Writing about you

17 I thought I could fly so why did I drown?


Notas iniciais
Voltei pessoas, semana passada não consegui postar, não me culpem, culpem o álcool, principalmente a tequila. Desculpem os erros, espero que gostem. O próximo capítulo tem cenas hot's u.u Musica do capitulo: https://www.youtube.com/watch?v=M8He7KJwhqc

Ser adulto é entender que aquela parte triste da sua “crise de adolescência” ficou para trás, mas descobrir, por consequência, que a tristeza tem uma maneira bem singular de sempre manter-se com a gente. Crescer é dar adeus as coisas e ficar adulto é perceber que isso, se despedir, é algo inevitável. Às vezes perdemos coisas que nem se deram ao trabalho de uma despedida. Ser adulto é entender que a faculdade não garante coisa alguma, até o conhecimento que ela proporciona depende de você. Ser adulto é ter que ir ao mercado sozinho, ter que ir ao shopping sozinho, ir ao médico sozinho, ter que encarar longos dias sozinho e perceber, no meio disso tudo, que ficar sozinho não é a pior coisa que pode acontecer com você, às vezes, ficar sozinho é libertador. Crescer é entender que sua mãe podia não ser tão feliz quanto você achava, é saber que ela chorou escondida por causa de suas brigas, é saber que ela morreu por dentro quando não deu aquele presente tão esperado no seu aniversário. Ser adulto é entender que ela nem sempre podia entender você. Ficar adulto é compreender como as pessoas vivem mesmo sem dinheiro, como a gente reclama de barriga cheia, como a gente deveria ter aprendido melhor o que é perdão. Crescer é finalmente perceber que o que fazemos para os outros, nossas ações tanto boas quantos ruins, refletem mais do que somos do que nós mesmos poderíamos refletir. Crescer é enxergar o mundo com uma lente menos embaçada e colorida. Ser adulto é encontrar-se no lugar de vários outros adultos que criticamos algum dia. Crescer leva anos, ficar adulto a gente fica de repente, no meio de um dia, de uma tarde, de uma conversa, seja ela profunda ou totalmente “boba”, seja ela com seus amigos ou com estranhos na rua. Crescer é acumular batalhas, ficar adulto é perceber em quais dessas batalhas vale a pena se lutar. Crescer deixa cicatrizes e ser adulto, bom, ser adulto é arranhar essas cicatrizes, vez ou outra, e perceber que elas ainda doem. (Minha autoria)

RH: Então é isso mesmo o que você quer?

R: Sim.

Essa era a conversa mais difícil que Regina já tivera em muitos anos, a morena estava cansada, seus olhos ardiam pelas lágrimas não derramadas, mas ela não podia mais adiar isso. Foram duas semanas desde que se encontrara com Emma no parque, duas longas semanas onde tudo o que ela e Robin faziam era brigar e depois fingir que tudo estava bem. Duas longas semanas onde Henry estava dormindo na casa de sua avó porque Regina não queria que ele escutasse as brigas. Duas semanas e as coisas finalmente tinham encontrado seu fim.

RH: Você quer desistir de uma pessoa que está há seis anos com você por alguém que você acabou de conhecer?

R: Eu não estou desistindo de você por outra pessoa, Robin, eu estou dando um tempo na gente antes que alguém se machuque.

RH: Antes que alguém se machuque? Você não está fazendo um bom trabalho.

R: Olha, Robin….

RH: Não, Regina, olha você. Presta atenção na merda que você está fazendo por causa de uma estupida crise de meia idade. Você está feliz porque alguém muito mais novo desejou você e isso é ridículo. Essa jornalista não gosta de você, ela só quer se divertir com você e então ela vai te trocar por um modelo mais novo e útil. Você é só um brinquedo vintage que ela encontrou para se divertir enquanto não tem mais nada para fazer. Como você pode ser tão cega?

R: Quem é você? [murmurou baixinho, as lágrimas correndo pelo seu rosto] Você não é isso, você…. Por que você não acredita que ela possa me achar alguém especial?

