Wolf Ice
15 Illllllllllllll
Notas iniciais
Capítulo 15
– Eu acho que estou morrendo... – Comento ao chegar ao vilarejo.
“Eu estou mais viva do que nunca!”
“É claro que está! Viemos correndo até aqui! Foram cerca de duas horas correndo sem descanso!”
Sinto meus músculos contraírem, recusando a dar o primeiro passo. Meu corpo está incrivelmente dolorido. E isso nunca havia acontecido, pelo menos, não desde porte. E isso é estranho, pois sempre corri horas e horas com a loba e nunca havia ficado tão cansada assim. Minha respiração fica pesada.
– Está tudo bem, Mina? – Pergunta Lucy.
– Sim, só estou um pouquinho cansada, mas nada demais – Sorrio para ela.
– Deveria descansar, em todo o caso – Diz Gray.
– Não, eu vim trabalhar e não dormir. Este é o meu primeiro trabalho, tenho que realiza-lo corretamente – Digo determinada.
– Se assim prefere – Erza anuncia – Vamos procurar o prefeito daqui e conseguir informações sobre o trabalho.
Começamos a andar dentro do vilarejo. Não havia ninguém ali, o local parecia deserto, até mesmo morto. O silêncio era tamanho, que podíamos ouvir o som do riacho que havia ali perto. Estava muito estranho. As flores nos vasos estavam secas e amarelas. As plantações estavam mortas. Cães e gatos estavam deitados respirando, estavam dormindo e não ligavam para a nossa presença ali. Os pássaros não cantavam. Nada, nenhum som era ouvido ali.
E então, bocejo.
“Mina-sun! Você não pode estar tão cansada assim!O que está acontecendo?!”
“Loba, eu não sei. A cada passo que dou, fico mais e mais cansada”.
Olho para os outros. Todos estão ficando na mesma situação, cansados. Deve ser alguma coisa com o vilarejo.
E então, chegamos a um local grande, como se fosse uma prefeitura. As portas estavam abertas, então entramos sem aviso.
Haviam duas mulheres deitadas em suas mesas, estavam dormindo, sem se importar com o desconforto que era a mesa.
– O-O que esta acontecendo com esse vilarejo? – Pergunta Natsu não entendendo nada.
– É esse o nosso sofrimento – Diz um voz masculina, rouca, de um homem velho já, atrás de nós.
Viramos e era realmente, um homem velho. Cabelos grisalhos, bigode grisalho, a vida grisalha. Estava com uma aparência de exaustão, como se já não aguentasse mais ficar acordado.
“Mina, o que aconteceu com esse lugar?”
“Não sei, loba”
– Quem é você? – Pergunta Gray.
– Eu sou o chefe do vilarejo, fui eu que chamei vocês aqui. E agradeço por terem vindo! Vocês não sabem como fico feliz em saber que o nosso sofrimento irá acabar! – Percebo que seus olhos marejam.
– Que tipo de sofrimento vocês possuem? – Pergunto.
– Vocês não notaram? O nosso vilarejo foi amaldiçoado com preguiça!
“Olha... Isso é mega estranho”
“Porém, perigoso. Pense um pouco loba, se as pessoas estão com preguiça e, pelo que vimos, só dormem, qual a probabilidade delas morrerem dormindo?”
“É... Vendo por este ponto”.
– E quando começou esse sofrimento? – Pergunta Erza.
– A cerca de um mês... – Ele responde, então dou-me conta do que ele havia falado.
– Espere! – Minha voz se sobressai um pouco – Quer dizer que faz um mês que estás pessoas não fazem nada? Nem ao menos comem? – Ele simplesmente nega, e aquilo me deixa brava, cerro os punhos com muita força e continuo a falar – E por que não pediu ajuda para mais guildas? Que tipo de prefeito você... – Erza me interrompe.
– Mina! Nós não interferimos nas decisões das pessoas que nos contratam – Ela diz séria olhando para mim. Não contento minha fúria e dou meia volta, deixando todas ali e ainda ouvindo Erza dizer – Desculpe. Esse é o primeiro trabalho dela e isso mexe um pouco com o consciente.
Bufo.
Dou passos firmes até a porta, passando pelas mulheres que estão dormindo há um mês! Como ele teve a coragem de esperar tanto tempo para pedir ajudar? Essas pessoas podem estar morrendo! Ou até mesmo mortas!
“Mina, tente se acalmar!”
“Eu não consigo, só de pensar naquele idiota, tenho vontade de arrancar sua cabeça!”
