You Are My Endless Love

5 Cap 4 - One day... a church


Notas iniciais
Olha eu de novooooooooo!!! xD Sem muito o que dizer dessa vez então fiquem apenas com o meu "Boa leitura" ok?
Boa leitura xD

[Hyukjae POV]

Três dias se passaram desde àquele incidente. E nada que eu faça consegue me tirar da cabeça a imagem daquele rapaz agonizando na minha frente. Nada me tira da cabeça que eu poderia ter feito algo para ajudá-lo.

Fraco, eu? Talvez sim. Ainda não me acostumei com esse tipo de coisa. Talvez seja por isso que eu tenha escolhido essa especialidade. Para lidar com – e somente – os vivos.

Pensando neste assunto, eu acabo por perder o sono bem cedo. Olho para o teto, me perdendo na imensidão branca e em meus pensamentos. Lembro de alguém. Alguém que há três dias mal ou não vejo. De repente, bate uma vontade de vê-lo.

Levanto então com uma disposição um pouco estranha para alguém com uma rotina e convivência igual a minha. Tomo um banho, me troco e desço para a cozinha, onde a empregada já fazia o café.

Ela me vê, toma um susto, faz uma reverência e volta até o armário para pegar os utensílios da mesa. Noto dela um olhar um pouco estranho para o meu lado. Não ligo. Afinal, é realmente estranho me ver de pé tão cedo num sábado.

Me sento silencioso à mesa e rapidamente faço meu desjejum. Quando estava para sair escuto um barulho estridente vindo do meu quarto. Bato com a mão na testa. Lembrei que havia esquecido meu celular em cima da cama. Corro e vou buscá-lo antes que parasse de tocar.

Consigo chegar a tempo. Olho o número na tela e dou um suspiro cansado antes de atender.

- Oi pai – atendo sem animo nenhum.

- Oi filhão! Desculpe te acordar tão cedo, mas você tem tempo livre agora? – Até parece que ele não sabia que uma pessoa normal geralmente está dormindo à uma hora dessas e ainda mais em um sábado.

Ele falava animadamente. Como alguém consegue ter esse pique tão cedo e nessa idade? Às vezes agradeço pela adolescência do meu pai já ter passado a eras. Com certeza, ele deveria ser pior do que eu.

-Na verdade pai, o senhor não me acordou. Eu já estava de saída quando o celular tocou.

- Saída? Tão cedo? Já vinha pra cá?

- Não pai. Vou dar uma passada na igreja.

- Como? Não ouvi direito. Você vai aonde?

- À igreja pai – respondo pronto para o que viria a seguir.

- COMO ASSIM?! O QUE DIABOS VOCÊ VAI FAZER NUMA IGREJA?! – O grito veio bem fundo nos meus tímpanos, tanto que tive que levar o telefone bem longe do ouvido para não ficar surdo.

- Não posso ir a uma igreja?

- Acontece que lá não é canto pra você brincar menino! Uma igreja é um local sagrado, e você não iria acordar tão cedo apenas pra rezar que eu sei!

- Pai... – Quem disse que ele estava me escutando?

- Há! Já entendi tudo! – Ele voltara ao seu tom normal de voz embora ainda estivesse claramente espantado. – Vai encontrar com alguma biscate lá, não é?...

- Pai...

-... Eu sabia! Mas espera um pouco... Se ela esta te encontrando em uma igreja então talvez não seja uma biscate. E provavelmente por causa da sua fama de mulherengo, a família dela está proibindo vocês de se encontrarem, certo? A não ser...

- Pai, eu realmente acho que o senhor está assistindo dramas demais.

- A não ser que você esteja indo até lá porque ela já te amarrou não foi? Vocês estão casando escondido de mim e da família dela, é isso?!

- Ô pai, não surta!

- E se vocês estão casando escondido... Céus... LEE HYUKJAE VOCÊ ENGRAVIDOU ESSA MENINA NÃO FOI?!?!?!

- PAI, QUER FAZER O FAVOR DE NÃO SURTAR?! – Ok, isso me deu nos nervos... Mas o que fazer né? Tudo tem limite. – Não é nada disso que o senhor está pensando! Eu só vou encontrar um amigo. Só isso ok?

