Wrestling & Romance

9 Capítulo 9: O Sonho de Nicole


A sensação do corpo da Nicole, colado ao meu, os lábios dela junto aos meus e sentir o cabelo dela nos meus dedos. Eu nunca fui o cara mais romântico do mundo, mas aquelas coisas, todas juntas, fizeram com que eu me sentisse a pessoa mais feliz do mundo. Tanto é que quando nos separamos, não posso deixar de sorrir. E o mesmo sorriso é estampado no rosto dela.

—Diego... — Ela diz, com um tom doce – Sei que não é o melhor momento pra trazer isso à tona, mas...

—Mas? — Ergo a sobrancelha, será que ela vai me dar alguma notícia ruim?

—Deixa pra lá... Eu sei que o vento aqui está bom, e definitivamente estar do seu lado faz com que eu me sinta bem... Mas acho que devemos voltar pra casa.

Olho pro relógio, são quase dez da noite. Nicole tinha razão naquilo. Nós dois descemos do farol e voltamos caminhando para casa. Era uma boa meia hora, mas bem, estávamos abraçados então o tempo passou voando, e nem precisávamos conversar, apenas a presença dela me confortava, e o jeito que ela apoiava a cabeça no meu ombro, dizia que ela sentia o mesmo.

Quando chegamos em casa, os nossos amigos estão assistindo Deadpool na TV, com algumas pizzas ao lado deles. Eu particularmente já tinha visto o filme na estréia e mijado de rir, pois mesmo eu não sendo lá muito fã do mercenário tagarela (eu não fazia muito o nerd de quadrinhos), mas bem, adoro rir e a paixão e esforço que o Ryan Reynolds colocou no projeto, desde a concepção até a estreia, sem contar os trailers, me fizeram assisti-lo.

—Pessoal, desculpe interromper o filme... — Falo, assim que entro na sala – Aliás, o Francis morre no final!

—A vá, é memo? — Erick zomba, bem humorado

—Enfim... Tem uma coisa que eu gostaria de contar pra vocês... — Ignoro Erick, porque o momento permitia isso – Caramba... Como eu vou contar isso enrolando? Então...

—Sem enrolação, Diego! — Nicole me interrompe – Bem, resumindo tudo, eu e o Diego estamos oficialmente namorando!

Nossos amigos ficam em silêncio, durante alguns segundos, absorvendo a informação.

—Finalmente, hein! — Brenda vem até nós dois e nos abraça – Depois de quase dois anos nesse chove não molha, com o Diego se controlando pra não parecer um pateta perto da Nicole e a Nicole inconscientemente ficando dependente do Diego, vocês chegaram a um consenso!

—Mas eu não sou dependente dele! — Nicole protesta, vermelha.

—Não nesse sentido de dependente... — Brenda começa seu argumento – Mas, sempre ficou aparente que o apoio do Diego era BEM importante para você.

—Quando foi que... — Beatriz tenta perguntar.

—Hoje cedo. — Respondo, rapidamente. — A Nicole acabou se confessando pra mim, o que pra mim foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Então tudo o que me restava fazer era confessar meus sentimentos. Que foi o que eu fiz, antes que ela fosse embora e eu perdesse a coragem.

—Parabéns, velho! — Erick me parabeniza, com um High Five.

—Agora falta você encontrar alguém que te freie... — Sorrio pro meu amigo.

—Shh... — Erick fica encabulado.

A noite prossegue, com nós seis assistindo ao filme, porque diabos, sim. E por volta de onze e meia, decidimos ir dormir. Se eu acordaria novamente às seis e vinte? Só o meu sono diria.

E meu sono é uma puta paga do caralho porque por alguma razão, eu me levantei no meio da noite. Olhei pro meu celular... Três e quinze da manhã. Bem, fazer o quê, me levanto para ir lavar o rosto e quando desço do beliche, não vejo Nicole na cama.

Um pouco preocupado, vou até a sala e a encontro olhando para o nada. Isso era intrigante, pra não dizer esquisito.

—Ni... Nicole? — Pergunto, meio receoso e ela salta, assustada.

—Diego! — Ela exclama, tentando manter a voz baixa por causa da hora

—Foi mal...

—Sem sono?

—Sei lá, acho que sim... O mesmo pra você?

—Mais ou menos – Nicole torce as mãos, um pouco nervosa – A verdade é que quando fui dormir, eu já estava meio sem sono, então botei o celular pra despertar as 3...

—E eu achando que havia conhecido todos os seus lados...

