You Are My Endless Love

9 Cap 8 - First Days


Notas iniciais
Boa leitura!

[Donghae POV]

- Nossa, em pensar que a gente se conhece desde crianças e sequer lembramos disso... — falei tentando puxar assunto.

Depois da conversa que ele e o pai tiveram, Hyukjae me parecia triste, sofrendo por algo. Fazia tudo meio que robotizado e não disse uma palavra sequer durante o caminho; à não ser para pedir o que comer no pequeno restaurante no meio da estrada, no qual nós paramos para almoçar e depois voltar a seguir viagem.

O silêncio pesado me aborrecia e eu não sabia o que mais me era insuportável; o fato dele estar sofrendo, o fato dele não me contar nada, ou ainda, o fato de eu não poder fazer nada para ajudá-lo.

Havíamos chegado na casa de verão da família dele há poucos minutos. Estávamos sentados na espaçosa sala de estar decorada em branco, tomando chá, enquanto esperávamos os empregados guardarem nossas coisas em nossos devidos quartos.

- Você, eu até entendo — disse ele de repente, me alegrando. — Pelas minhas contas, na época, você deveria ter uns quatro a cinco anos. Já eu tinha sete! Não me conformo por não conseguir lembrar de nada!

- É normal, bobão — sorri tentando confortá-lo. – Não é como se tivesse sido ontem.

Ele depositou a xícara vazia na mesa e tirando os sapatos, se deitou no sofá. Continuou encarando o nada por um bom tempo e por fim deixou o braço direito descansar por cima de seus olhos.

- Hyukjae?

- Hum...

- Você nunca mais voltou à nossa cidade natal depois que foram para Seul?

Tirando o braço de cima e abrindo lentamente os olhos, ele me encarou de uma maneira bem diferente do que eu estava acostumado. Tinha algo de nostalgia e talvez até doçura em seu olhar, como se eu fosse um pedaço de algo bom que outrora fora esquecido e que agora retornava. Aquele olhar me fez arrepiar por inteiro e a sentir com se houvesse borboletas enfurecidas em meu estômago.

- Não, mas bem que gostaria de voltar lá. Agora mais do que nunca – senti meu rosto ferver com o último comentário. – Lembro de tão pouca coisa... Apenas pequenos flashes, nada muito concreto.

- Por que não vamos nas férias então? – Desviei o olhar, e tentei a todo custo disfarçar a minha vergonha. – Você me trouxe para passear, então talvez – se você quiser, claro – eu te leve quando for. Sempre vou visitá-los nesse período e se não for é capaz de virem me buscar a força – ri, me lembrando deles. Como sentia falta dos tempos em que não precisava vê-los apenas uma vez por ano. – Mas também não estava querendo ir sozinho então...

- Claro, por que não? – ele me interrompeu e eu sorri largamente, mais feliz do que nunca.

- Senhor, os quartos já estão preparados. – Uma senhora baixinha e de cabelos grisalhos chegava e nos fazia uma grande reverência. – Precisa de mais alguma coisa?

- Não, você e os outros já podem se recolher para as suas casas. Se acabar precisando de algo eu chamo, não se preocupe.

A senhora assentiu, nos fez mais uma reverência e saiu acompanhada de mais alguns empregados. Subimos para os nossos quartos, que por um acaso eram vizinhos, e antes de nos separarmos, nossos olhares se trocaram novamente. Corado, corri para dentro, tranquei a porta e me joguei na cama.

No silêncio acolhedor do meu quarto, comecei a pensar no homem do quarto ao lado e no quanto essas últimas semanas vêm sido terríveis para mim.

Todos os meus maiores pesadelos voltaram a me assombrar. E eu que pensei tinha tudo sobre controle, quando finalmente eu resolvi tirar esse ano para dar um rumo à minha cabeça e ao meu coração, quando eu finalmente achava que podia acertar as coisas com o meu falecido pai, quando eu já havia me conformado a abandonar todos aqueles sentimentos e pensamentos, que por mais que eu soubesse serem verdadeiros, me pareciam tão errados e sujos, quando eu finalmente me pus a esquecer; tudo me volta exatamente como uma avalanche em seu auge: rápida, forte, fria, destruidora e mortal.

De repente, as últimas palavras de Heins ssi em sua última visita retumbaram em minha mente, antes que eu pudesse adormecer e espantá-las. “Donghae ah, quando alguém se priva demais das coisas pensando em um futuro, é porque ele cometeu algum erro grave no passado e quer usar de seu sofrimento e do futuro para se redimir. É esse o seu caso? Por isso tem tanto medo de arriscar e sair da linha?”

