Wrestling & Romance

10 Capítulo 10: Uma corda quebrada


O almoço correu com tranquilidade, e francamente, não entendi o porque da exaltação da Brenda e da Lara por causa da minha saída... A comida da Lara não era ruim, e tenho certeza de que elas só reclamaram porque gostam da comida da Nicole.

—Diego! — Lara chama, após almoçarmos.

—Sim, professora! — Levanto a mão, como se tivesse numa sala de aula na quinta série

—Como não pudemos treinar hoje, que tal praticarmos alguns golpes na praia?

—Acho uma boa ideia... E vocês, pessoal, vem com a gente?

—Bem...- Beatriz esfrega as mãos – Claro que não vamos nos meter a fazer as coisas de vocês, mas podemos ir a praia sim.

—Então tá decidido! — Erick vai até o quarto e pega uma bola de vôlei – Podemos jogar alguma coisa enquanto vocês treinam.

—Se me acertar alguma bolada, você me paga! — Lara vai deixando bem claro.

—Então vamos logo trocar de roupa, gente... — Nicole dá o ponto de partida e nós seis vamos nos trocar.

Minutos depois, já estamos a caminho da praia. O vento está bom e o sol não está muito forte, o que pode propiciar um bom banho de praia, ou qualquer outra coisa. Mesmo uma longa caminhada seria proveitosa com esse tempo.

Chegamos na praia e, olha, a sorte é que não é fim de semana, pois já tem uma quantidade considerável de gente. Nicole, Erick, Brenda e Beatriz resolvem jogar "Cinco Cortes", uma clássica brincadeira, onde com uma bola (preferencialmente de vôlei), as pessoas passam uma para a outra com toques, e no quinto toque, a pessoa deve cortar na direção de um dos outros participantes. Se a bola a atingir, a pessoa atingida é eliminada, porém se a pessoa pegar a bola com as duas mãos, quem cortou é eliminada e se a bola não atingir ninguém, o processo se reinicia.

—Então, Lara... — Me dirijo a ela, já que nós dois faremos a prática. — O que você quer praticar?

—Bem... Nada muito extensivo, apenas algumas Hurricanranas e alguns Shiranuis. — Ela me responde, como se estivesse jogando os nomes dos golpes aleatoriamente – Preciso de prática pra luta da semana que vem, alguns dos spots que combinei com as meninas pelo Whatsapp usam esses movimentos.

—Entendi...

Lara toma uma certa distância de mim, enquanto faço um alongamento básico, coisa que depois de perceber que eu fizera, ela repete. O alongamento pode evitar dores desnecessárias durante e após exercícios.

Ela vem até perto de mim, pega impulso e pula, abrindo as pernas pra mim, eu as seguro e ela envolve a minha cabeça com elas. Nisso, ela joga peso do corpo para trás, e eu ajudo na execução do movimento, caindo para frente quando ela atinge o chão com as costas, e como resultado, paro um metro depois dela.

Uma execução lenta de uma Hurricanrana, para pegar o ritmo, óbvio, mas conforme repetimos o movimento, a execução e a velocidade são melhoradas. E cerca de quinze minutos depois, quando já estou vendo tudo girando de tanto levar Hurricanrana, damos o exercício como concluído.

—Lara, deixa só eu passa a ver o mundo normalmente que a gente parte pro Shiranui... — Peço, erguendo uma mão.

—Tudo bem... Vou ali no quiosque comprar água pra gente. — Ela pega a carteira em sua bolsa e corre até um dos quiosques.

E a roda de nossos amigos jogando cinco cortes aumentara, com algumas das pessoas que estavam na praia se juntando, formando um jogo animado até. Já eram nove jogando.

Lara retorna um minuto depois, com duas garrafas de água mineral, e ela entrega uma pra mim, abrindo a outra e tomando um gole. Já eu sou um pouco mais radical (uhu!) e jogo pelo menos um terço da água gelada em minha própria cabeça, antes de beber o resto.

—Se eu soubesse que a madame ia lavar os cabelos, eu teria pegado água da praia – Lara zomba de mim, rindo.

—Aguarde que eu vou pensar em um insulto pra devolver, hein! — Respondo, sem nenhuma gracinha disponível pra rebater. — Agora... De volta aos negócios?

—De volta aos negócios! — Lara assente com a cabeça.

Lara se posiciona de costas pra mim, segurando minha cabeça com as duas mãos e dá um salto, enquanto eu, pegando no tronco dela, a levanto, dando impulso em seu salto mortal para trás. Enquanto eu caio de costas, ela cai de joelhos, completando o mortal iniciado no início de seu movimento.

A princípio o Shiranui sai um tanto rígido, mas é o que dizem, a prática leva a perfeição e com a repetição do movimento, ele se torna mais fluído. A partir daí, repetimos por pelo menos outros quinze minutos.

