Capítulo 6- Pesquisa.

No dia seguinte Professor Darrow estava melhor e voltou as pesquisas com Gary normalmente, voltando ao cotidiano. Nada de interessante aconteceu pelo resto da semana, estava mais complicado para Gary ver Melissa, ela parecia estar sempre ocupado ou então na cidade. Gary se perguntava o que tanto ela fazia, porém não tinha muito tempo para repetir aquela pergunta para si mesmo diversas vezes tentando achar uma resposta, afinal, estava ocupado demais com as pesquisas do professor Darrow.

Cinco dias se passaram. A pesquisa não ia para frente.

Era uma sexta, o tempo não estava muito bom. As nuvens negras, carregadas de água pairavam no céu pronto para desabarem. Gary estava sentado na grama, ao seu lado estava Professor Darrow; haviam resolvido fazer uma pesquisa de campo, ambos observavam de longe o Arcanine de Gary e o Ninetales de Melissa. De alguma maneira, algo mais do que simpatia e amizade, haviam acontecido entre aqueles dois pokémons de raças distintas. Os dois brincavam, descansavam e parecia “conversar”, o que seria normal se não fosse o fato de entre esses atos, surgir algumas leve caricias e demonstrações de afeto como beijos e carinhos.

- Incrível! Não achei que o meu próprio Pokémon se tornaria a minha pesquisa!

- A Vida é uma caixinha de surpresas, Gary!

- Professor, de acordo com as pesquisas, esse tipo de acontecimento não é muito normal, né?

- Mais ou menos. O relacionamento de pokémons de raças distintas têm, cada vez, aumentado mais...

- E isso pode vir a dar problemas no futuro?

- Se refere à quantidade de pokémons diminuir?

- Sim! Mas não só a quantidade..queria saber se poderia causar a extinção deles...

- Não, creio que esse não é um problema. De fato, diminuiria um pouco a quantidade de Pokémons, mais não chegará a tanto...

- Hum...Então o que falta concluirmos na pesquisa?

- O mais importante... Porque isso acontece?

- Ahn? – Gary parecia meio desentendido.

- Quero saber o porque desses Pokémons se apaixonarem...

- Isso ...É possível!?

- Talvez...

- Mas professor, sinceramente, não vejo uma maneira de encontrar essa resposta...

- Nem eu!

Gary olhou para o Professor, aquilo não era lógico.

- Então porque ainda procura essa resposta?

- Gary, você quer ser um bom pesquisador, não é?

- Sim...

- Então aprenda algo! Quando você se empenha para fazer uma pesquisa você deve abrir sua mente, mergulhar fundo naquilo e só vir a tona quando todas as suas perguntas forem respondidas...

- Mas e se não houver resposta? Ficarei “submerso” o resto a vida...?

- Aprenda outra coisa; Para todas as perguntas há uma resposta. Não existe pergunta sem resposta, tão como não existe resposta sem pergunta! Não importa quanto tempo leve, mas uma dia, ela virá... E é por isso, Gary, que ainda continuo nessa pesquisa, porque sei e acredito que no dia certo, na hora certa e no momento certo essa resposta virá até mim!

Gary sorriu de leve e voltou a observar os Pokémons.

- O Senhor...é realmente um grande pesquisador, professor!

O Velho retribuiu o sorriso e olhou para os pokémon atentamente.

- Assim como seu avô é, e como você será um dia!

Depois de algum tempo os dois se retiraram e voltaram para a casa. Estava na hora do almoço e o tempo prometia uma densa chuva. Á mesa, se sentaram Gary, Melissa e o Professor. Gary alegrou-se ao ver que almoçariam na presença da jovem neta de Darrow, o que não acontecia a vários dias. Eles almoçaram em paz, Darrow puxava conversa com Melissa e às vezes com Gary, mais aquilo não resultava em grandes coisas, quando já estavam acabando de almoçar Darrow surgiu com um assunto que interessou ambos os jovens.

