Writing about you

12 I just wish your ghosts were gone


Notas iniciais
Postando agora porque vou ficar uma semana fora de casa. Obrigada pelos comentários eles são o que me fazem escrever mais e melhor. Essa capitulo é meio pesadinho e contem menções (não muito gráficas) de violência doméstica. É um capitulo triste, mas importante para a história. Espero que gostem e comentem o que acharam (se foi "pesado" ou se gostaram) Desculpem os erros. Musica do capitulo: https://www.youtube.com/watch?v=NY1KwJQIqbs

Sabia que estava deprimida, embora não conseguisse enumerar os motivos. Pensei em procurar ajuda, mas não saberia o que fazer quando ficasse em frente a minha terapeuta. É estranho não conseguir definir um motivo exato para sua tristeza, para sua falta de emoção com o mundo. Tentei me explicar várias vezes, mas só conseguia chorar ou ficar imaginando o que os outros achariam dos meus motivos banais. Eu precisava urgentemente que alguém me entendesse, mas não sabia como me explicar. Eu ficava dando voltas e voltas, como um cachorro aquecendo um lugar para deitar. (Minha autoria)

...



[...] C: Seu pai…

R: Eu não tenho pai [interrompeu grosseiramente]

C: Ele morreu [continuou como se Regina não a tivesse interrompido] Ele morreu esta tarde [...]

R: O que?

C: Ele morreu. Ataque cardíaco. O enterro será amanhã na nossa antiga cidade.

R: Por que você está me contando isso? [perguntou enquanto sentava pesadamente no sofá]

C: Eu achei que você iria querer saber.

R: Achou errado. Eu não quero saber, você não tinha o direito de me contar.

C: Filha [chamou calmamente] Você precisava saber.

R: Eu não quero falar sobre isso.

C: Nós temos que falar.

R: Não, não temos.

C: Regina, ele deixou um testamento.

R: Para o inferno com esse testamento. Eu não quero nada dele.

C: Você pode não querer, mas os outros filhos dele querem.

R: Eles que fiquem com tudo.

C: Sim, mas eles precisam da sua assinatura para isso.

R: O que? Por quê?

C: Porque [suspirou] por alguma razão, Charlie deixou estipulado que apenas você poderia autorizar a entrega da herança.

R: Isso não é justo.

C: Não é [concordou abraçando a filha] E agora, o que você vai fazer?

R: Eu não sei… O que eu faço?

C: Eu não sei filha, eu não sei.

Emma estava deitada confortavelmente em seu sofá, aproveitando o silencio enquanto Ruby e Alex procuravam alguns apartamentos. Tinha sido um dia confuso, com muitos sentimentos misturados. Emma sabia que teria que bancar a adulta se quisesse trabalhar com Regina e, acima de tudo, se não quisesse machucar um menino maravilhoso de nove anos. Aloira estava quase pegando no sono quando seu celular começou a tocar e por alguns segundos, ela cogitou seriamente não atender.

E: Regina?

– Não [uma voz infantil respondeu]

E: Henry, é você? [perguntou preocupada] Aconteceu alguma coisa?

H: Sim, é o Heny. Humm.. Vovô morreu, Emma. Eu não sabia que eu tinha um vovô, mas o papai da mamãe morreu, então significa que meu vovô morreu, certo?

E: Henry, você pode passar o celular para sua mãe?

H: Mamãe não pode atender agora.

E: Ela está bem? [perguntou tentando inutilmente manter a calma]

H: Ela está sentada no jardim, acho que ela está chorando.

E: Onde vocês estão?

H: Na casa da vovó.

E: Henry, você poderia me dar o endereço? Eu quero falar com a sua mãe

H: Mamãe não gosta de conversar quando ela está triste.

E: Eu sei garoto, mas mesmo assim eu gostaria de tentar. Quem sabe eu posso ir ai brincar um pouco com você também.

H: Tudo bem. A casa da vovó fica na 66 da rua Avenue.

E: Tudo bem, eu estou indo ok? Você está bem?

H: Sim.

E: Sua mãe sabe que você me ligou?

H: Não.

E: Por que você me ligou, garoto?

H: Porque a mamãe não chora assim e eu fiquei assustado.

E: Você falou com ela?

H: Não, ela não me viu, era para eu ter ficado no quarto da vovó, mas eu queria um pouco de água.

E: Vai ficar tudo bem, ok? Eu chego ai em dez minutos.

H: Tudo bem.

