World Of Chances

14 End Of All Time


Notas iniciais
Stars Of Track And Field - End Of All Time
Ia postar só amanhã, mas 'tava sem nada pra faze no pc ... dai né hehehehe
;*

- Como assim? – pediu Miley interessada do outro lado da linha telefônica.

- Ontem agente se beijou. – repeti pela terceira vez, com sorriso divertido em meus lábios. – E... acho que eu gostei...

- É claro que gostou. – falou.

- Como assim? – perguntei confusa, debruçando-me sobre o travesseiro.

- Olha o tom de sua voz, esta feliz. – riu Miley. – Você já gostava dela pra toda essa felicidade?

- Não. – disse obvia. – Quer dizer... não sei.

- Jesus, você esta apaixonadinha. – cantarolou Miley.

- Não estou apaixonada. – repreendi-a, afinal paixão é uma palavra forte. – Foi só um beijo sem compromisso e...

- Como você se sentiu? – perguntou, aposto que estava andando pelo quarto em pulinhos.

- Foi tão confuso, meu coração acelerou tanto que pensei que o vomitaria – comecei. – e ela tinha um gosto tão bom.

Passei a língua inconscientemente sobre os lábios, tornando-os molhados. Se fechasse os olhos poderia reproduzir a cena e era um coisa que queria fazer, só não entendia o porque.

Foi só um beijo!, gritei em minha mente tirando aquele pensamento com uma sacudida leve de cabeça.

- Oooonw, vocês até que fazem um casal bonitinho. – pensou ela em voz alta.

- Miley, não estamos namorando ou coisa parecida! – repreendi novamente. – Nos deixamos envolver pelo momento e deu nisso, claro a pequena declaração depois me confundiu um pouco, mas...

- Declaração!? – um tremor de susto percorreu meu corpo. – Acho que você pulou essa parte.

Forcei meus olhos fechados mordendo repreendidamente meu lábio inferior, todo o esforço de esconder a conversa pós-beijo acabado por uma simples frase passada batido por minha cabeça.

- Bem, digamos que um espírito que vagada volto pelas redondezas da Terra possuiu meu corpo e admitiu que talvez gostasse um pouco, bem pouquinho, dela. – declarei. – Ela é fofa comigo e me faz sentir especial sabe, diferente.

- E esse espírito misterioso falava a verdade? – perguntou esperançosa. – Selly, você gosta dela?

- Eu... eu... argh! Não sei! – gaguejei. – ‘Tá tudo tão confuso.

- Explique devagar. – incentivou.

- Ok, vou tentar. – respirei fundo desistindo de escolher palavras, Miley era minha melhor amiga e mesmo que quisesse não conseguiria esconder algo por muito tempo. – De um tempo pra cá eu venho pensando muito nela e para mim era normal afinal estou hospedada em sua casa e ajudando-a a lutar contra todos esses fantasmas, mas comecei a me preocupar quando o rumo dos pensamentos mudaram. Não sinto que foi de uma dia para o outro mas foi... alimentado e quando percebi havia uma linda garota deitada no quarto ao lado.

- Ok, então você a acha bonita. É isso? – tentou.

- Eu pensei também. – continuei. – Daí me obriguei a esquecer essa preocupação até porque não tem como alguém não achar Demi bonita, eu só percebi isso tarde. Mas daí eu a vi chorando por causa do vicio e, de repente senti que se o motivo de suas lagrimas fosse uma pessoa real eu a mataria. Foi uma preocupação que não controlo até hoje e depois foram aqueles gestos fofos de começo de amizade na qual começamos a nos sentar um pouco mais... juntas no sofá. E parecia que cada abraço era um aprofundamento não só em nossa relação como colegas de casa, mas em algo mais. Miley, minha cabeça não sabe mais o que quer!

- E tudo isso foi reprimido dentro dessa sua cabeçinha minúscula por um mês inteiro? – continuou a perguntar.

- Não me pergunte como, mas sim. – respondi.

(...)

- Demi? – chamei ao descer as escadas, ligeiramente confusa por não ter a encontrado desmaiada em sua cama a essa hora da manhã.

- Aqui. – respondeu erguendo a mão do alto por costume, depositando o telefone no balcão da cozinha.

Nenhuma de nós havíamos comentado o que aconteceu ontem. A conversa, as palavras, as sensações... o beijo. E até não sentia preparada para isso, afinal eu acabara de perceber que tenho uma queda por minha anfitriã ex-usuário de drogas e bipolar.

- Quem era no telefone? – perguntei quando me aproximei.

- Alyson. – suspirou tensa passando a mão pelo cabelo, afastando a franga que insistia a cair em seus olhos. – É Megan.

Ela caminhou até o chaveiro onde a chave do Mustang jazia pendurada.

- Onde vai? – segurei seu braço.

Foi um choque e tanto alem de um contato ousado.

- Sua irmã acabou de chegar bêbada na casa das gêmeas. – explicou. – Os pais delas estão em casa, preciso buscá-la.

- Buscá-la? – repeti. – Depois de tudo?

- Não estou fazendo isso por ela, mas as gêmeas ainda são minhas colegas. – uma parte de meu peito se inflou com a denominação dos antigos “amigos”.

