Writing about you
15 Cause we both know how this ends.
Notas iniciais
Ela nunca foi minha, porque ela era como um pássaro e eu jamais cortaria suas lindas assas. Ela nunca foi minha, porque a liberdade que ela prezava era o maior encanto que possuía. Ela nunca foi minha, porque eu jamais iria querer vê-la cantando tristemente por trás de uma gaiola pequena. Ela nunca foi minha, porque eu não saberia mantê-la comigo sem machucá-la. Ela nunca foi minha, porque ela era como um pássaro brilhante e cheio de vida em meio ao céu azulado. Ela nunca foi minha, porque eu era apenas um menino incoerente cuja mãe teve que ensinar repetidas vezes à admirar as coisas bonitas da vida sem mantê-las presas comigo. (Minha autoria)
…
Regina sentiu as unhas de Emma arranhando suas costas e seus dentes mordendo seu pescoço. O coração da morena batia tão rápido que ela achou que pudesse morrer ali mesmo, nos braços de Emma. Regina colocou as mãos nos lados da loira e segurou-a logo acima de seus quadris a puxando para um beijo necessitado. Emma sorriu entre o beijo, mordeu o lábio de Regina e começou a distribuir beijos ao longo de sua mandíbula.
E: Eu vou fazer você gritar o meu nome [sussurrou e a única resposta que Regina conseguiu articular foi um gemido alto e cru]
A morena podia sentir seu corpo explodindo a cada toque, cada olhar, cada beijo. Estava tudo perfeito, tudo encaixado, parecia que o tempo tinha parado, congelado, parecia que todas as pessoas do mundo prendiam a respiração. O mundo estava em silêncio, apenas as duas existiam. Regina estava nas nuvens, mas de repente, um par de mãos surgiu em seus ombros e bagunçou sua visão, uma voz masculina chamou o seu nome e uma nevoa branca cobriu seus olhos. Em um piscar de olhos, como em um truque de mágica, Emma não estava mais lá, os beijos não estavam mais lá e a morena só conseguia sentir um enjoo no estomago e um gosto amargo na garganta.
RH: Regina? Amor? Regina acorda.
R: O que? [perguntou irritada, meio gemendo, meio gritando]
RH: Você estava tendo um pesadelo, meu deus, Regina, você está queimando.
R: Eu… eu estou bem [gaguejou] eu só preciso.. respirar.
RH: Com o que você estava sonhado? Você parecia estar com dor.
R: Eu não lembro [mentiu] eu só… eu só… Minha cabeça está confusa.
RH: Você quer conversar sobre isso?
R: Não [sorriu de lado] eu só vou descer e beber um pouco de água, você deveria voltar a dormir, amanhã você acorda cedo.
RH: Tem certeza que você está bem? [perguntou confuso]
R: Sim [mentiu] eu só estou morrendo de cede e um pouco enjoada.
RH: Ok, volta para cama depois [disse dando um selinho em Regina, ignorando o fato de que sua noiva tinha uma garrafa cheia de água ao lado da cama]
Regina desceu as escadas de seu apartamento com as pernas ainda tremendo, toda vez que a morena piscava, imagens do sonho que tivera com Emma preenchiam sua mente. Caminhando até a cozinha, a morena encheu um copo com água gelada, sentou na pia e respirou fundo. Fazia cinco dias que ela e Emma haviam retornado de sua antiga cidade. Emma tinha sido gentil e carinhosa com ela o tempo inteiro e ambas tinham ignorado completamente o momento bêbada de Regina. Elas não tinham falado sobre o beijo, nem sobre as coisas que Regina havia admitido. Regina ainda não tinha voltado ao trabalho, mas soube que Emma havia voltado a trabalhar no dia seguinte a sua volta. A morena disse a todos que precisava de uma semana para colocar a cabeça no lugar e disse que Belle cuidaria de tudo em sua ausência. Ninguém havia contestado sua escolha, um dos diretores do filme ainda insistiu para que Regina ficasse o tempo que precisasse em casa. A grande verdade é que Regina já poderia ter voltado ao trabalho, mas ela não queria esbarrar com um