—Tem mais alguma coisa que você queira praticar? — Pergunto, me levantando – Porque caso contrário, eu preciso ali na água pra tirar a areia do meu rabo.

—Acho que não, podemos nos divertir com os outros... — Lara me dispensa com um aceno.

—Beleza!

Vou até a água, de bermuda mesmo e dou um mergulho. Claro, eu deixei minhas coisas na bolsa da Nicole, porque não é uma boa hora pra se molhar documentos. Depois do mergulho, me junto aos meus amigos na partida de cinco cortes, que agora tem, contando comigo e Lara, pelo menos doze pessoas.

O tempo passa, até mais ou menos três e meia da tarde, quando após uma eliminação, Nicole vem até mim.

—Diego, vou até o quiosque ali comprar um milkshake e volto logo – Ela me dá um selinho, antes de pegar a carteira e o telefone e ir em direção ao quiosque.

—Tudo bem... — Sorrio, apesar de uma sensação esquisita no peito.

Por algum motivo, eu quero impedir Nicole de ir no quiosque, mas isso pareceria esquisito e até mesmo possessivo da minha parte. Eu sei que a relação entre mim e Nicole, como namorados, tinha menos de vinte e quatro horas, mas eu a conhecia há quase três anos, então eu sei que ela não faria nenhuma besteira... Mas por quê? Por quê diabos eu tinha a sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer?

O movimento na orla está bem grande pro horário, carros, ônibus e pessoas transitam sem parar. Muita gente estava entrando de férias, e a cidade é popular na região dos lagos, então temos visitantes de Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Búzios vindo para cá.

Dez minutos se passam, e Nicole ainda não voltara... Será que a fila do quiosque estava grande? Ou ela estava indecisa a qual sabor escolher? Sinto um toque no meu ombro, e é Erick.

—Ei, Diego, vai começar uma nova rodada! — Ele me avisa, com a bola embaixo do braço

—A Nicole ainda não voltou... — Digo, com um tom distraído. Será que eu estava sendo paranóico e ela estava só tomando o milk shake?

—Onde ela foi?

—No quiosque dos milk shakes... Mas já em dez minutos.

—Cara, ninguém toma um milk shake em dois minutos... Principalmente a Nicole que gosta de tomar milk shakes de tamanho grande.

—Tem razão... — Dou um sorriso amarelo, tentando esconder minha preocupação. — Vamos jogar!

Retorno ao jogo, mas minha preocupação não vai embora, tanto que sou eliminado rapidamente e mal registro o fato, enquanto olho na direção do quiosque. E mais quinze minutos se passam, e nada de Nicole. São quase quatro da tarde, em mais ou menos uma hora encontraríamos o Nicholas e a Samantha pra um bate-papo e provavelmente comeríamos alguma porcaria.

Preciso saber, eu tenho que saber... Então, vou correndo até o quiosque, que estava com uma fila enorme e muita gente ao redor, tomando milk shake e conversando. Por alguma razão, eu peguei a identidade da Nicole na bolsa dela, talvez a minha paranoia servisse de algo. Porque se eu perguntasse a um dos atendentes, se ele vira alguma loira... Bem, só olhar ao redor, tem UM MONTE!

Pedindo licença, com uma paciência imensa (ao menos se compararmos com meu nervosismo), me dirijo a um dos atendentes do quiosque.

—Desculpa interromper o seu trabalho, moço... — Ele ergue os olhos para mim, curioso. O rapaz contava o dinheiro do fundo do caixa.

—Pois não? — Ele pergunta, de maneira neutra.

—Você por acaso viu essa garota aqui? — Mostro a foto do RG de Nicole, sei que não era a melhor escolha, mas meu telefone ficara em casa e eu precisava ser rápido.

—Desculpe, mas eu cheguei agora pouco pro meu turno... — Ele diz, claramente chateado de não poder ajudar – Mas o Alberto talvez possa ajudar... Beto!

—Que foi, Rique? — Um outro funcionário, aparentemente o Alberto, se aproxima de Rique.

—Eu sei que é meio esquisito, mas você viu a garota da foto que o rapaz aqui tá segurando? — Rique aponta para o RG que ainda seguro.

Alberto olha pra foto por alguns segundos, a analisando e arregala os olhos.

—Sim! — Ele exclama, e fico aliviado... Ao menos um pouco. — Ela veio aqui há mais ou menos meia hora e pediu um milk shake grande de Kiwi, como aqui na área do quiosque estava cheio, ela decidiu tomar o shake no calçadão... Por quê? Aconteceu alguma coisa?

—Espero que não... — Digo, preocupado. — Obrigado pela ajuda!

Vou até o calçadão, que obviamente estava cheio. Pessoas andavam pra lá e pra cá, mas eu conseguiria reconhecer a Nicole com facilidade... Após alguns minutos olhando, meu coração acelera... Ela não estava lá.