Demi não se moveu, sabia que só sairia de casa com minha permissão que obviamente seria negada se não fosse pelas gêmeas.

Seguimos ambas para o carro morto a pouco mais de um mês e vi a satisfação em seu rosto ao dar partida, fazendo um sorriso bobo e tímido passar rapidamente por meu rosto.

- Droga. – exclamou Demi ao parar bruscamente em frente a casa de classe média.

Vimos uma das gêmeas acenar nervosa e freneticamente da porta da frente, logo após apontando para um figura no chão.

Pulamos do carro tentando parecer calma aos olhos dos vizinhos que nem habitavam a rua nesse horário.

- Levem-na logo! – sussurrou a garota aflita. – Kristin esta quase morrendo ao despistar meus pais, corram.

- Não me toque. – exigiu Megan com a voz grogue quando tentei segura-la pelo braço.

- Shhh. – repreendeu a que por lógica seria Alyson.

- Não vou a lugar nenhum. – puxou um cigarro do bolso ativando o isqueiro com facilidade.

- Largue isso. – ordenei, tirando as armas de suas mãos e escondendo-as.

- Heey...

- Já que vai me obrigar a fazer isso mesmo... – bufou Demi, tirando um simples pano gasto do bolso traseiro.

Sabia que ela guardava essa pequena arma, pois quando se sentia fraca amarrava-se por si própria a algum canto difícil. Sentia-me mal por não avisá-la que sabia, mas não me importei com o ato até seus pulsos ficarem marcados demais, o que me dera levou a conclusão que a fase estava cadê vez mais complexa.

As mãos de Megan foram prendidas juntas tão perfeitamente para os rápidos segundos que se passaram que nem uma algema faria e, com a mão pressionada contra a boca falante, o corpo foi jogado no banco traseiro do carro onde a acompanhei.

- Você não tem o direito de... – gritou quando Demi sentou-se ao banco do motorista raivosamente.

- Cala boca! – batia sua cabeça contra o banco almofadado.

- Eu calar a boca? – riu em ironia bêbada. – É essa louca que fica sussurrando coisas sem sentido para si.

Observei o rosto raivoso de Demi pelo retrovisor fazendo meu coração doer a cada batida lenta ao vê-la prolongar a piscada de olhos pressionando-os fortemente, indo contra o desejo de aspirar o ar contaminado. A cada letra que sabia da boca de Megan mais o aroma azedo de bebida amanhecida enchia o ambiente e mais fortes eram suas piscadas. E a alegação de Megan era real, pois vi os lábios convidativos de minha anfitriã mexendo-se em palavras rápidas com suspiros em sons se ‘ss’ saindo discretamente.

Tentei tranqüilizá-la, mas as falas frenéticas de Megan não abriam espaço para pausas e, embora todo o monólogo esteja sendo tratado como lixo, era bom a mantermos ocupada.

Uma Demi sem paciência arrancou a figura exageradamente risonha do banco, conduzindo a dentro da casa.

- Podemos levá-la ao meu pai. – sugeri percebendo sua irritação.

- Não... – percebi seu tom forçado a não transparecer a raiva para mim. – Dê um banho nela que eu... eu faço um chá ou qualquer coisa só...

- Vou tira-la daqui. – aleguei ao puxar a algema de Megan pelas escadas enquanto os gritos ecoavam.

A ultima visão que tive foi sua figura de costas com as mãos apoiadas no balcão ao lado no fogo onde uma chaleira jazia sob, os cabelos escorriam para frente enquanto um possível choro começava. Um choro de passado.

(...)

Ao perceber que o chá não viria ao quarto, desci as escadas encontrando uma bandeja perfeitamente colocada no balcão. Uma xícara, uma pequena jarra e uma colher pequena.

Meus olhos vasculharam o espaço a procura da bem feitora na gentileza, mas nada foi encontrado ao não ser o silencio.

- Tome isso. – falei ao entregar a xícara cheia a Megan deitada em minha cama.

- É aquele maldito chá de boldo, não é? – reclamou, a voz sonolenta mas ainda bêbeda.

- Só tome. – ordenei assentindo com a cabeça.

A jarra estava na metade quando finalmente adormeceu, fazendo um suspiro de alivio escapar um pouco alto de mais.

Encostei a porta por fora com um cuidado exagerado e segui chamando em sussurros o nome da uma pessoa que ocupava minha cabeça agora.

Preocupei-me mais em checar o banheiro com medo de encontrar outra cena sangrenta, mas foi no ultimo lugar da casa que a encontrei.

- Dem? – chamei encostando a porta de seu quarto.

Ela observava novamente o manso tráfico de verão pela janela, coisa que fazia muito hoje em dia.

Sua cabeça virou vagarosamente para mim, fazendo-me perceber a pele pálida num tom de vermelho claro.

- Preciso pensar em lugares menos lógicos para me esconder. – riu tentado fazer a ambição em minha face fraquejar.

- Eu sei que não esta bem e, como já disse varias vezes: não precisa fingir para mim. – apoiei-me ao batente de vidro seco ao seu lado.

