Yoru no Hana
4 Felicidade
Notas iniciais
Espero que gostem!
Capítulo 4 – Felicidade.
Nada podia fazer aquele momento mais perfeito do que era. Gary sentia seu coração acelerar, e entrar em uma estranha sincronia com o da morena. O roçar dos lábios proporcionava aos dois uma espécie de sentimento desconhecida, que parecia crescer descontroladamente dentro deles. Gary entreabriu os lábios insinuando o real inicio de um beijo, porém antes que pudesse ter a chance de ser correspondido sentiu uma forte rajada de água em forma de jato atingir seu corpo e joga-lo para o lado.
Balançou a cabeça retirando um pouco do excesso de água. Visualizou a direção de onde aquele jato deveria ter partido. Viu seu Blastoise correndo atrás do pequeno Pichu de Melissa, os dois pareciam se divertir, com certeza não havia sido Blastoise. Correu o olhar para o lado. Arcanine encontrava-se sentado à grama ao lado de Ninetales, pareciam se dar bem; Também não havia sido eles, com toda a certeza e a lógica. Foi quando o olhar de Gary bateu em Golduck. Em pé, um pouco a frente de onde pichu e Blastoise corriam, o pokémon pato encarava-o com os braços cruzados. Havia sido ele. Definitivamente aquele pokémon sentia um grande ciúme por sua dona. Gary não podia se aproximar da Garota que ele arrumava um jeito de afastá-lo. Quando Golduck viu que Melissa olhou em direção a ele, o pokémon tratou de disfarçar e começou a correr atrás de Pichu e Blastoise como se estivesse entretido brincando com eles, inocentemente.
“Cínico!!” Impregnou Gary.
Melissa voltou o olhar para Gary, ela ainda estava um pouco corada e permanecia a mesma posição que tava, mesmo que Gary estivesse saído de cima dela. A morena balançou a cabeça como se quisesse afastar algum tipo de pensamento que tinha naquele momento; Logo se ajeitou, sentando-se e pouco se importando de ainda estar dentro do lado.
- Está tudo bem Gary? – Perguntou com a cotidiana doçura.
— Sim... – Murmurou.
Gary coçou a cabeça como se não soubesse agir naquela situação. Poderia muito bem ignorar o que quase havia acontecido, como certamente faria se isso acontecesse a alguns anos atrás, porém muitas coisas haviam mudado. Além de seu amadurecimento natural devido a idade, não poderia e nem conseguiria tratar Melissa como qualquer outra mulher com quem já havia estado.
- Ahn..Desculpe.. – Foi o máximo que ele conseguiu pensar em dizer naquele momento. Desviou o olhar.
— Ahn..t-tudo bem.. – Ela gaguejou um pouco e virou o rosto avermelhado para o lado.
O Silencio reinou no local.
Ela virou o olhar para ele. O pesquisador parecia perdido em seus pensamentos. Para acabar com aquele clima constrangedor, ela fez um movimento com as mãos atacando água no roto de Gary. Gary arregalou os olhos, assustado com o “ataque de surpresa”, encarou-a esperando alguma lógica naquela atitude. Ela mordeu o lábio inferior e riu brevemente, piscando lentamente os olhos de forma divertida. Novamente foi atacado. Virou o rosto como proteção e desta vez revidou, rindo. Iniciou-se uma pequena “guerra” de água, poucos segundos depois já corriam de um lado para o outro novamente, atacando água um no outro e se divertindo.
Passaram a tarde toda ali, se divertindo. No meio da tarde, quando sentiram fome, trataram de procurar alguma fruta nas árvores que haviam ali no campo. Quando perceberam o sol já vinha se pondo. Melissa olhou para o céu, ajeitando um fio de cabelo que teimosamente caia sobre seu rosto, um súbito brilho surgiu nos olhos esmeralda ao olhar para o crepúsculo que se formava no céu. A morena virou-se olhando para Gary que fazia um leve carinho em seu Umbreon.
- Gary! – Falou em tom alto chamando atenção do rapaz.
— Oi? – Ele levantou o rosto e permaneceu acariciando o pokémon.
— Já está no Pôr-do-sol!! Vamos vê-lo lá de cima? – Disse apontando para o monte.
— Lógico! – Ele sorriu e largou o pokémon saindo correndo para o monte, ela, logo, foi atrás.
Os Dois sentaram-se na grama, um ao lado do outro e olharam para o céu admirando a bela paisagem.
- Não é lindo!?
— É maravilhoso... – Disse ele quase hipnotizado com a paisagem.
— O Dia passou correndo hoje...
— Verdade... Quando nos divertimos o tempo voa...
Ela riu e anuiu.
- Ainda bem que percebeu o pôr-do-sol ..do jeito que eu estava entretido, provavelmente, só notaria quando já estivesse tudo escuro. Imagine só, perder essa paisagem! – Pausou. – É tão... Perfeito. – Concluiu.
— Sim.. É perfeito! – Concordou ela.
— Alias, todo esse lugar é perfeito. Me faz lembrar, um pouco, minha cidade natal... Mas, ainda sim, é mais belo...
