You Are My Endless Love

22 Cap 20 - Miss You Love


Notas iniciais
Prometi ser pontual e atrasei de novo q Não me batem porfaaaaa! Olhem que para compensá-los pela demora tem capítulo grandão *-----* (detalhe: era bem maior - suz que o diga -, mas acabei cortando uma parte para o próximo XD) Se não fosse pelo carnaval e a terrível idéia da minha mãe de me sequestrar ele teria saído mais cedo, é.
Pois bem, uma notinha antes de eu me despedir hoje: Antes de começar os POVs neste cap - e em mais alguns pela frente - tem um trecho flashback. Eles serão em terceira pessoa e sempre no começo pois muitas vezes não irão se tratar de uma memória de alguém em específico, ok? Se algum deles ficar confuso, não se preocupem que a explicação será dada em alguma das narrações, seja ela já passada ou futura.
Ah, e não se preocupem com seus reviews, ta bom? Responderei a todos com enorme prazer, é só ter um tantinho de paciência. Novamente, OBRIGADUUUUUU POR TODO O CARINHO ♥ *----*
Boa leitura!!!

Escuridão.

Seus olhos piscavam pesadamente na penumbra mas não via nenhuma diferença em tê-los abertos ou fechados.Seu corpo parecia paralisado, totalmente preso ao colchão. Tentou movimentar-se falhando miseravelmente. Resolveu pôr algo mais de esforço em seus membros superiores e empurrou-lhes para conseguir algum apoio e levantar-se, no entanto, desistiu assim que uma forte tontura lhe acometeu e expurgou toda a energia colocada no movimento. Fechou os olhos, respirando profundamente e então sentiu uma mão macia e muito conhecida acariciando-lhe os cabelos.

- Não se mexa tão bruscamente. Ainda está sobre o efeito da droga – A voz grave soou-lhe tão como uma brisa refrescante em uma tarde de calor – Como está se sentindo?

- Estou bem, tio. Não se preocupe – forçou sua voz a transmitir algo de segurança em suas palavras mas não obteve nada mais que um sussurro – Só estou um pouco cansado, nada demais.

- Também depois do que houve aqui...

Sim, agora tudo lhe voltava à mente. A briga que tivera com o irmão, o ataque nervoso, a tentativa do irmão de tirar-lhe o remédio do alcance ao colocá-lo na boca, seu desespero ao ver a cena, o momento em que ele avançara nos lábios do maior para tomar-lhe o calmante, seu alívio ao consegui-lo, e finalmente a hora em que o seu irmão em meio a algum distúrbio psicoemocional lhe tomou os lábios novamente de forma mais carinhosa e necessitada e, logo após, o seu corpo.

Possuído por uma violenta vergonha, puxou o fino lençol branco a fim de esconder sua face corada furiosamente do adulto que lhe olhava de forma penosa em meio à sombra negra que era seu quarto. Ao sentir o pedaço macio de tecido roçar-lhe a pele, deu-se conta que continuava despido, aumentando em dobro sua timidez. Percebia seus olhos se acostumando aos poucos à quase nula iluminação e já podia ver a silhueta do homem ao seu lado, mas não conseguia fitá-lo. Não quando tinha plena consciência do que havia feito naquela noite.

- Eu sou patético, não?

Ouviu o senhor suspirar cansado. Havia algum tempo em que ele começara a pedir-lhe que mantivesse distancia do irmão, no entanto nunca entendera de fato o porquê da mudança repentina de opinião do tio para com Donghae, afinal o mais velho nunca apresentara sinal algum de ser uma má pessoa. Mesmo agora, depois do ocorrido, não o condenava.

- Não foi culpa sua, filho.

- Me vendi por alguns miligramas de calmante.

- Minha criança... És tão inocente...

- Teme pelo passado, tio?

- Temo pelo seu futuro. Avisei pra que ficasse longe dele...

- Não foi culpa dele – interrompeu.

- Se não foi dele de quem então?

Culpava a si mesmo. A si e seu maldito vício pelos entorpecentes. Se não fosse isso, a sanidade de seu irmão talvez não tivesse caído. E agora eles não teriam que compartilhar daquele segredo tão censurável.

Tentou mais uma vez se levantar, seu corpo ainda dormente protestando veementemente. Ao sentar, uma dor aguda lhe possuiu de maneira que quase desistiu de ficar na posição escolhida. Sentiu os braços fortes de seu tio ajudar-lhe a encontrar um jeito mais confortável para se acomodar. Teria de se acostumar com o incomodo ou Kim Jaejoong, seu irmão mais velho, lhe abarrotaria de perguntas inconvenientes. No feito, acabou por encontrar os olhos esmeralda do maior que naquele momento não se mostravam alegres como de costume. Havia preocupação e dor neles. Seu tio sofria por si, porém não fazia idéia de como compensá-lo por isso.

- Não se preocupe comigo, tio. O senhor mesmo me disse uma vez que quem deve resolver meus próprios problemas sou eu – respondeu, enfim.

