World of minds
35 Ela acordou
Notas iniciais
POV PERCY
Treinar com Clarisse já não era boa coisa, agora com Clarisse e com a Thalia... Aí já era outra história. As duas são incansáveis, sempre arrumando um jeito de fazer com que eu e os outros treinassem ainda mais.
– Vamos Percy, é tão difícil assim acertar sua água mágica em alguém? – Pergunta Clarisse me perturbando.
– Já disse que não é água mágica!
Estávamos fazendo circuitos com alvos feitos para imaginarmos ser possíveis agressores. Tínhamos que passar pelo circuito acertando os alvos com nossos poderes e essa era minha vez. Eu tinha que me concentrar para levar água de não sei aonde – eu estava tentando as do encanamento – para o alvo e ainda ignorar as constantes “observações” de Clarisse e Thalia em meu ouvido.
Estiquei minha mão na direção da casa e me concentrei em sentir a água que fluía pelos encanamentos, quando a sensação de ligação entre a água e eu estava passando por mim levei meus braços na direção do alvo. Água explodiu em direção do alvo e acertou todos que estavam perto, inclusive Clarisse.
– PERCY SEU ENERGÚMENO! – Gritou ela balançado os braços encharcados. – Eu vou matar você! Era apenas para acertar o alvo!
– Hey eu acertei o alvo! – Me defendo. – Só foi um pouquinho de força a mais.
– E a força a mais nos molhou – fala Leo. –E hãrg eu odeio água, ela é tão... molhada.
Uns começam a rir e uns a reclamar, mas estes acabaram cedendo já que esse era meu primeiro ataque ofensivo.
Continuamos treinando até o anoitecer quando Will passa correndo pela porta da casa.
– Ela acordou! A garotinha acordou. – Fala ele ofegante. Todos gritamos e comemoramos, muitos queriam vê-la, mas Will disse que ela precisava descansar só que antes ela queria falar comigo.
Subi as escadas correndo. Desde o nosso encontro no sonho eu não podia deixar de me preocupar com ela porque de certa forma ela é minha responsabilidade. Apesar de eu não saber o que era responsabilidade até recentemente.
A porta do quarto estava aberta, mas mesmo assim dei três batidinhas da porta antes de entrar. Ela estava sentada na cama com os cabelos marrons soltos, pequena e magra deveria ter uns doze anos seus olhos castanhos me olharam com curiosidade e ela sorriu.
– Garoto do sonho é bom ver você.
Sorri pra ela e me sentei na cadeira do seu lado.
– Oi, eu fiz o que você mandou e estou feliz por você estar bem. –falo
– É eu sei, prazer Ártemis. – Diz ela estendendo a mão para mim, a aperto.
– Percy. Você disse para Will que queria falar comigo?
Ela suspira.
– Eu tenho habilidades de me comunicar através dos sonhos, mas ainda estou trabalhando nisso e também posso ver algumas coisas no futuro. Eu fiquei sabendo que uma das pessoas que ajudaram no resgate ficou para trás e o futuro está mudando por isso.
Preocupação passa por sua feições, como se algo não estivesse certo. Me surpreendi com suas habilidades e ainda mais com a parte de o futuro mudar.
– Annabeth ficou para trás. Como... Como assim o futuro está mudando?
– Eu não posso dizer. – Diz ela rapidamente, mas volta seus olhos a mim e continua: — Percy o futuro sempre está mudando, mas eu sabia desde que eu me comuniquei com você que não podíamos de jeito nenhum deixar eles botarem a mão em alguém poderoso. E eu preciso saber, essa garota é poderosa?
Que tipo de pergunta era essa?
– É claro que Annie é poderosa, mas ela jamais deixaria eles a usarem, ela... ela não mudaria de lado.
Isso não podia acontecer, eu sabia que o aviso que ela havia me dado no sonho era sério, mas eu não pude fazer nada para impedir a Annie de ficar para trás e agora essa garota me diz que eles iriam usar a Annie, isso é um pesadelo.
Ártemis sentou na beira da cama e segurou minha mão.
– Como ela é? Você tem alguma foto dela?
Pego meu celular torcendo para que tenha alguma foto de Annabeth nele e encontro uma dela deitada em meu colo sorrindo pra mim, foi tirada nos dias de paz que tivemos antes de toda essa loucura acontecer.
Ártemis pega o celular e franze a testa, quando ela olha para mim novamente vejo pesar em seus olhos.
– Sinto muito Percy, mas eu vejo quando as coisas acontecem eu vi a imagem de uma garota loira usando o uniforme deles, ela estava ao lado de guardas e não parecia ser contra a vontade dela. Só que essa garota é a mesma dessa foto.
Primeiro eu pensei não ter ouvido direito, mas depois que eu entendi o que ela queira dizer eu senti que iria explodir.
A garota que eu amo que lutou contra tudo esta ou estaria no futuro lutando ao lado da Organização por vontade própria?
– Não é possível. – Sussurro.
– Eu posso estar errada, como eu disse as coisas mudam e eu vejo apenas imagens, não é certeza minhas visões.
– Eu preciso ficar sozinho. – Digo.
Tropeçando em meus pés saio do quaro e desço as escadas. Muitos estão na sala e me veem sair da casa com preocupação. Eu vou para o lago, está escuro, mas não ligo. Minha cabeça gira em torno da possibilidade de ser um engano, de Annie não ter mudado de lado, de ela ainda estar presa apenas esperando por mim. É loucura.
Eu sei que não tem como eu saber o que ela escolheria, mas trabalhar para eles? Não, ela não faria isso. Ou faria? E se ela tiver feito? Eu seria capaz de lutar contra ela? Nós todos seriamos capazes de lutar contra seus dons?
A pergunta de Ártemis me atingia: Ela é poderosa?
Sim ela é, e poderia nos arruinar. Mas ela era Annabeth, a garota mais surpreendente de todos os tempos, ela tem garra, tanta que conseguiu sobreviver a tudo o que aconteceu.
– Ela sobreviveu. Ela está viva então.
Então minha cabeça começou a girar em torno do que poderia acontecer daqui para frente. O que eu ira fazer.
Annie está viva. Ela não havia morrido no ataque, a minha loira havia sobrevivido. Mas e agora?
Quando dei por mim estava às margens do lago, a noite caia sem nuvens no céu e a lua cinza fazia me lembrar da cor dos olhos dela.
A água do lago instantaneamente me acalmou quando entrei na água gelada, comecei a flutuar a luz da lua pensando nas diversas formas de manter minhas esperanças. Mas de uma coisa eu sabia.
Eu iria encontra-la.
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