?
Sungmin era um rapaz de estatura mediana, cabelos negros, bochechas fofas e um sorriso brilhante. Era barman do lugar desde que eu o coloquei para trabalhar aqui, junto com Kangin há uns quatro anos atrás. O dono da boate havia acabado de despedir seus antigos funcionários ao descobrir que eles tinham um caso e me pediu ajuda, para que lhe recomendasse pessoas de confiança.
- Vai querer o de sempre?- assenti e ele se virou para buscar uma garrafa do meu whisky escocês favorito. – Ele também?
- Não, nada de álcool pra ele – falei antes que Donghae respondesse. – A propósito... Hae este é Sungmin. Minnie, este é Donghae.
- Ah muito prazer Donghae – Minnie esticou a mão para cumprimentar Donghae que repetiu o gesto. – Vocês são amigos de onde?
- Nós estudamos na mesma Universidade – Donghae respondeu tímido.
- Hum... – Foi aí que eu vi em Sungmin a mesma expressão presunçosa que Kangin fizera a minutos atrás. – Bem Donghae, o que vai querer? Um suco de laranja? Café? Água?
- Acho que vou aceitar o suco sim.
- Ok – Sungmin se virou e, antes de sair, me deu uma piscadela. Senti meu rosto corar. O que era que esses dois estavam pensando afinal?
Donghae me puxou pelo braço. Parecia desconfortável com o ambiente, me lembrei que ele não era do tipo que andava em boates.
- Não se preocupe, não precisa fazer nada do que não queira – olhei-o e ele assentiu. – Só viemos para visitá-los. Como viu, faz tempo que não os vejo. Se soubessem que eu passei o feriado na cidade e não tivesse passado por aqui era capaz de me matarem.
Sungmin voltou em seguida trazendo um copo comprido com um líquido amarelo e o entregou a Donghae.
- Mas e enquanto ao Shin? Não veio trabalhar hoje? – perguntei tomando a minha segunda dose.
- O patrão? Deve estar pra chegar. Ainda está cedo. – E ele me serviu mais outra dose. Olhou simpático para Donghae e sorriu. – Você não me parece acostumado com esses tipos de lugares não é?
- Pois é – Hae respondeu tímido.
- Então me deixe avisar uma coisa. Este cara aqui – disse apontando pra mim. Olhei-o surpreso. – é acostumado a beber até não se aguentar em pé. Por isso, se ele der uma louca aqui e dormir pelo balcão, não se preocupe, é completamente normal.
- Minnie!
- O que foi? Só estou avisando a pobre alma do que ele vai ter que aguentar se você realmente for esperar pelo patrão – disse impassível.
Donghae riu abertamente e depois sorrindo, assentiu. Fiquei extasiado ao ver seu sorriso mais puro. Quer dizer, não é que eu não estivesse acostumado a vê-lo sorrindo, mas é que aquele sorriso era diferente. Era completamente natural, e não tímido ou brincalhão como eram os seus costumeiros. Me peguei fitando-o sorrindo bobamente até que ele, percebendo o meu olhar em cima de si, corou fervorosamente virando de costas para o balcão. Sorri mais ainda, tomando mais uma dose. Sungmin ao meu lado, deu uma risadinha e encheu novamente o copo.
Já passava da 1:00h da madrugada, Shindong e seu sócio, Heechul – os dois, meus grandes amigos de infância – já haviam chegado e nos transferido para a área vip do estabelecimento. Donghae estava se dando muito bem com todos, principalmente com Minnie e Chulla, que resolveram contar a ele todas as minhas – ou melhor, nossas – travessuras de quando criança.
Eu já havia perdido as contas de quantas doses de whisky havia bebido, e nem estava preocupado, muito pelo contrário, me sentia mais feliz e leve do que nunca. Falávamos sobre um monte de coisa, ríamos dos namoros conturbados de Minnie e do quase casamento de Shin – uma perca de tempo segundo Chul. Este nos contava como era a faculdade na França e sempre que podia enfatizava a beleza das francesas, mesmo que achasse que não se comparava a dele. Shindong também parecia mais alegre do que nunca e decidiu, para a felicidade geral, que as bebidas seriam por conta da casa.