Acordei com uma terrível dor de cabeça. Olhei ao meu redor e tomei conta que começara a escurecer. No ar, o cheiro de café invadia o ambiente, lembrando ao meu corpo que necessitava de algo mais que chá para se manter em pé. Levantei, notando a presença de um banheiro perto da entrada. Me dirigi a ele, resolvendo tomar um banho antes de fazer qualquer outra coisa. Foi uma ótima escolha, pois devido as gotas quentes que desciam pela minha cabeça e escorriam pelo meu corpo, a dor de cabeça e o cansaço me deram uma trégua.

Vindo da cozinha, o aroma do café estava tomando totalmente o lugar, mas agora acompanhado pelo cheiro de torradas recém-feitas. Estava prestes a descer, enfeitiçado pelos rastros de comida, quando, numa súbita vontade de olhar para o quarto ao lado, vi a porta aberta. Movido pela curiosidade, me aproximei. Esperando achar o lugar vazio, me surpreendi ao ver Hyukjae parado diante das portas de vidro fechadas, observando o sol se esconder nas casas à frente, com uma caneca de café na mão.

Seu olhar parecia tão perdido quanto antes, notei algumas lágrimas tímidas caindo pelo seu rosto. Senti meu coração despedaçar, uma dor enorme me acometeu, e fui invadido pela vontade de querer tomar para mim todo o sofrimento guardado por ele, por mais que eu não soubesse o que acontecia de fato. Por fim, ele deixou a caneca em uma mesinha de centro e se sentou em uma das poltronas aveludadas, abaixando a cabeça e cobrindo o rosto com as mãos.

Não suportava vê-lo naquele estado e por mais confusos que pudessem ser os meus sentimentos, por maior que fosse o meu medo e por mais que eu não quisesse me afundar mais em dor, de uma coisa eu tinha certeza: me jogaria no fogo do inferno se fosse preciso para vê-lo e fazê-lo feliz.

A passos largos e calmos adentrei no aposento, me aproximando cada vez mais dele. Parei em sua frente, mas este parecia não ter notado a minha presença. Levei minhas mãos ao seu rosto e o levantei. Ele parecia surpreso e confuso ao me ver. Seus olhos, vermelhos de chorar, estavam banhados em lágrimas que escorriam pela face pálida e eram levemente escondidos pelos cabelos molhados colados no rosto.

- Hae... – sua voz embargada era um sussurro fraco e quase inaudível, fazendo meu peito apertar mais ainda.

Com os polegares, enxuguei as malditas lágrimas que molhavam sua face numa carícia suave. Seus olhos se fecharam, mostrando estar gostando do ato. Lentamente, fui me abaixando até estar a sua altura e depositei-lhe um beijo na testa.

- Não se preocupe, eu estou aqui com você e não vou deixar nada e nem ninguém te machucarem, ouviu? – sussurrei quando este abriu os olhos novamente e eu me perdi neles. Ele assentiu.

Fiquei reto e aproximei sua cabeça de meu corpo num abraço, passando a mão por ela. Aos poucos senti minha camisa ficar cada vez mais úmida. Ele voltara a chorar, agora com muito mais intensidade. Abraçava minha cintura com força, enterrando seu rosto em meu abdômen e soluçava constantemente. Apenas deixei-o assim, derramando sua tristeza em lágrimas e molhando meu corpo com elas, enquanto fazia um esforço sobre-humano para não cair ladeira a baixo também.

Aos poucos, passado um bom tempo, senti os soluços parando e me dei conta de que ele havia adormecido agarrado a mim. Com cuidado, o levantei e o levei até a cama, cobrindo-o até o pescoço. Me sentei ao seu lado e voltei a acariciar os fios castanhos. Hyukjae ainda tinha a respiração pesada e soluçava de vez em quando. No meu coração, um turbilhão de sentimentos confusos me corroía e apenas uma certeza, fazendo com que finalmente as lágrimas que eu tentava esconder rolassem pelo meu rosto, culpadas e inconsequentes.

Diga o que dissesse e mesmo não sendo correspondido, eu o amava.

Na manhã do dia seguinte, Hyukjae já estava com um humor bem melhor, o que me deixou bem feliz. Chamou os empregados para fazer o nosso café e logo após dispensou-os. Disse que o pai sempre dava ordem para que estes vigiassem cada movimento seu, e ele simplesmente detestava isso. Assim, como era para supostamente ele não saber disso, os empregados não tem outra escolha que deixá-lo em paz e depois mentirem para o patrão para livrarem suas caras.

