Writing about you
10 And all this time I have been lying Oh, lying in secret to myself
Notas iniciais
Por mais que eu aja feito uma adulta responsável, dentro de mim existe uma garotinha implorando por ajuda, com medo de se afogar em meio as lágrimas que não chorei, mas deveria ter chorado. (Minha autoria)
...
E: Regina?
R: Olá novamente.
E: O que você está fazendo aqui?
R: Eu só… eu estava… Eu queria falar com você.
E: E ai você resolveu vir até a meu apartamento sem avisar?
R: Não parece muito como algo que eu faria, não é mesmo? [sorriu sem graça]
E: Regina [suspirou impaciente] o que você quer?
R: Eu só queria falar com você.
E: Você teve bastante tempo para tentar falar comigo.
R: Sim, mas que eu bem me lembre, você deixou claro que não eramos amigas [sua voz era calma, mas Regina estava começando a tremer de raiva] Você pode pelo menos fingir uma educação e me deixar entrar? Eu prefiro que seus vizinhos não participem da nossa conversa.
E: Você está brincando comigo?[perguntou irritada, mas dando espaço para Regina entrar] Você não pode vir até aqui sem ser convidada, bater na minha porta, dizer que eu não tenho educação e ainda se achar no direito de me dizer o que fazer [Emma estava tremendo de raiva e pela primeira vez em meses, seus olhos estavam presos aos da morena]
R: O que eu deveria fazer, esperar um convite seu? Você não parecia querer falar comigo. E o telefone funciona dos dois lados, senhorita Swan. Você poderia ter me ligado também.
E: Ao contrario de você, senhora Mills, eu não estava interessada em procurar por você [Emma fez questão de falar calmamente cada palavra, notando exatamente a maneira como elas atingiam Regina] Você está acostumada a ter todo mundo aos seus pés, mas isso não funciona no mundo real, Regina. Eu não sou como um de seus livros que ficam guardados na estante. Você não pode voltar aqui apenas para ler aquela sua frase favorita quando estiver de mal com a vida. Não é assim que funciona.
R: Eu sinto muito por pensar diferente. Eu só… eu quis falar com você, quis mesmo, Henry também quis, ele ainda quer. Eu só não sabia o que fazer. Eu odiei você no começo, mas…
E: Mas o que?
R: Eu achei que poderíamos ser amigas [respondeu firmemente, fazendo Emma soltar uma gargalhada]
E: É para isso que você veio até aqui? A porta da saída é a mesma pela qual você entrou [resmungou dando as costas para Regina e voltando para sala, esquecendo completamente que Alex ainda estava lá]
R: Qual o seu problema? [gritou seguindo Emma]
E: O meu problema? Você é a porra do meu problema. Você já pode sair da minha casa.
R: O que eu fiz para você?
E: Regina…
R: Não [interrompeu] eu não quero saber. Eu não vim aqui para ouvir você gritar comigo como se estivesse coberta de razão.
E: Você veio aqui para que?
R: Eu já disse, achei que poderíamos ser amigas.
E: Não, não podemos.
R: Será que você pode ao menos me responder por que?
E: Porque uma parte idiota de mim se apaixonou por você [gritou encarando Regina], uma parte que eu nem sabia que ainda existia, que ainda era capaz de sentir. É patético, eu sei, eu me sinto patética. Nós nos conhecemos há pouco tempo, mas acho que fiquei impressionada com a forma com que você fez eu me sentir, eu ainda estou presa a isso. Já estive outras pessoas, me enchi de trabalho e eu estava indo bem, mas então você reaparece na minha vida, pede para sermos amigas e eu não aguento mais isso. Você me tem e eu odeio isso. Eu não odeio você, não exatamente, mas eu odeio o jeito que você me faz sentir. Odeio por que você pertence a outra pessoa eu não posso te ter. É por isso que não podemos ser amigas, porque eu não quero a sua amizade. Eu estava indo muito bem, mas você tem que aparecer aqui com essa arrogância maldita e ainda achar que tem algum tipo de direito em falar comigo.
