Notas iniciais
Um pequeno Bônus de como foi o beijo delas, mas o capitulo de verdade vem na quarta ou quinta.
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Foi um choque o primeiro espasmo que senti como se todas aquelas borboletas presas estivessem loucas para escapar pela boca e depois o desejo que dure para sempre quando ela começou a se movimentar. A ultima coisa que me lembro foi a sensação de sua língua molhada percorrer meu lábio inferior, que foi cortado bruscamente quando ela se esquivou com um estalo de lábios.

- Não... você bebeu, eu não posso com bebida. – colocou os dedos sob a boca.

Lembrei daquela voz em minha mente aconselhando a dizer não a Taylor e seu copo de Vodka me culpando por não ouvi-la.

Ela ameaçou levantar-se, mas segurei seu rosto entre minhas mãos, me fazendo perceber o quanto queria tocá-la assim.

- Hoje você pode. – confirmei.

Senti sua hesitação ao se aproximar, mas quando senti sua boca na minha tudo pareceu desaparecer.

Senti meu coração martelar minha caixa torácica quando percebi o carinho que o passeio de seus dedos faziam em minha cintura, minha mão já mergulhada em seus cabelos.

Assim como o toque confuso de nossas mãos nos assustou ao serem praticamente perfeitas no entrelace aconteceu com os lábios, sendo eles num formato de medidas exatas para o encaixe.

Foi estranho o momento da separação, me fazendo sentir que nada mais seria normal após desse contato. Como se o sonho tivesse virado minha realidade, o que não era nada comum quando o assunto sou eu.

Nossas testas ficaram ligadas o tempo necessário para as respirações se acalmarem, mas logo senti a sua deixar a minha.

Observei seu rosto sério percorrer a sala em pedaços, os braços descansados nos joelhos.

Foquei seu rosto de perfil, ajeitando uma mexa rebelde de cabelo preto atrás de sua orelha e depositando um beijo na bochecha exposta. O sorriso foi mínimo em seus lábios ainda avermelhados, mas foi o bastante para me fazer aproximar-me entrelaçando nossos dedos e apoiando a cabeça em seu ombro.

Fiz uma nota mental para agradecer Taylor pela carona, afinal, descobri que não me divertiria daquela festa sendo que deixei Demi. Confio nela, mas só por deixá-la sem companhia já me pesava e agora sabia por quê.

Esse sentimento curioso de preocupação extrema esclareceu em minha mente, como se fosse obvio e todo tempo fosse somente eu esticar a mão e agarrá-lo. Todos os pensamentos de confusão nas noites de choro revelados de uma forma tão simples, mas ao mesmo tempo tão complicada.

- Acho que gosto de você. – sussurrei, aspirando o cheiro de sua blusa.

- Pode ficar pior. – respondeu, a voz sem vestígio algum de choro.

- Pode? – perguntei.

- Eu poderia gostar de você também. – falou.

- E... você faz? – tornei a perguntar.

De um certo modo tinha medo da resposta. Na verdade, tinha medo que a resposta fosse o esperado: não.

Sabia que estava agindo estranhamente de novo, torcendo para Demi gostar de mim. Mas, como se aquele beijo me despertasse, quando acordei Demi era a mulher mais bonita e interessante no mundo. Claro que o “gostar” era diferente, não era carinho de amigas nem mesmo de irmãs.

- Acho que sim. – suspirou ao apertar ligeiramente nossos dedos juntos.

Um sorriso involuntário e um tanto bobo se formou em meus lábios.

- Mas, tenho medo. – completou.

- Medo? – questionei. – É pela Megan?

- Não. – negou rapidamente. – É... é que, eu odeio admitir, mas me apaixono muito fácil e sempre saio machucada.

- Você esta... apaixonada por mim? – disse.

- Não. – negou novamente. – Eu gosto muito de você, mas é ai que entra meu medo, e se essa... coisa evoluir?

- Acha que vou te machucar como as outras? – perguntei.

- Não sei. – senti seus ombros mexerem ligeiramente. – Só o tempo dirá.

- E isso quer dizer...

- Não, não é um pedido de namoro. – falou atrapalhadamente. – Não que não queria namorar você, eu só... argh! Você me deixa confusa.

- Fala com calma. – pedi rindo pelo nariz.

- Ok. – suspirou. – A questão é: nós pertencemos a realidades diferentes e seria... errado.

- Isso te incomoda?

- Não deveria, mas parece que tenho que fazer correto quando esta por perto. – admitiu. – Você merece o certo.

- A vida seguindo o certo não é divertida.

- Mas te leva para um caminho feliz. – completou. – Afinal, não me vejo com você. Pelo menos não até agora.

A ultima fala fez-me levantar a cabeça, encarando sua face virar vagarosamente para mim.

- Até agora? – perguntei, percebendo que nesse diagolo essa era minha função.

- Bem, até o beijo. – respondeu Demi. – Nunca te vi de uma maneira maliciosa, até porque você era proibida. A irmã da minha melhor amig... bem, irmã dela. Seria contra sua vontade.

- E o que me diz da sua vontade? – sorri.

- Ela não esta nada apropriada para o momento. – riu. – Até porque ela quer te beijar de novo.

- Precisa de permissão?

- Se for o correto. – aproximou-se de mim.

- Sabe, não sou muito fã do certo. – brinquei com os dedos em seu pescoço. – Então parece que podemos... tentar?

O sorriso sumiu aos poucos, mas a cortei quando ameaçou começar um novo discurso.

- Minha vez. – pedi. – Eu também nunca te vi de maneira maliciosa e esse contato foi estranho demais pra mim, mas foi prazeroso que o fez mais confuso ainda. Eu sei que você não quer me obrigar a ficar contigo só porque estou hospedada em sua casa, mas me senti diferente com esse beijo.

- Não quero te prender. – respondeu. – E ainda tem aquela tal da Taylor, ela gosta de você e tem o direito de tentar. E se você a achar melhor tudo bem, afinal, não é difícil achar pessoas melhores...

- Pare. – pedi novamente. – Se o que esta me dizendo é fruto da conversa anterior, por favor pare.

- Mas e se for verdade? – considerou. – Se for eu o problema entre você e sua irmã? Não posso deixar você entre mim e sua família, nunca faria isso.

- E é exatamente por isso que insisto que todas as palavras que saíram da boca de Megan foram grandes mentiras. – sorri, percebendo um brilho diferente em seu olhar. – Acho que é por isso que meu coração acelera quando estou perto de você.

Notas finais
Review ?