certa loira de olhos verdes que andava, constantemente, atrapalhado seu sono, ela não sabia o que fazer com o grande elefante na sala. Ela nunca tinha sentindo esses tipos de desejos por uma outra mulher, nem por um homem, se ela fosse ser bem sincera. Daniel tinha sido seu grande amor, mas eles nunca tiveram esse desejo carnal tão forte. Eles eram calmos, se amavam mais que qualquer coisa e estavam sempre na mesma página. Eles faziam sexo, claro, e com um frequência realmente boa, mas Regina nunca tinha sentido com ele essa necessidade sexual que sentia agora. Regina teve poucos parceiros em sua vida, ela casou com Daniel enquanto ainda era muito jovem, depois que Daniel morreu, ela teve dois encontros bêbados com caras que ela nem lembrava o nome. E então Robin apareceu. Robin, o melhor amigo de Daniel, o homem que ajudou ela em seu pior momento, a pessoa que segurou a barra junto com ela quando Henry começou a apresentar sinais de que seria um menino diferente. Robin, o homem que estava lá em cima agora, dividindo uma cama com ela, dividindo as contas com ela, dividindo a vida com ela. Ele a amava e ela achava que o amava também, mas desde que Emma tinha entrado em sua vida, ela não tinha mais certeza de nada. Regina ficou sentada na cozinha até os raios da manhã darem o seu primeiro sinal de vida. Ela iria ao trabalho naquela manhã, estava na hora de vestir os sapatos e encarar a vida.
São as coisas que não dizemos que acabam nos sufocando no final.
….
Regina entrou na produtora com sua maquiagem perfeita, sua roupa alinhada e sua postura inabalável. A maioria das pessoas apenas a cumprimentou rapidamente e desejou seus pêsames, coisa que Regina realmente agradeceu, tudo o que ela não precisava no momento eram pessoas perguntando constantemente sobre seus sentimentos. A morena avistou Emma apenas uma vez durante quase todo dia, a loira apenas sorriu de longe para ela enquanto entrevistava uma das figurinistas do filme. De alguma forma, Emma sabia que Regina não queria conversar naquele momento, era como se Emma a conhecesse melhor que a maioria das pessoas. Regina basicamente fechou-se dentro de si a maior parte do dia, ela sentou em sua sala e reescreveu partes do roteiro que ela não tinha gostado ou concordado. Já estava quase na hora de ir embora quando Belle bateu de leve em sua porta.
B: Olá.
R: Olá Belle, é bom ver você pessoalmente depois de quase duas semanas.
B: Eu senti sua falta [sorriu]
R: Eu soube que Henry dormiu na sua casa em um dos dias que eu fiquei fora.
B: Sim [respondeu sorrindo] Ele queria me mostrar um novo jogo estrelar que ele tinha. Espero que você não se importe.
R: Claro que não, você é madrinha dele, Belle. Você é uma das pessoas que eu mais confio no mundo. Henry está sempre bem quando você está por perto.
B: Eu estou sempre bem quando ele está por perto, eu fico bem quando você está por perto também [comentou e Regina não conseguiu esconder a surpresa que tomou conta de seu rosto] Regina, eu trabalho para você há sete anos [sorriu] eu não tenho formação alguma, mas você acreditou no meu talento. Eu não tenho família e sempre me acostumei a viver sozinha, mas você sempre me puxou para dentro da sua própria família. Você me convidou para ser madrinha do seu filho, mesmo que eu o tenha conhecido quando ele já tinha dois anos, você sempre me convidou para passar as festas com vocês, você se preocupou comigo. Eu só espero que você saiba que pode conversar comigo sobre qualquer coisa. Eu só queria que você soubesse que eu tenho um carinho especial por você. E eu sei que não deveria me sentir desse jeito em relação a você, porque eu sou apenas sua secretária, mas você é como uma irmã para mim e eu sempre vou ser grata por isso.