R: Eu… eu… Eu sinto muito [gaguejou]
E: Não sinta. Não é sua culpa. Só…. só vá. Eu sinto muito pelo Henry sentir minha falta, ele é um garoto maravilhoso e eu sinto falta dele também, mas ela vai achar uma outra amiga.
Regina encarou Emma com os olhos marejados, a morena até pensou em falar alguma coisa, mas assim que abriu a boca, seus olhos encontraram uma Alex completamente perdida no sofá, tentando inutilmente não ser notada. Regina fechou a boca, ela nunca poderia devolver os sentimentos de Emma, ela não era assim, ela não fora criada para ser assim. Ela era Regina Mills, ela tinha um filho e um noivo. Emma Swan queria mais que sua amizade e isso não era algo que ela poderia dar. Ela fora criada na Pennsylvania, ela nunca poderia ter esses sentimentos. Ela era uma mulher relativamente feliz com sua vida e o máximo que ela tinha feito em relação a alguma mulher tinha sido o beijo totalmente inapropriado que ela dera em Emma. Tinha sido um erro, não era para ser assim.
R: Eu sinto muito [gaguejou antes de sair correndo do apartamento]
Emma acompanhou a pequena briga que Regina estava tendo com sigo mesma e suspirou quando a morena bateu a porta. Emma só reparou que estava chorando quando Alex a abraçou. Talvez não fosse tão ruim assim ter a imã por perto no fim das contas.
O problema das coisas inacabadas é que elas vão, mesmo que aos poucos, acabando com você.
…
A: Bom [começou depois de quase uma hora me silencio] Isso foi… inusitado.
E: Você acha? [perguntou com a cabeça ainda deitada no colo da irmã]
A: Você quer falar sobre isso?
E: Pode ser em uma outra hora?
A: Claro.
E: Eu nem perguntei como vão as coisas em casa. Como estão todos?
A: Na mesma [sorriu fraco] papai continua trabalhando naquele carro velho dele, fingindo que não escuta a mamãe falando as besteiras de sempre sobre uma família perfeita.
E: Você costumava concordar com ela sobre a família perfeita. Na verdade, você é quase o exemplo da família perfeita [disse tirando a cabeça do colo da irmã]
A: Eu nunca concordei com ela, eu só nunca discuti ou tive a coragem de fazer o que você sempre fez. Mamãe nos ama e ela só quer o nosso bem. Às vezes eu acho que até ela se arrepende das coisas que fala
E: Nunca foi coragem, eu só me sentia sufocada naquela casa. Você nunca fez o mesmo que eu, porque você nunca passou pela mesma situação.
A: Eu morei naquela casa também, Emma.
E: Sim, mas você sempre foi perfeita. Você conheceu seu namorado lá, vocês casaram, tiveram filhos. Você conseguiu um emprego estável, uma família perfeita…
A: Jonh e eu estamos nos separando [disse de repente]
E: O que?
A: Nós estamos nos separando [repetiu]
E: Como? Por quê?
A: Como as pessoas se separam? [riu] Bom tem esses papeis e…
E: Eu estou falando sério, Alex.
A: Eu sei [sorriu triste] só não estava mais lá, sabe?
E: O que não estava mais lá?
A: O amor. Eu não se explicar o porquê ou precisamente quando, mas em algum momento, no meio do caminho, nós deixamos o amor ir.
E: Mas… eu sinto muito.
A: Não sinta [suspirou] Eu o amo e ele me ama também, só não é o amor que deveríamos sentir. Ele sempre vai ser o meu melhor amigo, o pai maravilhoso dos meus filhos.
E: Eu achei que ele era sua alma gêmea [murmurou sem pensar]
A: E ele é, mas se tem uma coisa que eu aprendi, Emma, é que nem todas as nossas almas gêmeas são, de alguma forma, românticas. Às vezes você encontra a sua alma gêmea bem ali, no seu melhor amigo ou amiga.