- Eu sei, pequeno. Mas é exatamente como fará isso o que me preocupa – ressaltou – Sabe que ele irá continuar a te procurar, não é? – perguntou passado alguns segundos observando o sobrinho.

- Sei.

- E não te incomoda isso?

- O que posso fazer a respeito? Tenho sorte de ele pedir apenas o meu corpo. Teria problemas bem maiores se pedisse por outras coisas ou mesmo só resolvesse contar para Joongie-hyung que roubei os remédios do quarto dele – Se exaltou por um momento, até perceber que poderia estar falando mais alto do que deveria – Sem falar que se eu dissesse que a noite foi ruim, estaria sendo hipócrita e mentiroso. Enquanto ele só me pedir por prazer, estarei bem.

O senhor o olhou perplexo. Então seria assim? Simplesmente se usaria como moeda de troca por favores e ficaria bem? E quanto à sua saúde que já era tão delicada? Sobreviveria às inúmeras crises nervosas agora fadadas a serem mais fortes graças a mais esse encargo? E aos seus sentimentos? Sabia o quanto aquele garoto admirava o maldito e que, no fundo, era pelo bem-estar do mesmo e da sua família que ele sacrificava o seu próprio. No entanto, o problema era: Seria ele recompensado por isso? Sabia que não. O que o Destino lhe reservara estava apenas começando...

- Só me prometa uma coisa... – implorou com um último fio de esperança de ver seu menino longe daquela teia nociva – Não se apaixone por ele, em hipótese alguma, ouviu?

Cansado de saber qual era sua condição desde que se lembrava, o menino suspirou.

- Tio, mesmo que eu quisesse acho que não conseguiria...


[Donghae POV]

Contornava delicadamente as linhas de seu rosto com as pontas dos dedos, forçando-lhe um sorriso confortador enquanto o via disfarçar as lágrimas que caíam. Estava aliviado. Definitivamente era como se o peso do mundo tivesse saído de minhas costas após escutar suas palavras. Suspirei profundamente, sentindo o ar caminhando lento pelos meus pulmões e me restabelecendo, aos poucos, a paz.

Ele me prometera. Disse as palavras que eu tanto ansiava ouvir. No entanto, restava a dúvida: Teria ele entendido o oceano de mentiras e conflitos que haviam ocultas por trás de minhas lamurias? Por muito pouco eu quase desisti de todo esse jogo infernal e mandava tudo às favas ao vê-lo sofrer por mim daquele jeito. Segurava o choro, fazia-se de forte, tentava consolar-me quando estava claro que era ele alí que precisava de colo... O que poderia estar passando por sua cabeça? Por suas ações eu podia deduzir que era tudo menos a verdade, mesmo comigo lhe confessando – nas entrelinhas, claro – minha traição.

Seria ele tão inocente assim por não desconfiar de mim nem um pouco? Ou apenas ele não queria enxergar a dura realidade?

De qualquer forma, eu estava feliz. Feliz por ter conseguido seu perdão – um falso perdão, mas ainda assim um perdão; feliz por ter sua palavra de que me amaria para sempre, e principalmente, feliz por descobrir que apesar de meus crimes, eu também o amava, ainda.

Realmente, eu estava completamente aliviado.

Quando saí de casa para buscá-lo, minha mente vinha resolvida, de certa forma. Chegaria, evitaria o máximo qualquer comentário que ele pudesse fazer a meu respeito e voltaríamos para a catedral, comigo fingindo ser o mesmo que ele havia conhecido. A partir daí conviveria com ele “normalmente” até enfim nos ver longe daquela cidadela.

O que eu não havia planejado era que minha consciência daria um nó, meu coração enlouqueceria e meus planos desceriam por água a baixo ao apenas ter o vislumbre de sua silhueta. Mais uma vez eu me mostrava o pior dentre os covardes. Era tão fraco que sequer conseguia sustentar as próprias farsas.

Permitir que seu olhar invadisse o meu, que seus braços me acolhessem, seus toques me acalentassem me desarmou completamente. Vi-me perdido novamente, como no dia em que a dúvida se eu deveria ou não abrir meu coração para ele poderia ser uma boa idéia, me atormentou pela primeira vez. Quis correr, encobrir minha vergonha, desaparecer de sua vida para sempre, e ao mesmo tempo, contar-lhe todo o meu drama e implorar que ao menos não me detestasse pelo resto de sua vida, porque sabia que jamais teria remissão por sua parte. Achei-me arrependido – mesmo que em partes – amedrontado e inconsciente de meus atos.

Não era o fato de ter cedido aos caprichos de meu coração maluco que me fez implorá-lo por um perdão cego, mas sim o fato de eu tê-lo feito se apaixonar por alguém que era apenas fruto de meus medos e que poderia desaparecer a qualquer ínfimo estímulo.

Eu o havia enganado – e me enganado – por muito tempo. E por muito mais tempo se estenderiam as conseqüências desse ato, eu sabia.

