Me amaldiçoei por chegar atrasada na aula de inglês avançado, tendo o único lugar vago ao lado do garoto mais bonito e mais ignorante de toda a Goode High School. A maioria das pessoas evitavam se sentar ao lado dele por causa da sua ignorância e antipatia, mas eu sempre via uma chance de conseguir algo a mais.

E finalmente estava dando certo.

Me sentei ao lado dele e puxei todo o meu material da aula de dentro da mochila, jogando ela aos meus pés logo em seguida. Ignorando ele e o seu olhar sobre mim.

Sr. Q entrou na sala arrastando os pés como se eles fossem pesados demais para saírem do chão. Ele era um velho com rugas e um aparelho respiratório para ajudar a respirar com o único pulmão bom.

Ele escreveu o nome do documentário que iríamos assistir e que teríamos que fazer um texto de algo sobre a nossa vida que se relacionava ao documentário.

As luzes se apagaram, Hazel colocou o DVD do documentário e a sala mergulhou em um silêncio profundo da parte dos alunos, o único barulho era o da televisão.

– Você não veio falar comigo... Isso é novidade — Percy sussurrou no meu ouvido, arrepiando até o último fio de cabelo que eu tinha. Nunca eu havia ouvido ele sussurrar, sua voz já era rouca quando ele falava normal, mas sussurrando ela ficava carregada, dengosa e muito mais rouca.

Respirei fundo e puxei meu caderno, pegando um lápis e me começando a anotar os pontos chaves do documentário para depois conseguir fazer o meu texto com facilidade.

– Qual é o seu problema?

– Eu preciso de um B para passar em inglês avançado, então, meu problema é esse — respondi me virando para ele e vendo que o mesmo estava perto demais de mim. Prendi meu ar vendo seus olhos verdes, meio azulados, e desviei meu olhar para outra coisa, infelizmente caindo nos lábios dele.

Fechei meu olhos e me virei para frente de novo, umedecendo meus lábios com a língua e soltando o meu ar logo em seguida.

Ele estava mesmo me provocando?

– É mentira sua, você é boa em inglês avançado, ou em química, ou biologia e, principalmente em educação física. Não é atoa que você é a capitã do time das líderes.

– Sou obrigada a ser boa, tenho que passar em Yale.

– Você tem ou você quer? — ele falou tirando a minha franja do meu olho. Mordi o interior da minha bochecha, mantendo dentro de mim a explosão que iria acontecer se eu continuasse com esse assunto.

Me afastei dele e voltei a anotar as coisas do vídeo, a minha manhã já havia começado ruim demais, exatamente por causa desse assunto. Discutir com a minha mãe era inútil, tudo o que eu dizia nem entrava por um ouvido e saia por outro, ele fazia uma curva pela silhueta e ficava perdido no ar.

Ele respeitou o meu silêncio pelo resto da aula, e logo que o documentário acabou, cinco minutos antes do sinal para a troca de aula e quando começamos a guarda as coisas, ele colocou um papel dobrado na frente do meu rosto e com um sorriso sarcástico, colocou o papel dobrado no decote do meu top de líder, saindo da sala logo em seguida e sem me dar explicação alguma.

...

Parei a música logo após fechar a minha garrafa d'água, vendo todo o time das líderes de torcida virar para me encarar, como se eu fosse um extraterrestre.

– Vocês pegaram os passos rapidamente, só precismos acertar o final, que ainda está meio... Sem ritmo. — sorri para todos eles, com sinceridade. — Vamos ter os últimos minutos da aula livres, se quiserem podem ir para o vestiário se arrumarem, só que eu, bem, eu vou dançar.

Mudei a música do meu iPod e aumentei o volume da caixa, ouvindo rapidamente a guitarra começar o som de She Looks So Perfect.

Balancei o meu corpo no ritmo da batida da música, me animando quando algumas meninas começaram a me seguir. Puxei o elástico do meu cabelo e joguei ele para o banco, sentindo os meus cachos caírem nas minhas costas.

