Writing about you
16 Look at the stars Look how they shine for you.
Notas iniciais
Gosto dos teus olhos
e do teu sorriso também.
Gosto do desenho dos teus lábios
e do encontro que eles fazem nos meus.
Gosto das tuas bochechas
e de todo resto do teu rosto.
Gosto do teu cheiro
e dê todas essas coisas simples que eu noto
e você não. (Minha autoria)
“Você diz que me ama do jeito que eu sou, mesmo quando reclamo. Eu digo que te amo para sempre, a pessoa que você é e a pessoa que irá se tornar.” (Carol)
….
R: Isso é uma espécie de intervenção? [perguntou um pouco irritada. Eram quase duas horas da tarde e a morena estava sentada na sala de sua mãe com Corda de um lado e Belle do outro]
B: Quase isso.
C: Nós só queremos conversar.
R: Eu não sei mais se isso é uma boa ideia [Regina estava cansada, ela tinha brigado com Robin pela terceira vez naquela semana]
C: Filha, nós só queremos ajudar você, entender como as coisas estão.
R: Como vocês vão poder entender algo que nem eu mesma entendo? [perguntou sentando no sofá] eu não sei nem o que está acontecendo comigo, com meus sentimentos.
B: É por isso que você precisa conversar, Regina. Nós não precisamos chegar a conclusão alguma. Nós só queremos que você possa falar, possa tirar isso que está agoniando você. Você finge muito bem, Regina, você finge que está ótima, más nós conhecemos você melhor do que ninguém.
R: Eu tenho esses sentimentos, sentimentos que eu não sei explicar [suspirou] Sentimentos que eu nunca tive antes e isso me assusta.
C: Que tipo de sentimentos?
R: Eu não sei [gritou irritada] e esse é o problema, eu só… eu só quero que ela suma da minha vida, mas ai eu quero que ela volte correndo. Eu quero parar de pensar sobre ela, mas eu não consigo, é impossível. Eu quero que esses malditos sonhos parem, mas eu também quero ver mais deles.
B: Você quer beijá-la?
R: Todo o tempo, mas isso não é certo.
C: Por que?
R: Por que? [riu sem humor] Porque as coisas não são assim, mãe. Tem Robin, Henry, minha carreira. Nós sabemos que as coisas não são assim. Não é apenas eu e Emma, sou eu, Emma e o resto do mundo. Como eu posso deixar tudo o que eu tenho para trás? Como eu posso abandonar um homem que me ama, um homem que eu aceitei casar? Como eu posso enfrentar tudo isso por algo que eu nem tenho certeza? Quer dizer, e se isso tudo isso for apenas um desejo? E se isso passar assim que eu ficar com ela?
C: E se não passar?
B: Será que você vai preferir escolher algo só porque é mais fácil?
R: Nada nisso é fácil, Belle, nada. E eu não sei bem o que pensar sobre tudo. Eu só… eu só me sinto cansada sabe? Cansada de ver Robin tão chateado comigo, cansada desses sentimentos.
C: Você quer se afastar da Emma?
R: NÃO [respondeu quase gritando] Eu… eu não quero que ela suma da minha vida.
B: Por que? [perguntou docemente]
R: Eu não tenho ideia. Eu não quero que ela se afaste, mas, ao mesmo tempo, eu sei que não posso ficar tão perto dela assim. Teve um momento na viagem em que…, eu...
B: Você?
R: Eu tinha bebido muito, mas não é desculpa. Eu.. eu disse algumas coisas para ela.
C: Coisas ruins? [perguntou preocupada]
R: Coisas sexuais [respondeu querendo que o chão se abrisse e a engolisse]
B: Sexuais como?
R: Quantas maneiras de dizer coisas sexuais você conhece? Eu fiz algumas perguntas… eu… eu queria saber.
C: Saber o que?
R: Você sabe o que.
C: Provavelmente, mas eu acho que seria bom se você falasse.
R: Eu queria saber como é transar com uma mulher, feliz? [perguntou irritada] Eu queria saber o que tinha de tão especial, como era tocar em alguém que tivesse tão vulnerável ao seu toque. Eu não sei [murmurou sentando-se no sofá, as lágrimas manchando seu rosto] Eu estou tão confusa.
C: O que ela respondeu?
R: Ela tentou se esquivar e mudar de assunto.
B: E?
R: E eu a beijei. Eu a beijei e esqueci do resto do mundo, se meu celular não tivesse tocado eu teria continuado sabe... eu teria traído meu noivo [disse baixinho, como se tivesse acabado de perceber essa parte]
C: Você tem que pensar bem no que está fazendo, filha. Você não vai querer ver alguém que você ama acabar se machucando com isso.
R: Eu não vou machucar o Robin.
C: Eu não estava falando do Robin.