Uma corrente fria de ar, provida do banheiro talvez, deslizou pelos meus pés e um calafrio atravessou-me o corpo de uma ponta a outra, lembrando-me que ainda estava nu e úmido. Hyukjae, ao se dar conta do meu frio, abraçou-me novamente. Seu corpo também continuava despido e molhado mas não aparentava sentir frio, ou se sentia ainda não se dera conta pela quantidade de informações que ainda pairava em sua mente. Eu não ousava atrapalhar seus pensamentos, pelo contrário. Temia profundamente que qualquer coisa dita por mim a mais tivesse escondido contra minha vontade algum esclarecimento que pudesse clarear sua mente. Com a cabeça nervosa e enevoada pelo menos não lhe sobraria neurônios para achar em minhas ações suspeitas as respostas para as suas possíveis perguntas.

“Está tudo bem... Vai ficar tudo bem...”, repetia mentalmente diversas vezes para mim mesmo tentando não deixar tão explícito para si o meu medo de ver tudo aquilo ruir. Eu não agüentaria. Eu definitivamente não agüentaria.

Senti suas mãos descendo lentamente pelas minhas costas e, alcançando o cobertor da cama, puxou para cima de mim, envolvendo-nos. Nada disse. Pude perceber seu peito subindo e descendo ligeiramente, como se estivesse em busca de ar. Talvez pensasse que caso tentasse falar alguma coisa acabaria por desabar, assim como eu. E assim ficamos por tempos incontáveis. Abraçados, apenas sentindo e escutando o som de nossas respirações se chocando contra a pele um do outro, e vez ou outra, eu conseguia escutar as engrenagens em sua mente trabalhando.

Depois de certo tempo, seus lábios ainda mudos passaram a percorrer a linha da minha mandíbula lentamente, brincando com a sensibilidade de minha pele. Correntes elétricas me dominavam à medida que sentia a sua passagem, eriçando-me furiosamente os pelos. Agarrei-me mais a si. Não vi, mas imediatamente pude imaginar seu velho sorriso traquina despontando em seus lábios ao ver minhas reações involuntárias às suas provocações.

Passavam acariciando-me em direção ao pescoço onde beijos começaram a entrar na brincadeira precedidos sempre por alguma leve mordida ou por pequenos roçares de seus dentes. Todos pausados, todos cálidos, todos impensados. Estava diferente, pude perceber. Alguma coisa mudara dentro dele. Por que sempre que me tomava a si, ele me levava na brincadeira. Começava seu jogo de sedução e me fazia participar tanto como jogador, quanto jogo e também como prêmio. Era o jeito dele. E eu aprendera as regras para manejá-lo e satisfazê-lo bem ligeiramente.

No entanto, alí era diferente, era outro. Em seus toques, seus beijos, eu não conseguia mais sentir a gostosa malícia de outrora. Estava sério, compenetrado no que fazia e ao mesmo tempo sendo levado pela aura ainda densa que nos envolvia na escuridão. O que me fez repensar sobre o sorriso traquina que supostamente havia dado.

Toquei seu rosto com ambas as mãos e o fiz me encarar. Até o seu jeito de me fitar estava diferente. Meus olhos acostumados à penumbra podiam detectar mesmo que fracamente seu olhar, um misto de confusão e pena. Novamente, não conseguia imaginar o que se passava em sua cabeça. Neste exato momento um medo repentino me tomou. Poderia ele ter percebido enquanto me acalentava as marcas deixadas por Junsu em minha pele? Ou ainda seria efeito do susto que eu lhe dera? Sem respostas ganhas, involuntariamente, acabei por desviar-me de si primeiro.

E ele acabou percebendo minha insegurança.

Havia me esquecido que ele estudara anos para conseguir ler a mente das pessoas.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa a meu favor, senti o peso de seu corpo empurrar o meu em direção ao colchão. Deitava-me com uma calma suspeita e não dele ao passo em que também aproximava-se por cima de mim, trancando-me entre os seus braços. Estava encurralado. Se ele desconfiava ou descobrira algo, seria alí espiando a minha alma através das duas malditas janelas abertas que eram meus olhos culpados onde tiraria suas dúvidas.

No entanto, seus olhos invasivos se mostraram menos interrogadores do que eu imaginei que seriam. Eu podia ver a minha verdadeira face neles, mas poderia ele ver isso também? Rezei fervorosamente para que a escuridão e a fraca iluminação que adornava o aposento fossem o suficiente para encobrir a verdade naquele momento, estampada em meu rosto amedrontado.

- Você me trouxe a essa cidade, Donghae. Já é hora de começar a me contar o que está acontecendo por aqui, não acha? – sussurrou em meu ouvido ao desviar seu rosto para que ficasse ao lado do meu. Meu corpo deu um pequeno sobressalto graças à quebra repentina do silêncio. Seu tom era firme e até um pouco frio, eu diria. Percebi estar diante do Psiquiatra e não do meu namorado. Ou talvez até, daquele Hyukjae explosivo que um dia conheci numa casa de campo da sua família. Tremi dos pés à cabeça só com a lembrança.

