You Are My Endless Love

6 Cap 5 - Family, friends and honor


Notas iniciais
Postando da casa de uma das betas, depois de perder o celular e em tempo de ser botada pra fora de casa por ser tão tarde... Mas estou feliz por causa de MAXIMUM xD Personagens novos a frente, prestem bem atenção a ele hm ^^
Boa leitura!

[Donghae POV]

Família, amigos e honra.

As três coisas necessárias para uma pessoa ser feliz e se manter na linha. Será mesmo?

É o que dizem. Mas eu, pelo menos, já sacrifiquei dois destes. Isso me faz alguém ruim e digno de pena?


Ontem Hyukjae passou o dia conosco.

Me surpreendi com a habilidade musical dele. Não são muitas as pessoas que conseguem tocar vários instrumentos e todos com maestria. Mas ele conseguia.

O padre gostou bastante dele. Disse que ele tinha um futuro grandioso pela frente se ele decidisse “ser alguém mais do que um playboy”. Eu ri bastante quando ele disse isso.

Ao meio-dia, após a manhã inteira de trabalho, nós sentamos e voltamos a conversar. Ele me falou mais um pouco de si. Falou de como era sua relação com a falecida mãe e eu lhe falei de como era a minha com meu falecido pai. Descobrimos várias coisas em comum, como por exemplo, o fato de sermos da mesma cidade natal.

Ele me disse que quando era novo, o pai dele fugiu com a namorada – a mãe dele, que por um acaso estava grávida – para uma cidade do interior – a mesma em que eu nasci. Ao que parece, o avô de Hyukjae não permitia o casamento deles, assim os dois decidiram abandonar tudo na capital e se mudar para a residência de um amigo. Alguns meses depois Hyukjae nasceu e depois de sete anos, o avô mandou buscar o filho, a nora e o neto com a promessa de que permitiria a união desde que o herdeiro assumisse o seu lugar nos negócios familiares. Eles aceitaram e assim voltaram para a capital.

Me contou também que este era o motivo de ainda não ter se declarado para In Rin. Tinha medo de começar um romance e depois ser abordado pelo pai, que já começou a falar com ele sobre casamento arranjado. Não queria brigar com o pai – sua única família – e muito menos magoar In Rin. Disse que fizera um acordo com o pai. Este o deixaria viver a vida como queria até que terminasse a faculdade, neste período o pai não se intrometeria em nada e pagaria todas as contas do filho não importasse do quê, para que logo após a formatura ele pudesse, também sem reclamar, assumir o seu lugar de direito.

Já eu lhe falei mais sobre mim, meus irmãos e nossa vida cercada de padres, freiras e afins. Ele escutava atentamente com uma cara impressionada cada memória que eu ia lhe contando. Sempre perguntando como nós conseguíamos viver daquela forma. Eu ria bastante dessas perguntas, já que eu me fazia as mesmas sobre ele enquanto me contava como era a sua como ele mesmo dizia, “boa vida de verdade”.

Hoje acordei pensando em tudo que me acontecera esses dias. O fato era que desde que o moreno aparecera em minha vida – ou melhor, desde que eu esbarrara nele – tudo o que eu achava certo ou errado pareceram mudar de significado e o meu maior medo parecia estar a caminho de se concretizar e, eu que deveria estar lutando contra isso, apenas estou deixando acontecer.

Por quê?

A igreja estava silenciosa. Todos estavam na casa paroquial, conversando e assistindo TV e apenas eu estava sentado em um dos bancos largos de madeira do salão principal olhando perdido para o altar. Sou acordado do meu transe de repente por um vento forte e frio que invadiu porta adentro e apagou a maioria das velas, deixando o recinto bastante escuro.

Me viro para a entrada e me apresso para fechá-la no mesmo instante em que o barulho ensurdecedor de um raio ecoou, me assustando. Já havia fechado uma das portas e estava fechando a segunda quando algo pareceu impedir a minha ação. Abro novamente a porta e meio que me assusto com a pessoa parada diante de mim.

– Heins sshi?

– Como vai Donghae?

O homem entrou sem nenhuma ordem ou permissão. Parou na metade do corredor e se virou novamente, me encarando com o seu velho meio sorriso de canto de boca.

– Não vai me responder?

– Ah desculpe. Vou bem, obrigado. Mas eu pensei que nunca mais veria o senhor ou pelo menos não tão cedo... – disse de costas para o visitante, terminando de fechar as portas o mais rápido que pude, já sentindo os respingos de água.

– Também não achei que voltaria tão cedo, mas foi necessário. Negócios, meu rapaz.

