Wolves And Krakens
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Alyssa acordou com um salto ao escutar fortes batidas na porta de seu aposento. Estava escuro, o sol ainda não havia nascido e ela mal conseguia enxergar. Estava tonta. Não se sentiu bem o dia inteiro. Por que alguém tinha que a acordar agora que conseguiu finalmente adormecer? Pegou a vela que repousava em uma mesa no canto do quarto e foi até a porta. Aos seus pés viu um papel com algumas palavras escritas.
Vá até os aposentos de Renly Baratheon. Não bata na porta; entre.
Petyr, foi a primeira coisa que veio em sua mente. Será que descobriria o suposto segredo que seu noivo possuía? Ficou com medo. Era arriscado ir até o cômodo de seu futuro esposo àquela hora. Se alguém a visse... O que pensariam? Não era difícil chegar até lá. Eles estavam na mesma torre na Fortaleza Vermelha e ela sabia exatamente onde era o aposento de Renly. Mas ela deveria?
Ela precisava saber. A sua curiosidade falava mais alto. Medo e receio invadiram seu corpo, fazendo sua mão tremer ao alcançar a maçaneta. Alyssa desceu as escadas de pedra da torre até o andar em que Renly estava. Não havia guardas ou serviçais dentro da torre àquela hora. A porta dos aposentos de Renly estava bem na sua frente. Sentiu vontade de correr de volta para o seu quarto, mas seguiu em frente. Se algo desse errado, se Renly estivesse apenas dormindo, ela inventaria uma desculpa qualquer. Sabia que as portas daquela torre não tinham trancas, então tudo que ela precisava fazer era abri-la. E assim o fez.
Primeiramente Alyssa não soube destinguir ao certo o que viu. Estava nervosa, e o tempo pareceu ter parado por um momento. Havia duas pessoas na cama de Renly. Estavam fazendo barulhos abafados enquanto se moviam em sincronia. O primeiro pensamento que Alyssa teve foi “ele tem uma amante”. Mas não era uma amante, e sim um amante. Tudo ficou mais claro quando os dois homens viraram para a porta. Loras Tyrell era o amante de Renly.
Alyssa tapou a boca com a mão.
‒ Então esse é o seu segredo ‒ ela disse numa voz suave e fria, tão calma que assustou até a si mesma.
‒ Alyssa ‒ Renly tentou sair da cama, cobrindo suas intimidades com o lençol. Loras parecia assustado, sem saber o que fazer. ‒ Posso lhe explicar...
‒ Não tem nada para me explicar, Renly. Eu já vi o suficiente. ‒ Ela virou-se e saiu do cômodo, fechando a porta atrás de si com força. Lágrimas caíram inconscientemente pela sua face enquanto ela subia as escadas e adentrava seu quarto.
Não sabia o que estava sentindo. Ela com certeza não se importava tanto com Renly Baratheon. Com certeza não o amava. Mas ele sempre foi gentil com ela e Alyssa achava que um dia poderia ser feliz ao seu lado. Mas suas esperanças se desvaneceram rapidamente após assistir aquela cena. Ele se deitava com homens. Isso ia contra tudo que ela já aprendera... Não parecia natural. E Loras... Nunca imaginaria...
Ela deitou-se na cama chorando silenciosamente. Trouxe a vela para perto de si e tirou a carta de Theon de sua camisola. Estava sempre com ela. Ela tentava esquecê-lo, mas não conseguia obter sucesso. Já tentara queimar a carta, mas não teve coragem. Ela o veria de novo? Seria condenada a se casar com um homem que nunca a faria feliz? Talvez Renly nunca lhe desse filhos. Se lhe desse, seria por obrigação. Ela não queria se casar com ele. Nunca quis... Passou os dedos pela carta. O papel estava tão amassado por ter sido dobrado e desdobrado incontáveis vezes que começara a rasgar. Queria Theon, apenas Theon.
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‒ Preciso ir até lá ‒ Renly disse enquanto vestia as calças. ‒ Preciso explicá-la...
Loras riu. O que havia para explicar para a pobre garota Stark? Ela viu com os próprios olhos que os dois estavam fazendo.