O jogo havia se virado contra mim.

- Está tudo bem, Hyukkie. Juro – rebati quase que imediatamente torcendo para não parecer ansioso demais. – Ainda não posso te contar. Não ainda...

Sua decepção era quase palpável.

Senti-o jogando seu peso nas mãos, preparando-se para empurrá-las e sair de cima de mim. Num súbito momento de desespero, agarrei seu pescoço puxando-o em um beijo afoito. Apesar de não esperar que ele me ignorasse, surpreendi-me ao notá-lo me correspondendo à altura, embora não transmitisse seus costumeiros sentimentos. No lugar, havia uma certa aflição, talvez até o mesmo desespero que me assombrava.

Vi-me confuso. Definitivamente. Não sabia mais o que pensar dele ou de suas reações. Apenas orei com todas as minhas forças que dessa vez ele finalmente decidisse dar aqueles assuntos por mortos. Ou seria eu a morrer com tamanha agonia.

Pouco a pouco, o vi se entregar ao momento, mostrando não estar pensando em qualquer coisa que não fosse em nós e nas sensações sentidas pelas carícias que distribuíamos igualmente. Angustiado, tocava-me com extrema devoção. Como se também imaginasse que realmente a qualquer momento algo poderia vir e destruir tudo. Sentia-o se agarrar à esperança de que tudo era apenas um mal entendido e que ao dia seguinte estaria tudo bem.

Ou seria eu tentando me convencer disso?

Fui tirado de minhas orações internas ao sentir-me ser invadido por si. Tomado por todo o prazer que aquilo poderia me causar, tentei, através de sinais mudos, convencê-lo de que apesar de tudo e qualquer coisa eu nunca mentira sobre o meu amor por si. Eu, naquele momento, poderia ser o ser mais sujo e repugnante que poderia existir entre todos os que já se chamaram humanos, mas uma coisa era certa, amava Lee Hyukjae com todas as minhas forças e não ia perdê-lo de jeito nenhum.

A alternativa era única, assim dizia meu coração. Me dividiria em dois. Aprenderia a conviver com meus sentimentos por ele e a paixão incontrolável que nutria pelo meu irmãozinho. Era isso ou perder um deles. E isso estava fora de cogitação!

Convicto de minha missão de vida, selei o acordo. Como testemunhas de minha promessa estavam presentes o frio do inverno, o calor de nossos corpos ardentes, nossos sussurros apaixonados, os ruídos provocados pelos chacoalhar da cama, os gemidos tímidos e urros lascivos de prazer, e os olhos atentos, caprichosos e peçonhentos do Destino, que julgava eu estar nos dando só uma trégua diante da massacrante batalha que ainda me faria lutar. No entanto, não desperdiçaria tempo remoendo essa idéia. Se ele perdera seu tempo nos fazendo essa caridade, eu seria humilde e aceitaria de bom grado. Talvez fossem momentos como este que me fariam ter forças para voltar à guerra.

Quando chegamos à catedral meu irmão já nos esperava com o jantar todo à mesa e colocava os últimos utensílios em cima desta. Ao se dar conta de nossa chegada, nos recebeu com seu sorriso costumeiro e indicou nossos lugares. Por uma fração de segundos pensei em me sentar ao lado de Hyukjae, mas desisti assim que a lembrança de que não importasse a situação eu sempre me sentava à direita de Joongie-hyung me invadiu a cabeça. Assim, dei a volta pela mesa e me sentei em meu lugar de costume, que por acaso se encontrava à frente de Hyukkie.

Este, porém, nem prestava atenção em onde eu fora me instalar. Vagueava com o olhar num misto de ansiedade e decepção por todos os cantos do recinto a procura de algo que eu não sabia o que era, embora desconfiasse bem do que se tratava.

- E Junsu-yah? – perguntou enfim ao desistir de sua busca silenciosa. Não pude deixar de sentir um fio de ciúme me alfinetar o coração – Não vem jantar conosco?

Repentinamente, vi o sorriso amigável de meu irmão se extinguir após o soar das palavras de Hyukjae. Depositou a concha de arroz com ainda alguns grãos que deveriam ir para o seu prato ao lado do vasilhame e bebericou algo de vinho de sua taça. O silencio reinou durante todo o momento. Até que seu olhar se encontrou com o meu e eu percebi a mensagem que ele transmitia discretamente. Estava ponderando se devia ou não começar o assunto na frente de Hyukjae, que para ele se tratava de apenas um estranho mesmo sendo meu “amigo”.

Assuntos familiares só diziam respeito a nós. Era quase o nosso lema de família desde que tinha conhecimento. Afinal, nossa família guardava segredos demais e escondê-los do mundo exterior tinha virado rotina mais que obrigatória para nós todos. Todavia, esse caso era diferente. Lembrara-me dos planos que fizera antes de chegar a cidade e talvez essa fosse a hora perfeita de dar início a eles.