Comecei a bater palmas e olhei para frente, sorrindo, vendo os meninos do time pararem de jogar para assistir o nosso pequeno show.

Saltei no ar, dando um mortal e caindo em pé no chão. Estava começando o primeiro refrão e mais garotas haviam se juntado a mim, inclusive a própria Silena, que algumas vezes parecia uma velha chata e antipática.

Automaticamente comecei a cantar e rebolar, o refrão contagiante e fácil de decorar. Me lembrei um pouco do clipe, sorrindo ainda mais animada por causa disso e dando algumas estrelas até o centro do campo, já que os meninos haviam entrado na nossa diversão e deixado o treino de lado. Até Quiron havia começado a balançar no ritmo da música.

Procurei os olhos que eu tanto adorava e dei um sorriso, vendo ele estático a uns três metros de mim com o capacete de proteção na mão.

Rebolei, deslizando a minha mão pelo meu corpo e parando no cós da minha saia, rebolando ainda mais, indo literalmente até o chão e me levantando novamente de maneira mais lenta e sedutora.

Conforme o meu corpo ia para cima a minha saia ia para baixo, revelando o meu mini short preto, que na realidade mais parecia uma calcinha. Parte da minha bunda ficava de fora e isso pareceu animar o moreno, afinal, ele deu um sorriso malicioso, assim como vários outros garotos que acabaram parando de dançar.

Me aproximei dele, segurando a minha saia com o dedo indicador e, sem me importar com o corpo suado do moreno, comecei a rebolar com o meu corpo colado ao dele, provocando sem querer querendo.

Ele soltou o capacete e agarrou a minha cintura, tentando dançar junto comigo, mas a falta de jeito do menino era quase um crime e foi impossível não rir.

Ele riu bem menos do que eu e me agarrou mais ainda, prendendo meus olhos aos dele e dando um sorriso... Sincero, me fazendo retribuir o sorriso.

Eu queria beijá-lo, queria muito sentir o gosto dos lábios dele. Mas isso nunca iria acontecer, ele havia quebrado totalmente o clima.

– Deveria colocar a sua saia, tem uma linda bunda, mas não é legal ficar mostrando ela para todos esses meninos tarados. — ele disse descendo as mãos dele para a minha bunda e dando um leve apertão ali. O safado deu um sorriso sarcástico e tentou afastar meu corpo do dele, mas foi em vão.

Abracei seu pescoço e me aproximei do seu ouvido, com um sorriso travesso e deixando bem visível as minhas intenções verdadeiras.

– Te espero as oito na minha casa — mordi o lóbulo da sua orelha e beijei a sua bochecha em seguida, me soltando dele e rebolando para o vestiário feminino. A música havia trocado, então apenas puxei meu iPod e peguei as minhas coisas a olho antes de entrar e me vestir novamente.

...

Joguei uma pedra para o mar, vendo ela quicar duas vezes antes de afundar por causa de uma onda. Ele havia me levado para a Golden Gardens, a praia que ficava no noroeste da cidade e hoje estava completamente vazia, talvez por causa da nevasca de ontem, que já havia ido embora e ainda assim dava sinais de que ia voltar.

– Nunca tive um encontro... Na praia — completei rapidamente, me abaixando para pegar outra pedra.

– Isso é um encontro? — ele questionou balançando algumas pedrinhas na mão dele. Me virei para ele, percebendo que o mesmo me olhava com um sorriso sarcástico. — O que? Eu te chamei para dar uma volta comigo, não para um jantar a luz de velas e com comida italiana.

– Odeio comida italiana e isso é gay.

– Espera, para um segundo, você odeia comida italiana?

– Sim, qual é o problema disso?

– O problema disso é que, bem, só para deixar claro, pizza é vida!

