Writing about you
8 When you said your last goodbye I died a little bit inside
Notas iniciais
Nós somos produtos defeituosos em uma grande loja, torcendo para sermos levados para casa por algum cliente que não percebeu nossos defeitos. Nós somos latas amassadas de milho, pacotes furados de macarrão, produtos que perderão sua validade daqui à duas semanas. Nós escondemos nossos defeitos, nos colocamos em promoção, nos ajeitamos na primeira fila e torcemos para sermos vistos, sermos queridos, sermos de alguma forma, necessários. Mas não somos. Porque são poucas as pessoas que levam produtos com defeito para casa, são poucas as pessoas que não voltam para loja exigindo uma troca na primeira oportunidade, são poucas as pessoas que conseguem apreciar um amassado na lata de leite condensado. E são poucas essas pessoas porque estamos, quase todos, preocupados com perfeição, com simetria. Fomos ensinados a adorar a beleza e não o conteúdo, não o tanto que um amassado pode ensinar… Mas espera ai, ensinar?… Nós estávamos falando de produtos, não estávamos?… Não, não estávamos. ("Eu sou péssima com metáforas", Minha autoria)
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Dizem que terminar uma coisa é tão difícil quanto começa-la, mas nesse momento, eu discordo plenamente. Escrever sobre algo ou alguém é muito mais difícil na parte em que se termina tudo.
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Os dias passam muito mais rápido quando se está tentando não pensar sobre eles, não pensar sobre as coisas que fazem seu coração palpitar ou seu estomago revirar. Quando você se esquiva das coisas que te afetam em seus dias mais intensos, eles passam mais depressa. Não que isso, de alguma forma, possa ser bom, mas é mais simples, é uma maneira de fugir das coisas até que se possa lidar com elas. Afinal de contas, é mais difícil chorar pelas coisas que não são vistas.
Essas ultimas semanas tinham ocorrido exatamente assim para Emma Swan, os dias começaram a passar muito mais rápido depois que a loira resolvera ignorar o máximo possível Regina Mills. Tudo mudou drasticamente naquela madrugada no hospital, onde Emma tinha percebido que seus sentimentos pela morena haviam passado do nível aceitável. Desde então, Emma tinha começado a evitar Regina, evitar conversas longas com a morena ou qualquer outra atividade que não estivesse programada para a matéria. Regina nunca disse uma palavra sobre isso, embora Emma soubesse que a morena tinha percebido que algo estava estranho, mas como sempre, Regina tinha ficado indiferente a tudo.
Hoje era o ultimo dia da matéria de Emma e o grande dia de Regina em Nova York. A festa de lançamento oficial do quinto livro da série “Once upon a time” começaria em menos de vinte minutos e Emma se encontrava encostada em seu carro, no estacionamento do evento, sem saber se queria entrar ou não.
RL: Grande dia [sorriu se aproximando de Emma]
E: Grande dia [respirou fundo]
RL: E pensar que no começo, você queria terminar essa matéria o quanto antes.
E: Não foi tão ruim assim.
RL: Não [suspirou] ela até que não é tão mal assim.
E: Não, não é.
R.L: Você sabe o que vai fazer?
E: Em relação a que? [perguntou confusa]
R.L: Regina [respondeu como se fosse óbvio]
E: Eu vou entrar na festa, cobrir os últimos momentos, terminar a matéria e voltar, finalmente, para o meu apartamento.
R.L: Não era sobre isso que eu estava falando [sorriu de lado]
E: Não tem nada que eu possa fazer Ruby...
R.L: Mas você está apaixonada por ela.
E: Mais um vez [suspirou] não tem nada que eu possa fazer.
R.L: Você poderia tentar…
E: Ela tem um noivo Ruby [suspirou] e um filho e uma família.
R.L: Eu sei [murmurou tristemente]
E: Esse tipo de coisa acontece às vezes [tentou sorrir]
R.L: É só que eu… eu nunca mais tinha visto você assim, sentindo essas coisas, não depois do que aconteceu [sorriu de lado encarando os olhos verdes] Era quase como se você estivesse seguindo em frente.
E: Nem sempre dá para seguir em frente e passar por cima de algo que deu muito errado.
R.L: Mas você não precisa passar por cima, você sempre pode contornar as coisas [sorriu fraco]
E: Ainda bem que eu sempre tenho você [sorriu]
R.L: Você estaria perdida sem mim. Vamos entrar? [perguntou mudando de assunto]
E: Nós ainda temos uma matéria para terminar, não é? Vamos entrar.
R: E que se abram os portões do tártaro [brincou, lembrando a primeira vez que ela tinha dito aquilo para Emma]
….
