World of minds
34 Avisos de morte.
Notas iniciais
POV ANNIE
Ficar trancada num quarto, sem comida por uma semana foi um grande castigo eu admito, mas as luzes acesas tornando impossível fechar os olhos era uma droga.
Quando os sete dias passaram, o que eu não sabia como o tempo estava passando por que era como se o dia fosse interminável naquele quarto, eu já estava fraca. Eles vinham 2 vezes no dia, penso eu, e me deixavam usar o banheiro e tomar água, pelo menos eles não queriam que eu morresse.
Eu não podia tentar fugir por estar fraca demais então minha única chance era aguentar.
E eu aguentei.
No sétimo dia Luke e os outros Dotes vieram me buscar, me levaram para um lugar cheio de camas, era o quarto onde todos os Dotes da Organização dormiam e que uma das camas, uma encostada na parede no fundo do dormitório, seria a minha e me deram roupas, o uniforme deles. Eu fazia tudo que eles pediram com as minhas únicas forças restantes, agora eu estava no banheiro me vendo no espelho, uma das garotas me ajudou a me arrumar e me deixar bonita – totalmente desnecessário – mas aqui estava eu, pronta, parecia realmente um deles agora.
– Certo, você deve estar faminta, vou levar você para comer alguma coisa e depois vamos ver o Dylan, ele é tipo o chefe dos buscadores, aqueles que são encarregados de encontrar mais de...você sabe, de nós. – Fala Luke rindo. Como se fosse engraçado, meus deuses eu terei trabalho por aqui.
– Tudo bem. – Não vejo a hora de comer e eles não calam a boca.
Seguimos por corredores e damos em um baita refeitório, todos os olhares dos guardes, que assim como os da base que atacamos vestiam azul, se voltaram para nós, não penas por minha causa, mas por causa de todos nós.
Hostilidade entre eles, isso pode ser bom. Penso, os normais tem medo e raiva da equipe de Dotes e parte dessa raiva é pelo ataque que nós fizemos, eles culpam todos com dons por isso.
– Você se acostuma com isso. – Diz um garoto que apesar de ser americano tinha aparência japonesa e seu olho esquerdo era tapado por um tapa olho, seus cabelos pretos me fizeram lembrar de Percy.
Suspiro ajeitando minhas luvas e o casaco, começo a andar.
– É eles não gostam mesmo da gente. – Digo enquanto muitos dos guardas tem pensamentos hostis para conosco.
– Não, eles não gostam, mas os chefes gostam de ter nós nas mãos deles, somos objetos valiosos aqui e trabalhando para eles temos a chance de não sermos mortos. – Fala ele, enquanto nos encaminhamos para nos servir, pego tudo que eu tenho vontade. – Aliás, prazer Ethan.
– Annabeth, mas acho que você já sabe.
– É, já sei, todos sabemos. As pessoas que atacaram a unidade deixaram os chefes nervosos. Principalmente você, mas você parece ser manipulável e uma boa arma no futuro por isso ainda está viva. — Vai sonhando. Eu sou a manipuladora aqui mané. Ele tira um óculos do seu colete e me oferece. — Toma combina com você.
Faço minha melhor cara de inocente para ele pego os óculos e coloco no bolso de dentro do meu casaco e ele ri, nos sentamos numa mesa no meio do refeitório e finalmente começo a comer, já estava quase desmaiando.
Eu fiquei uma semana sem comer e não sofri o tanto que uma pessoa normal sofreria, mas era isso, eu não sou normal mesmo.
Comemos em silencio, estava no horário do almoço, era tão estranho estar no meio deles — os inimigos — e ainda agir como se estivesse tudo bem. Não estava tudo bem.
Meus amigos não estavam comigo, eu não sabia como Percy estava indo, não sabia que tipo de decisões eles tomariam. Era frustrante. Estar longe de Percy era frustrante.
– Então Annabeth como você encontrou aquele grupo tão poderoso? – Pergunta uma garota de olhos castanhos.
Estávamos indo para a sala do tal Dylan e a garota resolveu entrar no assunto logo agora.
– A garota Piper era um rastreador, ela me encontrou, eu fui a ultima a ser encontrada. – Digo, eles sabiam da Piper mesmo, então não tinha problema, fora que fazia sentido. – Eu não gostava de como eles agiam, mas eu não tive escolha.