Revirei meus olhos, mesmo tendo um leve sorriso nos lábios, e esbarrei meu ombro no braço dele, fazendo ele soltar uma leve risada.

– Você é a garota mais alta com quem eu tive um encontro.

– Agora isso é um encontro?

– Já não era antes?

– Você está me deixando louca! — eu ri virando meu corpo em noventa graus, fazendo ele soltar as pedras e rir comigo.

Mostrei a minha língua para ele e olhei para o mar, vendo as suas ondas quebrarem a uns dois metros de nós. O mar podia estar congelando ou apenas gelado, mas apenas exista uma forma de descobrir isso: entrando lá.

Eu até me arriscaria se o meu "encontro" não fosse com o Percy Jackson, então apenas retirei os meus coturnos, largando eles na areia e dobrei a barra da minha calça jeans duas vezes, para então sair correndo.

Soltei um grito estridente quando a água gelada tocou os meus pés, soltando um riso logo em seguida e fazendo Percy, que era iluminado pelo farol, arregalar os olhos.

Comecei a dançar de um lado para o outro, sentindo a água nos meus pés ir e voltar por causa da corrente e percebendo que Percy me olhava sério.

– O que foi? — parei de dançar e encarei ele.

– Aqui fora está uns três graus e ai deve estar uns três graus negativos. Você é uma louca de entrar ai... — ele cruzou os braços, soltando o peso do corpo em apenas uma das suas pernas.

– Nem está tão ruim assim, por mim eu entrava no mar — disse e levei as minhas mãos até a minha jaqueta, passando a deslizar ela pelos meus braços.

– Não, nem sonhando, mocinha! — ele correu até chegar em mim e me puxou, um pouco forte demais, me fazendo chocar com o corpo dele.

Prendi meu ar, assustada e com o meu coração acelerado. Eu estava colada a ele, com as suas mãos segurando meus braços e eu não conseguia desviar meus olhos dos dele, totalmente hipnotizada com a imensidão azul esverdeada ou verde azulada.

Mordi meu lábio inferior, percebendo que ele olhava todo o meu rosto, parando por tempo demais nos meus lábios e depois voltando para os meus olhos.

– Então... Por que me trouxe aqui? — questionei me afastando dele e voltando a minha sanidade. Se é que ela ainda existia.

Ele respirou fundo e deu um passo para trás, ainda me olhando fixamente. Ele levou a mão aos fios, mas então encontrou a touca de lã preta com desenhos brancos e deu um sorriso sem graça.

Eu tinha que admitir, achei isso muito fofo vindo dele.

– Não sei... Na realidade eu estava afim de vir na praia e não queria vir sozinho. — ele disse voltando ao normal. Peguei os meus sapatos e concordei com a cabeça, caminhando até as pedras e me sentando na maior delas.

Meu pé estava cheio de areia e também estava muito melado, mas eu teria que ficar com ele assim mesmo, não tinha mais nada que poderia fazer. Nós estávamos na praia, as nove da noite e totalmente deserta, eramos loucos sim, mas quem é normal hoje em dia?

– Me conta o que eu não sei sobre você. — ele pediu se sentando ao meu lado. Respirei fundo, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha por causa do vendo frio que vinha do mar e espalhava ele todo.

– Nasci dia doze de julho de mil novecentos e noventa e sete, em Seattle mesmo... Na realidade eu nunca sai daqui, meus pais nunca deixaram e nunca quiseram, a última vez que um deles tiveram férias, eu devia ter oito anos.

– Wow! — ele riu, mas depois ficou sério novamente por causa da minha expressão. Revirei meus olhos, cruzando as minhas pernas e vendo a lua refletir no mar escuro. E ainda assim a lua aparecia. — Mas, veja bem, você vai para Yale, em Connecticut, vai ter que atravessar o país.