—Enfim, eu precisava falar uma coisa contigo, mas como nós acabamos por assistir o filme assim que voltamos do farol, não deu pra conversar.

—Oh shit... — Solto sem pensar, porque a pergunta que me vem a cabeça é: "Será que ela mudou de ideia em relação a nossa relação?"

—Podemos ir à praia? — Ela pergunta, sem sequer ficar alterada com minha deslizada.

—Beleza... Se você não me afogar, tá valendo.

—Essa piada não fez o menor sentido, Sr. Alves – Ela ri, enquanto deixa um bilhete na mesa da sala avisando que estaríamos na praia.

—Eu percebi, assim que ela saiu da minha boca, Srta. Almeida – Confesso, no mesmo tom pseudo profissional que ela usara.

—Meu Deus, porque eu fui me apaixonar por um idiota – Nicole ri, enquanto saímos de casa.

Nós dois caminhamos até a praia, sem pressa alguma. Pode parecer loucura, considerando o perigo de sair DE DIA em determinados locais da capital, mas mais uma vez provado, que quando administrada por gente competente, uma cidade se torna um lugar seguro para se passear de madrugada. Claro, nenhuma pessoa sã faria isso porque horas de sono, trabalho e etc, mas nós não éramos necessariamente normais.

Nicole tira uma toalha da bolsa e estende na areia, onde nós nos sentamos. O vento era quase inexistente e as ondas eram mínimas. Ficamos sentados ali, ombro a ombro, sem dizer nenhuma palavra por pelo menos dois minutos. Não sei o que se passava na cabeça da Nicole naquele momento, e nem queria saber, mas aquele momento de alguma maneira era mágico.

Porém, se quisesse saber a razão pela qual eu fui levado a praia às três da manhã, eu precisaria quebrar aquele momento.

—Nicole... — Chamo, em voz baixa, esquecendo que meus amigos não estão dormindo na cama ao lado PORQUE NÃO TEM CAMA!

—Ah, você quer saber por quê eu disse que queria falar contigo, não é? — Ela se vira pra mim, com um tom tranquilo. E pelo que parece, não é pra dizer que tinha se arrependido de aceitar namorar comigo. Eu confirmo a pergunta dela, com a cabeça. — Então, tudo meio que começa comigo acordando hoje de manhã... Antes de caminhar, eu estava na praia, pensando na noite anterior, quando fomos no shopping... E uma outra coisa que me ajudou muito.

—O quê?

—Você sabe qual era a minha maior preocupação, não sabe?

—Claro... — Respondo, sem pensar até que percebo que ela usou o verbo no passado. "Era..." — Quer dizer que...

—Sim. Eu finalmente encontrei algo que eu realmente quero fazer. — Ela dá um sorriso, realmente animada com o que dissera.

—E o que isso seria?

—Você acreditaria se eu dissesse que já te contei ontem de manhã?

Eu posso não ser a fatia de bacon mais suculenta da frigideira, mas certamente lembro do que aconteceu durante o dia de ontem e nada do que a Nicole tenha me falado, tem relação com isso.

—A não ser que eu tenha esquecido de algo e... — Quando eu penso em um momento em específico – Foi... Foi naquele momento que você tropeçou?

—Sim... — Ela responde, tranquilamente – Tecnicamente eu quase te contei, mas eu queria contar. Só que depois, eu acabei perdendo a coragem.

—Entendi... — Ufa, eu não era um completo idiota como pensei. — E afinal de contas, o que você quer fazer?

—Bem... — Nicole respira fundo e fecha os olhos – Eu quero ser uma wrestler profissional, como você e a Lara! Pronto, falei!

Não sei dizer se essa é uma revelação boa ou ruim. De fato, eu estava feliz por a Nicole ter de fato escolhido algo, por outro, preocupado com o bem estar dela.

—Nicole... Antes de dar a minha opinião, quero dar alguns conselhos sobre a vida como lutador profissional. Em primeiro lugar, você precisa estar preparada pra lidar com a dor dia após dia, segundo, a carreira nunca é sobre o quanto se ganha, mas sim sobre o quanto você consegue poupar e em terceiro, sempre tenha um plano B caso dê errado – Eu soei um tanto severo até, mas eu precisava alertá-la. E claro que eu nunca diria que tirei esses conselhos de um dos livros do Chris Jericho, o "A Lion's Tale: Around the World in Spandex".

—Acha que eu não li os livros do Jericho? — O tom de Nicole é brincalhão.