Corro até a roda onde meus amigos estão, chamo a atenção de Lara e Erick, que já haviam sido eliminados. Os dois andam comigo até um ponto afastado do grupo.

—O que foi, Diego? Você está pálido... — Erick pergunta, preocupado.

—Preciso falar... Com vocês todos. É MUITO sério. — Digo, pretendendo revelar a todos somente quando nós cinco estivermos juntos.

—E a Nicole? — Lara pergunta, não notando ela próxima de mim.

—Chamem os outros, preciso de todos aqui! — Meu tom é mais sério do que eu usualmente sou.

Provavelmente pela rispidez da minha voz, Erick vai até a roda para chamar Brenda e Beatriz, enquanto Lara fica comigo.

—Diego... É grave? — Ela pergunta, timidamente.

—Temo que sim... — Suspiro profundamente, enquanto Erick retorna com as meninas.

—Diego... — Beatriz diz, recuperando o fôlego. — O Erick disse que você tinha algo importante pra nos falar e... Cadê a Nicole?

Eu respiro fundo. Essa era uma resposta que eu queria ter, Beatriz. Sério, ninguém mais do que eu.

—A verdade... É que a Nicole desapareceu. — Conto enfim e a reação dos meus amigos é até mais chocada do que a minha própria, porque eu precisava manter a calma e não rodar a baiana, porque a minha vontade era de gritar e socar os responsáveis por isso.

—Como assim, desapareceu? — Erick pergunta, depois de um longo minuto de silêncio

—Ela havia ido até o quiosque de milk shakes, há meia hora atrás. — Começo a explicar – Ela esteve lá, um dos atendentes e provavelmente mais de um, viu ela ir lá e comprar um milk shake e caminhar até a direção do calçadão por conta do movimento na loja. Aí ela não voltou mais.

—O... O que vamos fazer? — A voz de Lara era contida e aterrorizada.

—Eu não sei, mas primeiro temos que retornar pra casa... — Eu não consigo pensar em nada melhor que isso. Vejo que Brenda trouxera a bolsa de Nicole. Isso nos poupa tempo. Segundos, verdade, mas qualquer tempo poupado é mais tempo para agir. — A Nicole estava com o telefone, se alguém tentar algum contato, será por ele.

—Ou a gente podia telefonar pra ela... — Brenda sugere, enquanto voltamos para casa. Infelizmente, de nós, apenas a Nicole havia levado o telefone... Porque o dela tinha a melhor câmera.

Quando chegamos em casa, eu vou logo para o telefone e tem justamente uma notificação de DM no twitter, vinda da Nicole.

—Pessoal... Acho que temos algo aqui. — Chamo meus amigos, e juntos, damos uma olhada na DM.

"Olá, otário... Creio que você deveria ver esse vídeo." e um link para um vídeo do Youtube.

O vídeo é privado de uma conta recém-criada, e após carregar, vemos algo parecido com um terreno abandonado, e numa cadeira, amarrada, com os olhos vendados e a boca coberta por panos... Nicole.

—Olá... Diego! — Uma voz rouca e nervosa de excitação chama de fora do enquadramento da câmera – Vejo que finalmente recebeu a DM de sua namorada. Enfim, nós estamos com ela e... E sabemos quem ela é, veja, não somos burros... Sabemos que ela é filha de um empresário que nada em dinheiro, um porco capitalista que suga a grana das pessoas com péssimos serviços, e somente a existência dele já ajuda a aumentar a diferença entre as classes sociais! O fato é que... Bem, ele é rico e eu estou com a filha dele. — Ouvem-se passos, uma pessoa passa por trás da cadeira de Nicole – E a não ser que em quatro horas, você não me entregue uma mala com duzentos mil reais em notas de cem, bem, eu e meus homens teremos um brinquedinho para liberar as nossas frustrações, e cá entre nós... — Ele se aproxima da câmera sem mostrar o rosto, apenas vejo seu pescoço e os cabelos... Que de alguma maneira eram familiares – Eu já estou há dois meses sem trepar! Sei que você tem os contatos, vi fotos suas numa festa na casa dos Almeida! Quem sabe você não tenha se juntado a Nicolezinha aqui pra arrancar uma grana da família!

A minha raiva ali naquele ponto era tamanha que eu estava quase quebrando o celular, mas eu precisava ver o vídeo até o final. De alguma maneira, ele iria dar uma deslizada, ou ao menos algo que eu possa usar pra ajudar a reverter a situação. Uma das coisas me chama a atenção, a maneira que o dono da voz rouca falava, dizia que claramente ele não estava cem por cento limpo. O mesmo para os movimentos dos braços enquanto caminhava.

