Quem quer que me olhasse, nunca iria perceber ou cogitar na ideia de que Annabeth Chase, a rainha de todos os bailes da Goode High School e a garota que não mede esforços para deixar tudo perfeito, com um ego muito inflado e um orgulho indomável, teria chorado e gritado para os quatro ventos que odiava ter o sobrenome Chase.

– Ele conversou com você por cinco minutos, Annabeth, não iria dizer que ele já está nas suas mãos.

– Mas ele não está, Thalia, só que eu, Annabeth Chase, sempre tenho uma carta na manga.

– Aquilo foi um golpe, então?

– Você não tinha aula de literatura? — arqueei minha sobrancelha, vendo a Thalia retribuir o gesto e, quando percebeu que eu não iria ceder, bufou irritada. — Relaxe, ou então vai acabar ficando com rugas antes da hora.

Dei um beijo na bochecha dela e bati o meu armário, com o trabalho de história que a Rachel havia feito para mim — que agora eu era obrigada a tirar um A em vez de um B+ — nas mãos e indo tranquilamente na direção da minha sala de química.

Subi os degraus rapidamente, olhando para o chão e não para o que podia acontecer. Bem, se eu estivesse no caminho de alguém, ele que desviasse a sua rota, porque isso eu nunca fiz e nem mesmo penso em fazer um dia.

– Sua mãe já começou a te dar educação ou eu vou ter que esperar e perguntar amanhã novamente? — mordi meu lábio, me jogando na cadeira ao lado do Percy. Ele me encarou com o cenho franzido e depois voltou a olhar para frente, como se o que aconteceu ontem, nunca tivesse acontecido. — Tudo bem, eu não fui muito educada com você ontem, mas você nunca é educado comigo e você escolheu um péssimo momento para tentar se aproximar de mim.

– Não estava tentando me aproximar de você, estava tentando evitar que você fizesse o típico escândalo de vadia só porque quebrou a unha.

– Quem me dera que a minha unha fosse o meu problema — respondi olhando para elas, pintadas de vermelho fosco e, na realidade, elas nem eram tão longas assim. Ser líder de torcida não deixava eu ter alguns luxos, como unhas compridas e piercings, o que eu nunca teria por causa dos meus pais me fazendo de marionete. — As vezes as pessoas tem motivos para se tornar o que são.

– Existe motivo para se tornar uma vadia? — ele me olhou com uma expressão cética.

– Vai me dizer que não existe motivo para se tornar um ignorante idiota? — sorri para ele, vendo que o moreno apenas revirou os olhos. — Viu, consegui conversar com você por mais de meio minuto.

– Já percebeu que o Nico está sem dupla? Por que não vai se jogar para cima dele e não me deixa em paz?

– Essa palavra existe? — arregalei meus olhos, fazendo o moreno respirar fundo, visivelmente irritado. — Tudo bem, bonitinho, mas depois não apareça na minha janela querendo saber... Você sabe, curioso.

Dei um beijo na bochecha dele e puxei as minhas coisas, indo na direção do Nico e me sentando ao seu lado, com um sorriso animado e ao mesmo tempo malicioso.

Nico começou a me perguntar coisas que eu apenas respondia brevemente, dando em alguns momentos uma atenção maior para ele, porque meus olhos estavam presos nas costas do Perseu, vendo ele olhar duas vezes por cima do ombro na minha direção, até o professor entrar acompanhado de Rachel e dar início a aula, uma vez que a ruiva acabou fazendo dupla com o meu moreno.

...

– Eu não sou surdo! — Trevor disse segurando o meu pé, uma vez que ele não conseguia me manter em pé no ombro dele.

– Então faça o que eu mandei, sem que eu tenha que repetir mais mil vezes! — respondi me preparando para o salto. Ele endireitou a coluna e soltou o meu pé aos poucos, me ajudando a ter um equilíbrio maior no ombro dele e no do Mike.

Respirei fundo e olhei para o chão, que estava a um metro e oitenta dos meus pés, para depois olhar para o campo e ver os meninos jogando.

Foquei meu olhar no Percy e sorri, a partir de agora essa apresentação seria toda para ele e eu não ia fazer questão de colocar um short por baixo da minha saia no dia do jogo.

– Pronta?