- Está tudo bem hyung – disse em voz alta. Joongie-hyung quase pulou da cadeira ao ouvir minha voz quebrando o gélido estado em que nos encontrávamos. – Hyukjae é Psiquiatra e está aqui para ajudar.

Desta vez quem quase pulara do assento fora o próprio doutor. Me olhava perplexo e exigindo uma explicação. Chutei sua perna discretamente por debaixo da mesa. Ele tinha de concordar. Ou eu esperava que ele concordasse. Para minha sorte, ele apenas se manteve mudo e hyung estava surpreso demais com a descoberta para perceber a discussão interna que se passava entre nós.

- Um Psiquiatra, Donghae? É mesmo necessário isso? Céus, a que ponto chegamos... – vi meu irmão apoiar a testa em um dos punhos fechando os olhos e suspirando de forma exausta.

Eu entendia profundamente seu lamento, afinal estive presente nesta história por boa parte de minha vida e compartilhava de seu cansaço, apesar de às vezes usufruir de uma ou outra vantagem de vivenciar o que vivenciamos desde a infância.

- Já tentamos de tudo hyung. Tentar não custa nada e o pai de Hyukjae tem uma clínica e ótimos médicos a seu dispor. Mesmo que o caso não seja tratado pela psiquiatria, mas podemos ter ajuda de outros profissionais... – tentei convencê-lo.

- Estamos nisso há quantos anos? Dezesseis? Não acha que é tempo demais?

- Justamente por ser tempo demais que acho que o melhor a fazer é dar um basta nisso!

- Já dei – soou frio – Ele está proibido por mim de tomar os medicamentos. Não há nenhum em toda a extensão desta catedral, a não ser pelos que você trouxe. E nem adianta me olhar assim Donghae que eu sei que você trouxe e os deu. Senão por que outro motivo ele dormiria a tarde inteira?

De repente compreendi porque Junsu se mostrou sedento demais pelos remédios. Estava em abstinência.

- Proibido? Não pode fazer isso, hyung! E quanto às dores, os ataques? Ele está melhor?

- Melhor, melhor, eu não sei. Mas tem tido eles com menos freqüência, e isso já é alguma coisa – terminou ríspido.

- De que falam?

Só nesse momento nos demos conta de que Hyukjae ainda se encontrava à mesa e a propósito, nos olhava visivelmente interessado na conversa.

- Ainda não o contou? – meu irmão me puxou a atenção novamente.

- Estava esperando o momento certo, mas antes tinha que falar com o hyung sobre isso...

Meu irmão pareceu ponderar um pouco a situação. Observava Hyukjae compenetradamente e eu quase podia sentir Hyukkie pedindo a ele mentalmente que parasse. Por fim, respirou profundamente se ajeitando na cadeira onde sentava e se voltou a mim.

- Eu começo ou você começa?

~x~

[Junsu POV]

Escuridão.

E ao meu redor um sentimento nostálgico. O mesmo que uma vez senti há dois anos quando pela primeira vez me entreguei em troca de uma pílula de calmante.

Meu coração, desde que eu me lembro, dificilmente sentia raiva ou ódio. Não havia tristeza, mágoa, medo ou qualquer coisa assim que me abalasse profundamente. Aprendi desde criança a me conformar com a situação apresentada a mim pela minha família. Crescera enclausurado dentro daquelas paredes e sempre sentia que apenas elas me entendiam realmente.

“Tudo somente acontece quando tem que acontecer. E se acontecer, era porque assim que devia ser.”

Era o que eu mais escutava dentro daquela catedral. Seja pela minha família, seja pelo meu tio. Sempre me perguntei porque tinha que ser assim, mas no fim, apenas aceitava e seguia em frente. Quem era eu para questionar as leis que regiam os humanos? E assim, minha maior companheira de vida, além daqueles muros de pedra escura, se tornou a frustração.

Frustração de nunca poder fazer nada que as outras crianças podiam. Frustração de ser diferente. De ver o mundo de maneira diferente. De ver coisas que outras pessoas não podiam. De sentir coisas que outras pessoas não sentiam. Aprendi que não deveria permanecer com quem não entendia isso. Daí, me acostumei com a sensação e comecei a me isolar por si próprio.

No entanto, naquela noite, minha amiga sentiu falta de seus semelhantes e resolveu se unir a eles novamente para que juntos me atormentarem como daquela vez.

Algo de impotência me invadia. Uma sensação terrível de ruína. Acrescentado a um enorme vazio que se agravava gradativamente graças ao ar pesado e frio que invadia meus pulmões a cada segundo. Havia me esquecido de como o aroma de madeira fresca e verniz outrora tão convidativo daquele quarto poderia se tornar tão sombriamente detestável.

Minha cabeça pesava ainda lenta por conta do efeito do entorpecente. Ao mesmo tempo, meus membros não respondiam os meus comandos. Meu corpo inteiro parecia ter acordado de um longo tempo morto de tão lerdo que estava o meu raciocínio e os meus reflexos. Culpei o exemplar do dia de meus rotineiros ataques nervosos. Ainda assim, não era isso que prendia o pouco de atenção que eu conseguia reunir naquele momento. Mas sim o céu escuro e estrelado que se estendia além da janela de vidro. Ainda era noite.

