Writing about you

7 This is falling for you and you are worlds away


Notas iniciais
E ai galera. Primeiramente obrigada por todos os comentários, vocês são incríveis. Segundamente (nem sei se essa palavra existe) um agradecimento especial para Morrila pela primeira recomendação dessa fic, muito, mas muito obrigada. Desculpem qualquer erro, espero que gostem. Musica do capitulo: https://www.youtube.com/watch?v=gKOUpbVNjc0

Você pode ouvir o silencio? Pode sentir seu coração batendo nos seus ouvidos? Quantas vezes você calou? Quantas vezes desejou ter calado? Nossas palavras ficam presas na memoria de que nós ferimos ou agradamos. Sim, as palavras, em determinados momentos da vida elas são mais lembradas que os gestos. As palavras que jogamos ao vento, as que guardamos para nós, as que dissemos na intenção de ajudar e acabamos magoando. Cuidado pra não vomitar tudo o que você sente, pessoas se assustam fácil com sinceridade. Cuidado pra não se engasgar com tudo que não disse, pessoas podem achar que você não sente. Palavras são sua maior fonte de poder, elas podem ferir ou confortar. Mais lembradas que as palavras bonitas que você usou em seu discurso na frente de todos, são as que você guardou no coração. (Minha autoria)

...Você vai lembrar e vai doer, vai doer porque algum dia foi importante...

...

[...]R: Emma? [chamou, fazendo a loira abrir os olhos]

E: Sim?

R: Eu tenho um noivo [...]

E: Oh.. eu... eu não... Eu sinto muito. Eu não deveria ter feito isso, foi idiota e nada profissional...

R: Emma [sorriu colocando a mão no ombro da loira] Está tudo bem, de verdade.

E: Eu não deveria ter feito isso...

R: Sem problemas [sorriu de lado] Você se confundiu, acontece.

E: Sim, eu não estava pensando direito.... Um noivo então [sorriu forçadamente, depois de alguns minutos em silencio] Quantos segredos você ainda tem Regina Mills?

R: Vários [sorriu sem encarar Emma] Vários...

E: Eu preciso me preocupar com o caso de que você talvez, apenas talvez, você seja uma psicopata? [brincou, tentando aliviar o clima]

R: Totalmente.

E: Vou prestar mais atenção a partir de agora.

R: Emma... [chamou, finalmente encarando os olhos da loira] isso...

E: Está tudo bem [deu de ombros] Isso não vai mais acontecer. Eu espero que você não fique com nojo de mim, ou desconfortável perto de mim. Espero que a gente consiga terminar a turnê normalmente.

R: Eu não vou ficar com nojo de você Emma [disse arregalando os olhos] nem desconfortável, nem nada. Foi um beijo normal, não representou nada, não vamos falar sobre isso. Você não sabia que eu era comprometida, isso acontece [sorriu] Da minha parte, nós terminaremos sem problemas, além dos nosso problemas normais, claro [sorriu]

E: Sim... eu não sei o que estava pensando [sorriu de lado] Estamos bem?

R: Totalmente bem [sorriu]

E: Eu deveria entrar [suspirou] Uma hora ou outra eu vou ter que voltar para lá [disse amargamente, erguendo seus olhos para a casa enorme no meio da fazenda]

R: Sobre aquilo... seus pais...

E: Aquilo [respirou fundo] entra nos assuntos dos quais não vamos falar sobre.

R: Engraçado como criamos uma lista em menos de dois minutos sobre coisas das quais não vamos conversar sobre.

E: Sim [sorriu encarando o chão]

R: Talvez um dia você possa me contar...

E: Não é como se fossemos amigas ou qualquer coisa... [disse rapidamente, arrependendo-se das palavras no instante em que elas saíram da sua boca] Regina eu...

R: Você está certe [suspirou encarando a loira] A probabilidade de nos encontrarmos depois que essa matéria acabar é quase nula. Me desculpe por isso.

E: Eu não quis...

R: É melhor eu voltar [sorriu de lado] Belle deve estar trazendo Henry de volta.

E: Sobre Henry...

R: Não coloque nada do que eu disse sobre ele em sua matéria [pediu em um tom calmo]

E: Achei que você já me conhecia melhor que isso. Eu jamais o usaria, Regina.

R: Eu sei [sorriu antes de se afastar] Só mais uma coisa [murmurou de costas para a loira] Para que fique tudo bem, eu preciso saber de uma coisa. Esse beijo não significou nada, não é?

E: Nada [respondeu rapidamente] não significou nada.

R: Ótimo, nos vemos depois...

E: Sim, nos vemos depois...

