Writing about you
19 But out there in the future Maybe you're the rainbow
Notas iniciais
Ela gosta de Leminski, tentou escrever um livro inteiro de maluquices, é quieta feito porta, mas os olhos dela, redondos como bolas de gude, refletem a alma tranquila, sonhadora e meio torta. Quase nunca escutamos sua voz, uma pena eu diria, as palavras dela, para quem entende, são estrofes de poesia. Queria que ela me enxergasse, mas seus olhos estão sempre grudados nos livros velhos e empoeirados das pequenas lojas. Nunca perguntei seu nome, por hora, a apelidei de poetisa Ela ganhou meu coração no ato. Uma pena eu nunca tê-la convidado para sair (Minha autoria)
...
Mãe? [Regina chamou entrando na mansão de sua mãe] Filho?
C: Estamos descendo [respondeu] Você precisa me contar como…
R: Emma está aqui [interrompeu antes que sua mãe pudesse falar algo]
C: Olá, Emma [cumprimentou aparecendo no topo da escada, Henry escondido atrás de suas pernas] Nós...
H: Emma [ gritou alegre quando viu a loira]
E: Olá garoto, senti sua falta.
Cora, que estava sorrindo para a interação dos dois, não conseguiu disfarçar a expressão de surpresa e os olhos arregalados quando viu Henry descer as escadas e correr na direção de Emma. Assim que o menino começou a correr, a loira se abaixou sorrindo e abriu os braços para o garoto, mas no momento em que ela fez isso, Henry parou de correr e ficou parado há dois passos da dela, a encarando. Emma deixou o sorriso cair e virou o rosto confuso para Regina. Demorou longos segundos para loira lembrar que o garoto não iria abraçá-la. Recuperando o sorriso, Emma levantou uma de suas mãos para o menino apertar. Henry continuou parado por um tempo, depois olhou para sua mãe rapidamente e, quando a viu sorrir, ele deus os dois passos que faltavam até Emma e, para surpresa de todos na sala, a abraçou.
E: Olá, pequeno príncipe [disse baixinho, sua voz mostrava uma mistura de surpresa e emoção]
H: Eu não sou um príncipe [disse confuso]
E: Claro que é, para mim você é.
H: Isso é uma metáfora? [perguntou confuso]
E: É sim, garoto, é sim [sorriu abraçando-o um pouco mais apertado]
H: Você vai dormir aqui?
E: Não, eu só vim deixar sua mãe.
H: Você quer ver o meu quarto?
E: Humm… [Emma olhou para Regina que fez um pequeno sinal de positivo com a cabeça] Claro, quero sim.
C: Emma Swan [disse em um tom forte chamando a atenção de Emma]
E: Senhora Mills [respondeu ficando de pé]
C: Cora, querida, me chame de Cora. Nós não tivemos a chance de conversarmos ainda.
E: Sim, como a senhora está?
C: Bem, me chame de você, querida. Senhora faz com que eu me sinta muito mais velha do que realmente sou. Como você está?
E: Bem [respondeu sem saber muito bem como continuar essa conversa]
R: E dizem que ela é uma jornalista [brincou ao perceber o silêncio incomodo de Emma]
C: Pois então, foi o que eu ouvi falar, Emma. Isso e mais algumas coisas [comentou levantando a sobrancelha e fingindo uma cara séria]
E: O que? O que mais a senhora… você escutou?
R: Nada, minha mãe resolveu tentar usar um lado cômico ultimamente, mas gostaria de avisá-la, Cora Mills, que não está funcionando.
C: Você destrói toda a diversão.
H: Do que vocês estão falando?
E: Também não sei garoto, que tal você me mostrar seu quarto agora?
H: Posso, mamãe?
R: Pode sim, mas não faça ela brincar com você [sorriu] está tarde e você já deveria estar na cama]
E: Vamos lá, garoto, você tem que me mostrar o caminho.
H: Por aqui [respondeu animado, subindo as escadas e abrindo a primeira porta do corredor deixando Regina e Cora para trás]
E: Nossa, Henry, que quarto lindo [disse sinceramente quando entrou no comodo]
O quarto era azul claro, com estrelas e planetas pendurados e pintados no teto em uma imitação quase perfeita de um sistema solar. As prateleiras eram brancas, com muitos livros agrupados por cor, tamanho e títulos. Havia uma foto de Henry bebê no colo de Regina e uma deles um pouco mais recente. Havia também uma foto deles com Cora e, para a surpresa de Emma, perto de uma pilha de livros amarelos havia uma foto dela mesma brincando com Henry nos fundos de alguma livraria que ela não lembrava o nome. Ruby, a loira pensou com um sorriso, com certeza a fotógrafa era a culpada por esta imagem.