– Para ficar oito anos estudando feito condenada e depois voltar para Seattle... A minha mãe realmente não se importa se eu quero ter uma vida diferente da dela, ela quer que eu faça igual ela e assuma um emprego que eu nem gosto. — respondi sentindo ele me olhar enquanto eu fala olhando para o mar. — Como se eu gostasse de engenharia civil... Ou qualquer tipo de engenharia... Então, vai para Stanford, não é?

– É, quero cursar biologia marinha — ele sorriu virando o rosto para o mar. O assunto pareceu acabar ali, porque ele não quis prolongar esse assunto, pelo contrário, ele deu um giro de trezentos e sessenta graus nele. — Quando perdeu a sua virgindade?

– Ah, por que não disse que queria saber isso desde o início? — me virei para ele, dando um sorriso tranquilo. — Foi horrível, eu tinha catorze anos, estava iludida por um garoto loiro de olhos azuis e quando soube que ele ia embora para o Canadá, enlouqueci completamente... Na nossa última noite junto ele pediu para transar comigo alegando que seria algo que iria nos manter unidos para sempre e eu, idiota, aceitei. Foi na traseira da camionete do pai dele e eu senti muita dor, ele realmente não estava se importando em deixar o momento romântico, apenas queria me foder.

– E ai?

– Na manhã seguinte eu vi uma garota pular da janela do quarto dele, totalmente descabelada e desarrumada e cheguei a conclusão de que homens não prestavam.

– Foi ai que você se tornou uma... Vadia?

– Foi... Eu queria dar troco no Luke, só que ele havia ido embora, então eu coloquei na cabeça que todos os homens eram iguais e toda vez que um se aproximava de mim, quem brincava era eu e então eu gostei, e comecei a me oferecer para brincar com eles. — respondi olhando para ele e vendo seus olhos fixos no meu rosto mais uma vez. — Mas eu apenas transei mais quatro vezes depois do Luke.

– Sério? E todas as vezes que eu vi você entrar no armário do zelador com um garoto?

– É sério, no armário do zelador apenas rolava pegação, sabe? Beijos, masturbação e as vezes oral. — respondi voltando a olhar para o mar. Isso era um pouco constrangedor, mas ele não havia virado para mim, me chamado de vadia e me deixado plantada ali. — Eu nunca transei em uma cama, sabe? A primeira vez foi em uma camionete, a segunda em uma mesa de bilhar, a terceira foi em um carro e a quarta foi no banheiro masculino... Eu sei como é a experiência de foder, não a de fazer amor.

Ele não disse nada, apenas dobrou uma perna e apoiou o braço ali, olhando na mesma direção que eu olhava e ficando em silêncio.

Era por esses e por outros motivos que eu odiava contar isso para alguém. Amanhã ele nem ia querer olhar para a minha cara.

– Como foi as suas experiências com sexo?

– Não tantas como a sua, pode acreditar — ele respondeu sem olhar para mim. — Eu namorei uma garota por alguns anos, ela se chamava Calipso... Mesmo depois de vir morar aqui eu ia visitar ela uma vez no mês em Miami, a gente transou algumas vezes.

– Por que terminaram?

– Ela não estava mais aguentando namorar a distância, então terminou comigo... Depois dela apenas transei com mais uma garota...

– Rachel Elizabeth Dare, quem não se lembra do namoro de vocês dois no ano passado?

– Pois é... Ela também terminou comigo, disse que não dava para a garota do clube de literatura namorar um garoto do time de futebol. — eu sabia disso, havia obrigado Rachel a terminar com ele e aquela era a definição perfeita para os dois. — E desde então...

– Até agora você só viu as garotas boas... Espera até conhecer uma má — disse olhando para o moreno, percebendo que um leve sorriso se formou nos lábios dele.

Tirei a areia seca do meu pé e coloquei meus coturnos, logo em seguida abaixando a barra da minha calça jeans enquanto olhava para o mar. Eu podia me iludir com várias maneiras de conseguir um beijo dele dentro do mar, se a gente não morasse em Seattle.

