Wrapped Around Your Finger
4 Mess
A provabilidade de alguém se apaixonar por alguém em dois dias é tão minima quanto aquela história do amor a primeira vista. Eu sou boa com números, sei que as estatísticas de que isso possa acontecer eram, no mínimo, mínimas.
Só que Percy Jackson não estava apaixonado por mim, ele estava afim de mim e isso já era um começo, um começo muito bom.
Eu estava jogada no meu sofá, com o celular na frente do meu rosto e batendo a minha unha na tela dele de propósito enquanto respondia as mensagens da Thalia, todas relacionadas ao meu encontro com Percy Jackson.
Minha mãe estava assistindo jornal na poltrona, possivelmente irritada com o TOC TOC das minhas unhas no celular. Mas, afinal de contas, quem eu estava enganando? Era exatamente isso que eu queria, irritá-la.
Meu sábado havia sido bem patético, eu apenas havia saído de casa para ir buscar o meu carro na manutenção e levado a Cookie ao veterinário. Grande sábado, e ele se tornaria maior ainda essa noite, afinal de contas, eu teria um segundo encontro com Percy Jackson, o que era bom, o lado ruim da coisa é que, eu teria os olhos eletrizantes de Thalia Grace sobre nós dois. Então seria no mínimo, uma noite agradável.
– Irá sair novamente? — Atena deixou a curiosidade de lado e finalmente questionou o que ela havia segurado nos últimos quarenta minutos.
– Hm? Ah, sim, eu irei sair novamente, mamãe– disse olhando para ela rapidamente.
– Pessoas que querem passar em Yale não saem todas as noites — ela falou indiferente, ou tentando ser indiferente.
– O ponto é exatamente esse: eu não quero passar em Yale.
– Irá sair com quem? — ela mudou de assunto como alguém que vira a página de um livro em branco. Eu não tive a chance de responder, a campainha atrapalhou nossa curta e patética conversa.
– Com a pessoa que tocou a campainha. E não me espere acordada, só fará mal aos seus nervos e eu acho que precisa deles para manter a sua amada e adorada e glorificada empresa estúpida. — revirei meus olhos, pegando o meu dinheiro dentro da minha bolsa e enfiando ele no bolso da minha calça preta, colocando meu celular no outro bolso e pegando as minhas chaves.
– Empresa estúpida que um dia será sua.
– Eu também nunca quis isso! — gritei caminhando na direção da porta e ignorei o que ela disse em seguida.
Parei em frente ao espelho do corredor e dei uma boa olhada, passando os dedos nos meus cachos e deixando eles caírem sobre meus ombros quase nus. Eu usava uma blusinha de alcinhas de malha, preta e leve, com um decote perturbante nos meus seios e um comprimento questionável, uma vez que ela mal chegava a minha cintura e eu não usava nada para cobrir a pele exposta dali até o cós da calça jeans preta com uns rasgos desfiados nas minhas coxas. A blusa tinha duas palavras em branco, Don't Wait, uma vez que o Wait estava atravessado por uma flecha.
Eu estava ótima, não parecia uma vadia e muito menos uma santa. Minhas roupas não eram vulgares, minha maquiagem não era pesada e eu não usava saltos com quinze centímetros de altura, pelo contrário, estava muito confortável com os meus All Star. Percy iria gostar, obviamente.
Limpei um pouco do lápis preto que havia passado na minha linha d'água e que, depois de tanto esperar, havia borrado, e então sorri, me virando para frente com os calcanhares e caminhando até a porta.
– Você é enrolado demais para se arrumar, sabia? — falei vendo o moreno na minha frente com uma blusa cinza ou preta, ou uma mistura das duas cores talvez, e os seus costumeiros jeans rasgados. As únicas coisas que me chamaram a atenção foi a jaqueta de couro do time em uma das suas mãos, e ele nunca usou a jaqueta do time antes, e a falta da touca nos seus fios negros.
–Você está linda, Chase — ele revirou os olhos enquanto eu fechava a porta de casa.
– Isso não é novidade — sorri passando reto por ele e indo na direção do meu carro. Ele me alcançou e me parou, puxando o meu corpo para o dele e, em seguida, ele segurou meu queixo e aproximou nossos lábios.
Eu cedi o beijo rapidamente, sentindo seus dedos saírem no meu queixo e irem para a minha nuca, se enrolando nos meus fios de cabelo. Levei as minhas mãos até a sua nuca e unhei ali, sentindo ele empurrar o meu corpo e, aos tropeços, me encostou no meu carro.
