You Are My Endless Love
8 Cap 7 - Marriage
Notas iniciais
[Hyukjae POV]
Três meses se foram desde àquela ida ao parque. Um dos dias mais confusos e mais memoráveis da minha vida, diga-se de passagem. Posso dizer até que foi ali que realmente começou tudo. Pelo menos pra mim.
Após aquele dia, a relação entre mim e Donghae ficou deveras estranha. Não que deixamos de ser amigos e nos falarmos, mas é que simplemente não conseguiamos ficar 10 seguntos em silêncio um com o outro sem sentirmos o constrangimento nos rodiar. In Rin também percebeu. E por um longo tempo ficou tentando arrancar de nós o motivo de tal clima.
As coisas só vieram a voltar ao normal — ou o mais normal possível — quando um belo dia acordei com a idéia de que aquilo que aconteceu — ou que ia acontecendo — com a gente foi apenas um acidente devido à minha carência e ao fato de ter poucos amigos e muitas amantes. Agora o que isso tem a ver com o fato de eu ter várias amantes e ainda assim ser carente, por favor não me pergunte. Contei para Donghae sobre a minha feliz descoberta e ele aceitou de bom grado, embora depois desse dia tivesse começado a me evitar.
As coisas con In Rin continuavam na mesma. Hae ainda quis ajudar, mas eu sempre recusava quando podia. Por algum motivo, não gostava de ver ele se envolvendo e se importando tanto assim com isso. Por isso pedi que ele apenas deixasse isso pra lá, já que ao que parecia, eu estava começando a suportar aquilo melhor e tinha medo de que eu acabasse piorando as coisas se insistisse mais.
Meu pai é que de uns dias pra cá veio se tornando quase insuportável.
Com a minha formatura se aproximando, ele estava mais firme do que nunca com a história de me casar antes de chegar ao fim do ano. Já havia até começado a procurar candidatas que ele achava que poderiam se tornar ótimas esposas, sempre com base nos requisitos mínimos para sustentar a pequena fortuma da família, claro. Não que ele tivesse mal gosto para mulheres, mas é que apenas a menção ao nome "casamento" já me dava arrepios e enjoos.
Se bem que também de uns dias pra cá, esse nome vem me causando mais efeitos dos que esses costumeiros. Venho começando a ter algo como medo e talvez até desespero. A idéia de me casar vem me parecendo insuportável e mais dolorosa do que eu pensei que seria e, com certeza, não é apenas pela minha mania de liberdade, isso eu sei!
Com tudo isso mais a faculdade e seus testes constantes, a chegada do feriado prolongado vinha sido uma verdadeira bênção. Já havia começado a planejar tudo desde a semana anterior. Uma semana na casa de verão da família há duas cidades daqui com direito a fazer tudo o que me der na telha iria ser ótimo pra me ajudar a desestressar. O problema é que faltando dois dias para chegar o grande dia, eu estava meio desanimado em ir sozinho.
- Você podia chamar Donghae oppa — dizia In Rin terminando de tomar o seu milk shake de morango. — Eu até iria com você oppa, mas é que depois do feriado eu tenho uma prova importantíssima e prefiro passar a semana estudando.
- Só não sei se ele vai gostar da idéia de passar uma semana sozinho comigo... — sussurrei comigo mesmo.
- E por que ele não iria? — Droga, ela escutou! — Claro que ele não tá acostumado a ir nos cantos em que você vai, nem a andar com as pessoas que você anda e muito menos fazer o que você faz por aí; mas como o oppa vai pra lá pra descansar, bem que poderia fazer umas excessõezinhas, não?
O comentário de In Rin passou o dia martelando em minha cabeça. No fim, ela tinha razão. Não é como se eu fosse dependente de farra e mulheres. E afinal, eu iria pra descansar, e se eu fosse sair apenas seria para dar um passeio de vez em quando. Nada demais. Em teoria, claro.
Foi uma verdadeira batalha convencer Donghae a ir. Foram precisas várias ligações, abordagens nos corredores da faculdade, conversas e mais conversas, porque ele estava irredutível. Cheguei até a implorar e fazer chantagens emocionais no intervalo!
O ponto decisivo e no qual eu ganhei a guerra foi quando, no penúltimo dia, eu fui, pela última vez, tentar convencê-lo na hora do intervalo. Nos sentamos na mesa de costume, no fundo do refeitório, e começamos a conversar sobre assuntos aleatórios. Estavamos sozinhos. In Rin havia faltado aula por conta de uma conversa — bem séria, segundo a mãe dela — marcada com os pais e com mais alguém que ela só saberia na hora. "Bem suspeito isso não?" ela me disse ontem por telefone.
Só ainda não entendi o que foi que fez ele mudar de idéia de uma hora para outra.
Em determinado momento da conversa, eu puxei o assunto da viagem de novo e de novo tomei um "não" na cara. Já estava meio impaciente com a teimosia e a relutância dele. Oras, nós apenas iriamos viajar e aproveitar o feriado e não roubarmos um banco e depois planejar a dominação do mundo, então que problema podia ter isso? Tentei de todas as formas convencê-lo, com todos os argumentos possíveis e já estava para desistir quando uma garota que estava na mesa ao lado e escutando a nossa conversa chegou e puxou assunto.
