Writing about you
11 And I might be okay, but I'm not fine at all
Notas iniciais
Tentei mudar meu jeito meio ogro, minha sinceridade exagerada, meu lado quase sempre triste. Tentei vestir outras roupas, andar com outras pessoas, me calar toda vez que pensava diferente. Eu quis mudar, quis muito e por muito tempo. Tentei ser outra pessoa, mas não fui, não deu, não seria eu. Não dá para simplesmente escolher vestir uma fantasia todos os dias, não dá para escolher qual adereço colocar para que as pessoas ao seu redor gostem de você. Ou talvez até dê, mas não vale a pena interpretar esse papel, acredite em mim, eu sei que não vale a pena. Eu só queria que alguém no mundo entendesse que não se pode escolher ser outra pessoa só porque não se gosta de ser quem se é (Minha autoria)
[...] Talvez eu tenha sido aquela pessoa que você foi fadada a conhecer, como você diz, a única, e você pode superar isso tudo. Mas se você não o fizer, por causa de toda a miséria e tristeza do momento, eu sei que o que você disse naquela tarde está certo — não precisava ser assim. Eu quero conversar com você mais uma vez depois da sua volta, se você quiser, a não ser que se sinta incapaz disso. Suas plantas ainda vicejam em minha varanda dos fundos. Eu as rego todos os dias [...] ( Carol — Patricia Highsmith)
...
[..] C: Sim [sorriu compreensiva] Agora, quando você voltar a respirar corretamente, nós podemos conversar sobre quem é Emma Swan, e porque tem anotações sobre ela em todo canto do seu manuscrito [...]
Se é verdade essa história de que o coração de uma pessoa pode parar de bater por alguns segundos quando ela leva um grande susto, então o coração de Regina definitivamente parou de bater por longos segundos. A morena sentiu-se como uma adolescente cuja a mãe tinha lido seu diário secreto. Uma onda de vergonha passou pelo seu corpo e coloriu de vermelho sua bochecha. Regina tinha escrito essas coisas, a maioria delas, quando estava com raiva de Emma, não era para ninguém ler aquilo, ninguém.
R: Eu.. Eu não sei do que a senhora está falando.
C: Eu estou falando disso [disse, pegando algumas folhas que estavam na mesinha ao lado do sofá]
R: Eu… eu… Isso é só.. nada, isso não significa nada [respondeu fracamente, sua respiração ficando cada vez mais pesada]
C: Filha, você precisa se acalmar [disse passando a mão nos ombros da filha] Você não precisa me falar se isso tê faz tão mal.
R: Eu… Isso são só alguns pensamentos estúpidos.
C: Quem é Emma? [repetiu calmamente]
R: É a jornalista que me acompanhou na turnê.
C: Ok, me fale um pouco sobre ela [pediu, servindo-se mais um pouco de vinho]
R: Não tem o que falar, ela é a pessoa mais irritante e com mais maus modos que eu já conheci. Acredita que ela chegou atrasada no primeiro dia? Ela não tinha lido nenhum dos meus livros, nenhum. Ela ainda teve a petulância de dizer que meus livros eram para crianças.
C: Interessante [comentou sorrindo] Henry me disse boas coisas sobre ela.
R: Henry adora ela [suspirou] eu não sei porque, mas ele adora.
C: E você?
R: O que tem eu?
C: Você gosta dela?
R: Não [respondeu rapidamente quase gritando] Ela é irritante.
C: Você já disse isso.
R: O que você quer de mim, mãe?
C: Nada demais, Regina. É só que você perdeu bastante tempo escrevendo coisa sobre alguém que você considera apenas irritante.
R: Ela me beijou [murmurou de repente, se perguntando de onde viera aquela coragem para contar isso a alguém]
C: Foi bom? [perguntou tranquilamente como se estivesse perguntando sobre o tempo]
R: O que ? [perguntou chocada]
C: Eu perguntei se foi bom [disse dando de ombros]
R: Ela tem 28 anos, são dez anos a menos que eu. E ela é uma mulher [respondeu em tom defensivo]
C: Acho que eu consegui perceber sozinha que ela era uma mulher [sorriu de lado] Mas você não respondeu a pergunta, ela é dez anos mais nova que você, ela é uma mulher e tudo mais, mas você gostou do beijo?