Albert Heins era um velho colaborador da paróquia. Um empresário alemão que passou a vida trabalhando para acumular gordas contas bancárias e hoje gasta seu rico dinheirinho com obras de caridade, e que mesmo com os seus 40 e poucos anos, ainda era um homem de beleza e inteligência invejável a qualquer jovem por aí. Vestia um blazer casual risca de giz preto preso apenas pelos botões do meio para o fim, deixando a camisa branca aparecer em cima, combinando com a calça preta e os sapatos sociais bem lustrados da mesma cor. Aparecia de vez em quando, olhava o interior da igreja, dava um oi a todos, deixava alguma doação para reformas, compras ou mesmo para o orfanato da comunidade e depois desaparecia sem deixar rastros. Havia vindo há poucos meses e quando foi embora deu a notícia que provavelmente teria que deixar de visitar a paróquia, embora ainda fosse continuar com as doações. Por isso, sua presença ali era totalmente inesperada.

Por mais generoso que o homem pudesse ser, eu não me sentia bem com a sua presença. Era um misto de insegurança e medo, mesmo que eu tivesse certeza que o senhor jamais me faria mal algum. Comigo e com ninguém. Era do tipo de homem que estava acima de qualquer suspeita, mesmo que sua aura fosse um pouco sombria.

– Tem certeza que você está bem garoto? Me parece um pouco pálido – ele disse com seu coreano perfeito depois de algum tempo me analisando.

– Estou, estou sim. São apenas algumas preocupações, mas nada demais – tentei disfarçar o meu incômodo.

– Alguma coisa com a paróquia ou com o nosso velho padre?

– N-não! Claro que não.

– Então é com você?

Abri a boca para falar algo, mas parei no caminho. Pensei um pouco se deveria ou não contar algo, mas antes que pudesse me decidir minha língua foi mais rápida.

– Talvez.

Ele ficou ponderando minha resposta. Deu mais alguns passos na direção do altar e se sentou em um dos degraus. Me fitou mais um pouco com seus olhos verdes intensos e carregados de experiência, e depois como se tivesse lido os meus pensamentos disse:

– Donghae eu acho que você se preocupa demais com coisas que estão além do seu alcance.

– C-como?

– Você é muito jovem e se preocupa demais com o que tem de ser e o que virá. O futuro não te pertence, meu caro. Deixe o rio correr por si próprio um pouco e aproveite a visão de seu leito.

Assenti nervoso. Como ele pode saber o que se passa na minha cabeça?

– Mas como vão as coisas por aqui? – disse relaxando um pouco mais sua expressão.

– Bem... Quer dizer, tivemos um pequeno probleminha ontem com um dos músicos, mas já está tudo bem.

– E a faculdade? Suas notas continuam boas?

– Também está bem, obrigado.

A faculdade. Me lembrei de Hyukjae.

O senhor Heins pareceu notar que o meu animo não estava para conversas porque já havia se levantado e ia se dirigindo para a casa paroquial quando minha língua me traiu novamente.

– S-senhor?

– Sim? – ele se virou para me encarar novamente.

– Eu conheci um... amigo... na faculdade... Achei que gostaria de saber.

O homem sorriu, me fazendo corar um pouco.

– Sério? Que bom! E como ele é? É um bom rapaz? – a voz tranquila dele me fez sentir um pouco mais seguro.

– É, é sim. Foi ele que nos ajudou a resolver o problema ontem. Ele toca, sabe? Aí substituiu um dos músicos que estava doente.

– Hum... E ele é talentoso?

– Bastante.

– E suas preocupações são por causa dele?

Engasguei na hora.

– Não me leve a mal Donghae, eu sei de suas convicções e seus planos para o futuro. Mas como eu já lhe disse uma vez, três coisas são necessárias na vida de alguém: família, amigos e honra. Não adianta querer ser feliz sem ter uma dessas coisas porque muito provavelmente não vai conseguir. Não importa o que as pessoas dizem, mas essa é a verdade. Uma coisa puxa a outra, se você pensar bem.

– Eu sei senhor mas é que...

– Meu rapaz, não adianta se isolar apenas para não querer ser influenciado. Isso – essa sua decisão, é o que vai acabar te influenciando e te tirando do seu caminho. Se você está certo do que quer, não vai haver ninguém que possa te fazer seguir a direção contrária. E se no fim, ainda assim você não se tornar o que queria, então é porque não era pra você ter virado realmente aquilo.

Permaneci calado. Então era assim? Meu medo de faltar com a palavra com a pessoa mais importante que eu já conheci havia me cegado a esse ponto?