E: Você tem que desligar o celular da sua mãe agora, garoto.

H: Tudo bem [repetiu] Emma?

E: Sim.

H: Obrigado.

E: Está tudo bem garoto. Está tudo bem. [murmurou antes de desligar, se perguntando o que diabos estava acontecendo]

Minhã mãe costuma dizer que paixão é quando a gente não sabe o que fazer e a amor, bom, amor é quando a gente faz, mesmo sem saber.

Emma demorou um pouco mais que dez minutos para chegar no endereço que Henry lhe dera. A casa na 66 da Avenue não era apenas um casa, era uma enorme mansão e, por alguns segundos, Emma se arrependeu de não ter trocado sua calça jeans velha e seu all star surrado de usar em casa. Emma não precisou tocar o interfone porque a casa da mãe de Regina tinha seguranças no portão. A cara que os seguranças fizeram para ela, fez Emma querer dar meia volta.

E: Eu queria falar com Regina Mills, por favor.

— A senhora é quem? [perguntou um dos seguranças]

E: Emma, Emma Swan.

— Nós não recebemos nenhuma informação de que a senhora viria.

E: Eu não ia vir [respondeu ficando um pouco irritada]

—Eu vou chamar a senhora Mills para perguntar.

C: Não precisa, eu já estou aqui. Me desculpe moça, mas eu não quero comprar nada hoje.

E: O que? Não, não. Eu não sou uma vendedora ou qualquer coisa [respondeu confusa] Eu estou aqui para falar com Regina, ela…

C: É um péssimo dia para minha filha, sinto muito, mas ela não vai atender nenhum fã agora.

E: Eu não sou uma fã [disse desesperada] eu sou Emma, eu sou… eu sou uma quase amiga da sua filha.

C: Emma Swan? [perguntou curiosa]

E: Sim senhora.

C: E por que eu a deixaria entrar, se você é apenas uma quase amiga da da minha filha?

E: Eu só… Quer saber? [perguntou olhando para uma cópia envelhecida de Regina] Só diga a ela que eu estive aqui. Foi uma ideia idiota [murmurou se arrependendo mais uma vez da roupa que estava usando]

C: Espera.. [Cora estava quase convencida a deixá-la entrar quado ouviu a voz de Regina atrás dela]

R: Emma?

E: Hey [sorriu sem graça] Eu soube o que aconteceu e bom, eu só… eu só queria saber se você estava bem [disse sinceramente, ganhando um olhar simpático de Cora]

R: Como você…?

E: Henry [disse rapidamente]

R: Meu filho?

E: Ele me ligou. Ele é muito esperto sabe, eu usou seu celular.

R: Ele ligou para você? Meu filho ligou para você de todas as pessoas?

E: Sim [respondeu sem saber mais o que dizer]

R: Meu filho está completamente no seu time, não é Swan? [perguntou com raiva]

E: Eu prefiro dizer que ele está totalmente no seu time [respondeu calmamente] Ele ficou preocupado com você.

R: Eu estou bem.

E: Me desculpe, mas você não parece bem.

R: Então pare de olhar para mim [disse friamente]

E: Você sabe que isso [apontou para a falsa máscara de Regina] não funciona comigo, não é?

R: Eu vou conversar com o meu filho. Você não precisava vir até aqui por causa dele.

E: Eu não vim por causa dele, eu vim por causa de você.

R: Emma [suspirou cansada]

E: Eu vou deixar você em paz [sorriu de lado colando as mãos nos bolsos da calça jeans] eu só queria ver ser você precisava de algo [suas bochechas estavam vermelhas de vergonha] foi estupido, eu não deveria ter vindo...

R: Você pode ficar [disse mordendo o lábio] eu só não sei se eu vou ser uma boa companhia agora.

E: Você nunca é [brincou fazendo Regina soltar um bufo irritado e Cora sorrir um pouco]

R: E mesmo assim você está aqui.

E: Para você ver [deu de ombros. Regina apenas virou as costas e foi caminhando em direção a parte de trás da casa]

R: Você vem? [perguntou quando percebeu que Emma continuava parada no mesmo lugar. A loira olhou rapidamente para Cora, que estudava a cena com curiosidade, antes de responder]

E: Sim, eu vou...

As duas caminharam em silencio por alguns minutos e Emma pode perceber, pela primeira vez, o quanto a família de Regina era rica. Depois do que pareceu uns cinco minutos, Regina parou e sentou silenciosamente na grama, demorou muito mais que cinco minutos para ela começar a falar.