RH: Porque ela não acha. Você só está sonhado com esse conto de fadas patético como você fez sua vida inteira. Você sonhou com Daniel, não porque ele era incrível, mas sim porque ele era impossível para você. Ele era o garoto pobre e sem talento nenhum, mas você achou lindo enfrentar toda sua família, então você criou esse maldito conto de fadas na sua cabeça. Agora você resolveu enfrentar outra impossibilidade para ficar com uma mulher que você acabou de conhecer. Uma mulher, Regina. Você nem gosta de mulheres, o que você acha que ela pode oferecer para você que eu não posso?

R: Como você ousa falar sobre o Daniel? [gritou com raiva] ele era seu melhor amigo. Como você pode achar que sabe o que eu estou sentindo? Eu não estou terminando com você porque eu quero ficar com a Emma. Eu estou terminando com você porque eu estou confusa, porque eu não consigo compreender direito o que está acontecendo comigo. Eu estou terminando com você por mim e não por outra pessoa.

RH: Quando essa garota quebrar você, quando você entender que está jogando sua carreira pela janela, quando você estiver sozinha, porque é isso que vai acontecer, eu espero que você tenha uma excelente desculpa para me dar. Porque você vai perceber que eu sou o único que pode realmente amar você, nem seu filho pode amar você.

R: Henry me ama [gritou]

RH: Henry nem sabe o que é isso [debochou]

R: Saía da minha casa [gritou com raiva]

RH: Sua casa? Essa casa também é minha, Regina. Ou você acha que teria conseguido alguma coisa sem mim? Sem mim você ainda estaria no fundo do poço, trancada em uma cidadezinha medíocre com milhares de textos enfurnados no armário.

R: Robin, por favor [pediu com os olhos fechados, sua respiração ficando cada vez mais acelerada] Se você ainda tem algum respeito por mim, saía.

RH: Respeito? Como você espera que eu tenha algum respeito pelo que você está fazendo? E seu respeito por mim? Eu amo você, Regina.

R: Eu não posso ajudar você com isso [respondeu fracamente] Eu não vou voltar atrás, Robin. Eu preciso de um tempo.

RH: Eu vou dar o seu tempo, mas você não sabe o que está fazendo, vejo você quando essa sua crise de meia idade acabar [disse irritado saindo do quarto. Assim que Regina ouviu a porta da frente bater com força ela deixou seu corpo cair contra a parede do quarto]

Tenho galaxias perdidas dentro dos meus olhos me mostrando constantemente que não pertenço a esse lugar...

....

Emma estava jogada no sofá assistindo a um filme velho e sem graça. Chovia forte em Nova York e as filmagens do filme tinham parado por uma semana. Ruby tinha ido fotografar uma matéria de ultima hora em outra cidade e Alex havia ido visitar sua família. Emma até pensou em viajar com Alex, mas sabia que não valeria a pena. Entre brigar com sua mãe e passar a semana sozinha, Emma preferia passar a semana sozinha. O som alto de uma batida em sua porta a tirou do transe.

E: Regina? [perguntou surpresa]

R: Olá [respondeu sem graça]

E: O que… você está encharcada [comentou]

R: Obrigada pelo aviso [brincou] eu não tinha notado que estava chovendo lá fora.

E: Entra, eu vou pegar uma toalha para você.

R: Obrigada [respondeu baixinho com um sorriso tímido]

E: Você quer uma roupa também?

R: Não, só uma toalha, por favor...

E: Bom… [começou novamente enquanto sentavam no sofá] O que traz você aqui.

R: Eu dei um tempo no meio noivado [respondeu diretamente]

E: O que?

R: Eu terminei meu noivado [repetiu séria]

E: Uou… Eu… Eu… é para eu falar alguma coisa?

R: Para uma jornalista você é bem pouco articulada, senhorita Swan [respondeu levantando a sobrancelha]

E: Não me venha com “senhorita Swan” novamente, nós já passamos por isso [sorriu de lado]

R: Sim, nós já passamos por isso.