Maior que nossa capacidade de mentir para os outros, é a capacidade absurda que temos de mentir para nós mesmos.

...

..

.

Maine. “Feira artesanal da cidade”

Belle tentava conter as lágrimas enquanto procurava freneticamente por Henry, o garoto soltara de sua mão quando ambos estavam na fila para comprar refrigerante. Ela sabia que algo tinha chamado a atenção do garoto para ele soltar sua mão daquele jeito, aquilo não era típico de Henry. Tentando pensar com clareza, Belle ligou para a única pessoa que conhecia que também estava na feira. Agora ela e Ruby estavam cada uma em um lado gritando por Henry. O coração de Belle acalmou quando ela recebeu uma mensagem de Ruby, dizendo para ela encontra-la perto da barraca de aviões em miniatura.

Rubi estava perguntando para todos que conhecia se eles tinham visto o garotinho de cabelos escuros, quando uma multidão reunida chamou sua atenção. Abrindo caminho entre as pessoas, Ruby finalmente relaxou. Sentando atrás de um dos bancos da praça estava Henry. Assim que parou para prestar realmente atenção no garoto, o coração de Ruby quebrou um pouco. Henry estava sentando com os joelhos dobrados, os olhos fechados e as mãos tampando os ouvidos. O garoto parecia apavorado.

R.L: Henry? [chamou, colocando a mão no ombro do garoto, fazendo-o soltar um grito de horror] Henry?

B: Não toca nele [gritou para Ruby, abrindo caminho pela multidão]

R.L: O que está acontecendo?

B: Henry? [sussurrou baixinho, sentado ao lado do garoto] Sou eu, tia Belle... Henry, você precisa se acalmar, está tudo bem. Henry... Você consegue me ouvir? [Henry fez um aceno positivo com a cabeça, mas seus olhos continuavam fechados e suas mãos estavam tão apertadas em seus ouvidos que Belle não se surpreenderia se elas estivessem machucadas]

H: Eu não consigo respirar [sussurrou, começando a balançar seu corpo para trás e para frente] Eu não consigo respirar [repetiu]

Antes que Belle pudesse falar alguma coisa, uma ambulância chegou, fazendo ainda mais barulho e assustando mais ainda o garoto que agora chorava incontrolavelmente. Uma das médicas pediu autorização de Belle para aplicar um sedativo fraco em Henry e leva-lo para o hospital. Belle concordou, e gritou para Ruby a única coisa que passou pela sua cabeça.

B: Liga para a Regina agora, diz que eu estou levando Henry para o hospital... [Ruby apenas assentiu com a cabeça, ainda apavorada com a situação toda, pela primeira vez desde que conhecera Belle, Ruby teve que admitir que admirava a capacidade da francesa em manter a calma]

...

..

.

Três horas depois do incidente, Emma encarava de longe uma morena que se encontrava sentada desconfortavelmente em uma cadeira de plástico, com a cabeça encostada na cama ao lado de seu filho, eles conversavam baixinho. Emma sabia que deveria se afastar, dar privacidade aos dois, mas ela não podia. Tinha algo naqueles dois que a fascinava de um jeito que nem ela entendia. O susto já tinha passado, e Henry tinha finalmente acordado depois de algumas horas. O garoto ainda parecia muito cansando, mesmo depois de ter se acalmado. Apoiada na porta, longe da visão dos dois, Emma acompanhou a interação ente mãe e filho.

H: Mãe? [chamou, alto o suficiente para Emma ouvir]

R: Eu estou aqui [sorriu, passando a mão sobre os olhos, impedindo que as lágrimas escorressem pelo seu rosto]

H: Sobre o que aconteceu...

R: Você não precisa me contar agora, se não quiser.

H: Eu vi um livro de fantasia, parecido com os seus, eu queria comprar para você e então, eu soltei a mão da tia Belle por alguns segundos. Mas eu a perdi de vista e tinha muitas pessoas falando ao mesmo tempo e tentando me segurar, eles ficavam perguntando onde estava a minha mãe...

R: Eles viram um garotinho sozinho e quiseram ajudar...

H: Eu fiquei nervoso, eu não consegui encontrar a tia Belle, nem respirar. Eu sinto muito que eu me afastei da tia Belle, mãe. Eu não queria te deixar brava.

R: Eu não estou brava, Henry. Eu estou assustada porque alguma coisa poderia ter acontecido com você.

H: Eu nunca vou poder ir para o mundo real, não é? [perguntou de repente]

R: Mundo real?