– Aproveite sua juventude e seu descompromisso com a igreja, filho. Conviver com outras pessoas só mudará a sua cabeça se assim você quiser Donghae, pense nisso.

E assim, fazendo-me sentir altamente influenciado pelas suas belas palavras, ele se virou sorrindo de soslaio e saiu.

Uma coisa ele estava certo. Eu – realmente – queria sentir este pequeno gostinho de liberdade.


~x~


[In Rin POV]

Ai minha nossa que chuva repentina foi essa?!

Assim que começou, eu não tive outra escolha a não ser correr para debaixo do toldo de uma vendinha qualquer. Verifiquei minha bolsa e meu caderno de anotações e fui feliz ao saber que estavam intactos. Menos mal.

Me voltei para o relógio na parede do estabelecimento e vi que já quase passava do meio-dia. Estava atrasada, mas de nada podia fazer. Esperei pelo o que me pareceram uns quinze minutos e quando vi que a chuva havia se transformado em uma fina garoa sai correndo para o meu destino final.

As pesadas portas de madeira estavam fechadas, para o meu desespero. Bati e chamei na esperança de que pudessem abri-las o mais rápido possível. Alguns segundos se passaram até eu finalmente ouvir o barulho de ferrolhos se mexendo do lado oposto. Ao se abrirem, me deparei justamente com àquele que eu queria ver.

– In Rin?

– O-olá sunbae! P-posso ter... uma palavrinha... com você?- falei ofegante. A corrida havia me deixado sem ar.

Ele me olhou meio espantado. Dei de ombros, afinal, o que você faria se de repente no meio de uma chuva aparecesse alguém a quem você falou só uma vez na vida, toda molhada e ofegante?

– Claro, entra – ele falou abrindo passagem e fechando as portas rapidamente. – Se senta aí em algum canto enquanto eu procuro algo pra você se enxugar.

Vi ele se afastando enquanto tomava algum fôlego. Procurei um dos bancos de madeira e me sentei. Minutos depois ele voltou com uma toalha branca e me ofereceu. Agradeci e comecei a passá-la no rosto.

– Você disse que queria falar comigo? Aconteceu alguma coisa? – vi que ele havia se sentado de frente a mim e me observava curioso. Balancei a cabeça em negativa.

– É só que... Bem, é que eu to precisando de ajuda pra um trabalho da faculdade. É sobre arte religiosa, sabe? Aí Hyukkie oppa me disse que você vivia e ajudava nessa igreja e...

– Você pensou em me pedir pra dar uma olhada por aqui? – ele me completou e eu, tímida, assenti.

– Mas só se não tiver nenhum problema.

– Claro que não há. Pode ficar a vontade e fuçar no que quiser. Só tenha cuidado com as imagens de santos, ok? Seria um problema se quebrassem – ele sorriu super simpático e eu lhe devolvi.

– Você poderia me acompanhar? É que eu preciso de algumas informações sobre as obras...

– Claro! Vamos ver... Melhor começarmos por ali.

Ele apontava para um canto à direita do altar. Era onde as pessoas acendiam velas. O lugar, iluminado apenas pelas próprias velas, tinha algumas imagens de santos e as paredes tinham pinturas de passagens da bíblia. Observei atentamente cada uma e fiz algumas perguntas ao meu guia que respondia sempre atencioso.

Passamos por todas as alas da igreja e voltamos ao salão principal. Paramos e nos sentamos ainda discutindo sobre o tour.

– E aí, falta mais alguma coisa que eu possa ver? – perguntei em determinado ponto da conversa.

– Bem... falta, falta sim. A principal delas.

Ele sorriu divertido e ansioso. Olhei em volta, me perguntando qual seria esta e onde ela estaria localizada. Ele apontou com indicador para cima e eu segui com os olhos a direção apontada. Meus olhos de repente se encheram d’água com a visão que tive.

A maior tela que eu já vi em minha vida estava diante dos meus olhos e eu ainda não havia percebido, talvez pela má iluminação, não sei, mas agora que eles começaram a se acostumar com a escuridão, eu finalmente pude ver e imediatamente senti meu coração esquentar, meus olhos se encherem e uma paz me invadiu.

– Gostou?

Acordei do transe e muito lentamente voltei a olhar Donghae sunbae, ainda com a boca aberta em completa surpresa.

– É-é linda sunbae... Mas como...? Quem...? – simplesmente me faltavam palavras naquele momento.

– Meu irmão pintou. E não me pergunte como foi que ele conseguiu esse resultado, porque eu simplesmente não sei explicar.