E: Eu não queria que seu noivado acabasse [disse de repente]

R: Não? [perguntou confusa]

E: Não [deu de ombros] Não me entenda mal [corrigiu quando Regina a encarou confusa] Eu… Eu queria você, eu quero você, sua companhia, sua amizade, mais que sua amizade na verdade, mas eu não queria destruir nada.

R: Você não destruiu nada, Emma. Aquele dia no enterro do meu pai eu não menti quando disse a você que não era feliz. Eu só não tinha percebido até você aparecer.

E: E isso é bom?

R: Estou tentando descobrir. Eu só achei que você deveria saber.

E: Obrigada [respondeu sem saber o que dizer]

R: Eu senti sua falta essa semana [admitiu envergonhada]

E: Você poderia ter me ligado…

R: Não [suspirou] eu não poderia.

E: Você parece triste, quer dizer, é meio obvio que você estaria triste, mas é mais do que isso. Você parece quase…. insegura.

R: Você tem algum tipo de super poder ou algo assim?

E: Só às vezes [deu de ombros]

R: Robin disse algumas coisas… coisas ruins. Ele disse que… ele disse muitas coisas.

E: Ele estava errado.

R: Você nem sabe o que ele disse.

E: Eu não me importo [deu de ombros] Ele deve ter falado coisas só para machucar você e isso não é certo.

R: Ele disse que é o único que pode me amar.

E: Ok, ele está errado e ainda é um grande egocêntrico. Porque alguém não amaria você?

“porque alguém não amaria você?” A pergunta feita por Emma era tão simples e tão despida de qualquer sarcasmo que o fez o coração de Regina doer. A morena poderia ter dado uma lista repleta de motivos para alguém não gosta dela, mas Emma a encarava tão confusa que ela não conseguiu quebrar a ingenuidade da loira.

R: Eu… eu não sei o que dizer.

E: Para uma escritora você é bem pouco articulada, senhorita Mills [sorriu repetindo o comentário de Regina]

R: Não me venha com “senhorita Mills” nós já passamos por isso [sorriu entrando na brincadeira]

E: Você é especial, você sabe disso, certo? [perguntou encarando os olhos escuros de Regina]

R: Logo logo você vai perceber que eu não tenho nada de especial.

E: Eu duvido muito disso [respondeu sinceramente sem tirar os olhos de Regina]

Você já se sentiu assim? Já sentiu essa conexão única com uma pessoa? Essa conexão que faz tudo em sua volta parar de girar por alguns segundos? Você já se sentiu especial? Uma vez eu expliquei a existência de uma teoria que dizia que você poderia ver a tempestade nos olhos de alguém e, por esse motivo, fechávamos os olhos ao abraçar e beijar. Mas existem algumas pessoas, algumas raras pessoas, que encaram sua tempestade sem medo, que mergulham dentro dela, que se afogam, que salvam você. Existem algumas raras pessoas que encaram sua tempestade de frente e então trazem até você os primeiros raios de sol. Essas pessoas são aquelas que curam seus machucados porque elas, melhor do que ninguém, sabem como é sangrar.

R: O que você viu em mim? [sussurrou baixinho, seu rosto ficando cada vez mais próximo da loira]

E: Tudo [respondeu simplesmente, seus dedos passeando no rosto de Regina]

R: Você vai cansar de mim.

E: Eu duvido.

R: E se eu não conseguir ser nada do que você espera?

E: Eu não quero que você seja alguém além de si mesma. Eu sei que é cedo, eu sei que você pode querer voltar a sua vida antiga, eu sei que você pode não querer isso, nós. Mas se você quiser, Regina, se você quiser, você precisa saber que eu não quero nada além de você mesma, eu não preciso que você interprete um papel ou que sinta-se insegura. Eu sei que tem coisas que você faz que talvez eu não concorde, assim como tem coisas em mim que você detesta. Mas eu estou sendo sincera aqui, Regina. Eu estou apaixonada por você, não por aquilo que eu quero que você seja. Eu sei que você não está preparada ainda, mas eu disse que ia esperar… [a loira parou de falar quando Regina colocou o dedo em seus lábios, um pedido silencioso para que a loira parasse com seu monólogo]

R: Je suis ton amoureux. Ce soir, mon coeur t'appelle. Viens, partons tous les deux [citou com a voz rouca]

E: Eu não sei o que isso significa [respondeu baixinho]

R: Eu sou a sua amante. Esta noite o meu coração está chamando você. Venha, vamos ficar juntos… [sussurrou no ouvido da loira]

E: O que….