“Mina-sun...”
Olho para dentro de uma das casas, pela janela onde olho, posso ver três crianças, pequeninas, dormindo profundamente, sem saber o que está acontecendo, sem saber que correm risco de vida. Tudo porque um velho idiota não pediu ajudar mais cedo!
Brava.
Com raiva.
É assim que estou agora.
Olho para uma árvore, então corro para a direção da mesma, cerrando meu punho e descontando toda a minha raiva na mesma, que balança, fazendo algumas folhas caírem para o chão.
– Nossa, você está tão brava assim? – Aquela voz pronunciada me dá um certo arrepio.
– Estou um pouco melhor agora... – Falo recuperando o fôlego e me virando para encará-lo – Não deveria estar lá dentro ouvindo o aquele homem tem a dizer?
– Você não deveria estar lá também? – Gray rebate com outra pergunta.
– Acho que se eu ficasse mais um segundo lá dentro, acabaria arrancando a cabeça dele – Dou uma leve risada no final, vendo Gray sorrir junto.
– Por que ficou tão brava assim? – Ele pergunta indiferente.
Suspiro e sento-me no chão, sendo acompanhada por Gray, que senta ao meu lado:
– Não consigo entender o porquê dele ter demorado tanto tempo para pedir ajuda. – Falo sincera – O povo dele esta morrendo enquanto ele estava decidindo se pedia ou não ajuda! Isso é revoltante! – falo olhando para frente, mas ao terminar a frase, volto o olhar para Gray, que me olha pensativo.
– Você quer dizer que esta tomando as dores das pessoas, não é? Por serem abandonadas pelo prefeito.
“Ele conhece bem você!”
Então paro e reflito. Gray está certo, estou tomando as dores das pessoas, pois fui, não intencionalmente, abandonada e não quero que mais ninguém passe por isso.
– Acho que você tem razão... – Admito, sentindo minhas bochechas corarem.
– Não sinta vergonha, é um gesto lindo – Ele diz, colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. Levanto o olhar e encaro suas órbitas negras e brilhantes. Ele é realmente lindo.
– Gray, eu... – Sou interrompida.
– Ah! Que coisa mais linda! Vocês se gostam! – Lucy enrola a língua para falar.
– N-Não! – Dissemos um uni som.
– Se gostam sim! – Fala Happy. – Eu apoio esse casal, Aye Sir!
– Happy! – Grito para ele, fazendo todos rirem.
ɸɸ
– Então, nós temos que nos livrar do sofrimento das pessoas ainda hoje, não podemos dormir, pois ao contrário, iremos ficar como as outras pessoas, e o prefeito sabe apenas que um mago passou pela cidade e do nada, os amaldiçoou? – Faço um resumo de tudo o que Erza havia dito.
– Basicamente, sim – Responde Lucy – Mais essa história de “do nada os amaldiçoou”... Isso é muito estranho, não é?
– Concordo com você – Falo.
– Não estamos aqui para julgar ninguém, apenas para acabar com esse sofrimento. – Diz Erza – Vamos nos dividir em três grupos, Natsu e Lucy, Gray e Happy, Mina e eu – Diz Erza, entretanto houveram reclamações Natsu e Happy, dizendo que queriam ficar juntos – Ok! Happy e Natsu, Gray e Mina, Lucy e eu! Tudo bem?
– O casal está juntinho! – fala Happy.
– Eu estou empolgado! – Diz Natsu.
– Cada grupo irá procurar no vilarejo qualquer informação sobre o acontecimento, ao anoitecer iremos nos encontrar aqui mesmo, em frente à grande casa.
E então nós nos separamos.
“E você está feliz por estar com Gray!”
“Não estou não!”
“Claro que está! Eu posso ouvir seu coração batendo rapidamente por ele!”
“Eu vou castrar você!”
“Cadê o amor com o próximo?”.
– E então? Por onde quer começar? – Pergunta Gray.
– Pelo passado – Digo.
– E como quer fazer isso?
– Vamos procurar, dentro das casas, coisas estranhas, fora do normal. Pelo que pensei, alguém desse vilarejo pode estar com a culpa da preguiça... – Falo e vejo Gray assentir.
Entramos em uma casa simples, três cômodos ao todo. Nada demais.
A segunda casa era um pouco maior, possuía cinco cômodos, a estante de livros estava caída e os livros amontoados em um canto.
A terceira casa, quatro cômodos, as pessoas estavam deitadas no chão e um porta retratos me chama a atenção.