—Droga! E eu aqui, querendo soar como um cara bacana...

—Foi uma boa tentativa, ao menos. E sim, eu sei que provavelmente estou longe de estar no seu nível ou no da Lara, porque vocês lutam, treinam e eu só corro e caminho pra manter a forma. Mas depois de ver na terça-feira de manhã, a maneira apaixonada que você e a Lara treinavam, eu senti algo dentro de mim... — Nicole levanta, repentinamente e coloca a mão no peito – Tipo, eu queria estar lá, trocando aqueles golpes com a Lara, ou com você.

—Quanto a nível, é só questão de treino e prática... — Digo, já sorrindo por dentro – Eu ainda sou um amador, erro, como todo mundo que é iniciante, mas tenho a sorte de ter gente que me ajuda imensamente a melhorar.

Vou admitir aqui: Era muito, muito bom ver a Nicole querer perseguir o mesmo sonho que eu. Isso significa que ela entenderia a necessidade de mudança, adaptação e as dores e sacrifícios que uma jornada rumo ao que quer que seja no mundo do wrestling profissional exige.

—E isso implica uma coisa... — Nicole me abraça. A verdade é que eu nem percebi que tinha levantado – Caso você seja aceito na SWA, eu vou pro Canadá com você... Sem discussão.

Ok, Ok, para, para tudo... As coisas estão indo convenientemente muito bem para mim. Provavelmente algo merda vai acontecer e eu vou virar um alcoólatra que morrerá por complicações causadas por uma cirrose antes de eu completar vinte e três anos. Mas, fazer o quê... Eu vou com a maré, sempre fui assim!

—Você... Você faria isso por mim? — Pergunto, tentando controlar minha paranoia

—Não é meramente por você, Diego... — Ela me dá um selinho – Indo pro Canadá, eu posso fugir desse país que tem um calor desgraçado e de quebra, talvez, acabar entrando para a Storm Wrestling Academy também... Quanto a emprego pra residir lá, ao menos uma vez os contatos do meu pai serão de bom uso pra mim.

—Mas não vamos colocar o carro na frente dos Bois, Nic... — Eu tento evitar sorrir feito um palerma – Um passo de cada vez, e eu sei que não estou qualificado pra ser um professor, mas eu posso te ensinar o básico do básico.

—Certo.

—Uma das primeiras coisas que se aprende no wrestling, é como se cair. Porque você vai ter que se acostumar MUITO a cair, é essencial pra venda dos golpes e fazer o seu oponente parecer melhor – Tiro minha camisa, ficando apenas de bermuda. — Eu recomendo que fique com a menor quantidade de roupa possível porque a gente vai praticar aqui na areia e você pode acabar sujando as roupas de maneira desnecessária.

—Tudo bem... — Nicole tira a blusa, ficando apenas de biquíni. Por sorte, era o biquíni de praia. Tem gente que julgaria se fosse um sutiã.

—Em primeiro lugar, deite na areia – Peço educadamente, ali meu tom já não era mais o de namorado falando com namorada, mas professor falando com aluna. Nicole deita sem questionar – Flexione os joelhos e cruze os braços na altura do peitoral – A ordem é seguida – Nicole, eu quero que você bata no chão com as palmas das mãos e o peito dos pés ao mesmo tempo.

Nicole tenta fazer isso, mas não é nada fácil e sai desconjuntado a beça. Esperado de alguém com zero experiência. Eu mesmo precisei repetir por pelo menos cento e cinquenta vezes antes de conseguir fazer pelo menos trinta consecutivas.

—Isso é difícil, eu sei... — Explico pra Nicole, me deitando no chão em seguida. — É necessária muita prática. — Eu flexiono os joelhos e cruzo os braços, contando mentalmente até três e batendo no chão com as mãos e pés, ao mesmo tempo. — Nós temos bastante tempo, então pratique até conseguir fazer dez vezes consecutivas.

—Tudo bem... — Nicole volta ao ponto de flexionar os joelhos e cruzar os dedos e começa a repetir o exercício.

Eu observo Nicole se esforçar, e ainda que errando, ela vai melhorando e a coordenação entre cada mão e pé vai aumentando. Não é uma tarefa fácil, mas quando dá por volta de quatro e meia da manhã, ela consegue fazer dez vezes seguidas.

—Impressionante... — Bato palmas, porque para quem nunca havia treinado, ela conseguiu um bom progresso.