– Já nasci pronta, Mike — revirei meus olhos e coloquei as mãos para cima, vendo a pirâmide se formar rapidamente e, quando a última garota se posicionou, eu saltei para o ar.

Eu havia apenas adicionado um passo a mais para a apresentação. Quando eu pulasse, os meninos, para não ficarem parados, iriam dar um mortal no ar também, assim daria o tempo do meu mortal e de cair no topo da pirâmide.

Pirâmide até que teria saído perfeita se Quione e Katie não tivessem deixado os braços moles e desmoronado a pirâmide inteira.

Quem acabou se machucando mais foram as duas, que não foram machucados, foram arranhões e só. Eu cai por cima de quase todas as meninas, mas ainda sim consegui arranhar a minha perna.

Se existia uma coisa que eu odiava ver, era sangue e, nesse momento, escorria sangue da minha perna.

Me levantei, ignorando a queimação na minha perna e indo atrás da minha bolsa no banco. Puxei ela e, sem me importar com os machucados, comecei a marchar na direção do vestiário feminino. Quem me parou foi a Silena e a sua voz fina.

– Não vai gritar conosco?

– Imagina, Silena... Eu nem gritei o suficiente nos últimos cinquenta minutos pedindo para vocês fazerem uma pirâmide correta — mexi meu ombros e depois me virei, empurrando a porta do vestiário e indo na direção dos chuveiros.

Retirei a minha roupa de treino e me enfiei sob a água quente, sentindo a minha perna arder ainda mais, mas acabei ignorando aquilo e me focando em tomar meu banho tranquilamente. Logo eu pude ouvir o barulho das outras meninas, que já pareciam ter se recuperado da queda.

Me enrolei na toalha e sai dali, já sem nenhum resquício do sangue na minha perna e, a queimação de antes, havia se tornado uma leve ardência.

– Podemos fazer alguma coisa por você? — Quione perguntou enquanto eu me vestia, sem ser com o uniforme, com roupas normais que se usa no final do inverno.

Vesti a minha lingerie e calça jeans escura, ignorando ela por completo, como se eu fosse surda. Passei a blusa justa pela minha cabeça e pelos meus braços, para então começar a desembaraçar o meu cabelo louro molhado.

Apenas depois de vestida, maquiada e com uma touca na minha cabeça, eu peguei as minhas coisas e caminhei para a porta de saída do vestiário.

– Da próxima vez não me deixem cair da pirâmide — disse por fim, abrindo a porta e percebendo que estava nevando. Já era de se esperar, o dia ficou fechado, com densas nuvens, desde a hora que acordei.

Puxei o meu celular de dentro da minha bolsa e procurei o número da minha mãe na lista de contatos, porque eu era idiota o suficiente para esquecer sempre de colocar o maldito número na discagem rápida. Eu precisava que ela viesse me buscar logo, meu carro escolheu um péssimo dia para quebrar e eu odiava ficar na neve.

– Não posso ir te buscar.

– Mãe!

– Pede para a Thalia te levar embora, eu estou em reunião...

– Thalia já foi embora, eu fiquei até mais tarde no treino e ainda ganhei em troca uma perna machucada. — resmunguei tentando fazer com que ela desistisse da reunião, com piedade de mim, e viesse me buscar.

– Então vai embora a pé. Você mora a quatro quadras da escola.

– Mãe, está nevando... — comecei a dizer, mas a ligação acabou ficando muda.

Bufei irritada e comecei a caminhar na direção da minha casa, eu podia muito bem pedir um táxi, mas o tempo que ele iria levar para chegar na escola era o tempo que eu iria levar para chegar na minha casa e, nos dois casos, eu corria o risco de pegar uma gripe, ou uma hipotermia ou até mesmo uma pneumonia. Acho que os três casos não iriam fazer diferença alguma para a minha mãe.

Limpei um floco de neve que caiu no meu nariz e soltei um suspiro, vendo a longa avenida da escola e percebendo que eu mal havia saído da área dela. Eu não era sedentária, longe disso, eu era uma atleta, só que, caminhar na neve não estava na lista das dez melhores coisas para se fazer na vida.

– Vai ficar doente.

– Sério? Eu nem sabia disso — revirei meus olhos, não deixando de caminhar. Percy me seguiu, deixando a velocidade da sua moto quase no morto.