Procurei a mão dele e puxei para mim, passando a brincar com umas pulseiras pretas que ele tinha ali. Tinha umas de silicone, outras de couro e uma toda trançada que chamou a minha atenção. Ela era daquelas que a gente compra em feiras hippies e amarra no pulso, algumas tinham um pingente, como a dele. Uma tartaruga azul estava bem no centro da pulseira, se destacando contra a parte trançada preta.

– Eu ganhei a dois anos atrás da Calipso, quando eu contei para ela que queria ser biólogo.

– É bonitinha... — disse passando o dedo na tartaruga, ele tirou sua mão da minha e puxou um pouco a manga da minha jaqueta. Eu também tinha as minhas pulseiras de sempre, aquelas que nunca saem do meu pulso. Eram sete, todas de couro preto. Uma era toda trançada, eu tinha uma com uma âncora de ouro, a outra eram duas corujas presas pelos pés também de ouro e com os olhos de diamante, eu acho, e tinha uma que na verdade eram três, já que eram tiras com alguns spikes e a última tinha uma pequena plaquinha com as palavras "Wherever You Are" escritas ali.

– Onde quer que você esteja... Por quê?

– Eu nunca sei responder, eu apenas gosto, dá a impressão que não importa onde você esteja, o que você escolha ou as decisões que você tome, quem disse isso sempre vai aceitar e apoiar... Eu faria isso, se um dia dissesse essas palavras — murmurei sentindo ele passar o dedo sobre as palavras da pulseira. Eu puxei o meu braço, aquele encontro já havia ido longe demais, já havia dado tempo suficiente para que eu pudesse explicar depois para a Thalia. — Já podemos ir embora?

– Se você quer — ele deu um sorriso sem graça, se levantando e estendendo a mão para me ajudar logo em seguida. Aceitei e senti meu corpo ser puxado para cima com facilidade, infelizmente não colando o meu corpo ao dele. Eu precisava de mais experiências como aquela.

Dei um sorriso torto para ele, erguendo a minha mão de puxando a touca da sua cabeça para colocar na minha e ver seus fios negros caírem na sua testa. O seu cabelo estava bem longo, comparado aos últimos três anos.

– Como fiquei?

– Ridícula, então você pode me devolver a minha touca — ele pediu estendendo a mão para que eu devolvesse. Neguei com a cabeça, dando um sorriso um pouco maior, ainda de lábios fechados. — Fala sério, está horrível você com essa touca e essa roupa.

– Falou o garoto que está usando calças rasgadas e duas camadas de blusa, sendo uma delas uma blusa xadrez vermelha, só para deixar claro. — respondi pulando da pedra, deixando ele para trás. — Estou bem básica com a minha calça jeans, minha blusa da Vans e a minha jaqueta de couro.

– Qual é, Annabeth, devolve logo e para de graça.

– Não estou com graça! Aquele capacete bagunça todo o meu cabelo. — disse diminuindo o meu tom de voz na esperança de conseguir ficar com a touca. — Eu te devolvo, eu prometo, só que eu não coloco aquele capacete para ele bagunçar todo o meu cabelo, você tem noção de como é terrível desembaraçar ele? Além do mais, você já devia se sentir honrado por eu ter aceitado subir naquela sua moto, correndo o risco de sofrer um acidente porque você pilota muito rápido.

– Meu amor, as chances de você cair daquela pirâmide que você sobe todos os dias, bater com a cabeça e ter um traumatismo craniano são bem maiores do que as chances de você sofrer um acidente de moto comigo. — ele falou tirando as chaves do bolso. Revirei meus olhos e me encostei na moto dele, cruzando os meus braços e encarando ele de maneira fixa. — O que foi?

– Você se acha... É um completo idiota! — disse vendo ele se aproximar de mim. — É um ignorante.

– E você é o que? Vamos ver... Mandona, egocêntrica, orgulhosa que eu sei e também é muito, muito e muito persistente, garota.