Ele mordeu meu lábio inferior e puxou logo em seguida, soltando rapidamente e indo na direção do meu pescoço. Joguei a minha cabeça para trás, dando mais acesso aos lábios dele, sentindo seus beijos e as leves mordidas.
– Se você quiser, a gente não precisa ir, sabia? — ele falou ainda dando alguns beijos no meu pescoço, indo na direção da minha orelha. Ele afastou melhor o meu cabelo e beijou atrás dela, assoprando logo em seguida e me fazendo suspirar.
Eu bem que queria não ir, seria ótimo, finalmente tê-lo para mim, só que eu não podia ser tão fácil assim. Era um longo caminho e eu realmente queria achar logo o atalho.
Mas ele estava disposto a fazer o contrário, com uma facilidade questionável suas mãos saíram do meu cabelo e tocaram a pele exposta da minha barriga, subindo levemente e entrando por dentro da minha blusa, até chegar aos meus seios cobertos pelo sutiã tomara-que-caia e apertar eles sem dó.
– Nós temos que ir e a Thalia realmente odeia esperar — empurrei ele e respirei fundo, percebendo a sua careta e a minha mãe encarando nós dois da varanda de casa. — Quer dirigir?
– Na realidade eu quero um banho gelado, mas você não é do tipo que curte muito esperar. — ele resmungou pegando a chave da minha mão e desativou o alarme do carro, enquanto eu, com um sorriso torto, dava a volta no mesmo. Eu não podia ver a expressão de Atena, mas já era bom o suficiente perceber pela postura dela que a minha cena na porta de casa com o garoto não era digna da postura da futura dona da empresa dela. — Onde Thalia mora?
– Na rua de trás — falei batendo a porta do carro. Ele concordou com a cabeça e deu partida no veículo, não se importando em cantar os pneus no asfalto da mesma maneira que ele fazia com a sua moto.
Ele não havia gostado nem um pouco da minha decisão sobre deixar de ir para qualquer lugar que ele quisesse me levar. E eu também não era muito fã das minhas decisões, mas eu precisava e queria ganhar a aposta.
– É aquela casa ali, a branca com o telhado escuro. — indiquei a casa com o dedo, fazendo ele diminuir a velocidade e estacionar o carro de frente a casa. — Eu já volto.
– Não irei sumir daqui com o seu carro.
– Eu nunca pensei nessa possibilidade, Jackson. — sorri me colocando para fora do carro e corri rapidamente até as escadas da varanda, pulando os dois degraus e caminhando até a porta.
Após tocar a campainha e esperar por pouco tempo, Jason abriu a porta e sorriu maliciosamente ao me ver, olhando para todo o meu corpo. Pelas suas roupas, ele iria conosco.
– Olá, anjo.
– Oi, Grace. Chama a sua irmã e fala que estou esperando vocês no carro.
– Qual é, eu não ganho nenhum beijinho de boa noite ou de oi?
– A fila andou, Jason — falei me virando de costas e sorrindo.
– Em três dias? — ele disse atônito.
– Você ainda tem a capacidade de se surpreender comigo — ri atravessando o jardim, sentindo meu cabelo bater nas minhas costas. Gritei logo em seguida — E manda a sua irmã andar logo!
Ele bateu a porta com força e eu continuei caminhando no meu ritmo, até entrar no carro e sorrir para o moreno, que era quase meu. Ele me encarou com uma sobrancelha arqueada e logo depois deu de ombros, virando o rosto para frente e revirando os olhos verdes. Céus, eram movimentos demais.
– O que foi?
– Nada demais... — ele respondeu rapidamente, batendo os dedos no volante. Olhei para ele incrédula com a sua incapacidade de mentir. — Céus, por que eu me meti com você mesmo?
– O que você esta querendo dizer?
– Que era mais fácil ignorar a tesão por você quando você era simplesmente a vadia manipuladora e não quando você é apenas você.
...
Gargalhei alto quando Thalia errou, pela terceira vez, o tardo no alvo. Percy quem havia marcado um programa com os amigos dele e quando soube que Charles iria trazer a sua namorada, ou seja, Silena Beauregard, e que Frank e Leo também iriam trazer garotas, ele me chamou e eu chamei Thalia, que chamou o Jason.
Nós estávamos em um pub do outro lado da cidade, a decoração do lugar era bem rústica e a iluminação era baixa, tinha vários jovens bebendo atoa e outros nem tanto, com uma música antiga, rock clássico talvez, tocando como som de fundo.
Nico se levantou para ir ajudar Thalia acertar o tardo no alvo invés da parede enquanto eu puxava a cerveja da mão do Percy para que eu pudesse beber. Dionísio, o dono do pub, era um cara legal e não se importou em pegar as nossas identidades para se certificar de que todos nós eramos maiores de idade, apenas deixou claro que não queria ninguém dirigindo bêbado de madrugada.