E: Mamãe sabe?
A: Não, mas papai sim. Ele me aconselhou bastante. John conversou muito com ele também. Nós queremos fazer isso direito, por nós e pelas crianças.
E: Ele está bem com isso?
A: Papai ou John?
E: Os dois.
A: Papai disse que quer que eu seja feliz e John disse que eu sou a pessoa mais maravilhosa que ele já conheceu, e que eu mereço toda felicidade do mundo.
E: John sempre foi uma pessoa legal.
A: Sempre. Ele continua sendo. Eu não vou te dizer que não tiveram dias ruins, choros e tentativas, mas nós nos respeitamos demais para continuar insistindo nisso.
E: Foi por isso que você aceitou o emprego aqui?
A: Também. Eu sempre quis trabalhar com o que eu estudei, mas nunca tive muita oportunidade por lá. Acho que acabei me acomodando naquele sonho americano da mamãe.
E: Eu não sei o que dizer.
A: Só diga que ainda tem orgulho de mim.
E: É claro que eu tenho, eu sempre vou ter. Mesmo com tudo que aconteceu, Alex, você sempre foi a pessoa que eu queria ser quando crescesse.
A: E eu sempre tive orgulho por você ter sido totalmente diferente de mim.
E: Por quê?
A: Porque você é única, Emma.
E: Eu estou feliz que você tenha me procurado [disse enxugando uma lagrima]
A: E eu estou feliz por você ter me deixado ficar e por ter confiado em mim [respondeu abraçando a irmã mais nova]
E então Emma percebeu que que fazia um tempo que não era abraçada por ninguém daquele jeito. Aqueles abraços de verdade mesmo, aqueles em que fechamos os olhos e perdemos a noção do tempo por alguns minutos. Aqueles abraços que só damos em nossos travesseiros no meio de uma noite ruim. A barreira que a loira criou ao redor de si própria a fez esquecer como era bom sentir um abraço assim. E isso não deveria acontecer. Todo mundo precisa se sentir amado de vez em quando.
A: Ruby disse que vocês vão faz a matéria sobre a nova saga da OZ [disse ainda abraçando a loira]
E: Sim, parece que vou acompanhar seu trabalho, maninha. Só espero que valha a pena.
A: Eu também. Eles vão finalmente anunciar qual é a tão famosa saga.
E: Finalmente vão acabar com os suspense. Ruby me mandou uma mensagem. Ela disse que Gold vai nos enviar para a primeira reunião amanha.
A: A reunião dos produtores? A que é às onze horas?
E: Sim. Você vai estar lá?
A: Vou e eu acabei de conseguir minha carona [disse sorrindo]
Willian Shakespeare escreveu uma vez: Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-la de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
…
C: Filha, você está atrasada.
R: Desculpa, mamãe. Eu acabei levando mais tempo do que eu pensava para resolver uma coisa.
C: Conseguiu resolver pelo menos?
R: Conta como resolução quando as coisas acabam de uma maneira extremamente contrária ao que queríamos?
C: Você vai me contar o que está acontecendo com você nesses últimos meses?
R: Não tem nada acontecendo, mãe. Onde está meu filho?
C: Seu filho, que também é meu neto, está lá no meu quarto, brincando com um presente que eu dei.
R: Qual presente?
C: Uma miniatura de uma floresta. Ele tem que montar cada peça. Vai demorar alguns dias para ele terminar, mas ele amou. Ele até me deixou ajudar a montar, só parei quando o meu telefone tocou.
R: Vocês estão bem mais próximos, não é? [perguntou sorrindo]
C: Sim [sorriu] nós estamos.
R: E Robin, já chegou? [perguntou enquanto subia as escadas para dar um oi para Henry]
C: Sim e já foi embora também. Ele tinha alguma coisa para resolver na empresa dele. Filha? [chamou] será que depois que você der uma atenção para o Henry, nós podemos conversar?