Era uma noite quente para os padrões de Nova York e assim que Emma entrou, mesmo com o salão lotado, foi capaz de encontrar Regina. A morena estava usando um vestido longo e preto, seu cabelo estava amarrado de um jeito que fazia alguns fios caírem perfeitamente em seu rosto bem maquiado. Emma não conseguia decidir se esses fios tinham sido colocados estrategicamente para fora do penteado ou se Regina era epenas incrivelmente perfeita, mesmo sem querer. Ao lado de Regina, segurando firmemente sua mão, estava um Henry extremamente envergonhado e acanhado, vestindo um terno azul. Era a primeira vez que Regina o levava a algum evento e Emma sorriu amplamente ao lembrar que a morena só tinha feito isso porque Emma tinha conversado com ela. No outro lado de Regina, um pouco mais sério e menos sorridente, estava Robin. Emma conversara poucas vezes com o homem, mas foram vezes necessárias para, infelizmente, admitir que ele era uma boa pessoa.
A noite passou muito depressa, Emma recolheu o máximo de comentários possíveis das pessoas para colocar na matéria enquanto Ruby tirava muitas fotos. Emma não tentou se aproximar de Regina ou falar com a morena durante toda noite, a única vez que as duas mulheres trocaram mais de duas palavras foi quando Emma pediu para passear um pouco com Henry pela salão. Já estava quase no fim da festa quando Emma viu Regina indo em direção ao terraço do prédio, a loira sorriu automaticamente, elas tinham um sério problema com terraços. Respirando fundo, Emma seguiu a morena. Era hora de ser adulta e se despedir de Regina.
E: Você se importa? [se aproximou da morena, acendendo um cigarro]
R: Olha quem resolveu parar de me evitar [comentou]
E: Eu não estava evitando você [mentiu]
R: Claro que não estava [bufou] Nós trocamos no máximo dez palavras nas ultimas semanas, mas você não estava me evitando [comentou sem encarar a loira]
E: Nós trocamos mais do que isso, eu fiz várias entrevistas finais com você [argumentou, mesmo sabendo que não eram essas as palavras que a morena estava se referindo]
R: Você é uma idiota.
E: Eu sou [concordou] Você quer? [ofereceu seu cigarro aceso]
R: Isso ainda vai matar você algum dia.
E: Quem se importa? [tentou brincar, mas pela primeira vez naquela noite, Regina a encarou e sua expressão não parecia nem um pouco feliz]
R: Você é uma idiota [repetiu]
E: E você sentiu a minha falta [murmurou baixinho]
R: Achei que nós eramos amigas.
E: Vamos encarar a realidade Regina, nós nunca fomos amigas.
R: Então o que somos Emma? [perguntou encarando a loira mais uma vez]
E: Nós não somos nada [brincou com o cigarro entre os dedos, desviando o olhar] Nós trabalhamos juntas por um tempo, apenas isso.
R: É isso o que você quer?
E: Eu quero você [respondeu sinceramente, encarando os olhos negros]
R: Emma [sussurrou baixinho, dando uma passo para trás] Eu sou…
E: Eu sei, mas você perguntou o que eu queria, não o que eu faria em relação a isso. Se você quer saber o que eu vou fazer em relação a isso, a resposta é absolutamente nada. [a loira sorriu, e seus olhos eram o verde mais triste que Regina já tinha visto]
R: É por isso que você estava me evitando?
E: Isso faz alguma diferença?
R: Sim, faz diferença para mim.
E: Eu estava sendo profissional.
R: Parabéns [disse amargamente] você conseguiu.
E: Eu não entendo você, você nunca gostou de mim ou dessa matéria, por que você está tão irritada?
R: Eu deveria voltar...
E: Espera, desculpa. Eu não deveria ter falado assim com você, eu vim aqui me despedir, só isso. Hoje essa matéria acaba e amanhã você volta para Los Angeles enquanto eu fico aqui, em Nova York . Eu só queria me despedir sem deixar algum clima ruim.
R: Meu filho vai sentir a sua falta [sorriu fraco]
E: Eu vou sentir falta dele também. Ele é um bom garoto Regina, você tem que deixar ele viver.
R: Eu estou tentando.
E: Eu sei [sorriu] Então seu livro vai ser mais um sucesso [brincou, tentando mudar para assuntos mais confortáveis]
R: Espero que sim, já que é o penúltimo da série.
E: Sério? [perguntou surpresa]
R: Sim.
E: Mas todo mundo gosta e você tem milhões de fãs querendo mais...
R: Algumas coisas tem que acabar Emma, mesmo que a gente não queira.
E: Aposto que vai fazer falta.
R: Achei que você achava meus livros bobos.
E: Acho que eu mudei de opinião [sorriu] Você é uma escritora incrível Regina.
R: Você não é uma jornalista tão ruim também.
E: Acho que não.
R: Você vai fazer o que depois dessa matéria?