– Por isso você estava tão assustada e quis fugir na hora do ataque e acabou encontrando a garota? – Pergunta Luke, agora interessado na minha explicação e querendo mais saber o porquê eu havia concordado em ajudar A Organização. – Você era nova na equipe deles e não se sentia bem com eles? Era isso?
– Pode se dizer que sim. – Digo. –Eles não eram para mim, eu não me sentia bem com eles. Como eu disse ao Dionísio eu quero ser ajudada e vocês são a melhor opção.
Ele sorri, um sorriso estranho. Ele estava mesmo dando em cima de mim? Ah pelo amor dos deuses, se Percy visse isso ia ter confusão.
Então ignorando a estranha atitude de Luke para comigo volto ao meu papel, sorrio de volta para ele. Ele é bonito, mas não está do lado certo e nem é o garoto que eu amo, apesar de eu querer uma família não acho que ele seja minha melhor opção.
Continuamos andando até chegarmos em uma porta de um escritório, lá os outros se despedem e ficamos apenas eu e Luke.
– Você vai se acostumar com aqui Annabeth.- Fala Luke, encostando-se á porta, seus cabelos cor de areia estão desarrumados e seus olhos azuis tem marcas de expressões, bem a baixo do seu olho uma cicatriz que apesar de estranha o deixa ameaçador de um jeito bom. Perco minha linha de raciocínio quando uma voz arrogante diz:
– É ela vai. – Um garoto também loiro com olhar arrogante abre a porta e entra sem se incomodar de nos chamar. Ele se senta na cadeira atrás da mesa numa pose desnecessária de macho alfa e dá um sorriso gelado. – Muito prazer minha cara Annabeth Chase sou Dylan, seu superior.
O jeito que a palavra superior sai de sua boca manda um arrepio pela minha espinha. Tento ignorar os avisos de minha mente para me manter longe dele e avanço para dentro da sala seguida por Luke que também não ficou muito animado com a chegada do chefe. Nos sentamos a sua frente e esperamos.
– Bom eu chamei você aqui para esclarecermos algumas coisas. Sabíamos quem você era, tínhamos um olho em você. Nico DiAngelo, um dos nossos maiores buscadores estava com você nas mãos, só precisaria saber se você era realmente uma Dote. – Começa ele. Papo furado, eu mesma já sabia disso. – Mas ele meio que entrou para o lado errado, não sabemos o que foi que fez ele mudar, ele deixou você escapar, deixou a área que ele era encarregado de cobrir sair limpa, ele entrou aqui acompanhado de um bando de jovens inconsequentes, mas poderosos, libertou os Dotes que foram julgados inaptos para o trabalho e fugiu com eles. E sabe qual a coisa que está no meio de tudo que aconteceu?
Sim, eu.
– Não. – respondo.
O seu sorriso se amplia e ele põe as mãos em baixo do queixo me observando atentamente.
– Você Annabeth. Tudo o que aconteceu girou em torno de você. Mas você deve estar pensando: e agora? Bom, e agora você está conosco. Você quer fazer parte da Organização. – Fala ele e algo me diz que tem um puco de zombaria em seu tom.
E você quer me ferrar. Penso. Esse cara é um filha da puta.
– Ela não queria ter estado com eles. – Fala Luke, tentando intervir. Essa era minha deixa, comecei meu trabalho de o manipular para ele pensar que eu era uma garotinha indefesa que só queria ajuda.
– Eu não queria, eu juro. – Digo. – Eles que me procuraram a garota, a Piper me achou e me fez ajuda-los.
– Sei. Nada contra por você estar aqui agora. – Fala, mentiroso, ele não está nada feliz eu ter sido aceita para fazer parte deles e com certeza quando ele tiver chance vai me ferrar. – Mas eu só queria avisar que se você pensar em mudar de lado você vai morrer, por que foi fácil para você deixar eles de lado e se juntar a nós, mas eu aviso que não vai ser fácil nos deixar de lado.
– Isso não vai acontecer. – respondo e minha voz sai ameaçadora, o que eu não previ, mas eu gostei disso. Ele saberia que não deveria mexer comigo.
Ele se endireita na cadeira e levanta uma sobrancelha, está totalmente irritado, mas não pode fazer nada até ter a chance de me derrubar. O que como eu disse não vai acontecer.
– Dispensados.
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