—E você, Dieguito? — Ele se afasta, mas esbarra na câmera fazendo com que a lente dela aponte pra cima e eu vejo algo que me chocou. — Já fodeu com a Nicole? Ou será que eu terei a honra de ser o primeiro, terceiro, quinto e sétimo homem a enfiar nela? — Ele funga e aproxima o rosto do de Nicole, passando a mão no corpo dela, que emite sons abafados que denotavam desgosto. — Eu quero o dinheiro, mas sinceramente... — Ele lambe o rosto dela, da bochecha até o ouvido – Não teria problemas, caso você não conseguisse a grana. Só seria uma pena que eu também teria que matar ela, porque ela sabe quem eu sou! Caso consiga a grana, entre em contato com o número que eu deixei na próxima DM. Tchauzinho.

O vídeo termina, e eu realmente estou chocado com a identidade do sequestrador. Não sei se ele deixou escapar a identidade por acidente, ou de maneira proposital, mas... O sequestrador, o homem que arrancara Nicole do grupo, era Marcos, o segundo guitarrista da Magic Fires. E eu tinha menos de três horas pra dar um jeito de conseguir duzentos mil reais... E nem que eu desse toda a minha poupança, mais o que tenho na conta, eu chegaria perto disso. Sem contar que a minha herança só será realmente passada pra mim quando eu fizer vinte e um anos... Minha avó deixou claro isso no testamento dela. Mas esse não é o problema.

—O que vamos fazer, Diego? — Lara pergunta, com a voz fina e em um tom de desespero – Contatar o pai da Nicole?

—Eu... Eu não sei, Lara... — Minha voz é furiosa e minhas mãos estão tremendo

—Quem é aquele cara? — Erick pergunta, confuso – Por quê ele deixou a identidade dele escapar?

Eu paro pra pensar... Será que o Nicholas, a Sam, o Alex e o Roberto sabem do que o Marcos fez? Parando pra pensar, ele não ficou ontem conosco após o show e parecia deslocado. Sem contar que a guitarra dele estava deslocada em relação a do Alex. Se (e a probabilidade disso era grande) Nicholas não souber disso, ele poderá ser de alguma ajuda. Indo nessa possibilidade, algo começa a aparecer na minha cabeça.

—Eu sei quem é... E dependendo de um contato – Eu abro o twitter para mandar uma DM direcionada ao Nicholas – Podemos ter a Nicole, antes mesmo da sessão das dez no cinema.

—Se você tá fazendo uma piada ruim... — Brenda dá uma risada – É sinal de que você tem um plano.

—Quase isso! — Eu vou pro meu quarto, pegar roupas, inclusive uma pra Nicole, depois que a resgatarmos, na possibilidade do meu plano dar certo. — Preciso pensar um pouco no banho!

Depois disso, vou ao banheiro, sem esquecer de trocar mensagens com Nicholas, e ele inclusive me revela que Marcos não fora ensaiar com a banda naquele dia, e mesmo com a chance de conseguirem um contrato no festival da semana seguinte, é cotada a possibilidade deles demitirem Marcos da banda.

Por fim, antes de entrar no chuveiro, mando mais mensagens para Nicholas, resumindo o fato de que Nicole fora sequestrada a mando do Marcos, e que eu precisava conversar com ele e a Sam, de maneira urgente e ele concorda. Infelizmente a internet não dá pra mostrar reações via texto, então não sei como ele reagiu.

Enquanto me banho, tento pensar em como vou poder enganar o Marcos, para ter a Nicole de volta sem precisar gastar duzentos mil reais. Tudo vai depender das participações de Nicholas e Samantha, além de algum dinheiro para fazer parecer que eu de fato tenho essa grana. Sei que o desespero de Marcos pra ter o dinheiro é grande pela pequena janela de tempo e a quantia irrisória para o tempo requerido.

Adicionamos a essa equação o fato dele parecer alterado, o que pode ser um sinal de consumo de drogas, provavelmente. Sendo assim, a necessidade de recorrer a isso podem ser dívidas de drogas que precisam ser quitadas. Logo, as pessoas com ele podem (ou não) ter relação com a própria situação dele. Não é meu problema, meu problema é trazer Nicole e de preferência, inteira. Bem, se o Nicholas e a Samantha toparem, o plano está concluído.

Após eu sair do banho e colocar uma roupa mais social (porque diabos eu trago esse tipo de roupa pra férias na praia é um mistério) pego minha mochila no quarto e ponho uma das roupas de Nicole (a que eu havia escolhido) nela, cuidadosamente dobrada.

—Pessoal... — Me dirijo a meus amigos, toda a calma do mundo será necessária agora, então respiro fundo – Preciso que troquem de roupa, precisamos encontrar uma pessoa que vai me ajudar a encontrar a Nicole.

—Você está falando sério? — Lara pergunta, preocupada.

—Mais do que nunca, na minha vida... — Respondo, com o tom calmo.

—Vamos confiar em você, cara... Só espero que não nos meta em uma furada – Erick diz, enquanto vai ao quarto.