Uma noite sem luar. Exatamente como naquele dia.

Na minha mente, o que mais me angustiava não era o fato de ter reacendido um caso antigo com meu irmão às costas de Joongie-hyung, suas convicções e da memória de meu pai. Eu já aprendera a conviver com os desejos estranhos e a possessão de Donghae-hyung. Da mesma forma como aprendera a coexistir com a ausência de várias coisas na vida. Ele era mais velho e eu lhe devia obediência, então simplesmente não questionei e acomodei-me.

O que realmente me destruía o ser e me fazia pensar se conseguiria continuar a viver por mais tempo era o fato de que, por vontade própria – ou imprópria, dependendo do ponto de vista – havia me vendido para um vício mais uma vez. E aquilo só me esfregava na cara o quão patético eu era.

Respirei fundo antes de tentar novamente mover meu corpo dormente, dessa vez apenas para o lado, afim de que ficasse de frente para o teto. O ruído causado pelo ar saindo de meu corpo ecoou forte e único pelo aposento, denunciando que me encontrava sozinho. O vento gélido de inverno uivava suave por entre o telhado antigo. Provavelmente nevaria esses dias, transformando aquela construção de pedra centenária em uma já tão conhecida minha prisão de gelo. Éramos somente eu e meus fantasmas internos.

Uma batida tímida na pesada porta de madeira quebrou todo o silencio do quarto e me fez dispersar a atenção do ponto fixo no telhado que me prendera pelo que me pareceu vários minutos.

Podia alguém ainda estar acordado? Afinal, que horas eram? Supostamente o efeito da droga passaria apenas de manhã ou se mais cedo, de madrugada...

- Hyung? Está acordado?

Reconheci imediatamente a voz rouca e suave de meu aprendiz do outro lado da porta e aquilo me assustou. Era cedo. E aquilo definitivamente não era bom.

- Estou sim Kyu-ah – forcei a voz a sair como se minha vida dependesse disso.

- Que bom... – Um suspiro de alívio pode ser ouvido – Estava preocupado. Com seu irmão aqui e você sumiu de repente, achei que...

Sua voz foi sumindo aos poucos, e eu fiquei a imaginar se ele compreendera o que havia se passado de verdade comigo. Sabia que não de todo. Mas pelo menos a parte que mais me incomodava sabia que ele tinha consciência. Aliás, ele era um dos poucos que tinha conhecimento de como aquela doença de identidade indefinida realmente agia em mim.

- Posso entrar? Imaginei que queria jantar aqui então eu trouxe... – Jantar? Então era realmente cedo. Talvez se passara apenas umas duas, no máximo três horas desde que adormecera. Um calafrio me percorreu a espinha, e de repente, tive um mau pressentimento.

Pensando bem, quanto tempo de fato faz desde a última vez em que aqueles remédios cumpriram o seu papel normal? A resposta muda em minha mente chocou-me profundamente. Não fazia idéia de quando fora. Quem sabe há uns três meses atrás? Ou seriam seis? Sentia na cara o tapa violento que recebera da realidade. Talvez meu irmão estivesse certo em impedir que a droga chegasse ao meu alcance. Era claríssimo e me doía pensar que não havia percebido antes: Meu corpo começara a se acostumar mais uma vez à dose atual de entorpecente, e isso faria com que ele iniciasse uma tortura própria implorando para que eu a aumentasse.

Mais uma vez meu poder de adaptação entra em cena.

- Pode sim Kyuhyun-ah – respondi sem nem ter prestado atenção ao resto da frase dita.

A pesada porta de madeira rústica foi se abrindo lentamente e de lá vi entrando o rapazote de cabelos ondulados com uma bandeja prata polidíssima, provavelmente por ele mesmo, contendo uma tigela com algo fumegante e uma taça com água ao lado, o cheiro delicioso de sopa ofuscando o aroma habitual do quarto. Foi se aproximando devagar, mantendo o curioso respeito costumeiro por mim. Nunca entendi como aquele menino podia me respeitar, sabendo exatamente que tipo de aberração eu era, mais que qualquer adulto que lhe aparecesse pela frente.

Parou vizinho a mim e esperou pacientemente até que pudesse me entregar minha refeição. Por um momento, pensei se era melhor comer deitado, já que ainda duvidava que pudesse me mover livremente, mas o resquício de auto-estima em mim censurou-me e me incentivou a tentar mais uma vez. Assim, apoiei meus cotovelos firmemente no colchão e impulsionei meu corpo para frente conseguindo, enfim, levantá-lo. Senti o fino lençol branco me escorregar pelo tronco expondo minha pele nua, e ao sentar, uma dor incômoda me tomou de imediato, causando um lamurio baixo escapar de minha garganta.