— Sério? Heh... Aqui sempre foi assim e, sinceramente, gosto de lugares como esses. Calmos... Em que dê para aproveitar a natureza. Não me imagino vivendo em uma cidade grande...
— Eu já viajei muito. As cidades grandes são boas... Divertidas. Mas não há nada como uma cidadezinha no interior como as nossas... Ainda mais quando é nesse lugar que nascemos e fomos criados...
— Você tem razão!
O silencio reinou novamente por alguns minutos.
- Você deve ser muito feliz morando aqui, não? – Começou Gary.
— Não tanto como gostaria. – O olhar dela parecia perdido no horizonte. Pela primeira vez, Gary notou no olhar de Melissa, certo ar de melancolia.
— Como assim?
— Minha vida é bem mais complicada do que imagina...
— Você vive cercada de pokémons, tem um avô que te ama que está sempre perto de você... É bonita, gentil e por algumas das conversas que tive com seu avô, pude entender que é bem popular na cidade... É adorada por todos e...
— Não considero isso felicidade... – Disse ela sem animação, interrompendo-o.
— O que é felicidade para você?
— Não sei.
— Não sabe...?
— É... nunca senti esse sentimento por completo. – Pausou. – E você, Gary, já sentiu?
Gary silenciou-se. Aquela pergunta era inquietante. Nunca havia se perguntado isso.
- Não sei... – Confessou. — Creio que também não...
Passaram um tempo olhando para o pôr-do-sol juntos em silencio, até que Gary, virou o rosto olhando-a.
- Você me intriga.
— Intrigo?
— Aham... É que eu olho para você, sempre sorrindo, aparentemente feliz... Não vejo nenhum motivo para não ter uma felicidade completa nesse lugar. Digo, você tem coisas que muitos gostariam de ter... E, mesmo assim, diz que não se sente completamente feliz. – Gary pausou por um momento. Melissa virou o olhar para ele, porém logo desviou. Continuou. — Eu não sei se já senti felicidade de verdade... Mas não consigo achar um motivo para essa minha “indecisão”... Nunca havia pensado nisso.. Mas você parece já ter pensado.
— Pensei sim... – murmurou.
— Então... Sabe porque não é feliz...?
— Sei.
— Me contaria porquê?
Ela parou por um minuto e olhou para os pokémons brincando. Abraçou as próprias pernas.
- Quer mesmo saber...?
— Quero.
Ela cerrou levemente os olhos e parecia perdida.
- É costume aqui, na cidade, as meninas casarem cedo e já serem prometidas desde pequenas ao seu marido. Minha mãe desde que tinha seus 4 anos já sabia quem era seu marido e sempre conviveu com ele... Meus pais tiveram a maior sorte que poderiam ter. Eles se amavam. – Sorriu brevemente, porém logo o sorriso se esvaiu. — Casaram não só por estarem sendo obrigados, mais porque ambos desejavam isso. Quando eu nasci minha mãe tinha apenas 18 anos... Os problemas começaram nessa época. Meu pai ficou muito doente e quando eu tinha 1 ano, faleceu. Minha mãe ficou muito triste e cuidou bem de mim até eu completar 3 anos de idade, quando ela pegou a mesma doença que matara meu pai e veio a falecer também. Desde então vivo sozinha com o meu avô, não que isso seja tão ruim. A verdade é que eu amo meu avô e me sinto muito bem ao lado dele, mas mesmo assim... Sinto muitas saudades dos meus pais...
Gary a olhou, viu que uma lágrima escorria pelo rosto dela.
- Deve ter sido difícil... – Murmurou.
Melissa balançou a cabeça positivamente e logo continuou a falar.
- O que ouviu do meu avô é verdade. Sempre fui muito popular na cidade, desde os 8 anos eu sempre participo de todos os festivais, normalmente, faço o show de abertura. Não sei se sabe, mas sou apaixonada por dança, e é o que eu faço de melhor... E por isso sempre faço um show de dança com algumas amigas. Acho que é por isso que eu sou bem conhecida na cidade... Além, é lógico, do fato de eu ser neta do único Pesquisador Pokémon da cidade. Minha vida sempre se resumiu a dançar, cuidar dos pokémons e cuidar do meu avô...
— E isso não é bom?
— É... Isso é. – Pausou. – Meu avô cuidou muito bem de mim, melhores escolas, sempre me dando tudo o que eu desejava... Tudo do bom e do melhor. Sempre tive amigas. Muitas amigas...E amigos. Todas as garotas queriam ser amigas da neta do professor Darrow; Todas as garotas queriam ser amigas da popular”estrela” dos festivais! – Melissa dizia aquilo com o máximo de naturalidade que conseguia mais ainda sim Gary percebia um certa tristeza em sua voz. – Os garotos também. Sempre queriam estar perto da garota popular... – Mas eu podia contar nos dedos quantos pararam para conhecer a Melissa.
Gary compreendeu o que a morena sentia. Melissa esfregou os olhos secando algumas lágrimas que teimavam em escorrer. Gary não hesitou, passou a mão pelo ombro dela e puxou-a para si, abraçando-a. Melissa apertou o abraço.
- Eu adoro a Melissa! – Ele sussurrou e ela sorriu em gratidão intensificando o choro.
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