R: De quem você estava falando? [perguntou surpresa, mas a resposta de Cora foi abafada pelo toque do celular de Regina]
B: Mensagem do Robin?
R: Não, é a Emma. Ela quer saber se eu e Henry podemos ir ao parque.
C: Vá, nós podemos terminar essa conversa depois. Henry vai ficar feliz por ir ao parque.
R: Por que você está apoiando isso? Por que parece que você está “do lado da Emma”?
C: Eu estou do seu lado, Regina, só isso.
R: Quando eu voltar nós vamos conversar, ok?
B: Divirta-se.
C: Tente não se machucar muito.
R: Acho que é um pouco tarde para isso [murmurou enquanto subia as escadas para contar ao Henry onde eles iriam naquela tarde]
…
A viagem até o parque foi tranquila, Henry tinha ficado tão animado com a ideia de alimentar os patos e ver Emma que Regina quase ficou com ciumes, quase. Quando eles chegaram Emma já estava esticando uma toalha no chão.
R: Toalha vermelha, cesta com frustas e sanduíches, quem diria que Emma Swan saberia fazer um piquenique?
E: Existe uma ótima ferramenta de pesquisa sabe, se chama google, você deveria tentar [respondeu sorrindo]
R: Vou anotar na minha agenda [rebateu ironicamente]
E: Como vai meu garoto favorito no mundo?
H: Muito bem e você?
E: Ótima.
H: Eu estou aprendendo a tocar violão na escola.
E: Sério? Que incrível, Henry. Será que vamos pode tocar uma musica juntos então?
R: Você toca violão?
E: Apenas mais um dos meus charmes [respondeu sorrindo] Acho que aquela garota está chamando você para brincar, Henry [comentou de repente, apontando para uma garotinha da idade de Henry que sorria para eles] Por que você não vai até lá?
H: Por que?
E: Porque ela parece legal e ela está brincando sozinha e você também.
H: Ela não vai gostar de mim.
R: Henry…
H: Você sabe que é verdade, mamãe.
E: Não, não é. Você não tem como saber, garoto. Talvez ela não ache você nada demais, talvez ela ache você muito legal. Porque você é, garoto, você é muito legal. Vai lá falar com ela.
H: Se eu não gostar eu posso voltar para cá?
E: Claro que pode, nós vamos estar aqui, eu e sua mãe, esperando por você.
H: Promete? [perguntou olhando para sua mãe]
R: Sim, nós prometemos, filho.
H: Ok [murmurou indo em direção a menina]
E: Você pode respirar normalmente sabe [brincou] ele vai ficar bem.
R: Você não tem como saber. Ele não interage assim com outras crianças.
E: Não tem como eu saber, mas não tem como você saber também.
R: Mas e se...
E: Regina, eu sei o quanto você o ama e sei o quanto você quer protegê-lo de tudo, mas você não pode. Algumas vezes nós temos que nos machucar, porque assim, só assim, nós podemos aprender a lidar com os machucados. Eu sei que ele é muito pequeno e que dá vontade de abraçar ele e não deixá-lo mais sair. Eu sei, eu tenho essa vontade também, mas você não pode fazer isso.
R: Eu tenho medo, medo que o mundo o quebre além do que ele pode aguentar. Eu tenho medo que ele não seja tão forte sem mim, tão forte quanto eu tento ser.
E: Ele é seu filho [disse encarando Regina] ele é muito mais forte do que você pensa. Ele é totalmente você, Regina. Ele é inteligente, confiável, muito doce [sorriu] e só tem uma coisa que o Henry tem e você não.
R: O que é?
E: Você [respondeu calmamente]. Henry sabe que você sempre vai estar ali para ele. Você é uma mãe maravilhosa e ele sabe disso. Olha lá [disse apontando para Henry que agora conversava timidamente com a menina] Viu? Ele vai ficar bem, você criou ele bem. O que? [perguntou quando Regina ficou a encarando sem dizer nada]
R: Nada [disse desviando olhar, mas Emma não pode deixar de notar que suas bochechas estavam coradas]
E: Fala.
R: Não era nada [repetiu encostando a cabeça no ombro de Emma] Qual era o seu maior sonho quando você era adolescente? [perguntou de repente, o sorriso crescendo em seu rosto cada vez que Henry sorria para a nova amiguinha]
E: Ser feliz [respondeu sem ter que pensar muito] eu queria ser feliz.
R: Conseguiu?
E: Não, não realmente. Quer dizer, eu tenho momentos felizes, mas se aquela coisa enorme chamada felicidade for apenas isso, então eu não estou muito impressionada [deu de ombros] E você?
R: Eu queria ser escritora.
E: Nem preciso perguntar se você conseguiu [sorriu]
R:Sim, mas às vezes eu fico me perguntando.
E: Perguntando o que?