R: Não… [responde baixinho]
C: Não?
R: Eu a beijei também [admitiu encarando os olhos negros da mãe]
C: E você gostou?
R: Faz diferença?
C: Sim, faz.
R: Foi estupido, eu não deveria ter feito isso. Eu vou me casar.
C: Você nem marcou a data.
R: Mesmo assim. Isso não é justo.
C: Não, não é. Mas a vida não é lá muito justa.
R: Eu contei para o Robin.
C: E o que ele disse?
R: Ficou muito bravo, perguntou se eu tinha gostado….
C: Ele machucou você de alguma forma?
R: Não, ele não é assim, você sabe. Eu disse a ele que não tinha significado nada. Nós estamos bem agora.
C: E não significou?
R: Eu não sei [admitiu em derrota] ela ficou bagunçando a minha cabeça sabe? Ela é tão irritante e tão cheia de si, mas ela tem um bom coração também. Eu gostei dela, queria que ela fosse minha amiga.
C: E ela não quer?
R: Eu conversei com ela antes de vir para cá, ela me detesta.
C: Ela disse isso?
R: Sim [respondeu com um suspiro alto]
C: Ela disse o porque?
R: Porque ela gosta de mim. Ela me detesta porque gosta de mim e isso não faz o menor sentido.
C: É ai que você se engana, filha. Isso faz todo sentido.
Me sentia como um daqueles textos que tinha tudo para ser maravilhoso, mas ninguém leu.
…
R.L: Ok, nós estamos aqui [gritou entusiasmada quando estacionou o carro na frente dos estúdios OZ]
E: Vamos estourar um champanhe [disse ironicamente]
A: Mais animação, maninha. Nós vamos trabalhar no mesmo lugar
E: Vocês podem ir entrando, eu vou pegar algo para comer ali naquela lanchonete.
A: Eu falei para você almoçar.
R.L: Ela nunca escuta.
E: Agora eu tenho duas babás? [perguntou acendendo um cigarro]
A: Você não ia comprar algo para comer?
E: Eu vou [deu de ombros]
A: Então por que o cigarro?
E: Porque eu quero?
A: Nós vamos esperar você lá dentro.
E: Eu não vou demorar...
Terminando seu cigarro, Emma entrou na lanchonete e comprou um copo de refrigerante e um hambúrguer, não era a comida mais saudável do mundo, mas ela não poderia se importar menos. A loira estava saindo da lanchonete quando esbarrou em alguém, seu hambúrguer foi parar diretamente em sua camiseta branca.
E: Mas que droga, você não olha por onde anda? [perguntou sem levantar os olhos da própria camisa]
R: Vejo que as coisas não mudaram muito desde a primeira vez que você me conheceu, senhorita Swan [disse calmamente levantando a sobrancelha]
E: Isso só pode ser brincadeira.
R: Você come como uma criança [observou]
E: O que você está fazendo aqui?
R: Eu não me lembro de ter que dar informações da minha vida para você, Swan.
E: Quer saber? Tanto faz [resmungou passando um guardanapo em sua blusa, tentando inutilmente tirar a macha de mostarda]
R: Emma….
E: Esquece, ok? Eu estou atrasada para um trabalho.
R: Ok, bom trabalho [sorriu de lado]
E: Obrigada [agradeceu bruscamente antes de atravessar a rua]
Regina ficou parada assistindo Emma entrar no estúdio numero sete, o mesmo estúdio que ela teria uma reunião cinco minutos mais tarde. Existiam duas opções viáveis, ou a terceira guerra mundial aconteceria naquela sala ou as coisas ficariam interessantes.
