Wolves And Krakens
14 Capítulo 14
Notas iniciais
A segunda metade da viagem até Porto Real foi demorada e desanimada. Sansa mal olhava para Alyssa, culpando-a pela morte de Lady, e a irmã mais velha sentia-se mal. Afinal, pediu para que Renly a ajudasse pensando apenas em Rhaenys e a loba da irmã pagou o preço pelas ações de Arya. Sansa também não olhava para a irmã caçula, só se dirigia às irmãs quando era extremamente necessário. Alyssa passou a maior parte do resto da viagem sozinha. Às vezes Renly ia até ela conversar, charmoso como sempre, mas Alyssa sentia que ele era cordial demais, quase falso. Agora Rhaenys tinha que ficar trancada a maior parte do tempo, deixando sua dona ainda mais sozinha.
Tudo que Alyssa queria era voltar para Winterfell. Em momentos como esse desejava ser homem para usufruir da liberdade e ir para onde quisesse. Gostaria de saber como Theon estava, o que ele andava fazendo... Pensar que ele poderia estar com outras mulheres fazia acordar uma estranha pontada de dor em seu peito. Não, se casaria com Renly em breve, não podia pensar em outro homem. Agora seria apenas Renly, até o resto de seus dias. Seus filhos seriam lordes e senhoras, o mais velho seria Senhor de Ponta Tempestade quando Renly se fosse... Pensar em seus futuros filhos fez com que algo se agitasse em seu estômago. Talvez, em menos de um ano, fosse mãe... Sentiu saudade de sua mãe, Catelyn.
Quando chegaram a Porto Real, o rei e sua comitiva foram escoltados imediatamente até a Fortaleza Vermelha. Alyssa ficou deslumbrada com o enorme castelo. Sansa pareceu ter se esquecido de sua falecida loba e abriu um sorriso. Alyssa estava certa que ela pensava sobre como seria a rainha daquele castelo um dia.
― Haverá um torneio em homenagem ao seu pai, a nova Mão do Rei. Espero que esteja ao meu lado para que acompanhemos juntos ao evento, minha doce senhora. ― Renly estava de braços dados com Alyssa, acompanhando-a formalmente até o salão do castelo para seu primeiro banquete em Porto Real.
Alyssa abriu um sorriso forçado.
― Claro que estarei, meu senhor.
― Sabe que pode me chamar de Renly ― ele sorriu de lado.
― Passe a me chamar de Alyssa, então.
― Como quiser, minha querida Alyssa.
Alyssa se impressionou com o tamanho do salão da Fortaleza Vermelha. Pareciam caber diversos salões do castelo de Winterfell. Viu seu pai com um olhar preocupado, mas quando ele a avistou a expressão anterior se foi e abriu um sorriso.
― Alyssa, Alyssa! ― sentiu alguém puxar seu vestido. Era Arya ― Você não vai acreditar! Papai me deixou ter aulas de dança!
― Dança? Não sabia que gostava de dançar ― Alyssa pareceu confusa.
― Não esse tipo de dança. A Dança da Água dos Bravosi! Papai contratou um mestre de Bravos para me ensinar! ― A garota parecia muito contente.
― Fico feliz que esteja tão entusiasmada, minha irmã ― Alyssa bagunçou o cabelo da irmã como Jon Snow costumava fazer. ― Talvez depois possa me ensinar algumas coisas.
Os dias se passaram rapidamente. A rotina em Porto Real era agitada. Alyssa conheceu pessoas misteriosas como Lorde Varys e Lorde Petyr Baelish e nobres como Senhora Tanda e as filhas. De todas as pessoas que conhecera, a que menos gostou foi Petyr, ou Mindinho, como o chamavam pelas costas. Sentia algo estranho em relação a ele.
― Herdou a beleza de sua mãe ― Lorde Baelish afirmou na manhã em que se conheceram. ― Tal beleza não devia ser desperdiçada com um homem de gostos duvidosos como Lorde Renly.