A quarta casa foi a mais estranha, haviam pássaros mortos na janela, três cômodos, e um deles possuía livros de magias antigas, como por exemplo, “Preguiça mata”
– Acho que possuímos um vencedor. – Digo pegando o livro. – Mas como essa mulher encontrou este livro?
– Livros de magias antigas não estão à venda em livrarias. Alguém deve ter dado a ela, mais quem? – Pergunta Gray.
– Vamos levar o livro para Lucy, pelo que sei ela adora ler e saberá o que fazer. – Começo a pensar em diversas possibilidades para o culpado, e apenas uma pessoas vem à minha mente.
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– Esse livro é muito antigo, foi escrito cerca de 500 anos atrás – Diz Lucy – E pelo o que está escrito aqui, a maldição da preguiça é uma das mais viáveis magias para matar muitas pessoas ao mesmo tempo, apenas magos com grande quantidade de magia podem conjura-la com sucesso. E... – Ela volta a ler o livro – Podemos reverter o feitiço!
– A-Ainda bem! – Diz o prefeito.
– Erza, será que você poderia fazê-lo? – pergunta Lucy – Aqui diz, que consome bastante magia e nenhum de nós tem a quantidade que você tem!
– Claro! – Erza pega o livro e começa a conjura-lo – Vou reverter todo o mal que fora posto aqui – Ela começa e o circulo mágico se abre abaixo dela – Reverto a magia da preguiça! Kill Sloth! – Ela grita.
Vejo que o prefeito está suando frio.
A magia que está sobre as pessoas, começa a se afastar, levando embora toda a preguiça existente ali. Aos poucos, todos levantam e procuram saber o que havia acontecido.
– M-Mais quem será que fez isso? – Pergunta o Prefeito.
– Enquanto Gray e eu procurávamos por pistas, não consegui parar de pensar em um porquê, e a única resposta para isso, fora dinheiro! – Começo a falar, vendo cada vez mais o prefeito suar frio – Alguém queria aproveitar-se das pessoas deste vilarejo, queria tornar-se importante e rico, ficar acima de todos, alguém que até mesmo tomasse o lugar do prefeito. Quem será que pode ser? – Digo e o encaro. Ele está nervoso e suando. Peguei você!
– Mina! Como pode acusa-lo assim? – Pergunta Lucy.
– N-Não... Ela está certa. – O falso prefeito começa – Eu não sou o prefeito daqui, sou apenas um comerciante, que era excluído de tudo, eu estava cansado de ser esnobado, queria ser alguém importante, então conjurei o feitiço da preguiça e passei a governar aqui, mesmo sem ninguém para ver isso. Quando vi que já não adiantava mais o que estava fazendo, que era errado, que deveria acordar as pessoas, eu não consegui conjurar o feitiço por falta de magia, a mesma se foi de mim... Desculpem! – ele começa a chorar.
– Você não terminou de ler o feitiço, não é? – Pergunta Lucy e o homem nega – Uma das consequências é a perda total da magia em seu corpo...
– Agora eu sei... E estou pronto para arcar com as minhas responsabilidades! – Ele diz.
– Você já fez isso – Digo para ele – Sofrer pelo isolamento, é uma das mais doloridas consequências.
Ele se pôs a chorar. De novo.
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Agora eu tenho o dinheiro para o aluguel!
Depois de descobrir e declarar o culpado, o homem, cujo o nome é Hrugi, nos pagou e começou a se desculpar com todos do vilarejo, ajudando no fosse necessário.
– E então Mina, como soube que Hrugi era o culpado? – Pergunta Happy.
– Em um das casas em que Gray e eu entramos, havia uma foto de Hrugi, vestido de comerciante, com uma menina pequena nos ombros. A mesma casa, possuía diversos fatores que me traziam o cheiro dele. Juntei tudo e pronto, mistério resolvido! – Digo orgulhosa – Você sabia, não é Erza? Desde o inicio.
– Sim – ela admite – Na verdade... – Ela cora – Todos nós já sabíamos. – Paro instantaneamente.
– O que?! – Pergunto exasperada.
– Estava na cara que aquele homem não era o prefeito... – Confessa Lucy.
– Foi a missão mais fácil da história – Comenta Natsu.
– Mais... Mais... – Começo.
“Você perdeu, Mina!”
– Sinto muito, Mina – Gray diz – Mais todos já sabíamos e decidimos deixar você resolver tudo sozinha.
– Isso não é justo!
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