R: Eu não sei se quero falar sobre isso.

E: Você não precisa se não quiser. Eu sinto muito pelo que aconteceu.

R: Ele não significava nada para mim.

E: Mas ele ainda era o seu pai.

R: Não, ele não era. Ele não era ninguém [disse francamente]

E: Não? Então por que você está tão abalada? [perguntou calmamente, sabendo muito bem o sentimento de rancor que pode ser guardado com os anos]

R: Eu vivi com ele até os meu doze anos. Ele nunca foi um pai incrível sabe, mas ele era o meu pai, ele era o meu herói, ele deveria ser. Eu sabia que ele gostava de beber sabe, e sabia que ele ficava chato quando fazia isso, mas eu nunca achei que ele faria as coisas que fazia. Eu nunca achei que ele fosse uma outra pessoa. Alguém que eu nunca tinha conhecido. Um dia eu estava voltando de um acampamento, eu sempre ia para essas coisas, mesmo que não gostasse muito. Eu voltei super feliz porque no dia seguinte seria o meu aniversário, mas ninguém foi me buscar na escola onde o ônibus tinha nos deixado. Foi a primeira vez em doze anos que eu voltei para casa caminhado e foi a primeira vez em doze anos que eu caminhei pelas ruas sozinha. Quando eu cheguei, Maria era a única em casa, ela era nossa governanta e a mãe do Daniel, um menino quieto que acabou sendo meu melhor amigo a partir desse dia. Maria estava nervosa e ela estava chorando também, ela disse que ninguém tinha dito a ela que eu estaria voltando para casa. Eu perguntei pela minha mãe ou pelo meu pai, mas ela não me respondeu. Horas mais tarde eu fiquei sabendo que minha mãe estava no hospital e meu pai tinha simplesmente sumido.

E: Você quer parar um pouco? [perguntou baixinho, sua mão repousando firmemente na de Regina]

R: Não, eu preciso continuar ou eu vou explodir, eu preciso falar isso em voz alta, nem que seja para mim mesma [murmurou olhando fixamente para uma arvore no jardim que perdia vagarosamente suas folhas para o outono gelado]

E: Eu estou aqui [disse apertando gentilmente a mão da morena]

R: Minha mãe ficou quase um mês no hospital, ela teve traumatismo craniano, eu fiquei sabendo porque escutei uma conversa por trás da porta. Eu tinha um tio e ele disse que mamãe tinha caído da escada e que o papai tinha ido viajar a trabalho. Ninguém comemorou meu aniversário naquele ano. Maria estava tão ocupada e assustada com tudo que até ela esqueceu. Só uma pessoa lembrou e me trouxe um pedaço de chocolate e um carrinho vermelho de presente. Daniel [sorriu] foi a primeira vez que nós realmente brincamos juntos. Quando mamãe voltou para casa, as coisas começaram a voltar ao normal, embora ela tenha perdido um pouco da visão do olho esquerdo. Meu pai não apareceu no mês seguinte, nem no outro, nem no outro. Eu comecei a chorar no terceiro mês, porque eu queria meu pai de volta. Demorou um ano para eu ver ele novamente, falar com ele. Ele apareceu no meu aniversário de treze anos, mas os adultos começaram a agir estranho e foi a primeira vez que eu vi minha mãe chorar. Eu escutei mais algumas conversas por trás da porta e descobri que eles estavam se separando, ai eu fiz a coisa mais estupida do mundo, eu culpei a minha mãe. Um dia quando ele estava me trazendo em casa, depois de uma volta no parque que tive com ele, eu o vi dando um tapa no rosto da minha mãe. Acho que talvez eu não quisesse ver na época ou talvez eu tenha apagado as coisas ruins da minha mente quando eu era criança, mas hoje, quando eu fecho meus olhos, eu posso ver as várias vezes que ela apareceu machucada sem razão alguma, as várias vezes que eu ouvi as coisas quebrando em algum canto naquela mansão que a gente vivia, as várias vezes que eu vi, mesmo que por poucos segundos, ele batendo nela. Eu fazia terapia desde os seis anos, nunca tinha entendido o porque, mas eu meio que entendi naquele dia. Eu fui até o quarto do Daniel, na casa dos fundos, e exigi que ele me contasse a verdade. Demorou um tempo, mas ele me contou. Minha mãe não tinha caído da escada naquele dia em que voltei para casa, meu pai tinha a empurrado com tanta força que ela tinha batido com a cabeça na quina de uma mesa na cozinha. Eu não queria contar a ninguém que eu sabia e fiz Daniel prometer que não contaria também, esse era nosso segredo. Eu parei de querer visitar o meu pai e ele parou de me procurar. Quando eu me formei no ensino médio e estava indo para a faculdade ele apareceu para me ver. A úncia coisa que eu consegui perguntar para ele foi “por quê”. Eu não era mais um criança e as memórias ruins já tinham ganhado seu espaço em minha mente. Eu perguntei “por quê” e ele me disse que não sabia o que responder. Uma vez, quando eu já estava na faculdade a dois anos, eu o encontrei em um jantar chique que a minha família participava a cada ano. Ele ainda era o grande Charles, o maior empresário de toda cidade e essa pequena cidade em que nós vivíamos, pareceu perdoar ele muito antes que eu e minha mãe. Eu me lembro de ter bebido muito naquela noite e minha mãe já tido ido para casa. Eu estava dançando com essa garota, não lembro o nome dela, mas ela era legal e eu estava bêbada demais para não achar alguém legal. Nós estávamos dançando de um jeito normal na minha cabeça, mas meu pai não achou a mesma coisa. Ele me pegou pelo braço e me levou para fora da festa. Ele começou a gritar sobre o tipo de educação que a minha mãe estava me dando, que ela estava transformando a filha dele em um “projeto de puta” e depois ele me deu um tapa no rosto [Emma segurou a mão de Regina com mais força quando percebeu que a morena estava tremendo] Foi a única vez que ele me bateu.