—Você não está elogiando só pra ganhar pontos comigo, não é? — Nicole pergunta, receosa

—Nicole, você me conhece... E sabe que eu tenho meios melhores de ganhar pontos do que meramente elogiar o trabalho de um aluno... Ainda que eu nem seja qualificado pra lhe ensinar nada.

—Só pra saber mesmo... — Ela volta a se sentar.

—Olha, na próxima vez que formos treinar, o exercício será mais puxado, entendeu? Assim podemos passar pra uma das outras coisas que eu, com meu conhecimento limitado de treinos, posso lhe ensinar.

—Entendi, agora sente aqui comigo... — Nicole chama, e eu me sento ao lado dela na toalha que ela havia posto.

—É estranho estarmos aqui, às quatro da manhã numa praia. Se pararmos pra pensar, nós acordamos cedo ontem e tivemos mais ou menos quatro horas de sono...

—Bem, se não dormirmos um pouco, passaremos o dia feito zumbis...

—Acredite, eu já fiz o erro de ter duas horas de sono, uma vez... — Comento, lembrando de um dos poucos dias de folga da turnê da BWF no ano passado – A sorte é que eu tive algumas horas de sono mais tarde.

—Acha que devemos voltar pra casa?

—Não é uma má ideia... Ou podemos bancar os hippies e dormirmos aqui mesmo.

—Se estivéssemos na capital, esse seria um risco grande... — Nicole boceja, e numa reação involuntária, acabo bocejando depois.

—Só acho que devemos ir para aquela outra parte, com as palmeiras, já que tem alguma grama lá... — Dou a sugestão – Só corremos o risco de acordarmos com coceira, mas é melhor que ficar com o rabo cheio de areia.

—Vou aceitar sua sugestão... — Nicole se levanta, e eu a acompanho.

Eu levo a toalha e a forro próximo de duas palmeiras, na grama mesmo. Ainda faltava algum tempo pro sol nascer, principalmente por conta do horário de verão, que não serve pra nada, a não ser foder com o nosso relógio biológico.

—Boa Noite, Nicole... — Dou um beijo de boa noite nela, e me ajeito. A grama, ao menos naquele momento não era de todo ruim.

—Durma bem, Diego... — Nicole se ajeita e abraçados, nós dormimos.

Não sei quantas horas se passaram, mas em determinado momento, eu sinto meu rosto quente e escuto vozes falando algo que não consigo compreender.

—Ei, vocês dois! — A voz me é familiar, mas meus sentidos estão embaralhados pra reconhecer. — Acordem!

—Erick, você ao menos consegue separá-los? — Escuto uma segunda voz, igualmente familiar.

—Eu posso jogar um balde de água neles, se necessário... — A primeira voz, agora reconhecendo como a de Erick, lança a possibilidade.

Eu acordo de vez, e por conta do meu movimento súbito, Nicole acaba acordando também. Ela ainda parece um pouco sonolenta, já eu estou desperto. E rindo para nós dois, estão Erick e Brenda, sendo que a mesma está digitando algo no celular, provavelmente uma mensagem do tipo: "Achamos os Palermas, não acionem a polícia."

—O que os pombinhos faziam aqui? — Erick pergunta, com malícia na voz

—N-n-nada... — A voz arrastada de Nicole responde, enquanto a mesma boceja

—Explique melhor porque saíram de casa na hora em que saíram! — Brenda pede, ou pelo tom, ordena – A Lara tá possessa, que como a dorminhoca aí não preparou nada, ela teve que começar a preparar o almoço do zero enquanto nós procurávamos por vocês!

—Resumindo em menos de cento e quarenta caracteres pra você responder a Lara pelo twitter – Me levanto – Sem sono, vim pra praia treinar, Nicole me ajudou. Satisfeita?

—Eu sim... — Erick responde por Brenda – A Brenda só tá nervosa porque vai ficar sem a comida da Nicole.

—Erick! — Brenda exclama, levemente ruborizada

—Sem exaltações, vamos todos pra casa. — Nicole corta qualquer discussão, com a voz ainda meio sonolenta.

Concordamos e fazemos o caminho de volta pra nossa casa, sendo que em casa, eu e Nicole nos revezamos para tomar banho.

Nicole:

Ah, nada como um banho morno para aliviar um pouco da dor muscular (eu devia ter me aquecido antes de fazer aquele exercício louco) e pensar na noite mais esquisita que tive em anos. Primeiro, Diego compra algo desconhecido (que depois descobri que era um par de anéis com Dragon Balls), depois, um show de heavy metal com uma banda que por causa de uma música, acabamos virando amigos dos membros dela.

