Notas iniciais
Olá! Nesse caítulo quis tentar quebrar um pouco aquela inocência de Pokémon. Todos nós quando assistíamos víamos um anime completamente voltado para o publico infantil porém se analisarmos o anime de verdade vamos perceber ( logicamente) que nem tudo pode ser como mostra no anime. O Gary andava pra tudo o que é canto com aquele grupo de torcedoras fanáticas por ele atrás. Alguém duvida que elas tenham servido mais do que simplesmente torcida para ele? Olhando pelo lado mais inocente que eu posso ter eu afirmo que, pelo menos, um “namorico” ou outro rolou ali! E não queira nem saber o que a minha mente acha que rolou a mais naquele conversível vermelho do Gary oó
XD Bem.. É isso. Nos vemos no próximo capítulo. Espero que tenham gostado, caso não aceito criticas a vontade o

Beijos e obrigada a todos que leram e estão acompanhando a fic ;*

Capítulo 5 – Desejo.

Eles voltaram para casa logo após aquela conversa, ambos estavam exaustos. Já havia anoitecido. Melissa foi fazer o jantar e logo depois cuidar de seu avô, a febre de Darrow havia aumentado, ele parecia mal, estava começando a ficar preocupada com o velho homem. Serviu o jantar para ele na cama, e ficou ali até que o avô adormecesse e a febre diminuísse um pouco.

Mais ou menos uma hora depois ela desceu para a cozinha e serviu o jantar de si mesma e de Gary. Após terminar foi até a sala onde o jovem pesquisador estava, concentrado em um trabalho em seu laptop.

- Gary?

- Hun? – Desviou a atenção para a morena.

- O jantar está na mesa. Quer comer agora?

- Sim, sim. – Ele sorriu e se levantou.

Dirigiram-se para a mesa de jantar onde fizeram a refeição entre boas conversas. O assunto entre os dois parecia não terminar nunca e a alegria era algo que nunca faltava entre aqueles diálogos. Porém toda aquela conversa e risada não eram suficientes para que Gary esquecesse de tudo o que havia acontecido àquela tarde, nem o quase beijo e muito menos, todos os desabafos da garotaMesmo que não pudesse ter certeza, tinha impressão de que Melissa havia omitido algo muito importante. Era só uma impressão porém parecia tão real quanto às verdades que ouvira dela.

- Posso te perguntar algo...?

- Sim! – Respondeu Melissa com um sorriso.

- Er... – Ele desviou o olhar para o prato de comida quase vazio. – Quanto a nossa conversa de hoje de tarde...Você.. Ahn, digo. Sei que nos conhecemos há pouco tempo mas eu gosto bastante de você. Quero que saiba que pode contar comigo para qualquer coisa.

A garota se levantou e manteve-se em silencio, deu a volta na mesa de jantar e pousou a mão sobre um ombro de Gary.

- Obrigada, Gary... – Abraçou-o pelas costas envolvendo as mãos sob o pescoço do rapaz. – Muito obrigada mesmo. Você é como um anjo, sabia?

- Anjo...? – Ele tocou o braço dela e riu em silencio. Nunca ninguém havia o chamado daquilo, nem mesmo havia imaginado alguém fazendo tal comparação. – Obrigado, Mel.

Ela sorriu e entreabriu os lábios como se fosse falar algo porém antes que pudesse o telefone tocou. Ela se afastou de Gary.

- Um minutinho, vou atender o telefone!

- Certo.

Ela saiu da cozinha e foi até a sala atender ao telefonema. Era um numero não registrado, Melissa estranhou mais atendeu mesmo assim.

- Alô!?

- Olá. É da casa do professor Darrow? – Quem perguntou foi uma mulher de cabelos extremamente lisos, de tonalidade roxa e com um corte na altura dos queixo. Seus olhos azuis realçavam sua beleza e o sorriso que trazia no rosto deixava claro que a mulher deveria ser bem mais velha Melissa.