- Eu só... é difícil. – senti a mínima oscilação em sua voz, percebendo que engolira o choro.

- Concordo. – continuei. – É difícil, mas não precisa esconder seu choro por isso.

Seu lábio foi mordido com força, os olhos em um foco vago para a rua. Ela estava confundindo ser forte com obedecer a doença mental.

Em um suspiro cansado o rosto bonito foi mergulhado das palmas abertas de suas mãos exibindo o esmalte preto descascado.

- Shhh. – acariciei seu cabelo sedoso, na tentativa falha de tirar a franga lateral dos olhos. – Eu entendo.

Não, não entendia. Mesmo que tentasse, o motivo para seu choro era desconhecido. Não era por culpa, não era por remorso e muito menos por pena. Não há motivos ao menos que as lagrimas fossem guardadas por algum tempo.

- É essa a imagem que minha família tem de mim? – chorou.

- Era. – corrigi. – Quando eles ficarem sabendo...

- Selena aquele cheiro... – interrompeu-me, mostrando a face antes escondida. – Era tão bom.

- Você tem de ser forte. – aconselhei ligeiramente amedrontada.

- É difícil e, posso causar uma autofalência mental nessas palavras, mas eu sinto falta. – explicou, as lagrimas cortando sua face como se doesse e quando mais caíssem melhor seria o castigo. – Todas as noite em claro me drogando foram sensações boas.

- Mas não atitudes boas. – tentei. – Demi, você esta se mostrando tão independente e crescida desses dias, porque tudo isso agora.

- Não é de agora Selena, foi sempre. – não tinha coragem de me encarar e a conversa não ajudava. – Eu só não queria te decepcionar.

- Me decepcionar? – perguntei incrédula. – Esta fazendo isso por mim? Eu avisei: se não for por você, não será por ninguém. Eu desistiria ali.

- Não, foi por mim. – disse confusa. – Só que enquanto o tempo foi passando a única coisa que não queria era te fazer se sentir incapaz. Eu tinha que conseguir por você, tenho que fazer por você.

- Porque por mim? – perguntei. – Não sou eu que tenho a saúde em risco Demi, eu não preciso de ajuda por isso quero doá-la.

- Porque você é a única que me pergunta se esta tudo bem e me sinto obrigada a não mentir. – explicou pela primeira vez olhando para mim, não em meus olhos como queria, mas para mim. – É estranho! Não quero sentir isso, não gosto de me prender a pessoas é ameaçador para mim. O que uma pessoa com poder sobre mim pode me fazer? Tudo, tudo!

- Eu nunca... – parei a frase raciocinando nas palavras anteriores. – Eu tenho poder sobre você?

- Não é obvio? – disse simplesmente. – A palavra “não” é proibida para você porque simplesmente não sai. Então pare!

- Parar com o que?

- De me possuir. Pare.

Abri a boca varias vezes, mas as palavras não vieram.

Possuir. Era estranho a boa sonalidade do conjunto de silabas em meus ouvidos.

O silencio tomou a quarto pela minha hesitação.

- Tudo bem. – suspirei puxando dois objetos conhecidos de meu bolso traseiro do jeans. – É por sua conta. Não ficarei brava nem chateada com sua decisão, você merece.

Estendi o cigarro e isqueiro apreendidos de Megan a pouco tempo.

- Fala sério? – perguntou-me limpando as lagrimas secas.

- Falo. – sorri tentando parecer confortável. – Desfrute disso, mas o faça por você. Não vou repreende-la por isso.

Senti seus dedos roçarem em minha palma lisa e capturarem os objetos, deixando minha mão limpa.

O tubo branco foi preso entre seus lábios e o isqueiro aceso foi guiado lentamente para seu final até que... parou.

Observava a estatua humana com hesitação em chamá-la pelo nome, mas não o fiz, esperando sua volta a realidade.

- Faça, tudo bem. – depositei minha mão sob a sua desocupada, descansando no batente.

Suas piscadas eram lentas fitando o fogo, como se sua alma queimasse aos poucos ali. E, quando pisquei os olhos, o tubo branco e o pequeno guardador de fogo estavam estendidos para mim.

- É uma brecha. – repeti. – Tudo bem para mim.

- É por mim. – falou. – Não quero, quer dizer... quero, mas... não, não quero.

Foi com um sorriso que, sem hesitação, peguei as armas de sua mão.

O orgulho bateu forte em meu peito, mas não foi isso que fez meu coração acelerar e sim a pele que senti sobre a minha. Sua mão, antes afagada, estava sobre a minha. Os dedos fazendo um carinho quase confundido com cócegas.

Puxei-a para mim, agarrando sua cintura por trás. Um riso fraco crescendo em seus lábios.

Apoiei o queixo no ombro da outra, aspirando o bom cheiro de sua nuca.

Esqueci de nosso pequeno jogo por esse momento, ou simplesmente não queria lembrar. Cansada do fingimento que nada acontecera ontem a noite, depositei um beijo demorado em seu pescoço, fazendo um riso confuso mais confortante escapar pelo nariz perfeito.

Notas finais
Obrigada por tudo e até o próximo post.
Review ? *.*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.