Depois de tomarmos café, resolvemos dar um passeio pela cidade, mas já que eu não conhecia nada, acabamos por fazer um tour turístico. Durante todo o dia, não falamos nada sobre o que havia acontecido no dia anterior, queria que ele se distraísse o máximo possível, então aquele assunto estava fora de cogitação. Fomos primeiramente ao museu, depois a um templo budista e após almoçamos em um quiosquezinho italiano perto da praça central.

Hyukjae se espantou e até resmungou um pouco sobre a facilidade em que o vendedor e eu fizemos amizade. Apenas um "Buongiorno" e dois minutos depois já falávamos de Veneza – cidade natal do vendedor, que realmente era italiano – e suas belas praças e rios. Pela primeira vez, eu pude usar o italiano a que fui forçado a aprender quando criança e agradeci internamente a meu pai por isso. Comemos espaguete, tomamos um pouco de vinho e fomos embora, mas não sem antes de Hyukjae me fazer repassar meia hora de conversa entre mim e o vendedor para ele em coreano. Notei que durante todo o resto do dia ele me fitava diferente e aparentava sempre querer me contar algo, porém no fim, desistia e seguia em frente. Aquilo já estava me frustrando.

No zoológico, fiz mais uma amizade. Dessa vez foi com uma menininha muito fofa de cabelos negros e curtinhos e bochechas gordinhas que veio de repente até nós quando observávamos os macacos e pediu que eu lhe ajudasse a dar uns pedaços de frutas para os bichos.

A criança – Na Rin, que era só sorrisos e devia ter uns três aninhos – na verdade só se lembrou de mim enquanto não conhecia Hyukjae, este sim estava encantado pela pequena e ela por ele. Colocando a garotinha sentada nos ombros, ele seguiu brincando com ela por boa parte do passeio. Os pais da menina seguiam atrás de nós e pareciam cansados, mas não era à toa, ela era tão elétrica quanto o oppa que a levava. Ao final, ele pagou sorvete para todos – inclusive aos pais da menina – e quase que se derramou em lágrimas quando a fofíssima por pouco não o largava e começou a chorar porque não queria ir embora.

- Lee Hyukjae, larga a filha alheia! – pedia pela milésima vez.

- Mas Hae... – choramingava.

- Na Rin querida, vamos que o papai vai comprar um elefantinho de pelúcia pra você! – implorava o pai.

- Num quelo elfante! Quelo oppa! – gritava a pequena, abraçada ainda a Hyuk.

Eu assistia a situação inteira me segurando para não rir, mesmo que estivesse com uma pena enorme da menininha. Ambos — menina e Hyukjae, só aceitaram se largar depois que eu resolvi entrar na adulação, fazendo os pais dela nos passarem seus contatos e passarmos os nossos para eles. Hyukjae comprou um ursinho de pelúcia marrom para a nova irmãzinha e eles se foram, me deixando com uma sensação de dever cumprido e Hyukjae ainda choroso.

Para alegrá-lo de novo, resolvemos parar no meio do caminho em uma feirinha para comprar algumas coisinhas. Rios de dinheiro — na minha opinião, claro — gastados em bugigangas e penduricalhos para celular depois, estávamos exaustos e novamente famintos. Pegamos as milhões de sacolas, jogamos dentro do carro e seguimos para casa.

Lá, os empregados já haviam feito algo para jantarmos e estavam se retirando quando chegamos – por certo sabiam que seria exatamente essa a ordem seguinte do patrão. Subimos, nos banhamos e nos reunimos novamente na sala para jantar ao pé da lareira acesa. A brisa fresca da noite em início de outono invadia pela janela e deixava o lugar meio frio, então a lareira estava fazendo um ótimo favor a nós, deixando o ambiente mais aconchegante.

Conversamos muito sobre o passeio, e embora ainda estivesse curioso em saber o que acontecia com ele esses dias controlei o máximo possível minha ansiedade para não estragar o clima bom que nos rodeava. Os olhares ansiosos por parte dele pararam, e deram lugar aos leves e tranquilos. Isso me deixou mais confortável para passar mais tempo ao lado dele sem corar meia dúzia de vezes a cada elogio ou menção constrangedora.

- Não quero dormir no meu quarto hoje – disse distraído olhando para o teto em certo momento da conversa.

- E vai dormir aonde? – retruquei de imediato. – Aqui?