- Sim Senhora, em que posso ajuda-la?

- Senhorita, por favor. Estou procurando Gary Carvalho, me disseram que ele estava passando uma temporada por ai.

- Sim, senhorita. Um minuto, vou chamá-lo.

Melissa virou-se e chamou por Gary que logo apareceu na porta da cozinha. Foi questão de segundos, logo que o jovem pesquisador identificou quem era ao telefone correu e atendeu-o imediatamente.

- Laurien!

- Gary, meu amado! Que saudades de você!

Melissa saiu da sala e voltou a cozinha porém não pode evitar de observar e escutar, escondida, a conversa dos dois. Sentia algo diferente, uma espécie de ciúmes irracional e descontrolado. Afinal, quem era aquela mulher? De onde ela conhecia Gary? Ela significava algo para ele? Eram perguntas que a atormentavam naquele momento.

- Verdade. Faz algum tempo...

- Demais. Soubemos que você estava na cidade e fomos te visitar mais quando chegamos em sua casa você já havia partido daqui novamente! Só ontem eu e as meninas conseguimos contato com o seu “vovôzinho” que nos contou que estava em uma nova jornada. Ai ele me deu esse numero!

- Bem isso explica em parte como conseguiu me achar. – Sorriu sarcasticamente.

- Sinto falta dos bons tempos que íamos com você em sua jornada fazendo nosso papel de torcida organizada. Era divertido, não era?

- Sim... – Gary deixou uma risada escapar ao relembrar do passado. Era realmente muito bom. Sobraram divertidas e agradáveis lembranças daquele tempo. – Muito divertido.

- Posso te perguntar algo, então?

- Sim.

- Porque não nos levou com você dessa vez? Sabe o quanto amamos acompanha-lo.

- É eu sei... Mas não era possível dessa vez. Eu vim para pesquisar algumas coisas e não para dar uma de treinador pokémon em busca de aventuras novas. Vocês iriam achar monótono e não iam gostar.

- MENTIRA!! IRIAMOS GOSTAR SIM! – Intrometeu uma terceira pessoa empurrando Laurien para o lado. Esta tinha cabelos loiros presos em um rabo-de-cavalo.

- Lisa...

- Qualquer lugar é divertido com você, Gary! Podia ter nos levado!!

- Desculpem-me garotas. Realmente não dava.

- Mais e quando você voltar... Promete que passará um tempo com a gente?

- Prometo, Lisa.

- EBAA!! – A loira vibrou de emoção antes de ser empurrada novamente por Laurien.

- Me deixa sozinha Lisa! Xô! – Laurien enxotou a amiga e só voltou a falar quando esta se retirou do recinto em que ela estava. Voltou novamente o olhar para a tela do telefone e encarou Gary com um olhar severo e repressor. – O que houve com você?

- O que..? — Gary assustou-se não entendendo o porque daquele jeito severo tão repentino.

- O que houve, Gary? Você está diferente.

- Hupf... – Bufou e desviou o olhar. – Nada demais. Eu apenas cresci, Laurien.

- Ninguém muda tanto assim de uma hora para outra.

- Não foi de uma hora para outra. Foi um processo. Devia ter percebido isso há mais tempo.

- Não se faça de cínico, Gary! Não estamos aqui para sermos hipócritas. Você mudou e sabe bem disso porque foi uma mudança da água para o vinho. E eu não falo de um processo demorado e lento.

- Eu me tornei um pesquisador pokémon. Tenho que me portar como um. Além disso, como eu já disse a você eu cresci, estou mais velho! O que você queria, que eu não mudasse nada desde os 10 anos de idade?

- Lembra que fui te visitar a pouco tempo naquele laboratório de pesquisas pré-históricas? Naquela época você não havia mudado tanto, eu me lembro bem. Estava, sim, mais maduro, menos mimado, mas continuava com aquela sua arrogância de sempre, que era marca da sua personalidade.