H: Estava nas coisas na mamãe, quando ela voltou na turnê [comentou quando percebeu que Emma olhava para a foto deles] Ruby mandou todas as fotos que tirou para a mamãe e eu pedi que ela deixasse eu ficar com essa. Tem uma sua com a mamãe também, mas a mamãe guardou essa. Ela disse que ia jogar fora, mas eu sei que ela guardou.
O comentário inocente de Henry fez Emma sorrir e querer correr ao mesmo tempo. Essa havia sido a primeira vez em que ela realmente tinha se dado conta do que estava fazendo. Ela estava entrando em um família pronta, ganhando afeto de uma criança, de uma mulher com uma criança. Esse pensamento a fez querer acender um cigarro.
E: É linda, assim como seu quarto inteiro, mas eu acho que essa luz vai queimar [comentou quando percebeu que, mesmo com a luz acessa, o quarto continuava um pouco escuro]
H: Não, é assim mesmo. Essa lâmpada é mais fraca de propósito. Eu fico irritado com luzes que não são naturais, que não são em consequência do sol.
E: Oh [respondeu sem saber muito o que dizer, havia muita coisa sobre Henry que ela desconhecia] Esse quarto é parecido com o que você tem no apartamento da sua mãe?
H: É praticamente igual.
E: Sério?
H: Sim [respondeu com as bochechas ficando vermelhas] eu não gosto de trocar as minhas coisas de lugar nem de dormir em lugares diferentes. Quando eu e mamãe viajamos eu até consigo por um tempo, mas não me faz muito bem. Eu sou esquisito [disse dando de ombros em um gesto envergonhado e defensivo]
E: Você não é esquisito, garoto. Ok, você é [sorriu quando Henry a ficou encarando] mas a questão é, todos somos esquisitos de alguma forma. Eu por exemplo, não consigo dormir em hotéis nos dois primeiros dias, não consigo dormir se alguma mosca estiver no meu quarto. Não gosto de ficar me olhando no espelho sem roupa, porque eu sempre acho que alguém está me vendo. Eu me sinto estranha vestindo rosa, aposto que sua mãe se sente estranha se usar qualquer coisa que não seja preto ou branco, no máximo um azul escuro. Nós todos somos esquisitos, isso que nos faz únicos, talvez até mesmo especiais.
H: Eu gosto que você seja amiga da mamãe.
E: É? [perguntou confusa com a mudança abrupta de assunto] Por que?
H: Ela sorri quando você está por perto. Só quando você não está olhando, é claro, mas ela sorri. Vovó disse que é porque o coração dela bate rápido, mas isso não é verdade. Acho que ela diz isso como uma espécie de metáfora, mas eu não consigo entender….
E: Eu gosto de ser amiga dela e sua também [sorriu]
H: Lê para mim?
E: Com certeza...
...
C: Então…. Como foi sua noite ontem e seu dia hoje? [perguntou oferecendo uma taça de vinho para filha]
R: Mãe [advertiu olhando para as escadas procurando algum sinal de Emma]
C: O que? Foi uma pergunta inocente.
R: Suas perguntas nunca são inocentes, mas se você quer tanto saber, meu dia foi bom.
C: E sua noite como foi?
R: O que você quer saber?
C: O que você quer me contar?
R: Eu detesto quando ficamos nesse jogo de perguntas.
C: Então de uma resposta.
R: Foi bom, ótimo na verdade [comentou sem conseguir esconder o sorriso, flashes do corpo nu de Emma piscando em sua cabeça]
C: Vocês….
R: Sim [respondeu mordendo lábio] Você acha que eu sou louca?
C: Sim, mas não acho que você tenha feito algo que não deveria. Eu disse a você uma vez, eu nunca mais vou deixar de apoiar a sua felicidade e aquela mulher lá em cima, que ama seu filho e infelizmente ainda usa all stars [sorriu] ela tê faz sorrir de um jeito que eu não vejo há muitos anos, muitos anos mesmo.
R: Acho melhor eu subir, Henry deve estar dando uma aula sobre o sistema solar para ela.
C: Ele gosta muito dela.
R: Eu sei [suspirou] e esse é o meu mair medo.