E: Eu sinto muito [sussurrou com os olhos cheios de lágrimas]

R: Eu o vi mais uma vez, quando ainda estava grávida. Eu estava caminhando com Daniel pelo parque e nós o encontramos. Eu tentei falar com ele, mas ele só disse que não tinha criado uma filha para casar com o filho da empregada. Nós acabamos discutindo e ele disse que nunca iria entender como eu tinha me transformado naquilo que ele estava vendo e eu disse que pelo menos eu nunca seria como ele. Foi a ultima vez que eu o vi. É estranho sabe? [perguntou enquanto Emma a encarava silenciosamente] Nós lemos grandes livros sobre perdão, sobre famílias felizes, sobre deixar ir, mas à vezes, não há mais o que se perdoar sabe? Às vezes aquela coisa machucou você tão profundamente que você não pode voltar atrás. É como se um pequeno pedaço da sua alma tivesse morrido, ficado podre. Ele não significava mais nada para mim, mas mesmo assim está doendo e eu odeio isso.

E: Acho que por um momento, mesmo que um pequeno momento, ele significou muita coisa para você. Ele foi seu pai e você o amou. E mesmo que você tenha o amado apenas porque não sabia a verdade, você ainda o amou. Ele ocupou um lugar no seu coração e essas coisas não somem assim. Eu sei que você odeia esse sentimento que está carregando agora, porque mesmo que apenas por alguns segundos, a perda dele doeu em você, doeu no pedaço do seu coração que ainda guarda as lembranças daquela garotinha inocente.

R: Eu soube que ele teve uma outra família [continuou enquanto Emma enxugava delicadamente as lagrimas de seu rosto] uma mulher e dois filhos homens. E agora, eles querem que eu vá ao enterro dele naquela maldita cidade. Eles querem que eu vá porque tem a droga de uma herança que só pode ser entregue a qualquer pessoa se a minha assinatura estiver lá. Por que eu, Emma? Por que ele ainda fez isso? Por que ele não colocou o nome de qualquer outra pessoa?

E: Eu não sei, mas talvez você tenha que ir lá, talvez se você for, tudo pode finalmente ficar para trás.

R: Você fala como se fosse fácil.

E: Não é. Não é fácil dizer adeus a lembranças ruins, eu sei disso. As pessoas acham que é fácil esquecer as coisas ruins e focar nas coisas boas, mas a grande verdade, é que as coisas ruins são as que mais marcam você, porque elas deixam feridas e mesmo que essas feridas sarem, as cicatrizes ficaram lá para mostrar diariamente a você como é fácil se machucar. Eu não estou dizendo que amanhã você vai acordar e tudo vai ter ido embora, mas um dia, quando você menos esperar, você vai ter seguido em frente. Um dia essas lágrimas vão ter ficado para trás.