R: Você está tentando pedir um aumento? [brincou] Você nunca foi apenas uma secretária para mim, você é muito talentosa, Belle e eu nunca teria escrito um livro sem você, sem suas correções, sem o seu amor pelo seu trabalho. Você não é “como uma irmã para mim”, porque você é uma irmã para mim. Você é a única que sabe todas as minhas coisa, todos os meus pensamentos. Você faz parte da minha família, Belle e isso é uma coisa que vai durar para sempre. Eu sei que você não é acostumada a ter uma família, mas você tem a mim e ao Henry e você tem minha mãe também e nós amamos você. Eu sei que eu nunca disse isso, mas eu espero que você saiba.
B: Eu sei [sorriu] Bom eu só vim perguntar como você estava.
R: Nada bem, tem umas coisas que eu quero conversar com você, mas não aqui, nem lá em casa.
B: Você e Henry podem dormir no meu apartamento ou podemos dormir na casa da sua mãe, algo me diz que ela pode ajudar também.
R: Você sabe sobre o que é a conversa, não sabe? [sorriu de lado]
B: Eu sei desde a primeira vez que nos encontramos com Emma [respondeu sorrindo]
R: Eu não sei o que fazer.
B: Você vai descobrir, eu prometo que você vai. Agora eu tenho que ir, vejo você mais tarde, tente não trabalhar demais.
R: Não posso prometer nada [respondeu enquanto Belle fechava a porta]
Regina escreveu por mais duas horas e depois resolveu ir embora. O estúdio estava vazio e a maioria das pessoas já tinha encerrado o dia. Regina estava caminhando até seu carro quando avistou uma loira sentada sozinha em um dos bancos do estacionamento. Respirando fundo, Regina resolveu ir até a loira. Estava no hora de encarar a vida.
…
R: Olá [cumprimentou baixinho] Esse lugar está ocupado? [perguntou apontando para o espaço ao lado de Emma]
E: Não, não está ocupado. Você quer? [perguntou acendendo um cigarro e oferecendo outro para a morena]
R: Não, obrigada.
E: Como você está?
R: Indo [deu de ombros] e você?
E: Você parece cansada [comentou ignorando a pergunta de Regina] como se você não estivesse dormindo ou algo assim.
R: Você sempre repara nas pessoas desse jeito?
E: Não, mas eu presto atenção nas pessoas com quem eu me preocupo.
R: Você se preocupa comigo? [perguntou em tom de surpresa]
E: Sério? Eu viajei com você para um enterro, você realmente está duvidando disso?
R: Touché. Sobre isso [suspirou] eu nunca vou conseguir agradecer a você.
E: Você não precisa. Eu estava aqui pensando sobre uma frase que tem em seu livro, uma coisa que uma personagem disse.
R: Qual frase? [perguntou com curiosidade]
E: Era uma coisa sobre ficarmos com um pedacinho das pessoas que esbarramos ao longo da vida, você acredita mesmo nisso?
R: Sim.
E: Você pode me explicar?
R: Ao longo da vida, nós mudamos, certo? [perguntou, segurando pulso de Emma para dar uma tragado no cigarro da loira] Eu acho que mudamos, principalmente, porque ficamos com algumas partes sobressalentes, partes de outras pessoas, pessoas que passaram por nós. Nós temos partes de nossos pais, mesmo que não aceitemos isso, temos partes de amigos que já não são mais tão amigos assim, temos partes dos amores que deram certo e dos que deram errado também. Nós somos muito mais partes das pessoas com que vivemos do que apenas partes de nós mesmos. Nós somos um pouco do que aprendemos com nossos professores, nossa família, nossos vizinhos dá época em que eramos crianças.
E: Então nós somos apenas consequência das outras pessoas?
R: Sim e não [respondeu puxando o punho de Emma para dar mais uma tragada no cigarro da loira] Nós somos consequências, todos nós. Somos consequência das pessoas que nos rodeiam e do mundo em que vivemos. Mas, mesmo com tudo isso, mesmo com essas partes todas, nós ainda temos um pouquinho de nós mesmos guardados aqui dentro [explicou, colocando a mão no “coração” de Emma] e essa pequena parte define o que fazemos com aquilo que fizeram de nós. Essa pequena parte nos permite escolher quais partes iremos ficar, quais situações iremos levar como experiência e quais devemos jogar fora. Nós somo todos consequências e não podemos mudar isso, mas podemos escolher o que fazer com isso, o que fazer a partir daqui, desse momento. É muito confuso [sorriu envergonhada] talvez não faça nenhum sentido.