- Melissa, e o festival? Como andam os preparativos?

- Andam muito bem, vovô!

- Vai se apresentar no show de abertura de novo?

- Sim e também apresentarei uma peça de teatro no meio do festival!

- Que festival? – Gary perguntou se intrometendo na conversa de maneira sutil.

- O festival das flores! – Darrow respondeu com um sorriso.

- Festival das Flores?

- Sim, nessa época do ano há muitas flores na região. É a época mais florida de todas, ganha até mesmo da Primavera... Ninguém sabe exatamente o porquê, mas todos comemoram!

- E quando será o festival?

- Daqui a uma semana! Sabe Gary você deveria ir com Melissa ao festival! Aproveite o Maximo enquanto estiver na cidade!

- Ir ao festival com Melissa? – Gary olhou a garota que olhava para seu avô, um pouco corada e sem saber o que fazer. Ela virou o olhar para Gary e percebeu o mesmo a encarava, abaixou sua cabeça e desviando seu olhar do dele.- Bem...Se Melissa concordar em ir comigo, não vejo porque não...

- O que me diz Mel? – Perguntou o avô da garota olhando-a.

- Ahn..er... – Ela levantou o olhar e forçou um sorriso. – Por mim tudo bem!

Gary sorriu, ficara feliz com a resposta da garota, mas tinha algo naquele sorriso forçado que o preocupou.

- Então está resolvido, Gary você ir ao festival acompanhar Melissa. Bem.. acabei de comer.. irei me retirar, vou descansar um pouco!

Darrow se levantou e saiu da sala em direção ao quarto deixando Melissa e Gary sozinhos, após terminar de comer em silencio ambos se levantaram e tiraram a mesa juntos.

- Vai fazer o que hoje, Melissa?

- Vou à cidade, ensaiar a peça de teatro com meus amigos...

- Ahn... Como é a peça?

Melissa lavava a louça enquanto conversava com Gary, que por sua vez a observava sutilmente encostado na mesa.

- É uma peça de Romance e drama, minha amiga é uma escritora e fez essa peça pra mim!

- Que papel você faz?

Melissa fechou a torneira e puxou um pano de prato, enxugando as mãos. Virou-se com um sorriso no rosto.

- A princesa!

- O Papel principal? – Impressionou-se Gary.

- Sim, sim! Minha amiga insistiu para que eu fosse a princesa... Ela disse que fez a personagem para mim e até usou meu apelido como nome da peça e apelido da princesa!

- Qual? Mel?

- Não seu bobo. – Ela riu em diversão. – Meu apelido é Flor da noite!

Gary estava pronto para perguntar o porque daquele apelido mais a garota foi interrompeu seus pensamentos com um convite inesperado.

- Porque não vem comigo? Poderia assistir aos ensaios da peça, né?

- Assistir aos ensaios da peça? Sério?

- Claro. – Ela sorriu e isso fez instantaneamente Gary sorriu também.

- Eu adoraria!

- Então tá! – Ela sorriu e andou até Gary. – Vou me arrumar pra ir pra cidade e já, já partiremos!

- Certo, vou te esperar aqui!

Ela beijou delicadamente a face do rapaz deixando-o, subitamente, corado, e, em seguida, saiu da cozinha deixando-o sozinho. Ele levou a mão direita até a face onde havia sido beijado. Aquilo não havia sido grandes coisas comparado ao dia do passeio, onde quase se beijaram, mais foi tão inesperado que o deixou bem chocado, porém feliz. Até então ele estava sentindo-a longe, como se houvesse construído uma barreira em volta, mais podia ser só imaginação dele. Ele sorriu.

“ Talvez não devesse ter feito algo assim... Mas o curto tempo que tentei me afastar dele só me fez mal... Me senti triste. Sei o meu lugar nessa história toda mais talvez não seja muito certo tentar mudar os fatos...”