– O que aconteceu com o seu carro?

– Ah, ele foi dar uma voltinha por aí e me deixou aqui, na neve — dei um sorriso sem humor para o moreno, que revirou os olhos.

– Quer carona?

Eu queria gritar sim na hora, mas eu corria o risco dele me achar mais vadia ainda e me deixar para trás. Então, como o meu plano era não parecer uma vadia tão vadia para ele, eu continuei a caminhar.

– Você só tem um capacete e eu não quero morrer tão cedo.

– Eu te empresto o meu capacete.

– Ai você morre e a sua mãe coloca a culpa em mim. Continuo preferindo ir andando, só tenho que andar mais três quadras e meia mesmo.

– Anda logo vai, eu não vou fazer você sofrer um acidente ou algo do tipo, são só três quadras e meia mesmo. — ele respondeu parando a moto ao meu lado e retirando o capacete da cabeça. Ele estava mesmo usando meu próprio argumento contra mim?

– Eu já disse que não.

– Qual é, Annabeth, eu te conheço...

– Conhece? Nossa que estranho, porque eu não conheço nada de você. Vamos lá, o que você sabe de mim? Sabe meu nome, a minha idade, sabe que eu sou a sua vizinha e que eu sou uma vadia, sabe que eu sou líder de torcida e também sabe que eu tenho aula de química, inglês avançado e biologia com você. — cruzei meus braços, olhando para ele. Caramba, Annabeth, quando você se tornou tão boa atriz? — Você não me conhece, Perseu, porque você não quis. Todas as vezes que eu tentei me aproximar de você, você me ignorou ou fez um comentário de mal gosto, sempre terminando a frase com um vadia.

– Nunca reclamou sobre eu te chamar de vadia.

– Eu aprendi que reclamar de um comentário só faz a pessoa querer usá-lo mais ainda, então eu ignorava isso e ainda assim tentava me aproximar de você, só que você nunca parou de me ofender e eu nunca parei de tentar me aproximar de você, Perseu. — respondi guardando um sorriso dentro de mim. Eu era a rainha do drama, só pode. — Agora, se você me dá licença, eu vou ir para a minha casa, andando, sua mãe pode não ter te dado educação, mas a minha me deu e me ensinou a não aceitar carona de estranhos.

Apertei o meu casaco em volta do meu corpo e ignorei o sorriso sarcástico dele, voltando a caminhar na direção da minha casa e deixando o moreno para trás. Eu podia até ter atingido a minha meta mas o fato é que amanhã era sexta, o segundo dia da aposta e eu precisava fazer ele afrouxar o nó dele de alguma maneira.

...

Eu sabia que a minha mãe estava no andar de baixo, falando com meu pai pelo Skype ou até mesmo trabalhando, para variar.

A leve tempestade de neve havia se tornado uma verdadeira nevasca. Pelo jeito iríamos passar o dia dos namorados em uma imensidão de corações vermelhos e lugares brancos, mais uma vez. Era impressionante, quando não chovia, nevava.

– Ei, Cookie, calma — acariciei o pelo úmido da minha mini coelha branca, sentido o ar quente do meu secador bater no pelo dela e nas minhas mãos.

Nunca ninguém me disse que não podia dar banho em coelhos, mas já fazia três meses que eu havia ganhado a Cookie e desde então eu vinha dando banho nela, o que apenas deixava ela agitada, não doente.

Respirei fundo, virando ela e vendo seus olhinhos vermelhos e o seu narizinho rosa. Dei um leve sorriso e coloquei o vento do secador na frente do seu rosto, vendo ela abaixar as orelha e mexer o nariz, desconfortável.

Ela é tão fofa!

– Não sabia que gostava de coelhos...

– Puta que pariu — resmunguei apertando a Cookie no meu peito. Desliguei o secador e encarei Percy Jackson, encostado no batente da porta do meu banheiro, com uma expressão despreocupada e um leve sorriso nos lábios. — Não sabe bater na porta?

– Eu bati, mas você não escutou, pelo jeito.

– Desculpe, estou um pouco ocupada caso não tenha percebido — respondi desviando meu olhar do rosto dele e colocando a minha coelhinha no suporte de mármore da minha pia. Peguei a escovinha rosa e comecei a passar pelo corpo branco da Cookie. — O que você quer?