H: Sim, como nos livros. Eu nunca vou ser como Harry Potter ou Percy Jackson ou mesmo Jace, porque... Porque eu sou eu... Eu sou assim. Eu nunca vou ser normal como os garotos da minha escola.

R: Você é normal. Você é Henry Daniel Miils e não tem nada de errado com você.

H: Então por que essas coisas acontecem comigo? Por que eu não tenho amigos? Por que quando eu falo todo mundo olha para mim como se eu tivesse algum problema? Por que... [respirou fundo] por que os garotos da escola me chamam de anormal? Por que toda vez que você olha para mim, seus olhos estão daquele jeito que você fica quando você briga com a vovó?

R: Que jeito filho?

H: Belle disse que é tristeza. E você olha para mim do mesmo jeito que você olha para a vovó às vezes. E Belle disse que a vovó deixa você triste. Eu deixo você triste também?

R: Henry não [respondeu com a voz embargada] você nunca, nunca me deixa triste. Você é a maior alegria da minha vida, a maior. Eu olho para você e vejo quão parecido com seu pai você está ficando, quão lindo e inteligente você é. Eu olho para você e penso que um dia você vai cansar dessa sua mãe velha e chata [sorriu entre lágrimas] Eu olho para você e imagino quão feliz seu pai ficaria se te visse crescer tão bonito assim. Eu posso ter o pior dia do mundo Henry, mas quando eu chego em casa e olho para você, meu coração se enche de alegria, sempre.

H: Seu coração se enche de sangue [comentou, fazendo Regina finalmente rir]

R: Sim [sorriu enxugando as lagrimas] meu coração está cheio de sangue e minha vida está cheia de alegria por causa de você.

H: Mas eu sou diferente, não sou?

R: Você é, mas isso não faz de você menos normal do que ninguém.

H: Você promete?

R: Sim [sorriu] eu prometo.

H: E se as outras pessoas me acharem diferente?

R: Você é um garoto grade e esperto, então eu vou te contar uma coisa que eu tive que aprender sozinha. O mundo real não é maravilhoso filho, infelizmente ele não é. Sempre vão existir pessoas para dizer que a maneira como você vive sua vida é errada. Isso vai acontecer independente de quem você seja. Eles vão julgar você por tudo, pelo grau de estudos que você tem, pelo seu emprego, pela pessoa para qual você dedica seu amor, tudo. E isso assusta todos nós. O que você realmente tem que saber é que, independente disso tudo, você é extraordinário e não porque você tem ou deixa de ter algum problema e sim, porque a única pessoa que você pode ser é você mesmo e isso, é a o que torna especial, assim como eu ou tia Belle ou até mesmo Emma. Todos nós somos diferentes, todos nós somos especiais, mesmo que algumas pessoas não enxerguem isso em nós.

H: Você tem medo, por mim?

R: Sim, mas não porque você tem alguma coisa, eu tenho medo porque eu te amo.

H: Eu vou ficar aqui essa noite?

R: Sim, mas só por observação mesmo, você está bem.

H: Você vai ficar comigo?

R: Algum dia eu abandonei você? [perguntou beijando a testa do garoto]

H: Canta para mim? Aquela musica que você cantava quando eu era menor, você e o papai.

R: Claro. Você sente falta dele, não é?

H: Eu queria que ele estivesse aqui, você seria mais feliz.

R: Eu ainda sou feliz, filho. Você me faz feliz. Agora, feche seus olhos, eu vou cantar para você dormir.

H: Mãe? [chamou com os olhos fechados]

R: Sim?

Henry não respondeu, apenas levantou uma de suas mãos, um gesto conhecido entre os dois. Regina levantou a dela também e encostou contra a de seu filho. Não era apenas um gesto, nunca ia ser apenas um gesto. Existem milhões de maneiras de dizer eu te amo.

Respirando fundo para tentar acalmar as lágrimas, Regina começou a cantar baixinho.

Your little hands wrapped around my finger (Suas mãozinhas encaixadas ao redor do meu dedo)

And it's so quiet in the world tonight (E o mundo está tão quieto esta noite)

Your little eyelids flutter cause you're dreaming (Suas pálpebras estão trêmulas porque você está sonhando)

So I tuck you in and turn on your favorite nightlight (Então eu te escondo e ligo sua luz noturna preferida)

To you, everything's funny (Para você, tudo é engraçado)

You got nothing to regret (Você não tem nada a lamentar)

I'd give all I have, honey (Eu daria tudo que eu tenho, querido)

If you could stay like that (Se você pudesse ficar assim)

Oh darling don't you ever grow up, don't you ever grow up (Oh querido, não cresça, nunca cresça)

Just stay this little (Fique pequeninho assim)

Oh darling don't you ever grow up, don't you ever grow up (Oh querido, não cresça, nunca cresça)

It could stay this simple (Poderia ficar simples assim)

I won't let nobody hurt you (Eu não vou deixar ninguém te machucar)

Won't let no one break your heart (Não vou deixar ninguém partir o seu coração)

No one will desert you (Ninguém jamais irá te abandonar)

Just try to never grow up (Apenas tente nunca crescer)

Never grow up (nunca crescer)...