R: Estarei de volta em alguns minutos [respondeu sem saber se ficava feliz ou apreensiva por sua mãe querer conversar]
…
R: Tudo feito [disse voltando para sala] e graças à você, meu filho nem me deu muita atenção.
C: Ele amou o brinquedo, não amou? [perguntou entregando uma taça de vinho para Regina]
R: Sim mamãe. Obrigada. Agora [suspirou] o que você quer conversar?
C: Você está diferente, mais fechada do que você realmente é, eu arriscaria dizer que você está mais triste do que realmente é também.
R: Você acha que eu sou triste? [perguntou surpresa]
C: Você é minha filha, Regina e eu cometi muitos erros com você, mas eu te amo e eu conheço você.
R: Eu não sei o que te dizer.
C: A verdade? Eu sei que não temos conversado muito, mas você voltou diferente depois daquela turnê e nesses últimos meses, você está mais...
R: Mais?
C: Confusa.
R: Acho que eu só estou triste porque estou finalmente escrevendo o ultimo livro.
C: Tem isso também. Eu li um pouco do manuscrito que você me mandou, o que é aquilo?
R: A história?
C: Você não vai terminar com as mulheres juntas, não é? [perguntou e Regina podia jurar que conseguiu ouvir um pequeno traço de decepção]
R: Não. Elas são amigas, como irmãs.
C: Desculpe filha, mas irmãs e amigas não tem aquela química.
R: Desde quando você torce para as personagens ficarem juntas? [perguntou surpresa]
C: Desde o segundo livro?
R: Você nunca me disse.
C: Eu não queria influenciar sua escrita [deu de ombros] Não me olhe assim, Regina. Eu posso ter tido minhas falhas no meio do caminho, mas eu nunca fui homofóbica.
R: Ok, mas nós nunca conversamos sobre isso [disse um pouco chocada]
C: Acho que eu nunca tive um motivo.
R: E você tem agora?
C: Não sei, me diga você filha.
R: Dizer o que?
C: Quem é Emma Swan?
R: O que? [perguntou cuspindo um pouco de vinho]
C: Na correria que você estava, na hora da mudança de L.A, você me mandou um manuscrito do seu ultimo livro.
R: Eu sei, eu sempre mando para você ser a primeira a ler.
C: Você sempre me manda uma cópia, Regina. Dessa vez você me mandou o original.
R: Eu… Eu mandei ? [perguntou com os olhos arregalados]
C: Sim [sorriu compreensiva] Agora, quando você voltar a respirar corretamente e limpar esse vinho do meu sofá, nós podemos conversar sobre quem é Emma Swan, e porque tem anotações sobre ela em todo canto do seu manuscrito.
...
Eu sempre me dei bem com o silencio, a solidão, o conforto de um quarto vazio. Sempre preferi minha própria companhia, talvez pelo fato de que meus pensamentos geralmente não condiziam com os das pessoas da minha idade. Sempre fui assim, preferia um filme com os amigos à uma balda cheia de gente. Talvez seja por isso que hoje eu não conheça muita gente. Eu sempre tive uma cabeça mais velha que minha idade. Sempre tive essa ideia de que temos que fazer tudo certinho e bonitinho o tempo todo. Demorou muito tempo pra eu perceber que não se pode ter cabeça de 30 aos 17 anos. Temos que ter essa leveza, essa ingenuidade para levar a vida, não digo só nessa idade, mas para sempre. Nessa vida, a gente só tem uma chace de aproveitar. Tem que viver, tem que correr descalço na chuva, tem que perder o rumo de vez em quando e deixar pra ser sério quando tiver idade pra isso. Deixar pra ser sozinho quando a morte chegar. Nós passamos tempo demais sozinhos, nos remoendo sobre coisas que mais tarde não servem para nada. Solidão é necessária quando precisamos colocar os pensamentos em ordem, pra acalmar, mas não para viver. Depois de todos esse anos eu finalmente consegui entender. Estar sozinho às vezes é bom, mas ser sozinho é triste. (Minha autoria)
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