- Eu continuo do mesmo jeito que eu era, é impressão sua.

- GARY!! Isso tem algo á ver com aquela...

- QUIETA!! – Berrou Gary interrompendo a mulher.

Melissa não estava entendendo muita coisa daquela conversa mais até ela se assustou com o berro de Gary.

- Eu não acredito.. Gary, você está...

- Chega, Laurien! Acho melhor você desligar!

- Tudo bem... Mas tome cuidado para acabar não se machucando. Mesmo que eu não goste muito da idéia te desejo boa sorte. – Gary não respondeu, e ela não perderia tempo esperando uma resposta que ela sabia que nunca viria. Sorriu e continuou. – Quase esqueci. Seu avô me pediu para te dar um recado. Disse que aquele “pirralhinho” de boné...

- Ash?

- É esse mesmo! Ele vai fazer uma visitinha pra você.

- Ok. Obrigado pelo aviso. Agora, Tchau! – Curto e grosso como antigamente era. Ela sorriu.

- Beijos, Gary!

Gary desligou o telefone e respirou fundo. Preferia que Laurien não houvesse ligado e alertado a ele. O pior de tudo era que ela estava completamente certa. Gary havia mudado e em muito pouco tempo e quem o fez mudar tanto estava agora ali. Ele olhou para trás, Melissa lavava a louça do jantar. Ele caminhou até porta da cozinha e encostou-se no vão da porta.

- Quer ajuda?

- Não precisa não, Gary!

- Tem certeza?

- Sim!

- Um amigo meu, Ash, vai passar aqui no laboratório para me visitar... Tem algum problema?

- Imagine. Ash é sempre bem vindo aqui!

- Conhece o Ash?

- Lógico! É um grande amigo meu.

- Não sabia! Que legal...! – Gary sorriu. – Bem, então acho que vou descansar um pouco. Tem certeza que não quer ajuda?

- Tenho, pode subir.

- Então ta.

Gary Se aproximou da garota pelas costas e a abraçou gentilmente em seguida beijou-a no rosto.

- Foi muito bom o dia hoje, obrigado. Boa noite, Mel.

- De nada. Boa noite Gary!

Gary se afastou e saiu da cozinha em direção a escada e foi para o quarto de hospedes onde dormia. Ao adentrar no local, sem nem mesmo acender a luz, se jogou na cama. Virou-se rolando pela cama até parar de barriga para cima. Pôs-se a observar o teto.

“O pior é que Laurien disse estava certo . Eu mudei muito...o que á acontecendo comigo?...Eu agi tão estranho hoje... Hesitei tanto em beijá-la... Fui um idiota. ”

Ele virou a cabeça para a janela.

“ Apaixonado sei que estou mais não seria possível que eu tivesse amando Melissa... De verdade?...Para falar a verdade..nem sei o que é isso... Nunca senti esse sentimento antes...Amor não é uma palavra que devia existir no meu vocabulário...”

Ele olhava agora diretamente para a lua cheia, que iluminava parte de sua cama com o doce e gentil luar.

“ Quando estou perto dela sinto uma estranha sensação de felicidade, uma vontade de sorrir involuntariamente, sem algum motivo se quer... é como se tudo que eu precisasse para viver estivesse ali do meu lado..será mesmo que estou amando-a?... “

Ele voltou seu olhar para o teto do quarto.

- Não me faça rir, Gary.. você não é capaz de amar! – Disse ele para si mesmo com um sorriso falso no rosto. – Ou é? – Uma duvida surgiu na mente dele e percorreu para o coração.

“ Mesmo que fosse... Melissa é...”

Ele pegou o travesseiro o qual repousava sua cabeça e o pós sobre o rosto, cobrindo-o.

“.. Inalcançável...”

Ele virou agora seu corpo, mantendo agora o travesseiro sobre sua nuca e o rosto escondido no colchão.