– Não está falando muito — murmurei no ouvindo do Percy, depois de deixar a garrafa sobre a mesa. Me aproximei mais dele e beijei o seu pescoço, sentindo seu braço envolver a minha cintura e me aperta mais ao corpo dele. — Nunca me imaginei dizendo isso, mas, se quiser, pode me arrastar para qualquer quanto e se abusar de mim.
– Não sou esse tipo de homem, Annabeth — ele falou passando os dedos pela pele exposta da minha barriga.
– Prefere pétalas de rosas espalhadas pela cama e velas aromáticas? — sussurrei levantando um pouco a minha cabeça para poder ver o seu rosto. Ele sorriu levemente e negou com a cabeça, voltando seu olhar para mim logo em seguida. — O que você prefere então?
– Você teria que... Provar, para entender.
– Se o seu objetivo é me deixar curiosa, parabéns, você está conseguindo. — ele deu uma risada baixa e rouca, olhando para o outro lado da mesa e tendo a visão de dois casais: Charles e Silena e Leo e Reyna, que também conversavam aos sussurros. Jason estava largado no bar com uma vadia qualquer, ela era mais velha que ele, bem mais velha, e também tinha seios grandes demais para serem naturais.
Mas outra coisa me chamou a atenção no bar. Eu reconheceria aquela estrutura, os fios cor de areia e a postura até se tivesse se passado vinte anos. Luke Castellan não é uma pessoa que você se esquece facilmente, principalmente quando você odeia ele.
Se eu fechar meus olhos ainda posso ver seus sorriso aberto, com varias covinhas na sua bochecha, aquele tipo de sorriso canalha que infelizmente deixa todas as garotas babando por ele. O sorriso que me enganou e que me deixou babando por ele.
A última noticia que eu tive dele era que ele estava morando no Canada, realmente esperava que ele morresse lá, mas pelo jeito, ele havia voltado e se as minhas contas e deduções estiverem certas, ele deve estar na faculdade.
– Está tudo bem? — Percy questionou me tirando do meu devaneio. Desviei meu olhar das costas do Luke e olhei para os olhos verdes do Percy, dando um sorriso forçado e concordando com a cabeça, eu estava bem, era apenas Luke Castellan, alguém que eu dei o azar de conhecer e que me tornou o que eu sou hoje.
– Eu vou jogar com a Thalia — disse rapidamente, me levantando. Dei um rápido beijo nos lábios do moreno e fui na direção da minha amiga.
Tomei os tardos da sua mão, fazendo a morena me fuzilar com o olhar, mas eu me limitei a dar de ombros e ignorar. Meu primeiro tardo acertou o alvo de vinte e cinco pontos e a partir dai eu comecei a jogar um atrás do outro, alguns tardos simplesmente batiam em algum número e caiam no chão, enquanto outros ficavam presos na pontuação de vinte e cinco, quinze e sessenta. Mas nunca a de cem.
– Luke está aqui — finalmente falei, baixinho, devolvendo os tardos para a Thalia — Eu nem sabia que ele estava em Seattle!
– Ele chegou cinco minutos depois de nós, só que você estava ocupada demais se pegando com o Percy… Eu tentei te avisar — ela disse indiferente — E ele voltou a morar aqui, está trabalhando em uma concessionária.
– E porque eu sou a última a saber disso?
– Porque talvez fosse melhor você não saber disso. — ela me olhou, sem raiva, nem dó, apenas com uma amiga — Eu me lembro bem de como foi aquele verão, Annabeth, me lembro de como você se autodestruiu por causa dele. Pode ter sido fácil contar a sua versão dos fatos para Percy, porque você podia esconder a dor que sentiu, mas eu me lembro bem e não foi tão fácil assim você se reerguer do fundo do poço que ele te colocou. Faz um favor a si mesma: deixa Luke no seu passado e pensa em como você vai vencer essa aposta e ainda assim vencer a sua mãe, porque ela comentou com a minha mãe que o diretor de Yale vai vir assistir a sua apresentação no próximo jogo.
– Como é que é? O diretor de Yale?
– Sim o diretor de Yale, sua mãe está implorando isso para ele a meses e como as inscrições logo se abrirão, ela finalmente conseguiu o que queria — ela falou calma, com os lábios crispados e o olhar preso no alvo — Atena está fazendo de tudo para que você entre em Yale, então se eu fosse você, fracassava no próximo jogo… A não ser que queira se tornar exatamente o que a sua mãe é.
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