R: Você tinha razão, aquele dia na fazenda dos seus pais [Emma franziu a testa] Eu deveria escrever sobre você [disse sinceramente]

E: Quem sabe um dia? [sorriu de lado]

R: E se eu chegar lá e me arrepender? E se eu não conseguir vê-lo nem por uma ultima vez? [perguntou de repente]

E: Então você dá meia volta e volta para casa.

R: Eu não quero ir sozinha e minha mãe não vai de jeito nenhum e eu não vou levar o Henry para lá.

E: E quanto ao Robin?

R: Robin não pode sair da cidade agora. Ele é um empresário importante que acabou de transferir o escritório principal para cá. Eu não posso pedir que ele faça isso. E ele... ele não sabe sobre isso que eu acabei de contar a você.

E: Eu vou [disse de repente] eu vou com você.

R: Você o que?

E: Você foi atrás de mim quando eu briguei com os meus pais naquele dia. Agora eu vou com você.

R: Emma, nós estávamos no mesmo lugar, não é a mesma coisa.

E: Para mim é.

R: Achei que você me odiasse.

E: Nós duas sabemos que isso não é verdade. Você queria uma amiga, não queria?

R: Nós somos amigas?

E: Nós podemos ser, nós podemos ser...

E mesmo observando de longe, Cora conseguiu entender o porque de Regina ter escrito tanta coisa sobre Emma. Não era porque Emma era irritante, não era porque Emma não tinha lido seus livros na época, não era porque Emma era atrapalhada. Era, pura e simplesmente, porque Emma Swan era capaz de entender Regina de uma maneira que só uma pessoa tinha feito. Era porque Emma Swan se importava. E principalmente, era porque Emma Swan a amava, mesmo que nenhuma das duas estivesse ciente disso.

...

Eu não sei não ser indiferente, porque eu cresci tendo que aprender a ser assim. Eu não sei amar, porque eu cresci vendo alguém, que deveria demonstrar amor, ir destruindo a felicidade de outra pessoa aos poucos. Eu não sei manter amigos, porque eu nunca consegui demonstrar sentimentos por eles. Porque você nunca demonstrou sentimentos para alguém além de você mesmo. Eu nunca aprendi a relaxar, porque eu cresci vendo alguém muito importante para mim sendo infeliz. Eu não gosto de aniversários, porque cada ano que passa eu fico pior. Eu não gosto de festas de família, porque eu nunca aprendi o que isso significa, você nunca me deixou aprender, você sempre arranjou uma maneira de estragar tudo. Eu não sei demonstrar afeto, porque isso nunca foi uma coisa aprovada por você, sempre você. Eu deveria sentir alguma coisa em relação ao mundo, as pessoas, mas não sinto. Você destruiu quase toda bondade que existia dentro de mim. Eu não sinto pena, remorso, compaixão, porque o ódio e o desprezo que você me faz sentir nubla toda a minha visão do mundo. Eu tenho pavor de casamento, porque eu tenho medo de viver no mesmo inferno que você fez ela viver. Eu tentei ser alguém bom, eu ainda estou tentando, mas eu acho que vou falhar miseravelmente. Você me deu várias aulas de como não ser uma pessoa boa. Eu não gosto de elogios e não imploro por eles, mesmo quando eu me diminuo na frente das pessoas, porque eu não estou brincando, eu me sinto menor. Você me fez menor. Você nunca apareceu em alguma formatura minha e no meu baile de 15 anos eu dancei a valsa sozinha. Eu esperei por você, mas eu sabia que você jamais apareceria. Eu tenho horror a bares, porque você vivia dentro deles. Eu deveria ter amar, mas não amo. Eu não sei amar, você me tirou essa capacidade. Eu tento ao máximo fazer as pessoas gostarem de mim, mas nem eu gosto de mim mesma. Eu nunca gostei de ter pessoas ao meu lado, porque eu aprendi desde cedo que é mais difícil se sentir fracassada quando se está sozinha. Agora eu me sinto oca, sou um fantoche manuseado por mim mesma, eu conto mentiras sobre mim, sobre a minha vida. Eu minto o tempo todo. Você também mentia. Por causa de você eu sou uma grande mentira e todo mundo aplaude uma grade mentira. Obrigada, você estaria orgulhoso, mas esse não é um sentimento que você é capaz dê ter. Infelizmente, eu também não. Eu não sinto o minimo orgulho de mim, nem de você. (Minha autoria)