Passamos horas assim e eu, pelo fato de começar a ver três Donghaes ou três Minnies, comecei achar que já era hora de irmos.
- Gente dá licença que eu vou no banheiro, ok? – falei, e Minnie me indicou uma portinha mais afastada da sala, ao lado da saída de emergência.
Abri a porta me deparando com um banheiro bem arrumado e com três boxes, me dirigi a pia e abri a torneira. A visão da água caindo e descendo pelo ralo, me ajudou a me situar e a transformar as duas ou três imagens em uma só. Coloquei as mãos numa forma de concha em baixo do jato de água, enchendo-as e jogando em meu rosto. Uma, duas, três, quatro vezes, até que a minha cabeça inteira estivesse encharcada. Me olhei no espelho e vi o quanto cansado estava. Tinha pequenas olheiras e meus olhos estavam baixos, pesados. Definitivamente não podia dirigir, ainda bem que tinha Donghae. Abri a porta do banheiro novamente, saindo de lá e sinto algo vibrando em meu bolso de trás esquerdo. Tiro meu celular e, vejo quem era.
Ver o nome de In Rin no display, em qualquer outro dia, seria uma coisa normal e, às vezes, até gratificante. Mas hoje era diferente. Completamente diferente. A raiva de mais cedo voltava aos poucos a renascer e se transformava.
Ódio. Era isso que eu começava a sentir.
Apertei o celular com toda a força que eu tinha, até sentir meus nós dos dedos doerem. Estava furioso. Sentia o calor maldito da raiva tomar conta de todo o meu corpo. Respirei fundo. Uma, duas vezes, tentando me acalmar, voltar ao controle. Não consegui. Um baque fortíssimo ecoou, embora tivesse sido abafado pelo barulho quase insuportável da música eletrônica. Havia estraçalhado meu celular no chão, e agora via os pedaços dele espalhados ao meu redor. Completamente irado – agora com mais um motivo, abri com um estrondo a porta da saída de segurança e saí, fechando-a com um novo estrondo.
A ruela na qual saí, era bem estreita e escura e do lado da porta havia alguns lixeiros. Apoiei minhas costas na parede e deixei meu corpo escorregar ao chão, abraçando os meus joelhos. Respirei fundo novamente. Precisava me acalmar, eu sabia disso. Já havia tido problemas demais num dia só pelo meu descontrole emocional, mas ao que parecia, o álcool havia se tornado um estimulante poderoso para evitar que a fúria me deixasse.
Alguns segundos depois, escuto a porta de emergência abrir e fechar novamente. Sinto alguém se abaixando ao meu lado, e me viro para olhar de quem se tratava.
Donghae me olhava preocupado.
- Lee Hyukjae, você quer me fazer o favor de dizer logo o que raios está acontecendo? Já estou ficando aborrecido com isso sério!
- Não é como se te importasse – respondi ríspido ao mesmo tempo em que me levantava. Bom pelo menos eu não havia batido nele ou coisa assim, mas era melhor que eu me afastasse logo antes que me descontrolasse de vez e o acabasse machucando sério.
Donghae ficou parado por mais alguns segundos, tentando assimilar o que ouvira, e de uma vez, se levantou.
Plaft.
Senti a minha cabeça sendo virada para a direita e rapidamente, uma ardência na bochecha esquerda. Apoiei minhas costas novamente na parede sem me mexer, olhando perdido para a direção forçada. Logo, minha cabeça começou a pesar, tombando para frente. O tapa levado por Donghae havia funcionado. A raiva passou.
Levantei o rosto devagar, fitando-o. Seus olhos estavam lacrimejando, mas de raiva. Notei na hora o que queriam dizer, e assenti. Agora era ele que estava no comando.
- Vamos para casa – disse quase sem força alguma. – Lá... eu explico tudo.