E: Acho que vou voltar para o que eu fazia antes sabe, ser uma repórter investigativa. Tentar não estragar tudo dessa vez ..
R: Você não vai.
E: Não subestime a minha capacidade de estragar as coisas.
R: Você sempre pensa o pior de si mesma?
E: Depende, se eu disser que sim você vai ser a minha psicóloga particular? [perguntou levantando a sobrancelha]
R Nos seus sonhos [riu]
E: Meus sonhos são um pouquinho diferentes disso [brincou]
R: Nós teríamos sido boas amigas [comentou baixinho]
E: Você acha?
R: Sim, eu acho que sim.
E: Quem sabe mais para frente?
R: Não vai acontecer, não é? [sorriu de lado]
E: Eu não sei ser uma boa amiga.
R: Você está errada, mas quem sou eu para dizer isso, não é mesmo?
E: Posso te fazer uma ultima pergunta? Para fechar essa matéria tão bem feita [brincou]
R: Por que não?
E: Quando foi seu momento Regina Mills?
R: Meu momento? [perguntou confusa]
E: Sim [sorriu] Aquele momento em que você lembra perfeitamente, aquele momento que dividiu sua vida entre que você era e o que você é agora, aquele momento que você pode olhar para trás e dizer “foi naquele momento que a minha vida mudou, foi ali que eu comecei a me tornar o que eu sou hoje”.
R: Uau, complexo isso. Acho que eu não sei, talvez quando eu lancei meu livro.
E: Não, isso foi sua mudança profissional, você já escrevia antes de finalmente lançar. Não é esse o momento que eu estou falando.
R: E se eu não tiver um momento?
E: Todo mundo tem um momento.
R: Eu não sei o que responder, minha vida mudou quando meu filho nasceu.
E: E isso te fez ser diferente? Enxergar o mundo de forma diferente?
R: De certa forma sim, mas eu já tinha um pouco da cabeça que tenho agora.
E: Talvez seu momento não tenha acontecido ainda [deu de ombros]
R: Isso é possível?
E: Claro que sim.
R: Bom, isso é um pouco triste [brincou]
E: Não é. Nem sempre o “momento” é um bom momento.
R: Qual é o seu?
E: Eu morava com meus pais, era feliz, estava prestes a estrear na TV como repórter e então eu cometi uma besteira e depois de um tempo eu perdi uma coisa muito importante para mim.
R: Você poder me contar o que aconteceu?
E: Não hoje [sorriu] Quem sabe um outro dia?
R: Eu vou embora amanhã e você nem vai lembrar mais de mim [sorriu]
E: Eu conheci você em uma terça feira, você estava vestindo vermelho e foi extremamente rude comigo. Eu vou lembrar de você.
R: Talvez eu sinta falta de você implicando comigo [brincou]
E: Eu também [admitiu encarando os olhos negros. Regina fechou os olhos e ficou em silencio alguns, fazendo Emma a encarar um pouco preocupada] Regina? Você está bem?
R: Sim [respondeu abrindo os olhos e dando alguns passos na direção de Emma]
E: Regina, o que….? [a pergunta de Emma foi interrompida quando os lábios de Regina bateram nos dela e o mundo começou a girar mais devagar]
Às vezes, apenas às vezes, você encontra alguém que faz seu coração bater de uma forma diferente, alguém que te faz querer esquecer as coisas a sua volta por alguns segundos, alguém que faz seu lado mais bobo aparecer. Às vezes, apenas às vezes, você encontra essa pessoa e na maioria dessas poucas vezes, essa pessoa não está destinada a ser sua.
E: Regina [gemeu baixinho quando os lábios de Regina descolaram dos seus e foram parar um pouco abaixo de sua orelha esquerda ]
R: Adeus Emma Swan [sussurrou antes de se afastar]
Emma continuou com os olhos fechados enquanto a morena se afastava e voltava novamente para o salão movimentado. Respirando fundo, a loira reabriu os olhos, jogou fora seu cigarro e voltou para o salão. Emma entrou bem na hora em que Regina estava segurando as mão de Robin. Os olhos da morena encontraram os seus por alguns segundos, mas o mundo não estava mais girando devagar. Regina estava dançando com Robin e era assim que as coisas tinham que ser. Emma virou as costas e foi embora, seu trabalho tinha acabado. No caminho para casa, a loira ficou se perguntando se era possível gostar e odiar tanto uma pessoa da mesma maneira, ao mesmo tempo. Talvez você não saiba, Emma também não sabia. Mas é.
...
Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito, abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir e de repente, sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como ‘talvez devêssemos ser apenas amigos’ se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor. Odeio o amor. (Neil Gaiman, The Sandman)
"Se você quer um final feliz, isso depende, é claro, de onde você termina a história." — Orson Welles
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