– Falar com você.

– O que está esperando, então? — puxei uma fita de cetim vermelha e coloquei ela em volta do pescoço minusculo da Cookie, dando um laço fofo e logo em seguida, após pegá-la mais uma vez, dei um beijo nela.

Atravessei o meu banheiro e passei pelo garoto, fazendo questão de não encostar nele. Me sentei no centro da minha cama e coloquei a Cookie na minha frente, puxando o prato com os biscoitos que deram origem ao nome dela e pegando um para mim.

– Qual o nome dele?

– Ela se chama Cookie — respondi dando ênfase no ela. — Senta ai, Perseu.

– Odeio que me chamem de Perseu... Nem a minha mãe me chama de Perseu!

– Eu odeio que me chamem de vadia e nem por isso fico reclamando como ela velha gaga. — retruquei com um sorriso seco nos lábios, vendo ele se sentar de frente para mim. Abaixei meu olhar rapidamente, quebrando um pedaço do cookie e dando para a Cookie.

– Seus pais são divorciados?

– Não, mas existe um oceano separando eles. Meu pai é historiador, está na Africa atrás de mais fósseis, só volta para a casa duas vezes no ano, festas de final de ano e o meu aniversário... Só que esse ano ele não veio em nenhum dos dois casos, está achando, ou acha que está, um fóssil de uma nova espécie de ser vivo — respondi a história completa para ele, para não ter que fazer isso outra vez. — E o seu pai? Nunca vi ele ai...

– Ele mora em Miami, com a nova mulher e o filho caçula deles... Tyson deve ter uns quatro ou cinco anos.

– Quando foi a última vez que viu ele? — questionei, franzindo o meu cenho.

– Quando ele se divorciou da minha mãe, a quatro anos atrás... Logo depois eu e a minha mãe nos mudados para cá, ela encontrou outro homem e o que era para ser apenas um ano se tornou quatro.

Concordei com a cabeça, sentindo o dente da Cookie apertar o meu dedo, a procura de mais doce. Quebrei mais um pedaço e dei para ela, acariciando com a sua orelha com a outra mão.

Olhei para o lado de fora da minha sacada, vendo a nevasca e as luzes da casa ao lado, assim como as luzes dos postes. Todo o resto, se eu não soubesse que existia e onde estava, acabou sendo tomado pela escuridão da noite.

– Desculpe por chamar você de vadia... Eu achei que você não se importava e tinha horas que você até parecia gostar do título, por isso nunca parei. — ele falou meu fazendo olhá-lo rapidamente, espantada.

– Eu não me importo, mas as vezes machuca e o que você faz? Sorri e guarda o troco para depois... Só que eu sou idota o suficiente para ignorar a minha vingança, todas as vezes que machuca, quando você me chama de vadia. — respondi olhando séria para ele. Era nessas horas que eu agradecia a minha mãe por ter me colocado nas aulas de teatro quando eu tinha oito anos.

– Me perdoe, por favor.

– Eu acho que um perdão é pouco para três anos de ofensas e ignorância da sua parte... Mas você poderia me responder um coisa? — ele concordou com a cabeça, rapidamente. Meu joguinho com ele estava dando certo, ou muito mais que certo. — Por que era ignorante comigo?

Notas finais
Heey! Merry Christmas meus amores!! Queria estar em NY essas horas, mas ok, vamos para a praia Petalla. Então, eu prometi que iria postar essa semana e aqui estou eu!!!! Comemorem, era apenas para postar amanhã, mas que idiota posta capítulo na vespera do natal? Eu com certeza não e, além do mais, eu vou viajar ¬¬ GENTE EU TROQUEI A CAPA DE WAYF!!! ELA TÁ LINDA, ELA TÁ PERFEITA E A ALICE DAQUI A POUCO ESTÁ MELHOR DO QUE MUITOS SITES AI!! Quero a opinião de vocês sobre ela, entenderam? Eu vou cobrar porque eu posso. Eu amo essa capa ♥ Então, é isso! Feliz Natal e até 2015 - porque já disse que vou viajar e lá não tem como atualizar Wayf ¬¬! - um bom Ano Novo e aquele blábláblá de fim de ano. Beijos ♥♥