Writing about you
21 Are you really gonna love me when I'm gone? I fear you won't
Notas iniciais
Você disse que eu precisava ser mais madura e eu sorri, virei as costas e desci as escadas sem olhar para trás. Você queria que eu fosse madura e eu fui… só chorei quando já estava no carro. (Minha autoria)
... Dizem que toda tragédia se apresenta em três pequenos atos ...
...
“ Estaria à estrela em ascensão, dona de uma das séries de livros mais lida pelos adolescentes, trocado seu noivado por um relacionamento com outra mulher?”
“Regina Mills, a escritora com milhões de fãs, não é conhecida por ser uma pessoa simpática ou aberta sobre sua vida. Calada e um tanto fria, segundo alguns profissionais do mesmo ramo, Mills se mantem longe dos holofotes e das entrevistas. Sua ultima matéria, em sua trajetória com pouquíssima aparição na mídia, foi no fim do ano passado, onde à escritora permitiu que uma jornalista cobrisse sua turnê. Odiada pela maioria dos jornalistas, tendo, segundo boatos, destruído a carreira de alguns, Mills segue escrevendo seus livros onde o relacionamento entre as duas principais personagens tem ficado cada vez mais explícito. Será que a escritora em seus quase quarenta anos está tentando nos dizer alguma coisa? A ultima matéria publica de Regina, fora uma espécie de “diário do dia a dia” da escritora, onde fontes próximas afirmaram ser um tanto “complicado” trabalhar com a frieza da escritora. Teria essa loira derretido o coração gelado da até então “rainha má da literatura”? Seguiremos acompanhando.”
A matéria era pequena, mostrava muito sobre Regina, mas pouco sobre a loira misteriosa que podia ser vista na foto borrada, tirada de longe e com pouca resolução. Na foto, a posição de Regina fazia com que parecesse que ela estava beijando uma loira um pouco mais alta que ela. Isso era o suficiente para criar o caos.
R: Como isso foi acontecer? [perguntou enterrando o rosto nas mãos]
E: Alguém liberou alguma notícia sobre nós, isso não iria surgir do nada.
B: Bom você ter perguntado isso.
E: Por que? [perguntou, mesmo sabendo o que a mulher responderia]
B: O editor da matéria...
R: O que tem ele?
B: Ele é o seu chefe, Emma.
E: Eu sei [murmurou]
B: Você não sabia, sobre nada disso? [perguntou com a sobrancelha levantada]
E: Claro, porque faz todo sentido eu saber. E faz todo sentido eu querer isso [afirmou ironicamente] Eu trabalho lá, mas Gold é o meu chefe, ele não dá satisfação para ninguém, principalmente para mim. Você acha que se eu soubesse disso, eu não teria feito nada?
B: Foi um pergunta estúpida, mas eu tinha que perguntar.
E: Sim, foi [rebateu irritada] mas eu entendo. Eu teria feito a mesma perguntaria. Mas eu juro, eu não nada a ver com isso. Eu jamais prejudicaria Regina.
C: O que faremos agora? Você vai contar para todos, filha?
R: O que? Não [respondeu rapidamente] Eu… eu não sei o que vou fazer.
B: Pode ser prejudicial fazer isso agora, Regina ainda tem um livro da saga para terminar.
C: E o que isso prejudicaria em sua carreira?
B: A maioria dos fãs da Regina são adolescentes [respondeu tristemente] suas famílias podem não gostar e elas podem achar que isso interferiria na história, nas personagens.
C: “podem não gostar” isso é tudo especulação, certo? Pode ser que ninguém se importe, isso não muda nada….
R: Isso muda tudo [suspirou] eu… eu vou trocar de roupa [murmurou antes de subir as escadas] Não era assim que eu esperava que meu dia começasse.
E: Você quer que eu vá? [perguntou em um tom baixo, seus olhos fixos nas costas da morena]
R: Você decide [respondeu sem se virar]
B: Ela está…
E: Eu sei [suspirou] eu deveria ir [disse ou ouvir Regina entrar em seu quarto]
C: Você deveria falar com ela.
E: Ma ela disse…
C: E desde quando você faz o que minha filha diz? [sorriu de lado] Ela precisa que você fale com ela, mesmo que ela não admita isso.