…
J: Bom, já que estamos quase todos aqui, acho que podemos começar as apresentações. Meu nome é Jonnes e eu sou o diretor da Oz e serei o diretor desse nosso novo projeto também. Nosso objetivo aqui é fazer um filme de qualidade e que agrade tanto a critica quanto os fãs. Para nos acompanhar nesse trabalho nós contaremos com mais de sessenta funcionários, como podemos notar nem todos se encontram nesta sala. Para me ajudar nessa direção nós temos Killan que cria os efeitos visuais [um homem com o sorriso largo e os olhos escuros levantou a mão em reconhecimento] Nossa figurista é ninguém menos que Emily Sincler [uma senhora gorducha e muito bonita os cumprimentou sorrindo] Jake é um de nossos cinegrafistas, Alex vai ser nossa estagiaria por aqui, o currículo dela é muito bom e esperamos que ela mostre seu talento [do outro lado da mesa, Emma sorriu para a irmã] e também contaremos com duas jornalistas para a divulgação. Pessoal, conheçam Emma Swan e Ruby, ou Red para quem preferir. Alguma pergunta?
E: Eu tenho.
J: Swan.
E: Emma, por favor. Eu queria saber quando vamos finalmente saber que saga vocês estarão produzindo e quando poderemos liberar essa informação para o publico.
J: Sim, imaginei que essa pergunta seria feita por você. Nós estamos apenas esperando a escritora da saga, ela participará da construção do roteiro e estará presente em toda produção. Ela está apenas um pouco atrasada… [sua frase foi interrompida pelo som de uma porta se abrindo]
R: Uma rainha nunca está atrasada [brincou entrando na sala]
J: Seus súditos é que chegaram cedo demais [brincou levando uma de suas mão ao peito] Senhoras e senhores, conheçam Regina Mills.
E: Você não pode estar falando sério [murmurou em um tom muito mais alto que tinha imaginado]
R: Senhorita Swan, a senhorita tem algo a acrescentar? [perguntou em um tom superior que apenas Regina conseguia fazer]
E: Eu posso imaginar uma ou duas coisas [pensou] Nada senhora Mills, nada a acrescentar.
R.L: Vai ser um longo, longo trabalho [cochichou no ouvido de Alex]
A: Eu espero que todos consigam sair vivos [comentou em um tom sério fazendo Ruby rir]
Uma colisão de rua seria menos trágica do que nós
...
Quando a reunião terminou, Emma não sabia se gritava, chorava ou acendia um cigarro. Assim que viu Regina passando pelo pequeno corredor e vindo em sua direção, a loira abriu a boca para falar algo, mas fechou rapidamente assim que viu um par de mãozinhas pequenas segurando firmemente a calça de Regina.
E: Henry? [chamou baixinho]
H: Emma [ele respondeu com os olhos brilhando]
Por alguns segundos, Emma não soube o que fazer. Seu primeiro pensamento tinha sido abraçar Henry, mas o garoto não gostava dessas coisas. Como se estivesse lendo seus pensamentos, Henry deu dois passos até a loira e levantou uma de suas mãos. O coração de Emma parou quando Henry fez o pequeno gesto, olhando para o lado a loira percebeu que Regina estava tão surpresa quanto ela. Sorrindo fracamente, Emma ajoelhou-se, levantou uma de suas mãos e tocou a de Henry.
E: Olá garoto [sussurrou baixinho, por algum motivo que nem mesmo ela sabia, Emma queria sentar ali e chorar]
H: Você não me visitou [disse calmamente]
E: Eu sinto muito Henry.
H: Mamãe disse que você estava trabalhando muito e que não pode me ligar.
E: Ela disse? [perguntou olhando para Regina]
H: Ela disse que você é uma jornalista muito importante e que é normal você ficar assim ocupada.
E: Sim, eu sinto muito [disse sincera]
H: Por que? É o seu trabalha [franziu a testa] você não precisa se desculpar por ele.
E: Que tal eu levar você no parque um dia desses para nós alimentarmos os patos?
H: Tem patos de verdade?
E: De verdade [sorriu largamente] Se sua mãe deixar, claro. [disse olhando para Regina que fez apenas um pequeno sinal de positivo com a cabeça]
R: Nós temos que ir, Henry.
E: Regina eu…
R: Aparentemente nós teremos tempo para conversar, senhorita Swan, mas não hoje.
E: Olha eu sinto muito pelas coisas que eu falei ok? Eu não estava pensando.
R: Não hoje [repetiu dando as costas para Emma e indo embora] De tchau para senhorita Swan, Heny.
H: Tchau Emma.
E: Até mais garoto, até mais.
Ao longe, Alex observava a cena com uma tristeza diferente em seus olhos.