― Gostos duvidosos? ― Alyssa perguntou, irritada com o jeito do homem. Não podia acreditar que sua mãe havia sido criada com ele ou que fora próxima a ele.
― Boatos correm pelos sete reinos, minha senhora. Se ficar atenta poderá ouvi-los.
Então o pequeno homem sorriu e foi embora, deixando Alyssa irritada e intrigada. Além disso, ele havia deixado claro que sabia sobre ela e Theon Greyjoy. Parecia que, de norte a sul, todos já haviam ouvido falar dos boatos que começaram em Winterfell.
Na manhã em que o torneio começaria, Ned Stark foi até os aposentos da filha.
― Irá ao torneio hoje, espero ― ele sorriu.
― Não o deixaria sozinho com aquelas pessoas, pai.
Ele deu uma risada, mas seus olhos pareciam preocupados.
― Está tudo bem, pai?
― Claro ― ele disse, mas Alyssa sabia que era mentira. ― Vim até aqui para lhe contar sobre seu casamento. Casará com Renly Baratheon em algumas semanas. Temo que sua mãe não poderá vir... Nem os seus irmãos.
― O que? Por quê? Não me casarei sem a presença da nossa família.
― Bran está bem, mas não o suficiente para uma viagem tão longa... Robb comanda Winterfell, não pode abandoná-la. E sua mãe... Bem conversaremos sobre isso depois. Preciso ir até o local do torneio. Encontro você lá.
Há algo errado, Alyssa podia sentir. Há algo muito errado.
xxx
― Mais uma! ― Theon empurrou a caneca no balcão da taverna, pedindo mais vinho. Havia uma mulher rechonchuda em seu colo. Era loira e tinha peitos enormes. Theon sorriu ao olhar para eles. Qual era mesmo o nome dela? Bem, ele não se importava.
― Tem certeza que já não é demais, meu senhor? ― O homem calvo que servia as bebidas perguntou educadamente.
― O que foi? Não quer faturar? ― Theon perguntou com a voz embriagada. ― Traga mais, agora!
Um estrondo invadiu a taverna. A porta havia sido aberta brutalmente.
― Mas o que... ― Theon resmungou, interrompendo sua fala quando viu Robb Stark parado na entrada da taverna com Vento Cinzento e dois guardas atrás de si.
― Meu senhor... ― O homem do balcão se curvou, e outros também o fizeram. Robb acenou com a cabeça educadamente para o povo e foi até Theon.
― Greyjoy, me siga ― disse o novo Lorde Stark com a voz autoritária.
― Me obrigue. ― Theon disse e a loira em seu colo riu. Os guardas atrás de Robb deram um passo para frente, mas Robb fez sinal para que eles parassem.
― Minha senhora, pode nos dar licença? ― Robb se dirigiu à mulher que estava no colo do amigo, certo de que não merecia tal tratamento. A loira piscou para o jovem senhor e deixou o colo de Theon.
― Por que fez isso? ― Theon falava com uma voz estranha.
― Pare de agir como uma criança. Já não basta ter que cuidar de Bran e Rickon depois que minha mãe partiu...
― Eu não sou seu irmão. ― Theon levou as mãos à testa. ― Faz questão de deixar isso claro, sempre. Não precisa cuidar de mim.
― Se não me seguir por vontade própria farei com que lhe arrastem até o castelo.
Theon olhou para Robb com raiva. Quem ele achava que era? O poderoso Lorde de Winterfell? Eddard Stark ainda estava vivo, Robb não era um verdadeiro lorde ainda... E Theon também seria Lorde um dia! Seria Senhor das Ilhas de Ferro! Robb achava-se tão superior...
O protegido se levantou, com um sorriso irônico. Bebeu um último gole de vinho e jogou a caneca para trás, fazendo com que ela se estilhaçasse ao atingir o chão.
― Irei com os meus próprios pés ― e seguiu até a porta, cambaleando.
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