E: Sua filha vem com algum manual? Porque eu certamente aceitaria uma cópia.
C: Você está se saindo muito bem [sorriu]
E: Estou? Porque toda vez que eu penso que algo entre nós está finalmente dado certo, alguma coisa acontece.
B: Você sabia que isso não seria fácil.
E: Eu sei [suspirou] Mas eu não sabia que seria tão difícil também. Às vezes parece que nós estamos procurando alguma espécie de luz em um quarto escuro.
C: Você quer desistir?
E: Do que? [perguntou triste] Eu vou falar com ela.
Emma? [chamou quando a loira subia as escadas]
E: Sim?
C: Não machuque minha filha [pediu com os olhos sinceros]
…
E: Posso entrar? [perguntou baixinho pela porta entreaberta]
R: Sempre.
E: Você está irritada comigo?
R: Irritada sim, com você, não [respondeu sorrindo] Eu sinto muito pelo que eu disse lá embaixo. Não é sua culpa.
E: Nem sua. Isso deixa você chateada? [perguntou sentando ao lado de Regina em sua cama]
R: O que?
E: Que as pessoas saibam...sobre nós.
R: Eu queria que não.
E: Mas deixa [disse com um sorriso triste]
R: Sim [murmurou] Eu nunca gostei das pessoas falando sobre a minha vida, nunca. Eu sempre faço o possível para manter minha vida privada. Você leu os comentários da matéria?
E: Não, eu sou uma jornalista, eu sei que nunca se deve fazer isso.
R: Bom, eu não sou uma jornalista [sorriu triste] Eles disseram que eu estou tendo uma crise de meia idade.
E: Isso é ridículo.
R: Você é dez anos mais nova que eu, Emma.
E: E daí? Eles nem sabem a idade da pessoa que está com você, Regina. Eles só querem te atingir, porque é isso que essas pessoas fazem, elas se escondem atrás de computadores e acham que tem o direito de falar da sua vida, opinar na maneira como você se veste ou com quem você namora. Elas acham que conhecem você apenas porque amam algo que você faz. Eu tenho vinte e oito anos, eu não sou uma criança. Olha [suspirou entrelaçando seus dedos com Regina] Eu sei que tem sido louco, que isso, essa relação, ela é nova para você, tudo que vem com ela é novo para você. Eu não estou dizendo que você tem que sair de mãos dadas comigo na rua ou que temos que tornar isso que temos publico. Eu sei como as pessoas podem transformar isso em uma coisa ruim, eu trabalho com pessoas que fazem isso todos os dias.
R: Então o que você quer?
E: Você [respondeu encarando Regina] eu quero você e eu quero saber até onde isso vai. Eu quero que você seja feliz.
R: Mesmo que eu nunca queira tornar isso publico?
E: Nós atravessaremos essa ponte quando chegarmos lá [sorriu de lado] Agora, nesse exato momento, eu quero estar com você. Eu não vou mentir e dizer que isso não me incomoda. Mas eu sei o quanto você odeia exposição e eu não vou pedir para você fazer algo que você não quer.
R: Mas e o que você quer? Porque às vezes, eu sinto que você se preocupa com tudo o que eu sinto, mas eu não consigo fazer o mesmo com você.
E: Eu…
R: O que?
E: Eu tenho que contar uma coisa para você. É sobre o meu trabalho.
R: Aconteceu alguma coisa?
E: É que eu… Antes de eu encontrar você de novo, eu.. [seu discurso foi interrompido pelo toque do seu celular] Eu...
R: Você não vai atender?
E: Isso é mais importante. Era para eu ter dito assim que voltamos a conversar, mas eu sempre acabava adiando para o outro dia e... Desculpe [pediu quando seu celular voltou a tocar] Alex? [disse atendendo o celular] péssima hora, eu...
A: Mamãe está aqui.
E: O que? Por quê?
A: Ela viu uma foto sua, Emma. Uma que saiu em quase todos os jornais de fofoca. Uma foto sua beijando Regina Mills. Se eu fosse você, viria para cá, agora.
E: Isso não está acontecendo [murmurou com os olhos fechados, desligando o celular]
R: O que aconteceu? [perguntou preocupada]
E: Minha mãe está aqui [respondeu em um tom fraco]
R: Aqui na minha casa?