A: Acho que Regina não sabe o quanto Emma gosta dela [comentou baixinho para si mesma enquanto observava Regina ir embora e Emma acender um cigarro]
B: Ela sabe [respondeu assustando Alex] Ela simplesmente não sabe o que fazer com isso. Belle, aproposito [sorriu estendendo a mão para Alex] Nos conhecemos na casa dos seus pais, não sei se você lembra…
A: Claro, você é assessora da Regina, não é?
B: Isso mesmo [sorriu]
A: Você acha que isso vai dar certo, Emma e Regina no mesmo local por tanto tempo?
B: Eu não sei [suspirou] Mas eu espero que o que quer que elas tenham, que isso se resolva aqui.
A: Sem sangue de preferência.
B: Sem sangue...
…
R: Mãe, você me ligou doze vezes enquanto eu estava em reunião e depois eu tentei ligar para você, mas você não atendeu [disse enquanto entrava na casa de sua mãe] Mãe? Eu trouxe Henry um pouco aqui, mamãe? [chamou no andar de baixo quando não teve nenhum tipo de sinal de que Cora estivesse em casa]
H: Mamãe? Onde está a vovó?
R: Não sei, ela deve estar lá em cima fazendo….
C: Eu estou aqui [disse séria enquanto descia as escadas]
R: Você está bem?
C: Henry meu amor, você não quer ir no quarto da vovó terminar de montar sua floresta? Eu já vou ajudar você.
H: Quero sim, vovó [respondeu sorrindo sem perceber o clima estranho em que sua vó se encontrava. Emoções eram complicadas, Henry nunca as entendia]
R: Mãe, o que aconteceu? [perguntou quando Henry tinha ido para o quarto]
C: Seu pai…
R: Eu não tenho pai [interrompeu grosseiramente]
C: Ele morreu [continuou como se Regina não a tivesse interrompido] Ele morreu esta tarde.
…
[...] E suas flores. Suas plantas — Carol perguntou — O que aconteceu com as flores que eu te dei?
— As flores que você me deu... morreram. Therese respondeu[...] (Carol — Patricia Highsmith)
A vida não permite ensaios, nem regravação de cenas. A vida não permite a você ter um roteiro, nem decorar suas falas. A vida não te conta o que vai acontecer daqui há dois anos ou dois minutos. A vida acontece agora e ela não espera por você ou por sua vontade de viver. A vida é o circo iluminado, a risada do palhaço, as palmas da plateia. A morte, bom, a morte é quando as palmas acalmam, o riso para e as luzes apagam. Você comprou seus presentes de Natal, mas não vai poder entregá-los, você marcou de cortar finalmente seu cabelo, mas não vai aparecer no salão. A vida pode ser um clichê, mas a morte, mesmo quando esperada, é sempre surpresa. Vão ter que mexer nas suas coisas, dobrar as suas roupas, por em dia suas contas. Vão guardar as suas lembranças e passar seus pertences para frente. Aquele dinheiro que você guardou todos esses anos, para aquela sua viagem inesquecível, nunca vai ser usado, pelo menos não por você. Você não teve a chance de esperar se formar para ser feliz, para ter dinheiro, para comprar aquela coisa que sempre quis. Você não teve tempo nem se despedir, nem para se desculpar. Um acidente bobo em um transito no feriado e pronto, acabou. A vida não espera por ninguém para acontecer e a morte também não. A morte é aquele tio chato que ri de uma piada que não teve graça nenhuma. A vida dos outros irá continuar, mesmo que aos poucos, sem você. Apenas aqueles que eram extremamente próximos serão realmente afetados. Suas lembranças serão guardadas naquelas fotos e naqueles momentos em que você foi realmente feliz, ninguém vai lembrar de você pelo dez que tirou naquela prova que que passou três noites inteiras estudando e sim, por aquele sete verdadeiramente comemorado. Sua turma da faculdade vai entrar na sala e sentir a sua ausência, mas logo algum aluno esquecido sentará no seu lugar e os outros estarão ocupados demais estudando para próxima prova para notar. A morte é aquele livro que você não conseguiu terminar e vida, bom, a vida é como o vento que continua a soprar, mesmo que o moinho não exista mais. (Minha autoria)
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