- Oppa, se você quiser eu posso te fazer companhia na viagem, assim oppa não fica sozinho e ainda podemos nos conhecer melhor, que tal?
Eu nunca havia visto a garota na vida. Mas até que ela era bem bonita, do tipo que eu brincava um fim de semana e depois nunca mais falava. Tinha um sorriso malicioso nos lábios e um olhar de segundas intenções. Sorri para ela da mesma forma. Talvez não me parecesse tão ruim assim que Hae não fosse.
- Bem... Não me parece nada ruim.
Foi aí que Donghae, que estava na cadeira à minha frente, do nada, bateu forte com os livros na mesa, me olhou furioso e saiu a passos largos, totalmente calado. Eu estranhei, lógico. Ele podia ser meio estranho mas não era de fazer estardalhaço assim sem causa nenhuma, a não ser que tivesse começado a ser assim alí. Passou o resto do intervalo sumido e eu, me sentindo completamente perdido, tentando achá-lo e ao mesmo tempo, tentando descobrir o que raios havia feito de errado.
Faltava uns dois minutos para o começo da aula quando eu o achei no terraço da universidade, sozinho e pensativo. Me aproximei com cuidado e antes que pudesse falar alguma coisa, ele me interrompeu e disse que aceitava viajar comigo. Esqueci totalmente do ataque que ele havia dado e com um sorriso, assenti, e disse que ia buscá-lo bem cedo na igreja no dia seguinte. Já ele achou melhor que saíssemos direto da minha casa. Disse que era capaz do velho padre recusar dispensá-lo de última hora se esperasse demais.
Sem nem retrucar, concordei.
No dia seguinte, acordei bem cedo, tomei café, rebolei minhas malas no carro e voltei para dentro de casa, esperando Donghae chegar.
Me joguei no sofá e suspirei. Era a primeira vez em algum tempo que eu tinha algo de paz e alegria dentro de mim. Sentia que nada pudesse estragar o meu dia.
Engano meu.
Passados alguns minutos, a campainha toca e eu corro — praticamente saltitando — em direção à porta.
Donghae vinha trazendo uma mochilona e mais uma mala média com certa dificuldade. Me apressei em pegar a mochila e levá-la ao sofá enquanto ele arrastava a mala para dentro. Sentei e vi ele fazendo o mesmo, suspirando cansado.
- Viu teimoso? Foi por isso que eu achei melhor te buscar lá, assim não teria que ter trazido esse peso até aqui de ônibus.
- Bem... Pelo menos eu cheguei vivo, mesmo que a trancos e barrancos — ele riu.
Depois fomos à cozinha. Donghae querendo fugir o mais rápido possível da igreja antes que o padre mudasse de idéia, acabou saindo sem tomar café e eu disse que só sairíamos depois que ele comesse algo porque não queria ninguém passando mal no meu carro.
- Ah é, esqueci de te dizer — puxou em determinado momento. — Mandei um telegrama para os meus irmãos e pedi que o mais novo pintasse um quadro pra você. Acho que ele vai gostar de saber que tem um fã.
- Sério? — Quase me engasguei com o achocolatado. Estava emocionado. Ninguém fora In Rin e meu pai me dava presentes, muito menos sem um motivo. — Obrigado mesmo Hae!
- De nada.
- E você pediu que ele pintasse o quê? — perguntei cheio de curiosidade.
- Aí é que tá. Ele não gosta muito de trabalhar assim, sabe, por encomenda. Diz que tira a concentração dele e diminui a emoção. Então eu não pedi nada específico, apenas que o próximo quadro que fizesse ele mandasse para eu dar de presente. — Ele me observou como se procurasse algum vestígio de desapontamento. — Sem problemas, certo?
- Claro! — respondi animado.
Fomos interrompidos pelo barulho da campainha e eu olhei em volta um pouco espantado. Não estava esperando ninguém chegar além de Donghae. Pedi licensa a ele e saí para atender. Quando cheguei à sala, vi que a empregada já havia atendido e atrás dela para a minha infelicidade, estava meu pai.
- Olá Hyukjae, vim fazer uma última visita antes de você viajar! — disse me tomando num abraço. — Oras, e este quem é? — Me virei para trás e vi Donghae parado nos observando.
- Ah, pai, este é Lee Donghae, um amigo da faculdade. Donghae... — estendi o braço para que ele se aproximasse — este é o meu pai, Lee HyunGin.
- Prazer senhor — disse tímido, fazendo uma reverencia e apertando a mão de meu pai.
- O prazer é meu. — Meu pai sorriu simpaticamente. — Vai com Hyukjae para a nossa casa de campo?
- S-sim senhor.
- Que ótimo! Assim você pode me fazer o favor de vigiá-lo para que não faça nenhuma besteira longe de casa, tudo bem?
- Ô pai, não começa!