E após pelo menos vinte e cinco minutos, nos quais meus amigos se revezam para um banho ultra rápidos, mais para tirar a areia da praia do que propriamente pra banhar, nos dirigimos a um restaurante próximo da rodoviária. Provavelmente porque fica próximo do ponto de encontro que eu, Nicole, Nicholas e Samantha usaríamos.

Lá, encontramos Nicholas e Samantha e pelo visto, ele contou a ela sobre o que havia ocorrido, já que a expressão dela era tão chocada quanto a dele.

—Nicholas. — O cumprimento, seriamente. — Esses são Erick, Lara, Beatriz e Brenda. Estamos todos hospedados juntamente com a Nicole para essas férias.

—Muito prazer... — Nicholas cumprimenta a todos, simpaticamente, embora a sua expressão facial denote preocupação. — Consegui um canto onde não nos importunarão, aqui no restaurante. Por favor, nos acompanhem.

O restaurante era de um porte médio, mas Nicholas nos leva a um canto meio que "isolado", e de fato, havia até uma porta (ainda que de vidro, transparente) separando essa parte do resto do restaurante.

—Essa parte aqui, geralmente é reservada a famílias que querem fazer uma "festa"... — Samantha explica, enquanto nos sentamos ao redor de duas mesas.

—Sem mais delongas, vou direto ao assunto com vocês dois... — Evito enrolar, respirando fundo. — O Marcos tem problemas com drogas?

Ambos Nicholas e Samantha ficam boquiabertos de surpresa, ou eles não sabiam, ou sabiam e tinha outra coisa além disso.

—Bem... — Nicholas começa, acenando positivamente a minha pergunta. — Durante esse tempo que temos de banda, o Marcos teve problemas com cocaína e heroína muitas vezes, ele é o mais velho de nós, BEM mais velho, aliás... Mas, segundo ele, há pelo menos quatro meses ele não usava nada, estava limpo.

—Posso garantir... — Brenda diz, entrando no assunto. — A postura dele não era a de quem estava limpo há um tempão e teve uma recaída, mas a de quem consumia com frequência.

—Aquele filho da puta nos enganou... — Samantha soca a mesa, com raiva. — Então eram essas as "caminhadas intensas" que ele ia dar depois dos ensaios, caminhava intensamente pra encontrar o fornecedor.

—Mas, temos aí o sequestro e... O que ele exigiu? — Nicholas pergunta, com uma raiva contida na voz.

—Duzentos mil reais... Em... Três horas e pouco. — Respondo, ainda calmo.

—E como você parece calmo, cara? — Nicholas pergunta, impressionado. — A sua namorada foi sequestrada e você está mantendo a compostura.

—Bom... — Beatriz começa a explicar. — Muitas vezes o Diego é um cara tapado, distraído e não é incomum ver ele divagando a toa, principalmente em momentos inadequados, como no meio da praia ou durante uma partida de polo aquático no colégio... Mas, ele é bastante inteligente em alguns aspectos, seja na hora de lutar em um ringue ou planejar as coisas, e pela calma dele, Diego tem um plano.

Tento evitar corar com o elogio de Beatriz, não sabia que ela prestava atenção as minhas poucas lutas que tive, mas preciso focar no necessário pra salvar a Nicole... Caramba, passou de uma semana na praia a um sequestro clichê. Só falta vampiros nazistas surgirem e... É melhor eu ficar quieto, porque vai que...

—Sim, eu tenho um plano... — Coloco as mãos na mesa. — E Nicholas, Samantha, vou precisar da ajuda de vocês.

—Estamos nessa! — Samantha sorri. — Acredite, não é só pela sua namorada, que é uma garota legal. A gente queria ajudar o Marcos a sair dessa, porque é ruim, ele tá destruindo a vida dele e tem talento! Mas, ele não quis ser ajudado, traiu nossa confiança e bem... Toda ação tem sua consequência.

—Então, meu plano é o seguinte... — Começo a contar o plano para meus amigos.

Duas horas e meia depois, após algumas certas compras e um telefonema feito, me dirijo ao limite da cidade com Cabo Frio. Oh, mas que óbvio. Eu venho a pé, mas vindo próximo de mim, estão meus amigos, claro, eles estão em um carro do Uber, com ternos alugados, óculos escuros e algumas surpresinhas mais.

O local de encontro era num terreno, próximo de Cabo Frio, na verdade, do outro lado da divisa. Felizmente eu havia pegado um Uber até mais ou menos quinze minutos de caminhada do ponto de encontro, enquanto meus amigos não necessariamente me seguem, mas estão de longe até eu estar no local em si.

O terreno em si, era o de uma casa que estava em construção, ergueram as paredes, mas não chegaram a completar a obra por falta de verba, ou preguiça. Ou os dois. Antes da casa em si, tinha um quintal enorme, com o muro do terreno, que era de mais ou menos um metro e meio de altura, ou seja, uns vinte e cinco centímetros de altura mais baixo do que eu e um portão de madeira, um pouco gasto.