E: Que? Não, não. Ela está no meu apartamento. Ela viu a foto. Esse é, definitivamente, o pior dia do meu ano.
R: Você precisa falar com ela.
E: Eu não posso me esconder aqui?
R: Pode, sempre que você quiser. Mas você não acha que está na hora de enfrentar isso?
E: É. Mas é difícil entrar em um briga quando você sabe que vai perder.
R: Você sempre pode voltar para cá [disso com os olhos fixos nos da loira]
E: Você nunca deveria ter dito isso, eu posso não sair mais daqui.
R: Não que isso seja ruim [sorriu, a conversa anterior esquecida em sua mente] Sabe o que tudo isso me fez pensar? Principalmente depois de ontem à noite [comentou com as bochechas vermelhas]
E: Que nós nem sempre precisamos de uma cama? [brincou]
R: Que eu realmente me apaixonei por você. Na verdade, eu tenho cada vez mais certeza que é mais do que apanas paixão. Eu… Eu realmente acho que eu…
E: Não [murmurou, colocando dois dedos sobre os lábios da morena] não me diga isso agora [pediu com os olhos marejados] Eu vou voltar aqui e nós… nós vamos conversar, ok? Eu preciso que você me escute antes de falarmos sobre isso.
R: Você está me assustando um pouco [sussurrou]
E: Eu sinto muito mais que paixão por você também [murmurou, sua testa encostando com a de Regina, deixando apenas alguns centímetros entre suas bocas] mas nós precisamos conversar sobre isso. Tube bem?
R: Por que eu estou sentindo que tem algo que você não está me contando?
E: Porque você é muito inteligente [sussurrou]
R: O que está acontecendo, Emma?
E: Eu prometo que vamos conversar depois, ok? Mas eu preciso resolver as coisas no meu apartamento antes.
R: OK. Eu sei que você tem que ir, mas eu vou beijar você agora [disse sorrindo]
E: Finalmente [brincou]
…
A ida de carro da casa de Regina, até o seu apartamento, passou em segundos para Emma. A loira tinha tanta coisa em sua cabeça, que ela achou incrível chegar na frente do seu prédio sem ter batido em nada pelo caminho. Suas pernas estavam moles e seu coração parecia estar batendo com tanta força contra seu peito que ela podia jurar que teria uma marca roxa ali amanhã. Assim que a loira abriu a porta de seu apartamento, sua mãe começou a girtar.
M: Finalmente você lembrou que tem uma casa. Quando você ia nos dizer?
E: Bem lembrado, você está na minha casa, eu apreciaria se você mantivesse seu tom de voz baixo.
M: Eu sou sua mãe, não importa onde nós estamos, você não me manda baixar meu tom de voz.
E: Eu não mandei, eu disse que gostaria. Tem uma diferença ai.
A: Gente, se acalmem, por favor.
E: Eu estou calma, eu não fui a pessoa que entrou na caso dos outras para gritar com eles.
M: Casa dos outros? Você é minha filha.
E: Você lembrou disso? Finalmente [riu sarcasticamente]
D: Olha o jeito como você fala com sua mãe, Emma. Nós não viemos aqui para brigar.
E: Não? Então porque eu ouvi um grito assim que eu abri a porta? A porta da minha casa.
D: Filha [respirou fundo] apenas
M: Apenas explique para nós como aconteceu esse engano [pediu jogando uma revista na mesa]
E: É para isso que vocês vieram aqui? Para se intrometerem na minha vida?
M: É nossa vida também, nós somos uma família.
E: É? Então me diz onde é que isso interfere na vida de vocês? É porque seus vizinhos maravilhosos vão comentar sobre isso no almoço de domingo? É por que vocês estão com medo que perguntem da sua filha? Bom, deixa eu clarear as coisas aqui, eu não me importo.
M: Nossos vizinhos são seus amigos também.
E: Em que mundo você vive, mãe? Eu vou naquela cidade uma vez por ano, eles não são meus amigos, eles nem me conhecem.
D: Pelo visto, nós também não.
E: E a culpa é de quem? [perguntou cansada]
A: Por que nós não sentamos? Vamos conversar com calma.