R: Se nossas crianças internas estariam felizes com o que nos tornamos.
E: Uau. Eu nunca pensei nisso.
R: Foi uma pergunta estupida.
E: Por que você sempre faz isso? [perguntou virando o rosto para encarar Regina, seus lábios ficando a centímetros de distância]
R: Perguntas estupidas?
E: Não. Você acabou de fazer de novo.
R: Fazer o que? [perguntou confusa]
E: Se diminuir, eu disse que nunca tinha pensado sobre isso, mas nem passou pela minha cabeça que fosse um pergunta estupida. Não é a primeira vez que eu percebo isso.
R: Eu… eu não faço isso.
E: Você faz, mas não sei se você percebe. Você não precisa fingir que suas perguntas são estupidas, Regina, ou que você não quis realmente dizer algo. Se você acha importante, se você quer falar, se é uma pergunta, um sentimento ou um argumento que está em sua cabeça, então fale. Eu acho que, provavelmente, você teve vários idiotas em sua vida dizendo que o que você pensava não era importante, mas eu não sou um deles.
R: Eu não sei o que dizer.
E: Tudo bem. Não precisa dizer nada, eu só queria que você soubesse.
R: Obrigada.
E: Nós sempre temos essas conversas filosóficas [sorriu mudando de assunto]
R: Sim [sorriu sem graça] acho que meu lado escritora exagera às vezes.
E: Eu gosto [sorriu] você fica diferente quando conversa sobre essas coisas.
R: Diferente como?
E: Não sei, talvez mais natural. Às vezes, quando eu vejo você conversando com outras pessoas, principalmente se é uma conversa de trabalho, é como se você interpretasse um papel o tempo inteiro e quando você está assim, quando estamos juntas, você começa com essas conversas meio malucas e você não parece mais estar interpretando, você parece…. real e isso é incrível.
R: O que tanto você viu em mim? [perguntou um pouco irritada] quer dizer, eu sei que sou um pouco atraente, mas não existe nada de especial em mim, nada. Eu sou uma mulher confusa, que passou mais da metade da vida escrevendo porque é muito mais fácil escrever do que sair por ai e viver. Eu quase não tenho amigos nem nada. Eu só… eu não sou especial. Por que você gostou de mim? [seu tom era quase desesperado e Emma teve que respirar muito fundo para conseguir responder calmamente]
E: Na primeira vez que nos encontramos eu achei que você era exatamente como a sua fama. Linda, impactante, quieta e extremamente cruel. Eu conheci você melhor e descobri que você não era cruel, mas você era todo o resto. Você é linda, impactante, quieta e às vezes, quando você está falando, eu fico pensando que nenhum ser humano pode ser digno de alguém como você. É muito triste que você não veja isso, que você não perceba metade das qualidades que você tem.
R: Dizem que as melhores mulheres são aquelas que não sabem que são bonitas ou especiais.
E: Isso é mentira e é um pensamento bem machista também. Não é valido se sentir menor só para alguém te achar especial. Você é especial e você tem que saber disso. Eu espero que um dia você entre no seu quarto, se olhe no espelho e perceba o quão linda você é.
R: Obrigada [disse sinceramente]
E: Pelo que?
R: Ser você [respondeu baixinho, seus olhos correndo dos olhos de Emma até seus lábios]
E: Você é especial, Regina [disse baixinho encarando os lábios vermelhos da morena]
Esse era um daqueles momentos eletrizantes, aqueles momentos que ficam marcados em sua mente e tê impedem de dormir uma noite tranquila. Aqueles momentos em que seus olhos travam nos olhos da pessoa que está com você. Aquele momento em que o mundo desaparece a sua volta. Aquele momento em que você quer desesperadamente beijar a outra pessoa, mas não quer que o momento passe. Esse era um daqueles momentos. Os lábios de Regina estavam quase tocando os de Emma quando uma voz alegre as trouxe de volta a realidade.
A: Olá. Desculpe, eu não quis assustar vocês. Eu sou Adam, pai da Alicia [sorriu alegremente apontando para a garotinha que brincava com Henry]
R: Olá [respondeu recuperando rapidamente sua postura confiável] Eu sou Regina e esse é a Emma
E: Prazer.
A: Eu só queria saber se vocês querem se juntar a mim e ao meu marido, nós estamos ali [sorriu apontando para um homem muito bonito que parecia estar decidindo entre se sentir animado e envergonhado com a situação]
E: Ó nós … [Emma pensou em dizer “não” mas Henry parecia tão feliz com a nova amiga que ela resolveu não ser egoísta dessa vez] Acho que seria uma boa ideia, não é? [perguntou olhando para Regina]
R: Claro [respondeu sorrindo, embora Emma pudesse ver que a morena não estava tão confortável assim]
E: Vai ficar tudo bem [sussurrou no ouvido de Regina enquanto caminhavam para onde o outro homem estava sentado]
A: Essas são Emma e Regina, meninas esse é o meu marido Marcos.