C: Vai lá, eu vou pedir comida a mais, se ela quiser ficar é só jantar com a gente.
R: Obrigada mãe [sorriu dando um abraço em Cora antes de subir as escadas]
…
R: Atrapalho? [perguntou sorrindo para uma Emma meio adormecida]
E: Não eu… ele pediu para eu ler e ai dormiu e ai eu…
R: Acabou quase dormindo também?
E: Sim, desculpa por isso.
R: Pelo quê? Ter ajudado meu filho a dormir?
E: Não sei, eu não perguntei para você se podia.
R: Eu não acho que eu preciso responder isso, não é?
E: Acho que não.
R: Venha, vamos conversar em outro lugar antes que ele acorde.
E: Você manda [brincou]
R: Aqui [disse abrindo uma porta que era quase em frente a do seu filho] Meu quarto é aqui.
E: Sua mãe…
R: Eu não tenho quinze anos, Emma. Eu não preciso avisar que estou com alguém no quarto, ou deixar a porta aberta.
E: Ok, eu estou sendo idiota [comentou enquanto entrava no quarto, mas deixando a porta entre-aberta] O quarto de Regina era simples, mas sofisticado ao mesmo tempo. Não havia quase nada além de uma casa de casal extremamente grande e escura, cortinas brancas, um espelho grande na parede e todos os móveis pareciam ser de madeira escura, antiga e cara. Havia uma outra porta do outro lado do comodo e Emma imaginou que fosse um banheiro]
R: Você poder ficar a vontade sabe [sorriu enquanto ia em direção a outra porta, Emma acertara, era um banheiro]
E: Eu levo um certo tempo [brincou]
R: Minha mãe convidou você para jantar, aposto que ela quer assustar você um pouco [Regina falava enquanto trocava de roupa no banheiro, a porta não estava completamente fechada e Emma tinha a visão perfeita das costas nuas da morena. Quando Regina virou o rosto na direção da porta e encontrou os olhos da loira, que não havia falado nada há alguns minutos, seus lábios esticaram em um sorriso maldoso e suas sobrancelhas arquearam um pouco] Vê algo que gosta, querida?
E: O quê? [perguntou saindo do transe, suas bochechas estavam tão quentes que ela quase podia sentir] Huummm… eu… desculpe por isso [sorriu sem graça desviando o olhar]
R: Sério? [perguntou sorrindo ao sair do banheiro, a morena estava completamente vestida agora] Eu não imaginaria você como uma pessoa envergonhada, Emma [sorriu colocando os braços ao redor da loira]
E: Eu não sou, mas você me faz sentir essas coisas [respondeu fingindo irritação]
R: Que coisas? [sussurrou baixinho escondendo o rosto na curva do pescoço da loira. Era a primeira vez que elas se abraçavam sem a morena estar usando um salto, era engraçado como Regina era pelo menos cinco centímetros mais baixa do que a loira]
E: Muitas coisas [respondeu segurando Regina mais forte contra ela]
R: Pergunta [murmurou ainda com o rosto escondido no pescoço da loira]
E: Perguntar o que?
R: Isso que está na sua cabeça, eu quase consigo ouvir [sorriu]
E: É sobre o Henry [disse e no mesmo instante sentiu Regina sair do seu abraço] Você não precisa….
R: Está tudo bem [sorriu fraco puxando a mão de Emma até que elas sentaram na cama] O que você quer perguntar?
E: Como foi? No começo quero dizer… Você não precisa responder se não quiser [disse passando a mão pelo braço de Regina até entrelaçar seus dedos]
R: Foi difícil, bem difícil. Às vezes ainda é [sorriu triste]
E: Como assim?
R: Eu sei que você já notou algumas coisas, você notou que ele é… diferente, mas isso não é tudo. Henry percorreu um longo caminho, mas tem muita coisa que me deixou desesperada. Quando ele tinha três anos eu notei que ele não gostava muito de ser abraçado e que lugares muito cheios o deixavam agitado, muito agitado. Eu estava sozinha, com medo de não estar criando ele da maneira certa.
E: Tenho certeza que você é uma ótima mãe.
R: Você não achava isso no começo.
E: Eu só queria irritar você no começo.