Em frente ao portão, está um cara me esperando, e não é o Marcos, provavelmente um dos homens dele. Pelo cheiro, ele gosta de uma bebida... E não gostava de banhos também. Quando ele me vê, passa um rádio pra alguém, provavelmente o Marcos.

—Chefe! O cara que você mostrou a foto pra gente, chegou! — Ele diz, aguardando uma resposta.

Chefe... Então o Marcos não estava nesse negócio com traficantes maiores, mas provavelmente chamou alguns ladrões e (ou) drogados pé de chinelo pra fazer números e intimidar.

—Sim, ele tá com uma maleta! — O cara confirma, ao ver a maleta em minhas mãos. Ele ouve a resposta e se dirige a mim. — Olha, playboy, vou ter que te revistar pra saber se tá com alguma arma aqui.

—Sem problemas... — Faço uma cara de assustado, e francamente, ele não parece muito forte. Creio que até mesmo a Brenda ou a Beatriz, do jeito que estão, poderiam dar conta dele.

Ele me revista, e obviamente, não encontra arma nenhuma, inclusive meu celular está escondido na meia, já que pretendo usar ele pra comunicar os dados adicionais aos meus amigos, como o tamanho do muro. O muro baixo facilitou muito pra próxima parte do plano.

—Agora, vamos pra lá. — Ele abre o portão.

—Vai andando na frente, que vou amarrar o meu sapato! — Dou a desculpa mais esfarrapada para ficar um pouco pra trás...

—Tá... Playboyzinho de merda. — Ele vai andando na frente, enquanto me ajoelho pra "amarrar o sapato", mas na verdade descrevendo um pouco o local para eles adentrarem. Tento falar o mais claro e conciso possível com a voz baixa.

Assim que termino de passar a mensagem, ao invés de colocar o celular na meia novamente, deixo ele em um dos meus bolsos. Bem, com a minha sorte, ele não veria. E em seguida, apresso o passo para ficar próximo do capanga que me recebera.

—Agora você fique aqui, que eu vou chamar o chefe! — Ele diz, entrando na casa. E ele tinha a PORRA DE UM RÁDIO, por quê simplesmente não chamou o chefe? Pelo visto, Marcos não apenas foi juvenil o suficiente pra chamar um bando de zé ruelas pra sequestrar a Nicole, mas também chamou zé ruelas burros.

—CARALHO, VOCÊ PODIA TER ME CHAMADO PELA PORRA DO RÁDIO! — Escuto o grito de Marcos vindo de dentro da casa, pouco antes de vê-lo sair da entrada.

Olhando pro Marcos, eu poderia dizer que antes de se entregar ao vício de cocaína e heroína, ele seria um rapaz bonito. Mas, isso passou há muito, e não por acaso o cara não transa há meses, ele tá um bagaço.

—E não é que o Dieguito de la Vega veio mesmo? E com a grana? — A voz rouca dele poderia ter sido sexy algum dia. Por quê diabos estou pensando essas coisas?

—Sabe como é, Marcos... Quando se conhece pessoas, as coisas acontecem mais rápido do que você imagina! — Jogo um blefe, camuflando a verdade de que seria impossível de maneira normal, transferir tal quantia e sacar APÓS O HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DOS BANCOS.

—Eu gosto quando as coisas saem do jeito que quero...

—Calma aí Marquinhos, que a grana ainda não é sua... — Preciso da Nicole aqui, então tenho que segurar minhas cartas – Traga a garota pra fora...

—Que seja... — Marcos estala os dedos e um de seus capangas, sai da casa. Que clichê. — Tragam a garota!

—Só pra saber... Quantas pessoas você tem aqui? — Pergunto, pra saber onde eu (e meus amigos) estou me metendo. — Tipo... No caso de eu querer encher vocês de porrada! Hipoteticamente falando.

—Olha só, o lutadorzinho de bosta quer brigar... — Marcos ri, enquanto três caras saem, trazendo a Nicole na cadeira, e com o "porteiro" e o "segundo", formam cinco, mais o Marcos dando um total de seis. — Você está em menor número, então seria desleal você sozinho contra onze de nós.

—Quem disse que eu quero brigar? — Pergunto, fazendo a linha do medroso. — Aliás, como vai ser a divisão? Porque garanto que esses caras aí não vão aceitar qualquer dez reais que você oferecer! Diabos, foi tentador não largar tudo e fugir com essa grana! São duzentos mil reais, né... Vai ser tudo igualzinho? Ou você disse que era um valor menor, assim dividindo pouco com eles e ficando com três quartos da grana pra você?

—Você está falando demais, não é? — Ele aumenta o tom de voz, enquanto os seus capangas se entreolham com a possibilidade de receber um pagamento maior.