- Amigo? E você virou amigo de um padre por acaso?

- Bem... É isso que eu pretendo descobrir – disse descendo novamente as escadas e pegando as chaves do carro na mesinha de centro da sala.

Já em frente à igreja de quando conheci Donghae parei o carro e fiquei vendo o movimento da pracinha, que estava começando a aumentar. Era sábado, mas isso não quer dizer que seja dia de folga. Quer dizer, apenas para algumas pessoas que não estudam ou trabalham em determinados serviços. Passado algum tempo assim, abri a porta do carro e inspirei o ar fresco da manhã. Estava bem frio e com algumas nuvens carregadas – talvez seja sinal que chova mais tarde.

Ainda do lado de fora, dava para perceber que a igreja estava vazia. “Ótimo, vim para varrer...” Entrei a passos lentos, observando o local. A verdade é que mesmo passando por ela todos os dias nunca havia entrado nesta igreja.

De início, ela se parecia bastante comum comparado a outras. Era muito espaçosa por dentro, logo após as portas grandes de madeira vinham duas fileiras de bancos largos também de madeira – uma de cada lado do recinto – fazendo um pequeno corredor surgir ao meio. Ao final de tudo havia o altar, uma grande mesa coberta por uma toalha de renda branquíssima que ficava em cima de um pedaço de chão um pouco mais alta que o restante do salão e em frente ao altar em si, este cheio de flores e com uma cruz e um objeto dourado com duas portinhas – o local onde se guardava a taça e as hóstias – ao centro.

Segui pelo corredor até um dos bancos que ficavam mais próximos do altar. Sentei e olhei para os lados, percebendo aos poucos a decoração pintada pelo local. Haviam pequenas plaquinhas de madeiras em partes das duas grandes paredes laterais contando a paixão de Cristo, imagens de alguns santos e mais flores. Ao lado esquerdo percebi uma porta fechada um pouco afastada do altar principal. Ao lado direito, a entrada para uma pequena câmara onde havia uma imagem de Maria e algumas velas e à esquerda desta – entre o altar e a entrada para a câmara – uma imagem de Cristo. Este me olhava sereno e interrogador, como se me perguntasse silencioso o que eu estava fazendo ali, o que eu procurava ali.

Sem saber a resposta, me encostei no banco e olhei para cima. O que vi ali foi o que realmente me surpreendeu.

O teto todo de gesso estava completamente pintado em um azul celeste, com nuvens brancas e lotado de anjos e querubins rechonchudos, alguns com trombetas, outros com liras e harpas, mas todos pareciam se divertir entre as nuvens e fazer o seu trabalho corretamente. Mas não era os desenhos em si que me prendeu a atenção e o fôlego, e sim a forma como foram pintados.

As cores foram arrumadas e harmonizadas de um modo inexplicavelmente maravilhoso. Eram como se os anjos e o céu acima de mim realmente estivessem ali. Como se fossem vivos. Como se fossem de verdade! As texturas e os traços eram únicos, nunca vi nada igual em toda a minha vida – e olha que já vi muitas pinturas nela. Quem pintou aquilo realmente era um profissional, um gênio. Sorri pasmo com a tela enorme acima de mim e os anjinhos pareciam sorrir de volta e fazer festa, como se tivessem gostado de eu ter descoberto seus segredos.

Abaixei minha cabeça contemplando o chão, ainda sorrindo feito bobo. Fiquei lá pensando em nada ao mesmo tempo em que memórias distantes me visitavam. Escuto barulho de passos e vejo um rapaz de costas com uma enorme bata branca mexendo nas portinhas do objeto dourado no altar e colocando algo dentro. Me assustei ao perceber que eu conhecia aquele rapaz. Era Donghae.

- Ora essa! Então você é mesmo um padre afinal de contas? – Falei rindo.

Ele se virou assustado e ao me ver sorriu parecendo surpreso.

- O que faz aqui?

- Vim para a missa, mas acho que cheguei cedo demais.

- Bem... Pra falar a verdade, se veio para a primeira missa do dia, ela já terminou faz um tempo. Mas se veio para a próxima, ai sim está um pouco adiantado – ele riu.