R: Prazer em conhecer você.
E: Olá.
M: Desculpem a inconveniência do meu marido, eu falei para ele que vocês poderiam ficar incomodadas.
R: Nós não ficamos [sorriu verdadeiramente] Vocês tem um filha linda.
A: Não é? Alicia é nossa princesinha. O filho de vocês também é muito lindo.
E: Ele é lindo sim, mas ele não é meu filho.
A: Ó, desculpa eu só imaginei...
E: Não tem problema, sério.
M: Quantos anos ele tem? [perguntou tentando mudar de assunto]
R: Dez anos e a Alicia?
M: Nove e meio.
R: Ela realmente parece uma princesa.
M: Sim, ela é nossa princesa.
R: Eu já quis ter uma menina, é muito difícil?
A: Um pouco, ela tem um temperamento forte, mas vale muito a pena.
E: Quem sabe um dia você não vira mãe de uma menina também? [perguntou sorrindo para as duas crianças que brincavam alegremente]
R: Quem sabe...
...
Os três saíram do parque quando já estava anoitecendo. Henry, para a enorme surpresa de Regina, aceitou ir no colo de Emma, ele estava tão cansado de ter passado a tarde inteira brincando com a Alicia que, no momento em que subiu no colo de da loira, ele enterrou rosto em seu pescoço adormeceu quase instantaneamente. A cena todo parecia extremamente natural para Regina, a morena não conseguia lembrar de outro momento em que tivesse se sentido tão feliz. De repente o mundo a sua volta começou a girar muito depressa e seu estomago apertou. Regina queria sair correndo, seu peito estava fechando e ela não conseguia respirar. Como se estivesse lendo seus pensamentos, Emma agarrou sua mão e sorriu docemente para ela.
E: Posso segurar a sua mão? [perguntou dando um leve aperto na mãe de Regina]
R: Sim [respondeu antes que realmente pudesse pensar sobre isso] você pode
E: Eu me diverti hoje, espero que a gente possa fazer isso mais vezes.
R: Eu também. Eu estou confusa, Emma, mas eu quero saber o que é isso [disse enquanto olhava para seus dedos entrelaçados] Eu preciso saber ou eu vou explodir.
E: Eu estou aqui se você precisar conversar, você sabe disso.
R: Eu sei e eu quero, mas... Essas coisas não vão acontecer assim, eu quero saber o que é isso, eu quero beijar você, tocar você, mas...
E: Mas você tem uma família e você precisa resolver isso primeiro.
R: Sim. Eu não posso fazer nada com meus sentimentos em relação a você enquanto eu não tiver resolvido as coisas na minha casa. Eu não posso garantir nada a você.
E: Ok. Eu não estou esperando nada de você, Regina. Eu estou aqui, eu gosto de você e se você achar que pode gostar de mim de volta, bom, eu ainda vou estar aqui...
...
“As pessoas sempre se apaixonam pelas coisas que não podem ter?” Perguntei um pouco confusa.
“Sempre.” Ela me respondeu e sorriu.
Esse não é um texto feliz. Esse texto é sobre como as coisas terminam e como, às vezes, elas tem que terminar. É sobre como uma amizade não pode manter-se firme sendo apoiada em apenas uma pessoa. É sobre como não devemos depositar nossa paz de espirito em outro alguém. Esse texto não é um pedido de desculpas, por que às vezes não há desculpas que aguentem a falta de vontade, de respeito, de paz. Não há desculpas que vençam a falta de tempo, a perda de intimidade, a falta de voz. Esse não é um texto feliz, é um texto sobre términos e, na minha humilde opinião, não existem términos felizes. Esse texto é sobre como você pode perder a si mesmo em uma tentativa falha de salvar algo que não existe mais. É sobre vitória do orgulho ou a derrota da esperança pelo o cansaço. Esse é um texto sobre partidas e toda partida, mesmo que simbólica, dói. É um texto sobre como é triste perder alguém que continua vivo para os outros, alguém que morreu apenas para você. É sobre como dói perceber que uma coisa finalmente acabou. É sobre todas as vezes em que ficamos esperando em casa por alguém que não viria. É sobre encontros desmarcados encima da hora, sobre telefonemas não atendidos, sobre crescer separado, sobre estar sozinho. Esse é um texto sobre o fim de amizades eternas. É um texto sobre sentimentos que todos passam ao crescer, sobre como cada um sente diferente, mesmo sendo igual. É sobre como a gente se sente ao entender, finalmente, que não adianta apertar o interruptor se a lampada estiver queimada. Esse não é um texto feliz, mas não quer dizer que não seja um bom texto. (Minha autoria)
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