- Tudo bem, senhor? – perguntou-me com um pouco de agonia na voz, não sabendo se esperava ou se largava a bandeja e me ajudava.

- Está sim, não se preocupe – sussurrei ainda tentando me acomodar de maneira confortável.

Percebi seus olhos me varrendo discretamente, percebendo minha nudez. Parecia querer perguntar o que acontecera ali afinal. Sim, porque estava claro que houvera mais que uma de minhas sessões nervosas. No entanto, pareceu desistir e, enrubescido, sentou-se nas próprias pernas do lado da cama após me entregar a bandeja. Sempre com o olhar baixo, sempre com o mesmo respeito.

- Irei esperar se não se incomoda.

- Claro que não incomoda Kyu. Desculpe por preocupá-lo...

- Não precisa se desculpar – respondeu baixo seu tom não escondendo a apreensão que sentia — Está se sentindo bem? Sabia que ele poderia trazer os remédios novamente mas não imaginava que lhe daria assim que chegasse.

- Ele ainda não sabe que Joongie-hyung me proibiu de tomá-los.

- Não sabia – retrucou imediatamente – O senhor padre havia acabado de contar a ele e àquele amigo que ele trouxe quando subi. Só não entendi o porquê de contar algo assim a um estranho.

Realmente, aquilo não era do feitio de Jaejoong-hyung. Graças às regras impostas por nosso pai há anos para a minha “proteção” ele crescera totalmente discreto com assuntos pessoais. Jamais contaria algo relacionado à nossa família – principalmente se o assunto disser a respeito a mim – a alguém que conhecera esta tarde.

O que poderia ter mudado? Quem seria este Lee Hyukjae afinal para que merecesse tanta confiança assim? E o principal: o quanto hyung havia contado sobre mim a ele?

- De certo, algum motivo ele tem – fingi não dar tanta atenção ao fato, o que fez o jovem coroinha levantar a cabeça e me fitar espantado – Tudo bem, Kyu. Ele não irá contar tudo de qualquer forma. Sem falar que aqueles que você tem ainda não acabaram, não é? Mesmo se Donghae-hyung jogar fora os que ele comprou ainda ficarei bem por mais algum tempo.

- Não é isso o que me incomoda, senhor. Por favor, será que já não é hora de contar que ainda continua tomando os remédios mesmo proibido? Sequer deveria estar acordado à uma hora dessas! Isso só prova que está ficando cada vez mais dependente da droga. E eu aposto que seu irmão não permitirá que mudem o remédio novamente.

- Se tomo os medicamentos Kyuhyun, é porque preciso deles. Ou prefere me ver morto por conta desses malditos ataques? – falei seco, vendo-o abaixar a cabeça novamente, tristonho. Senti um pouco de remorso.

Não menti, de certa forma. A verdade é que embora eu não me lembre quando começou tudo, mas minha sina com os entorpecentes e médicos se iniciou graças a esses constantes ataques de nervos desde criança. Os médicos nunca descobriram a causa e nem como poderia se dar as sessões devido a complexidade e a anormalidade do meu caso. Eu também sempre senti que aquilo não poderia ser uma doença comum e sempre falei, mas quem disse que a opinião de uma criança tinha valor no mundo complicado dos adultos? Enfim, como eles não conseguiam diagnosticar qualquer doença ordinária simplesmente receitavam calmantes para que me fossem dados quando estivesse por um fio. No entanto, meu corpo sempre acabava se acostumando a eles e forçava-nos a trocar de medicamento. Vários anos e tipos de calmantes diferentes depois, natural que eu acabasse dependente deles, e minha família se cansando de ver tanto tempo desperdiçado. Daí a decisão de me manter sob abstinência até que a dependência enfraquecesse.

O que Jaejoong-hyung não sabia era que mesmo sobre ordens expressas de ficar longe dos medicamentos, eu ainda continuei me “tratando” escondido com a ajuda de Kyuhyun. E mesmo que o maior motivo que me levou a isso tenha sido o vício – sim, e eu tinha plena consciência disso – o fato era que eu realmente precisava dos malditos calmantes. Meus irmãos nunca tiveram o conhecimento certo de como aquela doença agia e me maltratava, graças à máscara que eu construí durante anos. Por isso, achavam que não poderia ser algo tão grave que valesse e justificasse uma vida inteira sob remédios e tratamentos. Eu discordava.

Não era um simples problema nervoso. Era como se eu abrigasse em mim um outro alguém que sempre que se enfurecia me rasgava por dentro. Eu conseguia sentir o seu ódio emanando, suas garras arranhando minhas entranhas, suas mãos me sufocando... Começava sempre me causando calafrios, depois me fazia tremer e suar, perder o controle total de meu corpo, para enfim começar a tortura. Sentia-me sangrar rios internamente, tanto que por muitas vezes me perguntei como ainda haveria de ter alguma gota de sangue em minhas veias. Esmagava meus órgãos internos perdido em cólera, rasgava minha carne, tirava-me o ar, abafava meus gritos e por fim, invadia minha cabeça. Eu conseguia escutar seus urros furiosos como agudos finíssimos em meu cérebro que perfuravam cada vez mais fundo dilacerando-me os neurônios um a um e me enlouquecendo completamente. Alimentava-se de meu sofrimento e meus restos carnais. Sugava-me a energia vital pouco a pouco, até que, sem nenhum fragmento de força ou coragem para lutar contra aquele ser indecifrável, eu acabava perdendo a consciência e desmaiava para a morte. Ou pelo menos era o que eu muito já pedi que acontecesse, sem ser atendido nunca.