‒ Vá amanhã ‒ Loras tentou permanecer calmo. Renly estava desesperado. ‒ Deixe que ela se conforme com o que viu. Talvez pela manhã até pense que foi um sonho.
Renly o fitou irritado.
‒ Como pode estar tão calmo? Ela nos viu! Pode dizer a todos o que fazemos escondidos a noite.
Ele não estava calmo, de jeito nenhum. Mas precisava pelo menos parecer.
‒ Ela não vai dizer. Não é esse tipo de garota.
‒ Como você poderia saber? Mal a conhece.
Ele gostaria de conhecê-la melhor. Queria entender o motivo de uma senhora entrar nos aposentos do noivo de madrugada, sem ser convidada e nem bater na porta. Parecia estranho, mas Renly ainda não tinha percebido isso.
‒ Não é difícil perceber. ‒ Ele se aproximou de Renly, ainda nu. Tocou seu braço, tentando apaziguá-lo. ‒ Fale com ela amanhã.
‒ Para ser sincero, nem sei o que direi a ela...
Loras o puxou para a cama, fazendo-o sentar.
‒ Tenho certeza que na hora saberá, como sempre sabe ‒ Loras acariciou o rosto do amante. Renly estava suando, respirando fundo, completamente nervoso. Ele parecia sempre tão confiante...
‒ Preciso que vá ‒ Renly disse colocando a mão na testa.
Loras se levantou e se vestiu em um piscar de olhos. Não gostou de forma alguma de ser expulso, mas Renly precisava de um tempo para pensar.
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‒ Está se sentindo melhor hoje? ‒ Robb perguntou ao chegar no salão para o banquete matinal. Theon parecia péssimo, com dois círculos profundos e roxos debaixo dos olhos. Seus olhos mal estavam abertos. Ele já estava comendo, devia ter chegando antes de todos no salão.
‒ Estou ótimo ‒ ele disse enquanto mastigava. Theon viu Hodor chegar com o Bran Stark nas costas. O garoto sempre parecia infeliz depois que perdeu o movimento das pernas. Rickon ria jogando a comida para o alto, sem preocupações.
‒ Que bom ‒ Robb disse enquanto sentava em sua grande cadeira. ‒ Estou preocupado, Theon.
‒ Com o que? ‒ Theon tentou arregalar os olhos a fim de ver melhor. Estava com muito sono, mal conseguiu dormir naquela noite.
‒ Desde que minha mãe sequestrou o Duende, eu... Sinto que há algo muito errado.
‒ Certamente ela lhe explicou seus motivos.
‒ Não exatamente... ‒ Ele abaixou o tom de voz. ‒ Ela acha que Tyrion Lannister é responsável pelo atentado contra a vida de Bran. Mas de qualquer forma, isso é perigoso, Theon. E estamos separados... Os Stark estão separados.
‒ A última grande guerra que Westeros viu começou com um seqüestro. Com todo o respeito, Senhora Catelyn pode ter cometido um grande erro.
‒ Eu sei. É isso que me preocupa.
‒ Recebeu algum corvo com notícias de sua mãe ou do Duende?
‒ Não... Só os deuses sabem onde eles estão nesse momento. Espero que vivos.
‒ Ainda assim, acho que o rei não permitiria que essa situação se tornasse algo de proporções maiores, Robb. Talvez esteja preocupado demais. Tenho certeza que receberá notícias em breve.
‒ Assim espero. ‒ Robb disse com a voz dura e sem emoção de um lorde de norte.
‒ Ahn, Robb... Preciso pedir uma coisa. ‒ Theon pensou naquilo a noite inteira. Ele precisava perguntar...
‒ Diga.
‒ Deixe-me escrever uma carta para sua irmã.
Robb o encarou com um olhar feroz, como fazia sempre que Theon tocava no assunto “Alyssa”.
‒ Por favor ‒ Theon insistiu. ‒ Preciso saber se ela está feliz. Apenas isso.
Robb suspirou.
‒ Tudo bem. Mas lerei cada palavra que escrever.
Bem, Theon não contava com isso.
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