R: Beije-me, Emma [pediu e Emma a beijou]

Talvez você esteja esperando alguma espécie de mágica quando os lábios das duas se encontraram. Talvez você esteja esperando eu descrever os fogos de artificio que cada uma sentiu na barriga ou as tão clichês borboletas no estomago. Sinto muito se vou decepcioná-los, mas isso é muito mais real que um conto de fadas, essa história vai muito além disso. Foi um beijo bom, muito bom, mas não foi perfeito, porque nossas personagens não são perfeitas. Foi um beijo imperfeito, assim como todos os primeiros beijos reais, mesmo quando não são realmente primeiros beijos. O amor, principalmente o amor em seu começo, não é perfeito. Não sinta-se triste com isso, são os beijos imperfeitos que descrevem uma grande história, são os beijos em que você se encontra tão nervoso que nem sabe onde colocar suas mãos, são os beijos que foram trocados muitas vezes pelos olhos, pelos dedos, pelas palavras. São os beijos imperfeitos que se tornam perfeitos apenas por serem únicos. Não se trata de quantos fogos de artificio você sentiu, deixe isso para os grandes filmes, se trata de quanto tempo você segurou seu folego, quanto tempo você fechou os olhos. Se trata de quanto tempo sua mente apagou e os lábios da outra pessoa foram tudo o que você conseguiu sentir. Essa história não é sobre beijos perfeitos ou pessoas perfeitas. Essa história é sobre coisas imperfeitas e pessoas imperfeitas. Essa história é tão real quanto a sua pode ser, tudo o que você precisa é de alguém disposto a contá-la. A mágica acontece depois.

...

Você já deixou de sair com alguma roupa porque seu namorado não gostava ou achava muito curta? Você já deixou de ir a algum lugar porque seu namorado não queria que você fosse? Você já sentiu-se culpada por alguma coisa que não era sua culpa? Você já se afastou aos poucos daquele seu melhor amigo porque seu namorado não achava ele uma boa pessoa? Você já tirou sua maquiagem porque seu namorado não achava legal? Se você respondeu “sim” para alguma dessas perguntas, qualquer uma delas, você está, ou já esteve, em um relacionamento abusivo e isso não é legal. É engraçado como “normalizamos” coisas que não são normais, como vamos aceitando coisas ruins sem perceber, sem nos darmos conta. A gente vai aprendendo desde criança que esse tipo de coisa é aceitável, que relacionamentos são assim mesmo, que temos que relevar, mas a grande verdade é que não temos. Estar em um relacionamento desses não é normal. Ouvir as pessoas comentarem que você parecia mais feliz antes do seu relacionamento não é normal. Estar com alguém que constantemente coloca você para baixo não é normal. Esse tipo de “amor” não é normal, não é amor. Não é amor quando tê faz mais mal do que bem, não é amor quando faz você sentir culpa por algo que não existe. Não é amor quando uma pessoa faz você acreditar que ela é a única capaz de tê amar, tê querer, tê achar bonita. Não é amor quando alguém tê diminui e faz você acreditar que têm esse tamanho mesmo. Não é amor se tê machuca, tê xinga e tê humilha. Não é amor se decide onde você vai, com que roupa você vai ou quantos amigos você tem. Amor não tê afasta dos amigos, não tê priva da vida, não tê faz largar a escola, o trabalho, a família. Amor não é posse, não é briga todo dia, não é ter que dar justificativa a cada cinco minutos, não é ficar mais triste do que feliz, não é acreditar que mais ninguém será capaz de amar você. O amor não é uma prisão. O amor, por si só, não faz reféns. Não deixe eles fazerem você acreditar que esse tipo de atitude é normal. Não deixe eles tê prenderem nisso. Liberte-se, sentir-se preso não é normal. (Minha autoria)