Wolves And Krakens
15 Capítulo 15
Notas iniciais
― Tem que parar de agir assim ― Robb Stark estava parado em frente à lareira dos aposentos de Theon com as mãos na cintura, como se estivesse dando um sermão a um filho que desobedeceu as suas ordens. ― Não vou mais tolerar isso.
Theon riu. Estava sentado em uma cadeira com os braços apoiados nas pernas. Sorriu doentiamente; estava mais bêbado do que estivera em qualquer noite nos últimos dias. Ele queria mais bebida. Mais vinho, cerveja ou qualquer coisa que contivesse álcool.
― Vai fazer o que? Expulsar-me? Matar-me?
― Não ― Robb limpou o suor de sua testa. A proximidade da lareira e o nervosismo estavam fazendo com que suasse excessivamente. ― O que quero dizer é que preciso de você, Theon. O verdadeiro Theon. Sei que gosta de álcool e prostitutas, mas não acha que está exagerando?
Theon encostou-se nas costas da cadeira e Robb notou que seu semblante era triste.
― Eu não sou nada Robb. Até você me deixou claro... Salvei a vida de Bran há alguns dias e nunca me agradeceu. Vive dizendo que não sou um Stark.
Theon salvara a vida de Bran em um ataque de selvagens, mas tudo que recebeu de Robb foram palavras ásperas . “Podia tê-lo matado”, o Stark mais velho disse. Mas ele sabia que a pontaria de Theon era ótima. Nunca erraria...
― E você não é um Stark. É um Greyjoy, nada pode mudar isso. Mas é meu amigo. O melhor deles. Por mais que tenhamos tido desavenças... Sempre será como um irmão para mim, mesmo não tendo o meu sangue.
Theon olhou para o garoto sem saber o que dizer. Sentia-se tão vazio, como nunca se sentira antes.
― Eu não deveria ser seu melhor amigo. Sou apenas um prisioneiro. Seu pai sempre se certificou de que eu soubesse ― sua voz era arrastada, estava começando a se sentir enjoado ― Quando eu pedi Alyssa em casamento... ― Ele riu, a lembrança daquele dia fazendo seu peito doer um pouco. ― Ele quase riu na minha cara, seu pai. Sei disso... Ele nunca permitiria, eu deveria saber...
― Precisa esquecer Alyssa.
― Estou tentando! ― Ele gritou, os olhos arregalados encarando Robb. ― É mais difícil que eu pensava ― diminuiu o tom de voz, fazendo com que ela ficasse arrastada novamente.
― Nunca pensei que realmente gostasse dela. Mas ela vai ser casar com Renly Baratheon, não há nada que possa fazer.
― Obrigado por me lembrar, é muito gentil da sua parte.
Robb revirou os olhos, se distanciando de Theon.
― Espero que uma boa noite de sono faça com que melhore. Encontrarei você amanhã.
xxx
Alyssa olhou em volta procurando por Arya, mas não a viu em lugar algum. A irmã devia estar treinando novamente com o tal Syrio Forel, deixando de comparecer ao evento organizado em homenagem a Eddard Stark. Alyssa estava sentada ao lado de Renly, pouco abaixo do rei e da rainha. Sentia-se extremamente desconfortável, mas de tempos em tempos seu pai olhava para ela e sorria, alegrando-a.
Após outra justa – já tinham assistido pelo menos cinco –, Renly levantou-se e estendeu a mão para Alyssa.
― Venha comigo, quero lhe apresentar a alguém.
Alyssa seguiu Renly, atraindo alguns olhares curiosos e um sorriso de lado de Petyr Baelish.
Renly levou Alyssa até um estábulo perto do local da competição. Um escudeiro ajudava um jovem a colocar sua armadura prateada ornamentada com flores.
― Loras ― Renly falou com um sorriso nos lábios. ― Quero que conheça minha futura esposa, Senhora Alyssa, da Casa Stark.
Loras deu um leve empurrão em seu escudeiro, afastando-se dele, e pegou as mãos de Alyssa delicadamente, beijando-as.
― Esse é Sor Loras Tyrell, minha querida Alyssa.