...

..

.

Emma bateu fraquinho na porta do quarto de Henry depois de alguns minutos. Ela queria conversar com Regina, mas não conseguia decidir se ficava ou não envergonhada por ter escutado a conversa da morena com seu filho.

E: Hey, como ele está? [chamou baixinho da porta]

R: Ele está agitado [respondeu, levantando-se da cadeira e indo ao encontro de Emma na porta] Vamos conversar lá fora, ele está dormindo agora.

E: Claro.

R: É a segunda vez em menos de um mês que você nos vê em um hospital. Você deve estar pensando que eu sou uma péssima mãe [sorriu de lado]

E: Acredite em mim [murmurou baixinho] eu nunca vou pensar que você é uma mãe ruim, Nunca.

R: Ele acha que eu sou infeliz [comentou baixinho, mas para si mesma que para Emma]

E: E você é?

R: Não... eu não penso muito sobre isso. Eu tenho um filho que eu amo, uma carreira que só cresce, fiz as pazes com a minha mãe. Eu tenho tudo para ser feliz.

E: Você não esqueceu nada ai?

R: Você está realmente me perguntando se você me faz feliz? [perguntou sorrindo]

E: Na verdade, eu estava falando do seu noivo [deu de ombros]

R: Ó. Robin, claro. Ele é parte da minha felicidade também... Você deveria ir para casa descansar. Eu vou ficar aqui com Henry, amanhã encontro vocês no aeroporto para irmos embora.

E: Você vai ficar bem? [perguntou, passado as mãos pelos braços de Regina]

Pela primeira vez desde que chegaram ao hospital, Emma encarou os olhos de Regina. A morena parecia casada, seus olhos estavam vermelhos e inchados, com pequenos círculos pretos ao redor. Regina estava longe de parecer à mulher impenetrável que Emma conhecera. Ali, parada em meio ao corredor de um hospital antigo, Regina Mills era apenas uma mãe preocupada. Ela não era rica, não era uma grande escritora. Ela era apenas uma mulher comum que por mais que fingisse muito bem, carregava uma insegurança e uma vulnerabilidade em seus olhos. Eu lhes disse uma vez, quando se encara muito tempo os olhos de alguém, corre-se o risco de deixar-se envolver em sua tempestade. É perigoso quando isso acontece, porque nunca sabemos quando o terreno pode ficar escorregadio demais, ou gelado demais. No começo é tentador, as trevas te envolvem e dançam sensualmente em sua volta, o frio arrepia a sua pele e água gelada beija sua alma. O problema vem depois, quando as trevas finalmente se sufocam, quando o frio abre feridas em sua pele, quando a água gelada te arrasta cada vez mais para fundo. Permitir-se entrar na tempestade de alguém é um ato perigoso, não dá para saber quando você vai tomar um gostoso banho de chuva ou se afogar de vez.

R: Eu não sei [respondeu, encarando os olhos verdes]

E: Eu...

R.L: Emma? [chamou no fim do corredor, fazendo as mulheres se afastarem rapidamente uma da outra]

E: Eu estou aqui Ruby.

R.L: Hey, como ele está Regina?

R: Bem, ele só ficou assustado [respondeu calmamente. Em questões de segundos, Emma percebeu a mudança no comportamento de Regina. A morena que antes parecia vulnerável, agora conversava com Ruby como se não tivesse deixado cair uma lágrima se quer]

R.L: Bom. Belle está lá embaixo comprando café para você, eu só vim avisar que estou indo dormir um pouco. Você quer carona Emma?

E: Eu... eu...

R: Vá senhorita Swan, não tem nada que você possa fazer aqui [os olhos de Emma se arregalaram ao tom frio de Regina]

E: Certo [respondeu, recuperando seu bom senso] Nós vemos amanhã.

R: Até amanha [respondeu antes de virar e voltar para o quarto de Henry]

O real problema começa quando algumas pessoas não tem medo de chuva.

...

..

.

R.L: Pode começar a me contar loira [disse assim que ligou o carro]

E: Contar o que?