O papel dos calmantes nessa guerra era simples, sucinto e prático: Retardar os primeiros sintomas nervosos e me fazer adormecer antes de sentir dor.

O que eu nunca entendi era como eu conseguia acordar inteiro do desmaio. Sempre me sobravam pequenos espasmos e meu corpo ficava incrivelmente lerdo e um pouco dolorido devido às torturas, além de uma momentânea tontura, era verdade, mas nada se comparado a todo o martírio anterior. Nenhuma gota de sangue derramado, meus órgãos limpos como se tivessem nascido há segundos e meus neurônios e músculos em perfeito estado.

E era isso o que mais intrigavam os médicos. Como poderia existir uma doença que retalhava o corpo por inteiro e depois sumia em questão de horas sem deixar vestígio algum? Já até chegaram a pensar que era tudo invenção minha para conseguir atenção! Como se eu já não tivesse atenção mais que o suficiente e permitido pelo senso comum...

- Perdão... – sussurrou depois de um tempo calado, sua voz rouca e suave acariciando meus ouvidos.

- Tudo bem – respondi mexendo-lhe os fios castanhos brilhantes com um sorriso amigável.

O único que tinha pleno conhecimento de tudo isso era o pequeno Kyuhyun. Em seus dezessete anos, ele me ajudara muito mais do que a dezena de especialistas que eu já consultei na vida. Originalmente tão doce e obediente, escondeu também esse seu lado puro das outras pessoas a fim de se fazer forte até que a personalidade arrogante e rebelde virasse sua face comum e a outra fofa se tornasse exclusiva para poucos. E até onde tinha conhecimento, eu era o único a conhecê-la.

Era preocupado, atencioso, e sempre se mantinha disposto a me servir cegamente. Nunca tive coragem de perguntar o porquê de tanta devoção, mas desconfiava que a razão se devia ao fato de eu – imaginando que ele assim como eu não serviria para a carreira eclesiástica – ter tomado-o como meu aprendiz e ensinado praticamente tudo o que sabia sobre arte. Sua preferência se consistia pela música e eu, de cara, descobri nele um cantor talentosíssimo.

- Como está a sopa? – perguntou tímido pela carícia que ainda recebia de mim.

- Ah, nem provei ainda – respondi colocando uma colherada na boca e logo sentindo o líquido quente de sabor brando amornar o corpo à medida que passava em direção ao meu estomago ainda adormecido – Está ótima! Hyung deveria realmente sair da Igreja e virar cozinheiro... Ficaríamos ricos em pouquíssimo tempo.

O menino riu.

- Mas aí o mestre teria de sair daqui também, não é?

-Talvez.

- Hum... – calou-se deixando um silêncio incômodo no ar.

Virei para si, colocando a bandeja para o lado e aproximando-me de seu rosto. Estava triste. A idéia de não me ver mais por entre aquelas paredes frias o perturbava profundamente. Era como meu irmãozinho. Crescemos juntos, afinal de contas. E era um dos poucos motivos que ainda me mantinha sóbrio diariamente.

Toquei-lhe o queixo forçando a me fitar. Via como seus olhos queriam fugir dos meus invasivos, procurar um refúgio, mas não tinham como escapar. Apenado, acabei por soltá-lo e voltar me deitar de bruços na cama, o lençol já quase não me cobrindo.

- Não se preocupe Kyuhyun-ah... Também não ficará preso aqui por muito tempo. Isso eu te garanto – disse puxando-lhe suavemente a cabeça para que se recostasse na beirada do colchão e eu pudesse voltar a brincar com seus cabelos.

- Como sabe? –sussurrou já sonolento.

- Apenas sei. Assim como sei que o mundo que muitas vezes é cruel com as pessoas, também se apieda daqueles que merecem de vez em quando.

Notas finais
Cap sem muitas coisas importantes, o pior ficou acabou ficando para o próximo q Talvez ele não demore muito já que 80% já ta pronto... Ou talvez sim, sei lá. Vai depender muito se os meus professores tomarem vergonha na cara e descobrirem que a gente não tem só uma disciplina no semestre u.ú Ou seja, se eles me derem uma folga sai bem rapidinho!
Ah, segundo a cumadi, kyusu é um couple shippável QQQQ XD O que vcs acham? E quanto ao Hae? Deu pra vcs fazerem as pazes com ele ou só se esculhambou tudo de vez? Reviews, minhas flores da manhã! É disso que esta pulga sobrevive -MASOQ XD