– Esqueceu de listar que sou bonita, meus olhos cinzas são tão intensos e que os meus lábios são bem convidativos. — falei contando nos dedos as minhas características. Levantei meu olhar para ele e sorri, percebendo que ele me olhava com uma expressão surpresa. — O que foi?

– Eu nunca soube dessa história dos seus lábios...

– Lógico, você é um idiota! — apoiei as minhas mãos no acento da moto, revirando os meus olhos. — Você só não é mais idiota que os outros garotos com quem eu sai porque... Não você é mais idiota do que eles por ter me recusado e ignorado por três anos. Parabéns, o prêmio de idiota do milênio vai para você.

– Vale adicionar que você é dramática e exagerada. — Percy sussurrou no meu ouvido, colocando as mãos na minha cintura.

Sorri largo com isso, finalmente o nó que o Percy havia criado para nós dois estava quase desfeito, faltava pouco, muito pouco para que finalmente ele cedesse de vez e eu pudesse ter ele totalmente envolto nos meus dedos, na palma da minha mão.

Fechei meus olhos e coloquei a minha mão no seu peito, voltando a encenar para ele. Eu não havia percebido até então, mas fazia horas que eu não estava mentindo e daqui a pouco quem estaria na mão dele, seria eu, se eu continuasse tão vulnerável.

– Eu não quero me magoar como me magoei a cinco anos atrás, Percy...

– Eu não sou ele...

– Eu sei, mas você age da mesma forma que ele. — encostei minha testa no seu ombro, respirando fundo e sentindo o seu cheiro. Eu não sabia se era natural da pele dele ou se era por causa do mar, só que ele cheirava a maresia e perfume amadeirado, um cheiro forte e bom. — Metido a badboy, hora preocupado e outras nem tanto... Se aproximou de mim do nada. Isso vai terminar da mesma maneira como terminou a cinco anos atrás e quem vai acabar com a cicatriz aberta sou eu... A vadia é quem vai acabar machucada.

– Eu não sou ele, Ann, eu não vou fazer como ele... Eu prometo para você. — ele me abraçou apertando, me deixando completamente sem reação. O que eu havia feito?

Ele me soltou pouco tempo depois, mas mesmo assim eu não tive vontade de encarar ele, olhei para a manga da minha jaqueta e comecei a brincar de abrir e fechar o zíper que tinha ali.

– As pessoas quebram promessas com a mesma facilidade que elas são feitas... E quando elas são quebradas, a dor é apenas multiplicada no final, eu não quero me torturar por causa disso. — olhei para ele por cima dos cílios, séria. — Foi incrível, tudo... Foram dois dias bons, só que não é assim, não são dois dias que podem fazer você fazer uma promessa para uma pessoa e jurar cumprir ela. Eu já vi esse filme e, sinceramente, eu não gosto nem um pouco do final dele.

Me virei para trás, pegando o capacete da moto e girando ele na minha mão. Eu podia estar séria por fora, mas por dentro eu sorria como retardada, esse era o ponto de partida, era agora que ele iria provar que a gente podia reescrever o final do filme.

Ele me virou mais uma vez, puxando o capacete da minha mão e colocando ele no guidão da moto de volta. Quando seu olhar encontrou o meu, eu percebi que a nossa corda bamba já não tinha mais nó nenhum.

– Eu normalmente não sou de quebrar as minhas promessas, Annabeth Chase, então você pode confiar em mim, eu não sou igual a ele... Eu sou melhor do que ele.

– Essa é a sua forma de dizer que vai detonar o meu coração?

– Não, essa é a minha forma de dizer que eu to afim de uma vadia manipuladora e que quero que ela destrua o meu coração da mesma maneira que ela já destruiu muitos outros desde que eu me mudei para essa droga de cidade chuvosa. — ele falou me encarando de maneira intensa. Eu fiquei encarando ele, não por falta de reação, mas porque eu realmente não queria responder algo como "Okay, vou fazer exatamente como quer" ou então "Você é um idiota por querer isso". — Não vai dizer nada?