—Eu? — Olho de relance pro lado e vejo o carro do Uber que meus amigos vieram, então eles já estão prontos pra se posicionar. — É só uma duvida genuína. Porque convenhamos, apesar de você ter feito o planejamento, convencer um bando de pé rapados a sequestrar a filha de um empresário de sucesso, numa cidade cuja a taxa de criminalidade é próxima de zero em plena luz do dia, quando câmeras de segurança podem ter filmado a ação? — Ok, blefe pras câmeras, mas duvido que eles saibam disso. — É um serviço arriscado! Aliás, é até mesmo um serviço arriscado sequestrar alguém numa cidade normal! Mas, como prova de minha boa vontade, aqui! — Jogo a maleta para Marcos, que a pega. Nicole arregala os olhos e começa a emitir algo parecido com gritos abafados, como se ela estivesse tentando me dizer algo.

—CALADA, VADIA! — Marcos dá um tabefe na cara de Nicole. — Se isso se repetir, a próxima não será com a mão. — Ele puxa uma faca de uma bainha que estava em sua cintura.

—A maleta é a prova de minha boa vontade. — Continuo, como se não tivesse acontecido nada, mas na verdade querendo socar o Marcos até ele começar a falar feito um soprano. — Mas a chave que abre a maleta, só irei deixar com você, assim que eu e Nicole sairmos daqui em segurança!

Marcos começa a rir feito como um maníaco, oh céus, sério mesmo? Esse cara deve ter assistido a vários filmes de sequestro, pra achar que as coisas na vida real funcionam assim. Dá até pena de ver que ele caiu no meu blefe.

—Você acha mesmo que vai sair daqui vivo? — Ele diz, insanamente. — Veja, primeiro, iremos deixar você sangrando a valer. Depois, iremos estuprar a sua namoradinha na sua frente. Aí, quando ela estiver louca, iremos cortar a sua garganta, Dieguito! E depois mataremos ela! Mas, não para por aí... Nós vamos atrás de seus amiguinhos, e os mataremos também! E aqueles otários da Magic Fires? Bem, eles conhecem vocês e... A quem eu estou enganando, eu só entrei na banda pra comer a vadia da Samantha! São uns merdas, e provavelmente irei acabar com eles também. Talvez eu force o Nicholas a transar com a própria irmã, só pra ver o quão divertido isso será pra mim! — Caralho, ele ficou louco. — E depois eu a irei estuprar e matar! Não necessariamente nessa ordem! E diabos, eu tenho dinheiro, eu posso fugir, mudar de identidade e sair daqui impune! E você, um moleque merda, playboy metido a lutadorzinho de telecatch acha que vai sair daqui vivo? MAS NEM FODENDO!

—... — Começo a bater palmas, sarcasticamente. E começo a caminhar, dando passos lentos, enquanto todos me observam. Enquanto Marcos discursava feito o maníaco que as drogas o haviam transformado, eu observei os homens dele, todos usavam de armas brancas, sejam afiadas ou não. — Olha, sinceramente, Marcos. Esse seu discurso poderia ter sido assustador... Se você fosse assustador!

—Você... Você tá tirando uma com a minha cara? — Ele grita, apontando a faca para Nicole. Ele não havia notado que eu havia caminhado em zigue zague e me aproximado bastante dele.

—Quem? Eu? Imagina... — Minha voz goteja sarcasmo. — Tá, é mentira, eu tô tirando sarro de você sim.

—Ora, seu... — Ele começa a avançar pra mim, até que estalo um dos dedos. No silêncio daquele momento, o estalo soou mais alto do que parecia. — Hein?

Nesse momento de hesitação, dou um soco no queixo dele e o desarmo, fazendo com que a faca caia no chão. Quando os guardas deles fazem alguma noção de vir em minha direção, Erick, Nicholas, Lara, Samantha, Brenda e Beatriz vem dos fundos do terreno, de ternos e óculos escuros, surpreendendo alguns dos guardas... Até porque eles estão munidos de tacos de beisebol, o que certamente adiciona um fator de intimidação.

Marcos, após ser pego de surpresa, tenta me dar um soco na cara, mas me abaixo e acerto um gancho de direita bem no queixo. Sinceramente, nunca fui muito de lutar com golpes de contato, mas os caras da FILL me ensinaram a como aplicar alguns socos, para na hora de dar os socos de mentira, pudesse fazer aquilo parecer real. E Marcos caiu feito um saco de batatas no chão.

Meus amigos estão fazendo o que podem pra manter os pé rapados ocupados, mas com exceção da Lara, nenhum deles luta de verdade, o que torna as coisas um pouco mais difíceis, mas a intenção nunca fora derrubá-los, mas mantê-los ocupados. Lara até consegue derrubar uns dois, mas os outros acabam por nos cercar. Marcos acabara de se levantar e se juntara a seus homens.