― É mais bela do que já me contaram, Senhora Alyssa ― Loras sorriu galante para Alyssa. Ele era lindo, tinha cabelos longos e castanhos e olhos sedutores.
― Cuidado com o que fala ― Renly disse em tom de piada ―, Alyssa é minha noiva e sou ciumento.
Loras riu, batendo no ombro de Renly. Alyssa sentiu-se sem graça.
― Loras é meu amigo há muito tempo. Queria que o conhecesse e soubesse que pode confiar nele, caso venha a precisar um dia. ― Renly disse para Alyssa, mas não tirou os olhos de Loras.
― É um prazer conhecê-lo, Sor Loras ― Alyssa tentou ser o mais cordial possível.
― O prazer é todo meu. Agora, se me dão licença, voltarei a me preparar. Em poucos instantes enfrentarei a Montanha Que Cavalga. Desejem-me boa sorte.
― Boa sorte ― Alyssa disse enquanto Loras voltava para seu escudeiro.
De volta aos seus devidos lugares, Renly e Alyssa assistiram enquanto Sor Loras cavalgava em seu cavalo branco, cumprimentando o público e prestando reverências ao rei. Entregou uma rosa a Sansa, tão galanteador quanto havia sido com a irmã mais velha. Do outro lado veio Gregor Clegane, a Montanha, em um cavalo negro como carvão. Ele não prestou reverência ao rei, muito menos cumprimentou os plebeus. Apenas cavalgou até o seu lugar.
Alyssa viu Sansa agarrando o braço do pai, provavelmente preocupada com o cavaleiro que acabara de lhe dar uma flor.
― Ele é enorme ― Alyssa disse para ninguém em especial, olhando para Gregor.
― Loras é um dos melhores cavaleiros dos sete reinos, não se preocupe ― Renly afirmou convicto.
― Aposto cem dragões de ouro na Montanha ― Petyr disse, virando-se para Renly.
― Apostado ― Renly sorriu.
A justa ocorreu tão rápido que Alyssa mal conseguiu prestar atenção. Quando deu por si Gregor Clegane estava no chão e o povo gritava o nome de Loras, o Cavaleiro das Flores.
Renly levantou-se e aplaudiu.
― É uma pena Mindinho, com cem dragões de ouro poderia ter comprado um amigo. Seria bom para você, ter um amigo...
― E diga-me, meu caro Renly, quando você terá seu amigo? ― Alyssa observou confusa enquanto o olhar de Petyr se direcionava para Loras Tyrell. Renly permaneceu mudo.
― O que... O que ele quis dizer? ― Alyssa perguntou para Renly.
― Não dê ouvidos àquele verme.
As palavras de Petyr latejaram na cabeça de Alyssa pelo resto do dia. Ela não entendeu, mas percebeu que o que Mindinho disse abalou Renly. Além disso, outras coisas que Lorde Baelish já tinha lhe dito vieram à mente “um homem de gostos duvidosos como Lorde Renly”. Ela queria saber mais sobre o homem com quem se casaria. Não podia conter sua curiosidade. Saiu de seus aposentos na Fortaleza Vermelha para procurar o misterioso Petyr Baelish.
Não foi difícil encontrá-lo, ele estava nos jardins da Fortaleza, sentando em um banco com um livro na mão.
― Sabia que viria falar comigo ― disse quando viu a jovem se aproximar e fechou o livro que estava lendo, levantando-se do banco.
― Conte-me o que sabe sobre Renly. O que você quis dizer com “gostos duvidos” e seja lá o que tenha dito hoje mais cedo, no torneio.
Petyr levantou o braço e tocou o rosto de Alyssa, fazendo-a se sentir entranha. Homem atrevido, pensou.
― Toda informação tem um preço, minha querida.
Ela afastou a mão de Petyr rapidamente, fazendo-o rir.
― Eu apenas iria dizer que para você, darei a informação de graça.
― Então me dê tal informação, Lorde Baelish.
― Tenha calma. Não acreditará em nada que eu disser. Por isso, terá que ver.
― O que quer dizer?
― No momento correto, entrarei em contato com a senhora. Irá para o lugar certo e verá com os próprios olhos o que Renly esconde.
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