R.L: Aconteceu alguma coisa, você está... Eu não sei, você está quieta, mais que o normal.

E: Foi só um dia agitado.

R.L: Sim, mas tem algo a mais, não tem?

E: Eu briguei com minha mãe hoje, para variar um pouco a alegria que é essa vida [disse em um tom sarcástico]

R.L: Por que motivo dessa vez?

E: O mesmo de sempre [deu de ombros]

R.L: Já está mais do que na hora dela superar isso, vocês precisam conversar.

E: A filha dela é uma bêbada Ruby, não há nada a ser superado aqui.

R.L: Emma olha para mim [resmungou, parado o carro em um acostamento] Você era uma alcoólatra, isso é uma doença, uma doença que você teve um motivo real para ter. Você não tem problemas com isso há dois anos. Não diminua a si mesma Emma.

E: Você é psicóloga agora? [sorriu de lado]

R.L: Se você precisar de uma então sim, eu sou.

E: Por que nós não demos certo mesmo? [sorriu verdadeiramente, levantando a sobrancelha]

R.L: Nós demos certo, só que como amigas [deu de ombros, ligando o carro novamente]

E: Eu beijei a Regina [comentou de repente]

R.L: O que? [gritou, pisando rápido demais no freio, fazendo o corpo de Emma ser jogado para frente] Você fez o que?

E: Você quer nos matar Ruby? [gritou]

R.L: Talvez. Agora responda devagar para eu entender, você fez o que?

E: Eu beijei Regina Mills.

R.L: É oficial, você é maluca. O que aconteceu depois?

E: Nada aconteceu.

R.L: Como assim “nada aconteceu”?

E: Ela tem um noivo [deu de ombros]

R.L: Ela tem o que?

E: Você precisa de um aparelho auditivo ou algo assim?

R.L: Me desculpe se minha melhor amiga resolveu jogar informações chocantes assim do nada. Eu não estou psicologicamente preparada.

E: Um noivo, ela tem um noivo.

R.L: Uau... eu não sei o que dizer...

E: Não tem nada para dizer, foi um erro estupido e nada profissional.

R.L: Eu percebi a tensão entre vocês, e o jeito que vocês se olham, mas eu nunca pensei... Bem, pensando bem, faz sentido... sim faz... totalmente faz.

E: O que faz sentido?

R.L: Você [sorriu] você gosta dela [não era uma pergunta]

E: O que? [perguntou com os olhos arregalados] Eu não gosto dela.

R.L: Se você diz...

E: Por que eu gostaria dela? Regina Mills é irritante, arrogante, se acha a pessoa mais importante do mundo, ela é fria e por vezes até grosseira. Ela é tudo o que eu mais detesto nas pessoas e... e...

R.L: E você está totalmente apaixonada por ela....

...

Lembro-me de uma conversa estranha que tivemos naquele banco encardido da praça da quinta rua. Você, no auge da sua felicidade poética, pediu para que eu usasse uma metáfora para definir a mim mesma e eu, melancólica escritora que sou, prontamente respondi que era como uma pedra de gelo. Você soltou uma daquelas gargalhadas gostosas que só você tem e disse que eu era péssima com metáforas. Eu tentei me explicar, mas sempre fui melhor escrevendo do que falando. No fim, me embaralhei toda e você acabou achando graça da minha incapacidade de explicação. Você riu e eu chorei. Chorei, porque você não entendia a imensidão do frio que existia dentro de mim. Chorei, porque eu sempre magoo tudo e tudo sempre me magoa. Chorei, porque tenho uma auto aversão interna que me faz afastar todos que se aproximam. Chorei, porque você achava que eu estava exagerando, mas eu não estava. Eu não estou. Mas então você percebeu, naquela tarde ensolarada de quinta feira, eu te esperei na mesma praça de sempre, mas você não apareceu. Depois de algumas horas, você me ligou chorando, repetindo freneticamente que não dava para segurar uma pedra de gelo com as mãos nuas. Eu ri, porque você finalmente tinha entendido a metáfora, depois eu chorei também. “Não dá para segurar uma pedra gelo com as mãos nuas” você repetiu baixinho uma ultima vez antes de desligar. Não dá mesmo, respondi para as paredes descascadas da minha sala. Você tem que se derreter antes de deixar alguém te segurar. (Minha autoria)

Notas finais
Não odeiem a Regina nem a mim ainda, vocês terão muito tempo para isso haha. Gostaria muito de saber se esses textos que eu escrevo no meio da história atrapalham vocês ou se vocês gostam. Para quem tiver interessado em saber a musica que Regina cantou, é Never grow up da Taylor Swift.