Seguindo, um momento romântico no farol, no qual Diego me pediu em namoro. E na madrugada, confesso a ele sobre o meu sonho de me tornar wrestler, como ele e na possibilidade dele ir para o Canadá, eu quero ir junto. Eu só não contei uma coisa, algo que tem sido motivo de conversas na família nas últimas semanas.

Meu pai recebeu uma oportunidade de se mudar para Orlando, na Flórida, mudando a sede da empresa daqui do Rio, para os EUA. Financeiramente seria benéfico, por algumas razões que ele nos explicou, mas que eu e Karen não entendemos nada, mas Alice assentiu.

E na possibilidade da vaga na SWA melar, eu iria oferecer ao Diego a possibilidade de vir conosco para Orlando, sei que há academias de Wrestling pelos EUA, sei de algumas, gerenciadas por nomes como Bully Ray e D-Von Dudley, Booker T e Karl Anderson, além de diversas outras.

Porém nisso, eu estou com uma sensação de que algo ruim vai acontecer em breve. Rezo a Deus para que seja apenas uma sensação.

Diego

—VOCÊ É IDIOTA, OU O QUÊ? — Acho que o grito que Lara me deu foi ouvido na Rodoviária da cidade – SAINDO ASSIM NO MEIO DA NOITE COM A NICOLE!

—Primeiro... — Eu tento não rir com a histeria da Lara – Nós deixamos um bilhete. E segundo, provavelmente o fato de termos dormido na praia, foi mais seguro do que dormirmos nas nossas casas na capital. A cidade é bem tranquila.

—E não precisava gritar, Lara... — Beatriz também está se segurando pra não rir – No fim das contas, não aconteceu nada demais.

—E a gente pretendia voltar pra casa, mas pra evitar a fadiga, achamos mais apropriado dormir lá na praia mesmo... — Digo, aguardando que Nicole saísse do banho.

—Sem cobertores, sem travesseiros,, Brilhante! — A voz de Lara gotejava sarcasmo.

—Confesse que você queria que a Nicole cozinhasse algo, ao invés de você ter que fazer a comida. — Disparo, rindo de Lara.

—Foi tão previsível assim? — O tom de Lara voltava ao normal.

—A Brenda também estava assim... — Aponto pra Brenda, ainda rindo. — Só que ela não gritou pra cidade inteira ouvir. E pelo que sei, você não cozinha mal.

—Que seja... Olha, a Nicole saiu do banho, agora vá se limpar! — Lara ordena, já pronta pra começar o dia.

—O que foi? — Nicole se dirige a nós, antes de ir até o quarto com a toalha enrolada nos cabelos, e um biquíni vermelho.

—Nada em específico, apesar de que você deve ter escutado o grito da Lara... — Eu a acompanho ao quarto, já que vou pegar uma bermuda diferente e uma camisa.

—Ah, sim... — Ela dá uma risada de leve, totalmente a vontade do meu lado no quarto, enquanto procura uma roupa pro resto do dia.

Após escolher minha roupa, vou ao banheiro tomar banho e refletir um pouco sobre o que havia acontecido. Tem algo de muito estranho, nas ultimas vinte e quatro horas, porque tem tudo dado certo. Do jeito que as coisas vão, sinto que em breve começarei a entrar em um looping temporal e os dias começarão a se repetir.

Eu sei que o carma é uma constante na minha vida, então é melhor eu me preparar pra caso um burro voador em chamas me atinja, ou ninjas siberianos tentem sequestrar a Nicole. Eu sei, são analogias sem sentido, mas acredite, é melhor eu fazê-las pra evitar esse pressentimento de que algo ruim está prestes a acontecer.

Quando saio do banheiro, sinto o celular no bolso do meu short vibrar. Vejo uma notificação de uma Mensagem direta do Nicholas, com uma mensagem:

"E aí cara, então, a banda vai ensaiar hoje lá pras três da tarde. O que acha de você e a Nicole encontrarem a mim e a Sam no Bar Petisqueira, que fica próximo da Rodoviária, lá pelas cinco, que é pouco depois de terminarmos o ensaio?"

Bem, eu não tenho nada pra fazer mesmo porque estou de férias, então é uma boa ir trocar ideia com o Nicholas e a Samantha, logo, respondo ele com um "Beleza.". O que poderia dar errado, são só quatro jovens num bar, papeando sobre qualquer coisa.

Mal sabia eu que o meu dia seria longo...