- Hein? Mas já terminou é? Vocês madrugam mesmo... Ok, fico para a próxima então – devolvi o riso.

- A primeira missa começa bem cedo por causa daqueles que precisam trabalhar depois daqui. Mas... – ele parou olhando para mim e segurando uma risada.

- O que foi?

- Nada não. – Olhei desconfiado.

- Mas você não me respondeu. É mesmo um padre?

- Não. Quer dizer, ainda não. Estou estudando pra isso.

- Pensei que nem todos de Teologia viravam padre.

- E não viram. Mas eu, no caso, irei virar.

Ele parecia bem satisfeito com sua resposta.

- Então é um coroinha?

- Acólito.

- Como?

- Aquele que auxilia o Padre e está no fim de seus estudos para o sacerdócio. O nome é acólito. Coroinha é só o ajudante menor.

- Ah.

- Donghae, você viu as outras partituras? Não estou conseguindo achar – ouvimos uma voz gritando lá de dentro da portinha que fica à esquerda do altar, agora aberta.

Donghae bateu a mão na testa e fez uma careta.

- Caramba, esqueci no meu quarto... Espera um pouco que eu já estou indo buscar! – Donghae gritou de volta.

- Seu quarto? Você mora aqui? –Ele afirmou com a cabeça já saindo. Quando estava no pé da porta, parou e se voltou para mim.

- Tá esperando o quê?

- Hum?

- Vai ficar aí sozinho mesmo? Vem logo antes que eu acabe levando um sermão.

- Ah.

Me levantei e o segui através da portinha por um corredor apertado e um pouco escuro, passamos por um pequeno salão com uma mesa, um fogão e uma pia, onde do lado havia uma cadeira de balanço. Parecia a copa da igreja. Subimos por uma nova escadaria e chegamos a um novo corredor.. Paramos em frente à primeira porta de madeira.

- Como é viver em uma igreja? – perguntei curioso.

- Bom, pra mim é bem normal, já que eu moro em uma desde que eu me lembro.

- Sério? – Olhei espantado para ele que sorriu antes de abrir a porta.

O quarto era pequeno, mas até espaçoso para alguém que só tinha uma cama e uma escrivaninha nele. Do lado esquerdo havia uma porta para o banheiro e do lado direito perto da escrivaninha, uma tela pendurada. Parei em frente desta, reconhecendo na hora o traço. Era da mesma pessoa que pintara a abóbada da igreja. Era um jarro de flores em cima de uma mesinha e em frente à janela. Bem simples. Mas novamente era a maneira em que as cores e os traços foram feitos que davam uma riqueza única à obra. Procurei por alguma assinatura na tela, mas para a minha frustração não havia nenhuma.

Donghae que remexia em alguns papeis em cima da cama, parou ao me ver olhando para o quadro e se aproximou de mim.

- Bonita né?

- É sim. Foi você que fez?

- Eu? – Ele me olhou espantado e depois riu – Ah não. Não tenho essa capacidade. Foi o meu irmãozinho.

- Você tem irmãos?

- Dois. Um mais velho e um mais novo. – Ele voltara para a cama e se sentara virado para mim.

- E eles moram aqui também? – Ele negou com a cabeça.

- Moram em outra igreja, em uma cidadezinha do interior.

- Nossa, os pais de vocês devem ser bem religiosos!

- Talvez tenham sido mesmo.

- Talvez?

- Somos órfãos. Os três.

- Ah sinto muito. Mas como assim “os três”? São irmãos não é?

- É. Mas não somos irmãos de sangue, só de criação mesmo. Fomos os três acolhidos pelo padre de lá. Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu tinha dois anos e o sacerdote era grande amigo deles, aí ao invés de me darem para a adoção, deram minha guarda para ele.

- Então é filho de um padre?

- Pois é. Engraçado não é? – Ele ria levemente. A própria história não parecia chocá-lo.

- E quanto aos outros dois?

- O mais velho chegou lá antes de mim, com seis anos. Chegou e simplesmente ficou. É engraçado o jeito dele quando conta isso. Faz parecer que ele chegou como um penetra em uma festa. Já o mais novo foi abandonado recém-nascido na porta da igreja quando eu tinha cinco anos.