- Hum... É! – ele sorriu de modo travesso. – E você vem junto.

- Eu?! Por quê? Não quero dormir no chão frio!

- Não vamos dormir no chão frio. É só pegar os nossos cobertores e colocarmos embaixo para forrar, aí nos cobrimos com outro. – me disse com uma cara de óbvio.

Não querendo discutir o desnecessário, afinal sabia que ia acabar cedendo de qualquer maneira, acabei por concordar. Assim dez minutos depois, descíamos as escadas com dois cobertores cada e jogamos nos sofás. Hyukjae voltou a subir para pegar alguma coisa enquanto eu arrastava o tapete e os estofados para os lados, dando maior espaço em frente à lareira. Logo Hyuk descia de novo com umas coisas que eu não prestei muita atenção de início, jogava em um canto e subia novamente.

Assisti ele repetir a mesma ação mais duas vezes até me dar conta que ele trazia para perto de mim um monte de revistas em quadrinhos – lembrancinhas compradas no mercado. Arrumamos dois dos cobertores no chão de madeira como se fossem colchonetes, separados por três coleções completas de mangás e uma bandeja com uma jarra d’água, uma garrafa térmica com chá e biscoitinhos de leite. Nos deitamos cada um em sua caminha improvisada e depois nos enrolamos com os dois cobertores restantes.

- Até que ficou bem confortável – disse me aconchegando um pouco mais no cobertor.

- Eu sempre faço isso quando venho pra cá nessa época do ano – ele falava pegando a edição nº1 de uma das coleções.

- Você não pretende ler tudo isso em uma noite só, não é? – o encarei um pouco espantado com a quantidade de revistas empilhadas entre nós.

- Não sei... Sou uma traça para mangás – ele riu baixando a revista para me encarar. – As três logicamente não vão dar tempo, mas pelo menos uma coleção eu sou capaz de devorar em uma noite, dependendo do número de volumes e da história, claro. Trouxe logo as três porque pensei que você quisesse ler também se perdesse o sono, e como eu não sei que tipo você gosta...

- Esse aí é de quê? – olhei para o mangá tentando ler o título na capa. Dizia “Slam Dunk”.

- É um shounen esportivo, sobre basquete. Mas é bem engraçado, um dos meus favoritos. Nunca tive a coleção completa, aí quando vi lá na feirinha não resisti.

- Hum...

Revirei as pilhas de mangás e procurei me interessar por um dos títulos também. Acabei por optar “Rurouni Kenshin”. Já havia assistido todo o anime e lido boa parte do mangá quando criança, mas como nunca cheguei a terminá-lo, então essa seria uma grande oportunidade para fazê-lo.

Ainda conversamos bastante enquanto líamos, na verdade, conversávamos mais do que líamos. Descobri que Hyuk não tinha ido com a cara do italiano que virou meu amigo mais cedo e eu lhe perguntei o porquê. Ele enrolou, enrolou, e por fim, desconversou, me deixando na curiosidade extrema, já que eu achei isso bobagem; afinal o vendedor foi tão simpático com a gente e nos tratou tão bem...

- Foi simpático com você Hae e não comigo. – disse emburrado, encerrando o assunto.

Três – ou seriam quatro? – volumes e muita conversa fiada depois, meus olhos já começavam a pesar. Procurei um vestígio de algo que pudesse me dizer que horas eram e achei meu celular debaixo de uma dúzia de mangás de “Love Hina”. Me espantei ao ver que eram por volta de 02:45 da madrugada. O dia fora tão longo assim? Eu sequer percebi!

Me virei para fitar Hyukjae e lhe contar minha descoberta, quando o achei já dormindo ainda com um mangá nas mãos. Lhe sorri, achando a cena muito bonitinha. Peguei o celular, tirei uma foto para guardar de lembrança e pus como papel de parede. Ia lhe mostrar pela manhã, certamente iria fazer escândalo para que eu apagasse. Tirei o mangá de suas mãos, coloquei na montanha e os afastei para perto de um dos sofás junto com a bandeja. Me deitei novamente, mas não antes de cobri-lo direito, e fiquei a observá-lo com um sorriso bobo até adormecer.

Notas finais
Capitulozinho fofo e sofrível...
Hyukkie chorando, Hae consolando e a história dos dois esquentando hehehe ♥
Tô meio sem inspiração hoje pra escrever mais algo que preste, então, um beijinho a todas e fiquem bem!
OBS: Um parabéns para quem foi encarar os dois dias de ENEM xD