Não dissemos nada até voltar para casa. As ruas estavam desertas, apenas algumas pessoas – em sua maioria, bêbadas – teimavam em andar sozinhas. Donghae dirigia. Veloz, mas calmo. Parecia ter se arrependido de ter me dado aquele tapa. Quanto a mim, não havia mágoa nenhuma, sabia que tinha merecido.
Chegando lá, ele estacionou o carro, abriu a porta e me ajudou a subir as escadas até o meu quarto. Nunca minha cama me pareceu tão convidativa. Me joguei nela, de roupa e tudo. E fiquei lá até notar que Donghae ainda estava alí, me fitando e parecendo esperar por alguma coisa. Me lembrei do que havia dito na boate e, suspirando, voltei a me sentar na beira da cama.
- Pode começar – ele disse seco. – Aconteceu alguma coisa, ou não?
- Aconteceu, Hae. Aconteceu. – suspirei alto virando o meu rosto para o lado por um momento e depois voltando a fitá-lo. – Meu pai, Donghae. Já faz algum tempo que ele resolveu começar a dar uma de casamenteiro pro meu lado, mas eu nunca dei muita bola.
- Hum... – ele me fitava, paciente.
- Aí que...
- Aí que?
- Ele conseguiu. Marcou meu casamento com In Rin com os pais dela. – Cuspi de uma vez, antes que a coragem me deixasse. – O jantar de noivado será nessa segunda após o feriado.
Silêncio.
Abaixei minha cabeça novamente, fitando sem emoção alguma o chão. Donghae se mantinha mudo mas eu não me atrevi a olhá-lo.
- Mas... isso é... bom... não é? – ele falou finalmente, sua voz saindo com dificuldade. Tomei coragem para olhá-lo.
- Como?
- Quer dizer... você... sempre gostou dela... não é? – Continuei a fitá-lo de baixo para cima. Ele parecia perturbado com a notícia, mas eu não me alterei. A impassibilidade me tomou de conta. Apenas observava sua reação.
- Sim.
- Então... Isso é bom. Fico muito feliz pelo noivado de vocês. Muito mesmo. Espero que sejam muito felizes. – disse, me dando as costas. – Se é assim, acho melhor eu ir. Estou cansado. Boa noite.
- O problema Hae – comecei finalmente, me levantando e colocando as mãos nos bolsos, num gesto despreocupado. — é que eu não vou casar com ela.
- C-como?! – ele se virou novamente.
Donghae continuava me olhando chocado. Percebi suas mãos tremendo enquanto me aproximava. Peguei-as delicadamente. Estavam frias. Voltei a fitá-lo, mais intensamente do que nunca, e ele desviou-se. Não podia ser um psiquiatra ainda mas sabia claramente os sinais que uma pessoa apresenta quando está mentindo.
- Você escutou. Não vou me casar com ela.
- Mas por quê? Achei que gostasse dela...
- E gosto. Por isso não quero magoá-la desse jeito. Não posso casar com ela sabendo que não a faria feliz.
- Mas como assim? – ele me olhava desesperançoso.
- O que acontece Donghae... É que, na verdade, hoje em dia, eu estou apaixonado por outra pessoa. – ele se retesou por um segundo, me olhando incrédulo. – E... eu acredito... que você saiba de quem estou falando.
- Mas... – ele começou, mas eu interrompi.
- Um sinal seu, Donghae. Era só isso que eu estava esperando esses dias.
E antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, eu avancei em seus lábios, num beijo calmo e profundamente caloroso. Num beijo que há muito eu esperava. E assim, naquela noite, eu desliguei minha mente e abri totalmente o meu coração.
Notas finais
Queria agradecer também as leitoras limdas que leem a história e mesmo que não mandem review nem nada... Eu sei que vocês existem! xD *sim, pessoas estoy muy surtada hoje* IAHSIOHOIASHDOIASHOIASJDIOAJS
Bjocas e tenham uma bom dia! -q
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