- Nossa... E quanto a sua tia?

- Também não é minha tia de sangue. Ela ajudava na igreja de lá e quando eu entrei para a faculdade veio comigo pra cá. O pároco daqui era grande amigo do meu pai, por assim dizer.

- Era?

- É. Porque esse meu novo pai também já se foi há um ano.

- Sinto muito, de novo.

- Não tem problema.

- Quantos anos ele tem? – Me voltei novamente para a tela.

- Quem?

- Seu irmão mais novo.

- Ah. Hoje ele tem 18, mas na época que fez esse quadro tinha 10.

- Não brinca! – Me voltei para ele claramente espantado.

- É sério! Foi um dos primeiros dele. – Ele sorria visivelmente orgulhoso e não é pra menos. – Mas me admira um playboy como você gostar de arte.

- E daí? Posso ser um playboy, mas sou finamente educado ok? – Disse passando a mão pelos cabelos e fazendo pose de dama da sociedade, com a cabeça empinada. Rimos juntos. – Mas sério. Me interessei e aprendi sobre arte por causa de duas pessoas.

- Quem?

- Minha mãe e In Rin. Elas duas eram grandes amigas e se tornaram assim por causa desse gosto em comum.

- Eram? Não me diga que...

- É. Ela morreu quando eu tinha 15.

- Sinto muito por você.

- Tem nada não – sorri tímido. Parece que éramos bem parecidos afinal de contas. – Mas espera um pouco... Você disse que seus irmãos não vieram contigo e que o pai de criação de vocês já morreu... Então eles estão lá na igreja sozinhos?

- É. Meu irmão mais velho assumiu a responsabilidade de cuidar da paróquia.

- Hum – assenti com a cabeça.

- Donghae? Achou as partituras? Oh desculpe, não sabia que estava com visitas... – Um senhor baixinho e com uma batina preta entrou pela porta e estancou assim que me viu. Pela batina reconheci. Aquele sim era o padre.

- Ah sim senhor – Donghae se pôs de pé imediatamente e lhe passou um punhado de papeis.

- Obrigado. Mas quem é esse? Seu amigo?

- É um colega da faculdade senhor. Veio para a missa, mas acabou chegando atrasado então decidiu esperar pela próxima.

O padre me estudou por um tempo e sorriu simpaticamente.

- Muito prazer meu rapaz – o senhor estendeu uma mão para mim, que logo a peguei e fiz uma reverencia respeitosa. – Seu nome é...?

- Lee Hyukjae, senhor.

- Bom... Mas o que eu dizia? Ah sim! Donghae meu filho temos um problema.

- Que problema senhor?

- Um dos músicos acabou de passar mal e foi para o hospital. Vai já começar a próxima missa e não temos ninguém para substituí-lo. O que faremos?

- Hum... Senhor? – Me intrometi na conversa.

- Sim, meu rapaz?

- Que instrumento ele tocava? – Donghae e o velho me olharam confusos.

- Violão, por quê?

Sorri satisfatoriamente, o que deixou eles ainda mais confusos.

- Se o senhor permitir, eu posso substituí-lo.

- Sabe tocar violão hyung? – Donghae me olhou desconfiado.

- Sei. Violão e outras coisas também. E Donghae, sem hyung ok? Me faz parecer muito mais velho e eu não gosto disso – respondi com uma careta de desgosto. Ele começou rindo baixinho e depois de segundos já gargalhava, eu fiquei confuso e o velho deu um grande suspiro satisfeito. Considerei aquilo como um “sim”. – Do que esta rindo? Eu disse algo engraçado?

- Desculpe, é só que... – ele deu uma pausa se dirigindo à porta. Mais na frente, parou e olhou novamente para mim. – É só que eu acho que o meu irmãozinho ia adorar te conhecer. Vocês iam se dar muito bem, acredite.

Descemos para o salão e pela primeira vez na vida eu toquei em uma igreja.



Notas finais
Pai do Hyukkie apareceu... Ele ainda vai dar tanto o que falar nessa história xD E os irmãos do Hae hein? Estes aí serão importantíssimos mais na frente hm *pensa*
Então pessoas, reviews?