- Hum... Tudo bem senhor, pode deixar!
- O que é isso? Se conheceram há dois segundos e já fizeram um complô contra mim?! — Estava boquiaberto com a capacidade do meu pai de arranjar vigias pra mim. É como se o mundo já tivesse pré-disposição para isso e só estivessem esperando pelo chamado dele.
- E você é daqui mesmo Donghae? — Meu pai continuou, me ignorando totalmente.
- Não pai. Você vai amar saber que ele é da mesma cidade que eu nasci — bufei chateado.
- Não me diga! Sério mesmo? — Os olhos de meu pai brilhavam como se tivesse ganhado na loteria.
- É sim.
- E quem são os seus pais? Pode ser que eu os conheça.
Meu pai já puxava Donghae para sentarem no sofá, e eu me segurava para não rir dele que, totalmente vermelho, não sabia onde meter a cara de vergonha.
- Bem... Na verdade eu sou órfão. Fui criado pelo padre da cidade com mais dois meninos.
- Oh céus! É isso! — Meu pai dera um pulo de felicidade e eu e Donghae olhavamos para ele sem entender nada. — Bem que eu achei que já havia visto você em algum lugar! Eu já o conheço Lee Donghae. Você era aquele garotinho tímido que Jungsu criava, não era? Vivia na barra da batina dele, ao contrário do mais velho que sempre foi mais do tipo moleque travesso. Só acho que não se lembre de mim, era novinho demais na última vez que o vi.
- Como assim?! – Dessa vez eu que pulei, mas foi de surpresa. – Pai, você o conheceu quando era criança?
- E você também, meu rapaz. Lembro que eles foram os últimos que visitamos antes de nos mudarmos para a capital. Lembro até que você passou o dia brincando com ele e o mais velho, enquanto eu e sua mãe conversávamos com o padre. Sua mãe até o ajudou a trocar as fraudas do mais novinho. Era um recém-nascido pelo que me lembro, tinha acabado de ser abandonado na frente da igreja. Deve estar enorme hoje!
- Mas... Hein?! — Ok, estava sem palavras. E parecia que Donghae também.
- Mas me diga... Como vai meu velho amigo?
- Bem, senhor... Eu sinto dizer que ele já faleceu.
- Oh meu Deus... – Vi meu pai fraquejar um pouco diante da notícia. Notei também algumas gotas de suor escorrerem pelo seu rosto. – Eu... sinto muito filho. Realmente sinto muito.
- Tudo bem – Donghae parecia estar mergulhando em lembranças tristes, assim como o meu pai. Segurei um impulso enorme de me aproximar dele e abraçá-lo de modo que afastasse tudo aquilo.
- Sabe Donghae, eu devia muito a esse homem. Muito mesmo. Foi ele Hyukjae – me virei para fitá-lo ao ouvir o meu nome sendo chamado. – quem casou a mim e sua mãe. Foi ele também que nos ajudou a fugirmos do seu avô. Sempre pensei que devia a minha vida a ele e agora...
- Está tudo bem pai? – perguntei com medo de ele estar passando mal.
- Está filho, está sim.
- Mas pai... O senhor não veio aqui só pra se despedir de mim, não é? Aconteceu alguma coisa?
Achei que o melhor seria mudar logo de assunto, antes que meu pai passasse mal e Donghae se deprimisse de uma vez. Minutos depois, me arrependi amargamente de tê-lo feito.
- Não aconteceu nada demais filho, mas eu preciso conversar com você – se virou para Donghae e lhe acenou com a cabeça. – Em particular.
- Tudo bem, vamos pro meu quarto então.
Subimos num silêncio estranho.
Ao entrarmos no quarto, meu pai se sentou em uma das poltronas da saleta e me convidou para que fizesse o mesmo. Ele parecia querer cuspir tudo de uma só vez, mas permanecia concentrado escolhendo bem as palavras.
- Filho, eu vou ser bem direto — jogou de repente, perdendo a paciencia consigo mesmo. — Falei com os pais de In Rin ontem e... — ele deu uma pausa cuidadosa. — acertei com eles seu noivado com ela. Por vocês serem amigos desde crianças, eu deixei ela pensar por algum tempo, mas já é praticamente certo. O jantar de anunciação será após o feriado, por isso é bom você aproveitar esse tempo para pôr, também, a cabeça no lugar.
Entrei em choque.
Numa situação normal eu estaria pulando de felicidade. Minha cabeça pedia por essa reação mais do que nunca. No entanto, a única coisa que eu sentia naquele momento era uma dor dilacerante. O ar me faltava e o mundo à minha volta parecia mais confuso e mais veloz em sua rotação do que nunca. Borrões e mais borrões em minha vista e a subita vontade de sumir me invadiram.
Havia, simplesmente, perdido o meu chão.
Notas finais
Prometo que faço o Hyukkie casar bem lindo e ainda de quebra faço ele fazer um strip para todo mundo no buffet e... -n
Olha aí a história começando a coisar é! Depois daqui nada mais de flores viu?
Bjos a todos e todas!
Fale com o autor