R: Um dia nós estávamos em uma loja e era uma loja muito clara, eu não sei bem, mas algo com as luzes o fez ficar muito agitado. Ele tinha só quatro anos, mas ele começou a chorar e a gritar como se fosse muito mais velho ou estivesse com muita dor. Eu o segurei, mas ele começou a se debater e gritar. Eu não sabia o que fazer e eu comecei a chorar também. Era uma loja daquelas muito ricas e as pessoas só ficaram olhando como se eu tivesse feito algo muito errado ou estivesse atrapalhando eles. Eu não sei quanto tempo demorou, mas alguém começou a falar com as pessoas e loja foi esvaziando até não sobrar quase ninguém lá dentro, eu estava tão transtornada que eu só fui perceber depois que a dona daquela voz que mandou todo mundo embora era minha mãe.
E: O que aconteceu?
R: Ela baixou as luzes da loja e pediu para eu continuar segurando Henry para que ele não se machucasse ou batesse com a cabeça em mim. Mas eu não consegui, ele acabou batendo com o rosto em mim e saiu um pouco de sangue do nariz dele. Eu fiquei mais desesperada ainda, mas então minha mãe se abaixou com a gente, segurou Henry contra o peito e usou as mãos para tapar os ouvidos dele. Demorou um pouco mas ele parou de chorar. Ela nos levou para casa dela, essa casa [sorriu] mas nós ainda estávamos magoadas uma com a outra, eu estava magoada com ela na verdade. Nós não trocamos uma palavra quando chegamos, henry tinha dormido no caminho, ela o colocou na cama dela, fez um chá para nós duas e sentou do meu lado na sala. Eu não sei qual de nós começou a chorar primeiro. Depois ela disse que achava que Henry tinha tido um surto na loja, ela trabalhou com crianças antes de eu nascer, ela era educadora. Ela disse que eu deveria levar Henry em um psicólogo e um pediatra.
E: Você levou?
R: Sim, no dia seguinte. Foi quando eu comecei a entender que eu tinha um filho com espectro autista. Eu fiquei muito triste no começo, me aproximei mais do Robin, ele me ajudou sabe?
E: Eu não sei o que dizer [sussurrou limpando a pequena lágrima que escorria no rosto de Regina]
R:Eu não o trocaria sabe?
E: Como assim?
R: Se me perguntassem hoje se eu escolheria que ele viesse sem essa carga toda que ele tem, que ele viesse sem nenhum espectro autista, eu diria que não. Eu não trocaria ele por ninguém e eu não escolheria que ele nascesse sem o que ele “tem” [fez aspas com os dedos] Isso foi uma coisa que ele me ensinou. Quando algum pai diz “eu amo meu filho, mas não queria que ele tivesse alguma deficiência, não queria que ele fosse gay, fosse transgênero, fosse qualquer coisa que ele é” no fundo eles estão dizendo “eu queria que esse filho que eu tenho não existisse, que ele fosse trocado por uma nova versão” eles não sabem que estão pensando isso, talvez alguns nunca percebam, mas eles estão. Porque as pessoas, assim como Henry, são como elas são por toda sua história de vida, mudar uma coisa como essa seria mudar sua vida inteira e eu não quero um outro Henry, eu quero o meu Henry, o meu filho, porque eu o amo... O que? [perguntou quando a loira a encarou com um sorriso no rosto]
E: Você [sorriu]
R: Eu?
E: Sim [sorriu mais uma vez] Você é linda [disse sinceramente]
R: Eu… [a morena sorriu envergonhada olhando para o chão, mas logo sentiu os dedo de Emma em seu queixo, levantando seu rosto]
E: Você é linda [repetiu beijando a testa de Regina] incrível [sussurrou beijando as lágrimas das bochechas da morena] e eu tenho sorte de ter conhecido alguém como você [disse mais uma vez antes de beijar Regina nos lábios]
Cora, que passava pelo corredor para dar um beijo em Henry, sorriu para si mesma quando ouviu o relato de sua filha e as coisas que Emma havia dito. Talvez sua filha pudesse ser realmente feliz agora, talvez.
A gente se apaixona pelo que inventa no outro e ama quando percebe que o outro não é nada daquilo que a gente inventou, mas mesmo assim a gente quer continuar junto.
...
"Fui ao médico reclamar de umas dores que andava sentindo. Quando cheguei, fui logo falando dos sintomas, das dores, das minhas angustias e de como isso estava prejudicando meu sono e minha rotina na faculdade, meus textos. No meio da consulta ele sorriu, um sorriso um tanto triste em seu rosto velho e cansado, ele disse: "Seu problema não é físico, moça bonita, não é nada que eu possa curar. Você sofre de entrega, você se doa demais." (Minha autoria)
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