M: O que isso significa, Emma? [perguntou com um tom mais calmo] O que é essa foto?
E: Essa foto [seus olhos encararam os de Mary M pela primeira vez desde que havia entrado naquele apartamento] Essa foto é o que ela é.
M: E o que ela é, Emma?
E: Sou eu, e essa... Essa é minha namorada.
M: Não, não [balançou a cabeça] Você não… você não é…
E: Gay? Sim, mãe, eu sou [deu de ombros] Eu sou gay [afirmou, um peso enorme saindo de seu corpo junto com essas palavras] E você sempre soube disso, mesmo que não aceitasse, você sempre soube disso.
M: Por que você esta fazendo isso comigo? Por que você esta fazendo isso com sua família?
E: Com você? O mundo não gira ao seu redor, mãe. Isso não tem nada a ver com você.
M: Então por que você está fazendo isso?
E: Fazendo o que? Sendo feliz? Porque eu estou feliz, mãe. Não tem nada de errado comigo e eu não estou fazendo isso para prejudicar você. Eu nunca faria nada para prejudicar você, eu te amo….
M: Como você pode dizer que me ama depois de me contar uma coisa dessas? Minha filha não é gay, porque eu não a criei assim.
D: Mary...
A: Mãe..
E: Então talvez eu não seja mais sua filha [respondeu, a primeira lágrima finalmente escorrendo pelo seu rosto] Porque, por mais que eu ame você, eu não posso colocar você acima da minha felicidade, acima de quem eu sou. Talvez eu nunca tenha aprendido como ser sua filha.
M: Talvez você não seja minha então [respondeu baixo, mas não tão baixo a ponto de Emma não ouvir]
A: Mãe [exclamou chocada]
E: Está decidido então [respondeu enxugando as lágrimas] Vocês deveriam sair da minha casa. Não tem nada que vocês possam fazer aqui.
D: Nós não queremos sua infelicidade, Emma.
E: Não, mas vocês querem que eu seja alguém que eu não sou. Eu sinto muito, muito mesmo. Mas não é algo que eu possa escolher.
M: Eu e seu pai estaremos em um hotel até amanha [disse abrindo a porta] então voltaremos para casa. Você deveria voltar conosco, Alex.
A: Eu estou bem aqui, obrigada, mãe. [respondeu friamente, seu tom surpreendendo Emma]
D: Filha eu… eu
E: Vá com ela, pai. Nós não temos nada para conversar agora.
D: Eu só… Eu quero que você seja feliz.
E: Você tem um belo jeito de demonstrar isso.
D: Eu não sou bom com essas coisas. Eu acho que nós só precisamos de um tempo. Só prometa que você ainda vai tentar conversar com ela? Sua mãe ama vocês, do jeito dela, mas ama.
E: Eu não posso prometer nada. Você deveria ir, ela já deve estar na portaria.
D: Se cuida, filha.
E: Eu sempre tento…
D: Eu vou… eu vou atrás da sua mãe. Sinto muito [murmurou antes de sair pela porta]
São as coisas que não dizemos que acabam nos sufocando no final.
…
E: Obrigada por ficar do meu lado [disse de repente, era a primeira vez em quase duas horas que Emma falava alguma coisa. Depois que seus pais saíram, ela e Alex ficaram sentadas no sofá, ambas conversando com seus próprios demônios internos]
A: Eu deveria ter feito isso muito antes. Eu amo você, Emma, com todas as cores que você tem.
E: Por que não podemos ser uma família normal?
A: Porque eu duvido que elas existam.
E: Será que tem mais alguma coisa para acontecer nesse dia? [perguntou segurando os joelhos contra o peito]
A: Espero que não...Você está esperando alguém? [perguntou quando ouviu o barulho da campainha]
E: Ruby provavelmente perdeu a chave de novo [respondeu indo em direção a porta, mas quando abriu, não era Ruby que estava lá com seu sorrido brilhante de sempre]
R: Algum dia você iria me contar que vai para Índia, ou eu só saberia quando você me mandasse um cartão postal?
...
E esta, infelizmente, é uma coisa que faz parte de nossa patética e frágil condição humana. Destruímos tudo o que tocamos, incluindo a nós mesmos e aqueles que amamos. (minha autoria)
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