E: Faz sim [sorriu] faz todo o sentido. “Nós somos consequências” gostei disso.
R: É um nome interessante para um livro.
E: Prometa que esse será o título do livro que você vai escrever sobre mim.
R: E por que eu escreveria um livro sobre você? [perguntou com sobrancelha levantada]
E: Eu daria um história interessante, meio deprimente, mas interessante [deu de ombros]
R: Alguém já disse que você é muito confiante? Sério, às vezes seu ego ocupa todo o espaço e eu tenho dificuldades em respirar por alguns minutos.
E: Eu tiro seu ar, senhorita Mills?
R: Você é uma idiota.
E: Eu sei [respondeu meio séria] No seu ultimo livro as personagens terminam juntas? [perguntou mudando de assunto]
R: Eu não sei, estou com alguns problemas para escrever. Quando eu comecei os livros, eu já tinha um final na minha cabeça. Eu nunca pensei que escreveria um romance que pudesse envolver duas mulheres, não foi uma coisa premeditada, apenas aconteceu. Eu apenas escrevi os livros e quando me dei conta, as pessoas estavam apontando a química das personagens. Eu reli os livros e percebi que as pessoas estavam certas, tinha algo ali, algo que nem eu tinha notado enquanto escrevia. Elas não terminariam juntas, mas agora eu já não sei mais se é esse final que eu quero.
E: Por que? O que mudou?
R: Você [respondeu calmamente]
E: Eu?
R: Você esbarrou em mim e agora, eu tenho um pedacinho de você comigo e isso me mudou um pouco.
E: Mas você disse que era uma escolha, você pode escolher o que “jogar fora”.
R: Eu sei, mas eu não quero.
E: Eu baguncei um pouco sua vida, não é?
R: Não [suspirou] minha vida já estava bagunçada antes de você chegar. Você só me fez reparar melhor. Você já quis que o mundo parasse alguns momentos para que você pudesse ajeitar as coisas? Ou apenas congelar o tempo para saber o momento exato em que algo começou a dar errado? Às vezes eu só queria poder voltar no tempo para consertar as coisas.
E: Eu passei muito tempo da minha vida querendo isso. Querendo descobrir o exato momento em que as coisas deram errado.
R: Se você pudesse voltar no tempo e mudar algo, o que você mudaria?
E: É complicado, que tal você responder primeiro?
R: Eu nunca teria deixado o Daniel sair naquela noite, eu teria inventado uma desculpa qualquer e teria pedido para que ele ficasse em casa, que não fosse trabalhar. Eu teria dito que ninguém no mundo iria preencher o espaço que ele tinha no meu coração, o espaço que ele ainda tem, o espaço que ele sempre vai ter. Eu teria perguntado se ele sabia mesmo, no fundo da alma dele, que ele era o meu ponto de luz, que eu iria carregar ele comigo para sempre. Eu não sou religiosa ou coisa parecida, mas às vezes, eu só queria que ele aparecesse, nem que por poucos minutos, ele saberia o que está acontecendo comigo, o que está acontecendo com os meus sentimentos. Ele saberia o que eu deveria fazer. Ele sempre foi meu ponto de luz e agora, eu me sinto um pouco cega. Mas e você? [perguntou enxugando a pequena lagrima que corria por sua bochecha]
E: Eu não sei [mentiu]
R: Você sabe [sorriu de lado] Às vezes eu tenho essa impressão de que você carrega o peso do mundo nos seus olhos. Eu nunca vi você sorrir, sorrir de verdade, não esse sorriso calculado que damos por educação. É quase como se existisse um cortina cobrindo o que você é de verdade.