“ Ela é linda e graciosa, não ia querer um metido e grosso como eu... Ah, deixa de ser bobo... ela nunca iria querer algo comigo, alem disso eu não deveria estar gastando o meu tempo pensando nisso..tenho que me concentrar na pesquisa... esse é o objetivo por eu ter vindo, unicamente para isso... Devo me concentrar e alias... em breve irei embora e certamente nunca mais verei Melissa em minha vida, não devo me preocupar com isso.. se for paixão passará e se for esse tal de ‘amor’ eu também esquecerei facilmente...é só dois nomes diferentes..no final é o mesmo significado tolo...”

Gary fechou os olhos e adormeceu ali mesmo, sem nem mesmo trocar de roupa.

Melissa arrumava a casa, naquele momento. Gary havia se retirado após o telefonema das garotas, Darrow estava em seu quarto provavelmente dormindo, os pokémons também descansavam em suas pokebolas ou então no campo em volta da residência. Suspirou cansada.

A garota arrumou a mesa, ajeitando a jarra com flores que decorava a mesa de jantar o que dava um toque sutil e caseiro no lugar. Na porta da cozinha o pequeno Pichu da garota apareceu, andando em direção à mesma coçando os olhos; Demonstrava cansaço e sono. Melissa o olhou abrindo um singelo sorriso, um tanto forçado, ela parecia meio abalada por algum motivo. A garota de longos cabelos negros se abaixou perto da mesa a espera do pequeno pokémon que se aproximava a passos lentos. Ela o pegou no colo abraçando-o levemente e levantando.

- Você está cansado, não é meu anjo? – Ela passou a mão carinhosamente pelas orelhas de Pichu que concordou com a cabeça sem emitir som algum. Pegou a pokebola que estava em seu cinto e apontou para o pokémon em seu colo. – Você deve descansar bem, amanhã cedo o dia recomeça e preciso de você para alegrar meu dia! Durma bem meu anjinho!

O Pokémon emitiu algum som, fraco e quase imperceptível, antes que Melissa o fizesse retornar a pokebola. Após esse feito ela saiu da cozinha apagando a luz, passou pela sala, apenas iluminada por uma fraca luz de um abajur, a garota parou olhando para o telefone, soltando um longo suspiro.

“ Quem eram elas...? Pareciam conhecer bem o Gary..e ter uma boa intimidade com ele...”

Fechou os olhos e seguiu subindo as escadas, parou na porta do quarto de Gary, olhando a porta, entreaberta.

“ Gary...”

Ela olhou para pela pequena fenda que separava a porta da parede, Gary estava dormindo, ainda de roupa normal. Ele estava de bruços e sobre sua cabeça estava o travesseiro, segurado por ele, ela deu um leve sorriso. Melissa entrou suavemente pela porta não fazendo barulho algum, andou lentamente até a cama do rapaz, sentando-se ao lado dele. Sutilmente retirou as mãos deles do travesseiro e ajeitou-o na cama. O rapaz apenas resmungou algo e se arrumou ficando deitado de lado com a cabeça apoiada no mesmo travesseiro que segurava antes. A morena sorriu e acariciou os cabelos dele suavemente. O luar parecia deixa-lo mais bonito do que era e aqueles cabelos castanhos, jogados de maneira desarrumada, dava-o um ar diferente, exótico.

“ Parece um anjo dormindo...”

Ele deu um leve sorriso como se gostasse daquela sensação de conforto e carinho mesmo não tendo idéia do que realmente era e de onde vinha.

“ Talvez isso seja errado..mais o que estou sentindo, não é algo normal...”

- Eu creio que me estou amando... – Disse ela sussurrando para si mesmo, logo se abaixou beijando levemente as bochechas dele.

“ Que pena que as coisas não podem ser como queremos...”

Ela se levantou da cama e puxou um cobertor cobrindo o corpo de Gary até a altura dos ombros. Agachou-se sussurrando no ouvido dele suavemente.

- Durma bem, Gary!

Logo após isso ela se retirou e foi para seu quarto dormir.