Depois de algumas horas me contando sobre a pintura e sobre o autor dela (grande parte das coisas eu já sabia por meio de Hyukjae oppa, mas decidi deixar ele falar), Donghae sunbae se levantou e se ofereceu para buscar algo para comermos enquanto conversávamos. Ele era tão simpático e atencioso que toda essa preocupação me fez ficar um pouco envergonhada. Vi ele se afastando pela portinhola que parecia dar na casa paroquial.

Fiquei lá parada olhando e imaginando o que poderia haver depois da portinha. Tentei controlar minha curiosidade, mas não consegui. Após muito ponderar, me levantei e me dirigi à portinha também.

Da porta se seguiu o corredor estreito, e deste a saleta, que mais parecia uma cozinha do que qualquer outra coisa. Sunbae estava parado no balcão preparando algo como um suco, totalmente concentrado, de forma que não percebeu a minha presença. Aproveitei para xeretar mais o ambiente.

Notei uma escada mais afastada e ao lado, uma porta meio escondida, mas entreaberta. Podia ser uma espécie de depósito. Me estreitei pé ante pé pelo recinto e passei pela porta.

O lugar estava bem escuro e o cheiro de mofo tomava conta. Apalpei a parede atrás de algum interruptor e liguei a luz. Imediatamente a calma ganhada por àquela pintura na abóbada da igreja fora substituída pelo horror e pelo medo vindo de outra.

Minha voz sumira, minhas pernas bambeavam.

No quadro à minha frente, um monstro negro parecido com um felino, de chifres pontudos e uma cauda longa que o envolvia como uma serpente me encarava com seus olhos cor de sangue famintos. Tinha uma aura negra ao seu redor, aos seus pés jaziam diversos cadáveres esqueléticos e alguns em carne viva de homens, mulheres e crianças. Na boca escancarada e suja de sangue estava o pescoço de um dos corpos, sua cabeça pendendo de um lado e o tronco, do outro. As patas traseiras, grandes e fortes, estavam contraídas de forma a parecer que a fera estava pronta para dar o bote em uma nova vítima.

A lâmpada que iluminava o ambiente começou a piscar incessantemente e o efeito parecia dar a impressão de que a besta se mexia e rosnava esperando o melhor momento para atacar. O medo me dominava por completo e embora quisesse desviar o olhar da tela, eu tinha a impressão que se o fizesse, a criatura me devoraria. Comecei a suar e a querer sair dali desesperadamente, mas minhas pernas trêmulas sequer me obedeciam. Minha mente vacilava e aos poucos dava vida ao monstro que a altura já descia do quadro e dava os primeiros passos em minha direção. Fiz uma prece de todo o coração para o meu corpo e num momento de coragem duvidosa algo pareceu explodir dentro de mim.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!


~x~

[Donghae POV]

O grito fino e estrondante que escutei de repente me fez dar um pulo de susto e quase derrubar a jarra de suco de minhas mãos. Reconheci imediatamente a voz de In Rin. Procurei ao meu redor a direção de onde viera o grito e me deparo com a porta do depósito aberta. Engoli em seco já com a certeza do que se tratava.

“Ela deve ter visto a pintura...”

Larguei a jarra de qualquer jeito em cima do balcão e corri para a porta, onde vi In Rin trêmula no chão, com a cabeça baixa e segurando os próprios braços.

- In Rin, você está bem?

Ela assentiu em lágrimas. Olhei para a tela da besta e me lembrei do que meu irmão me disse ao me entregá-la. "A personificação de um dos piores e dos melhores sentimentos que um ser humano pode sentir, hyung. Mas somente àqueles que sentem a arte podem tirar essa conclusão daqui."

Eu fui um destes que se desesperou e pediu por socorro ao ver a maldita tela, mas logo após me acalmar foi que dei conta de que meu irmãozinho estava coberto de razão.

O medo era capaz de desarmar totalmente uma pessoa diante de um perigo eminente e ao mesmo tempo, fazer com que seu corpo se prepare completamente e lute pela sobrevivência. "É fato, hyung, que várias pessoas quando se encontram em perigo encontram a coragem para seguir em frente por conta do desespero e do medo que sentem. E aí, algo que uma vez as desarmou, acaba por salvá-las."

Levantei e peguei uma velha manta que se encontrava jogada no canto e cobri a tela. Caminhei até In Rin novamente, que ainda se encontrava em estado de choque, e levantei-a, movendo-a com cuidado até uma das cadeiras na cozinha. Voltei e tranquei a porta.

– Melhor eu substituir o suco por um chá, que tal? — falei me voltando para o balcão novamente para preparar o chá.