E: Eu teria dormido na casa de uma amiga minha, teria insistido mais para que ela falasse comigo, teria dito para ela que eu também tinha coisas ruins guardadas dentro de mim, teria dito que a amava, que eu acreditava nela, mesmo que ele mesma não acreditasse. Teria dito que ainda iriamos fazer aquela matéria na Índia que ele queria tanto fazer. Teria dito que ainda poderíamos mudar o mundo, teria dito para ela aguentar um pouco mais. Teria dito que eu não saberia mais o que fazer se ela fosse embora. Teria perguntado se ela sentiria minha falta.
R: Ela tem algo a ver com isso? [perguntou delicadamente, apontando para o colar de Emma]
E: Sim [suspirou] nem todo mundo lida com a perda de uma manira muito poética.
R: Não [fechou os olhos] nem todo mundo. E nem todo mundo tem a força para lidar com isso, viver com isso. Nem todos conseguem se tornar pessoas incríveis, mesmo depois de tudo.
E: Você acredita em destino?
R: Não, mas eu acredito que o mundo, de uma maneira ou de outra, tem uma tendencia a surpreender a gente de vez em quando.
E: Eu também teria recusado a matéria, se eu pudesse mudar o tempo [disse de repente] Eu não teria aceitado viajar em turnê com você. Eu… eu queria não estar apaixonada por você [sussurrou encarando a morena]
R: Eu sei [disse enquanto escondia o rosto na curva entre o pescoço e o ombro de Emma] Eu sei.
E: Isso nunca vai acontecer, não é? [perguntou baixinho enquanto olhava o céu começar a dar os primeiros sinais da tempestade que se aproximava] Nós [suspirou cansada] isso nunca vai acontecer.
R: Eu sinto muito [sussurrou em um suspiro abafado que Emma quase não conseguiu escutar. Demorou alguns segundos para a loira perceber que Regina estava chorando em seu ombro] Eu queria saber o que fazer, eu queria que fosse simples como todos dizem. Eu queria não ser tão complicada, queria ter uma cabeça mais aberta. Eu queria saber o que eu estou sentindo, eu queria que todos esses sentimentos parassem de me sufocar. Eu sinto muito [repetiu como se quisesse ter certeza que Emma a entendia] Eu sinto muito.
E: Eu sei… Eu sei...
...
Queria ter dito alguma coisa que a impedisse de cometer suicídio naquela tarde chuvosa de quarta feira. Queria ter tido mais tempo para lembra-la das coisas incríveis das quais ela fez parte. Queria que ela tivesse terminado aquele livro que eu indiquei, aquela série que assistíamos juntas. Mas não consegui. Ninguém conseguiu. Porque por mais que tenha tentado, a vida foi mais forte do que eu, foi mais forte do que ela. Não a culpo, ela tinha aqueles olhos brilhosos de quem carrega a alma por dentro da íris, aquela habilidade assustadora de devorar livros que te fazem pensar na existência simbólica do ser. Ela tinha peso de luz, e só quem sabe o quanto ser luz pode pesar, entende do que estou falando. Engana-se que pensa que ela não sorria, porque ela sorria sim, e nesses raros momentos em que eu via seu lindo sorriso, eu tinha vontade de chorar, todo mundo tinha, acho que ela também. Mais uma vez eu repito, ela tinha peso de luz. Nós nunca falamos sobre a morte e hoje eu me arrependo. Queria ter dito que também sofro. Queria ter dito que quase todo mundo sofre ao ter a coragem de admitir ser quem se é. Queria ter estado lá, queria ter impedido que ela se jogasse, queria ter a segurado em meus braços, mas a alma dela tinha peso de luz, a alma dela era capaz de voar e voou, voou para longe de mim. Voou para longe no alto daquela ponte em uma tarde chuvosa de quarta feira. Ainda lembro dela quase todos os dias, ainda espero chegar em casa e encontra-la mexendo nos meus livros, dizendo que eu não limpo o quarto. É engraçado como depois de um tempo para de doer, você não para de sentir, mas para de doer. Depois de um tempo, você lembra e sorri. Eu não a culpo, nem me culpo. Talvez o mundo é que tenha grande culpa. Algumas almas nascem para serem destroçadas. (Minha autoria)
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