– O que quer que eu diga? "Tudo bem, eu aceito ser a sua vadia"? Fala sério, eu vou ir embora andando — empurrei o peito dele para trás, falsamente irritada com ele, e comecei a caminhar pela passarela da avenida da praia. — Eu não queria ter me tornado uma vadia, Percy, mas foi um garoto que disse quase que as mesmas palavras que você que me transformou nisso.

Voltei a andar, torcendo para que ele viesse atrás de mim. Fala sério, ele realmente ia me deixar andar de noroeste a leste de Seattle? Ainda mais as dez da noite?

Eu não fui longe, não cheguei nem mesmo a dois metros dele quando ouvi os seus passos apressados na calçada. Apertei as mangas da minha jaqueta e tentei apressar meu passo, mas foi questão de meio minuto para ele me puxar pelo pulso e colar o meu corpo ao dele, me deixando realmente assustada.

Ele usou um braço para me prender ao corpo dele, me segurando pela cintura e, com a mão livre, e ele segurou o meu queixo, deixando nossos lábios a centímetros de distância e, talvez pela milésima vez no dia, prendendo os nossos olhares um no outro.

Fechei meus olhos quando eu senti seus lábios serem pressionados contra os meus, macios e com uma leveza indecifrável. Sem soltar o meu queixo, ele pediu passagem com a língua e eu deixei, aproveitando ao máximo o momento.

Era calmo, diferente de tudo o que eu já havia provado, sem pressa por causa de um sinal ou então porque alguém podia nos pegar. Não era uma batalha e sim uma dança sem sincronia.

Apertei meus dedos no zíper da sua jaqueta e o puxei mais para mim, sentindo seus dedos deslizarem do meu queixo para o eu pescoço e então para a minha nuca, enfiando os dedos entre os meus fios de cabelo. Seu braço se soltou da minha cintura, deslizando sua mão livre até o meu quadril e entrando por baixo da minha blusa, para então parar na minha lombar.

Quem acabou mandando no beijo foi ele, porque eu fui idiota e cedi completamente, ficando a mercê dele. Eu tinha que admitir, eu fiz certo em ser idiota e ceder.

Não houve puxão de lábios ou beijo de continuasse pelo pescoço depois que o ar acabasse, ele acabou da mesma maneira que começou, calmo. Eu só me lembrei de respirar quando senti os lábios dele beijarem a minha testa e não saírem mais dali, surpresa com o gesto dele.

Porque era essa a realidade, Percy Jackson era uma caixinha de surpresas, tentadora e bonita, clamando para que você abra ela.

E eu iria abrir e me surpreender, é obvio, com cada uma das surpresas que eu encontrasse ali.

A graça da aposta era essa, e não ter ele na palma da minha mão, como eu tinha todos os outros meninos. Percy era fechado, ignorante, e são pessoas assim que vale a pena colocar mil dólares em jogo, porque não é o dinheiro que vai ser a melhor parte, e sim a descoberta de quem essa pessoa realmente é.

Notas finais
Ui 2015 já começou com um capítulo bem carregado de WAYF! Me digam, 2015 começou bem ou precisa melhorar? Eu realmente quero saber, viu?! Esse é apenas o 3 capítulo da historia, ainda tem por volta de mais 7, então respirem, Annabeth Chase ainda vai dar o que falar com Percy Jackson, okay? Okay. Não tenho muito a dizer, apenas irei tentar postar essa semana novamente... Então comentem, favoritem e tudo mais. VOCÊS PRECISAM, PRECISAM LER ESSA FIC! SERIO, LEIAM A FIC DA GREGS http://fanfiction.com.br/historia/580031/How_To_Not_Lose_This_Woman/ Beijos ♥