– D-desculpe... Eu não devia ter entrado lá sem permissão — sua voz era um sussurro triste e assustado.

Pus a chaleira com a água no fogo e separei ao lado duas xícaras com as ervas. Me virei para fitá-la. Parecia tão frágil. Me aproximei e me ajoelhei a fim de olhá-la nos olhos e enxuguei umas poucas lágrimas teimosas em seu rosto.

– Está tudo bem. Não precisa se desculpar, você não teve culpa nenhuma. Afinal, fui eu mesmo que te disse para fuçar em tudo por ai, lembra? Eu é que deveria ter te alertado sobre aquilo.

– O que era aquilo afinal?

– O nome é "O medo". Também foi meu irmão que fez. E o propósito dele era justamente fazer com que as pessoas que vissem o quadro sentissem o que você sentiu — falei o mais calma e pausadamente possível, medindo muito bem o que ia dizer para não assustá-la mais ainda.

– E por quê?

– Uma forma de reflexão. Se você ficou tão abalada, deve começar a entender o que ele quis passar quando se acalmar mais — ela assentiu calada. — Acredite você não foi a única. Eu também chorei feito uma criança quando vi o quadro pela primeira vez — ela deu uma risadinha, mostrando sinais que já estava melhor.

– Você tem razão, já estou começando a entender tudo — ela parecia se perder em pensamentos enquanto falava. — Seu irmão deve ser um gênio.

– Nem é. Ele é apenas observador demais. As pessoas e tudo ao redor para ele é como um mistério. E quando ele desvenda algo novo, pinta um quadro mostrando o que aprendeu.

A chaleira apitou. Virei-me para o balcão novamente e despejei a água fervente nas xícaras, mexi com uma colher e entreguei-a uma delas, me sentando ao seu lado após.

– Realmente sinto muito por ter deixado você ver aquilo. Se tiver algo que eu possa fazer pra me desculpar...

– Na verdade... Existe sim.

Olhei meio incrédulo para ela, mas encorajei-a que continuasse.

– Você poderia ir passear comigo e Hyukjae oppa hoje, vamos ao parque de diversões.

– Sair com vocês? Não sei... Tenho tanta coisa pra fazer por aqui...

– Por favor.

A verdade é que estava meio inseguro sobre esse tal passeio. Com certeza Hyukjae acharia bem melhor ir para algum canto sozinho com In Rin do que com mais alguém para atrapalhar.

– E se Hyukjae não gostar que eu vá com vocês?

– Hyukkie oppa? Claro que ele vai gostar! Na verdade eu acho que ele vai adorar a ideia, já que às vezes ele fica se sentindo meio triste quando está sozinho comigo sabe? Acho que é porque eu fico tagarelando sobre coisas de mulheres e ele fica meio perdido. Com você lá, ele vai ter mais alguém que possa conversar coisas que ele entende.

– Sei... — Se ela soubesse da real razão pela tristeza constante do Hyuk... — Mas vou ter que falar com o padre primeiro, ele precisa autorizar a minha saída.

– Ok eu espero.

Fiquei sem palavras diante de tal situação. Dava para ver pelas ações e reações de In Rin que ela estava irredutível com a ideia de me levar ao parque. Sem escolha, me dirigi lentamente e derrotado ao jardim aos fundos da casa paroquial.

O velho padre ainda continuava a conversar com Heins sshi e isso me foi uma surpresa, porque eu jurava que já ele havia ido embora.

– Padre eu poderia falar com o senhor só um instantinho?

– Claro filho. Diga.

– É que... Uma colega me chamou para eu acompanhar a ela e a Hyukjae numa voltinha no parque de diversões e eu... queria saber se o senhor me libera.

– Hum... Uma colega é? Não sei. Isso me parece bem suspeito.

Abaixei a cabeça, meu rosto parecia ferver de constrangimento.

– Ora vamos meu velho amigo, deixa o garoto ser feliz. Ele não vai fazer nada demais não é mesmo Donghae? — Heins sshi disse com um sorriso maldoso, mas bem discreto para mim. — Ele é jovem e como ainda não esta preso à Igreja tem mais é que aproveitar a vida enquanto pode.

O padre olhou o alemão meio incrédulo de ter ouvido tais palavras e depois pensou um pouco passando a mão em seus cabelos, derrotado.

– Ok, mas é bom que não chegue muito tarde ouviu mocinho?

Sinceramente? Não sabia se ria ou chorava de ouvir aquilo.

Notas finais
Sem muita coisa a dizer... XD
Bjinhos e reviews?