—Foda-se o dinheiro! Matem-nos! — Puta merda, Marcos estava sendo clichê do começo até o fim.

—Senhores, foi uma honra lutar ao lado de vocês. — Erick solta, de maneira sarcástica, até que escutamos um disparo de revolver, que assusta a todos, mas principalmente, Marcos e seus homens.

Logo após o disparo, sirenes de polícia são ouvidas, e carros se aproximam do local do terreno.

—O LOCAL ESTÁ CERCADO! SE DÃO VALOR A SUA VIDA, SAIAM COM AS MÃOS PARA O ALTO! — A voz de um policial é ouvida.

—O quê? Como? — Marcos está estupefato, assim como seus homens

—EU NÃO IREI REPETIR!

Os policiais saltam o muro, pelo menos vinte deles e correm até os bandidos, algemando-os. Aos poucos, eles vão levando os criminosos para o camburão, enquanto eu desamarro Nicole, ela ainda estava com a mesma roupa de quando fomos a praia.

Após ela se levantar da cadeira, minha reação é abraçá-la apertadamente, deixando sair pra fora todo o meu desespero por causa da situação.

—Nicole. Você... — Lágrimas escorrem de meus olhos, depois de ter aguentado o dia inteiro feito um gentleman, não havia percebido o tamanho do meu próprio medo. — Você tá bem? Tá inteira?

Nicole não responde, abraçada a mim, a única coisa que escuto são os soluços dela, eu passo a mão pelos cabelos dela.

—Ei, cara, a Nicole é nossa amiga! — Erick diz, enxugando uma lágrima. — Não monopoliza ela só porque é sua namorada.

Nisso, um a um, meus amigos vão abraçando Nicole, todos aliviados por aquilo ter acabado. E após os abraços, um dos policiais se dirige a nós.

—Senhorita... Almeida, não é? — Ele pergunta num tom cordial, ao menos cordial pra um policial. Talvez ele seja treinado na divisão anti-sequestro. — Você sofreu algum tipo de violência mais grave, algo que precise do corpo de delito?

—N-não... Alguma agressão física, como tapas... — Nicole responde, revertendo ao modo tímida de sempre. — Felizmente ele não tentou nada do tipo. Não que ele não quisesse... E Diego... — Ela se dirige a mim. — Seus dedos estão sangrando.

—Ah, caralho! Deve ter sido quando desarmei o Marcos! — A adrenalina provavelmente me impediu de sentir a dor dos cortes.

—Certo... — O policial se dirige novamente a Nicole. — Nesse caso, recomendo que passe a noite no hospital de Rio Azul, e amanhã, vá até a delegacia pra prestar o depoimento a respeito dos fatos.

—Faremos isso sim. — Digo pela Nicole, que ainda está um pouco acuada. — Se alguém aqui puder chamar o Uber pro hospital.

—De qualquer modo, obrigado pela ajuda de vocês! — O policial agradece, antes de ir embora.

—Nós é que agradecemos... — Nicholas sorri, sacando o celular. E chamando mais um Uber através do aplicativo. — Diego, você foi um gênio!

—Não sou gênio... Eu só joguei com as cartas que tinha. E nada disso seria possível se vocês não tivessem topado me ajudar com os ternos e a maleta e os tacos de beisebol. — Respondo, enquanto esperamos o carro vir em frente ao terreno.

Eu arranco um pedaço da minha blusa pra enrolar na mão e tentar aliviar o sangramento. É, a dor tava começando a aparecer.

—Diego... — Nicole passa o braço pela minha cintura. — Não vai voltar pra pegar a maleta?

—Por quê eu ia querer uma maleta cheia de folhas de papel oficio? — Dou de ombros.

—Quer dizer que... — Nicole está assombrada com meu blefe.

—Seu pai não precisa saber que você foi sequestrada, Nic. — Lara diz, dando de ombros.

—Sem contar que o tempo que ele nos deu era pouco pra arrumar essa quantia! — Concluo, dando um beijo apaixonado em Nicole, enquanto nosso carro chega. — Se ele nos desse o tempo que um sequestrador normal pede para arrumar a grana, eu teria dado o mundo pra ter você de volta! Pra mim, o que importa, é ter você comigo, porque não sei se você sabe, mas eu te amo pra caramba!

—Nossa, e isso tudo aconteceu num intervalo de vinte e quatro horas desde que assumimos nosso namoro! — Nicole suspira, enquanto o carro parte pro hospital.

—Só espero que o namoro de vocês não seja pontuado por esse tipo de situação, ou não duraremos até o final de semana. — Brenda tenta levantar o humor.

Enquanto nos dirigimos ao hospital, tudo o que posso pensar e esperar, é que realmente mais nada de anormal aconteça, porque eu não quero ter que passar por isso de novo. Uma vez basta pro resto da vida.