Wolf Ice
12 Illlllllllll
Notas iniciais
Capítulo 12
Minha alma estava serena naquela manhã. Conseguia sentir a paz interior fluindo pelo meu corpo, assim como minha magia. Eu podia sentir ela correndo em minhas veias e artérias. E uma em especial, que correria até meu coração. Ele estava batendo como o de costume, calmo e sereno.
Mesmo de olhos fechados, eu conseguia sentir certa inquietação na superfície da água. Obviamente, Gray estava com dificuldades para se concentrar na mesma. Contudo, eu havia lhe falado que não seria um treinamento de luta, e sim, um treinamento meditativo. Mas a teimosia da criança é tamanha, que ele simplesmente não me deu ouvidos.
“Vamos afogá-lo!”
“P-Por que eu faria isso?” – Indaguei minha loba.
“Ele já deu o que tinha que dar...”
“Você está sem argumentos hoje, não?”
“Completamente!”
– Gray, pela milésima vez – Abro os olhos e vejo o quão desconfortável ,sua face expressa, estar ali – Você tem que deixar o seu corpo e a água como um só e quando isso acontecer – Ele abre os olhos, já bufando – Você poderá sentir o seu coração e o que há nele!
– Como você pode fazer isso de olhos fechados e na água?! – Ele anunciou seu desespero. Abaixo a cabeça, submergindo a mesma no lago, e soltando todo o meu ar, formando várias bolhas ao meu redor.
– Você sabe nadar? – Ele assente como se fosse obvio – Então qual é a dificuldade em ficar imóvel na água? – pergunto como se fosse obvio.
– Eu não sei como fazer isso! Ficar parado na água sem afundar! – deixo uma breve risada escapar de meus lábios.
Nada para próximo a seu corpo. Sinto seus olhos me acompanharem em todo o movimento. Se o que ele precisa é de ajuda, então eu irei ajudá-lo! Porém não com magia e sim, com contato corporal.
“Você está querendo dizer que...?”
“Sem malícias! Irei ajudá-lo a se concentrar!”
“Você está no cio?”
– O que está fazendo? – Indaga Gray, vendo que parei na sua frente e seguro sua mão, colocando a mesma em meus ombros – Ah, sim. Entendi – Ele sorri e apenas retribuo o mesmo com certo sarcasmo.
– E agora, por favor, tente meditar! Em silêncio e sem se mover! – Ele ri e assente. Vejo que suas bochechas coram levemente.
Fecho os olhos novamente.
Volto a me concentrar em meus batimentos cardíacos, porém, algo esta errado, os mesmos estão acelerados e fora da frequência normal. O que torna difícil a minha concentração.
“O que está acontecendo?” – Pergunto à minha loba.
“Não é obvio, Mina?”
“O que é obvio?”
Ela não responde. E isso me deixa ansiosa.
Deixo esse pensamento de lado e volto a me concentrar. Puxo todo o ar possível pelo nariz e solto o mesmo pela boca. Sinto que esta tudo se acalmando, se tornando mais audível. Consigo visualizar minha magia em meu coração de gelo. Consigo visualizar tudo.
Ela é como um raio de sol congelado que atravessa todos os meios possíveis para ser vista e sentida. Ela é minha vida e minha força. A origem de meu dom e de minha loba. É ela que me torna uma maga do gelo. Ela é como um mago que morreu, porém voltou como um anjo. O anjo mais forte que já conheci. Tsume.
Posso ver meus sentimentos. Minhas lembranças. Emoções. Tudo eu posso ver. Vejo meu primeiro treino com o velho. Minha primeira magia. Meu medo ir embora. Vejo minha família sorrindo. Vejo a ultima frase dita por minha mãe. Vejo o ultimo sorriso de Tsume, sua ultima respiração, seu ultimo brilho nos olhos. Vejo Fairy Tail.
Posso ouvir as palavras de Tsume para mim:
“O que acha que esta fazendo?
“Precisa ter mais coragem e força de vontade!
“Vamos, pequena! Quero ver todo o ódio e raiva que há em seu coração. Mostre-me que você quer ser uma maga de gelo!
“Eu acredito em você, não volte atrás! Não agora!
“Quero ver o que você aprendeu até hoje.
“Perfeito, pequeno floquinho!”
E então eu o vejo. O monstro que matou toda a minha felicidade. O mago portador da morte. Minha negra. Vejo seu sorriso macabro e sua famosa frase:
– Venhas que a morte lhe aguarda.
Abro repentinamente meus olhos. A noite está para cair. Gray está de olhos fechados e sorrindo. Ele conseguiu. Sorrio aliviada. Não sou um completo fracasso em ensinar treinamentos para ele. Direciono minhas mãos para as suas, que ainda se encontram em meus ombros. Pouso elas nas mãos dele e as tiro dali. Solto-as na água e me viro para sair, até que sinto algo prendendo meu branco. Olho para o mesmo e vejo que Gray está me segurando. Olho para ele que está de olhos abertos. Os mesmos possuem tal brilho que não sei de onde os conheço. Não consigo desviar o olhar do seu. Estamos fixados um ao outro pelo olhar. Noto que suas bochechas estavam coradas e não demora muito para sentir as minhas esquentarem.
Vejo que seu rosto começa a se aproximar do meu, a cada segundo, um centímetro se vai, e logo acabando com a distancia entre nossos lábios. Sim, um beijo. Não aquele beijo de filmes. Um simples toque de lábios, e isso é suficiente para que meu corpo sinta algo diferente. Mesmo estando frio, os lábios de Gray eram quentes como o verão. E aquele simples beijo, se tornou um beijo de filme. Porém, mesmo estando gostando dele, interrompo o beijo, colocando uma mão em seu peitoral e abaixando a cabeça.
– Gray... Eu... Acho que isso foi rápido de mais – falo envergonhada. Sinto seu coração acelerado, assim como o meu. Ele coloca sua mão em meu queixo e leva minha cabeça, fazendo-me encara-lo.
– Sinto muito – Ele sorri de forma gentil – Eu consegui! – Ele muda de assunto ao notar que eu estou envergonhada – Eu vi minha magia em meu coração! – Sorrio para ele
– Eu disse que era tudo uma questão de concentração!
– E contato com você... – Eu poderia ter respondido-o, porém por cima de seu ombro, eu pude vê-lo. O homem louro.
E ele notou que eu o vi, e se escondeu entre as arvores. Sem responder Gray, saio rapidamente da água, sentindo o contato do vento com minha pele, fazendo-me arrepiar até os pés.
Mesmo de roupas intimas, começo a caminhar até o local onde o vi e onde ele não está mais.
– Mina, algum problema? – Ouço o som da voz de Gray atrás de mim. Respirando fundo, puxando todo o ar que posso, tentando identificar o cheiro do homem. – Mina? – Gray toca meu ombro.
– Ele... Ele estava aqui há poucos segundos. – Falo olhando ao redor e dando alguns passos para frente.
– Ele? Quem?
– Um homem louro, com uma cicatriz em um dos olhos... Desde o dia que cheguei à guilda ele me encara e agora... Ele... Quem é ele? – Pergunto virando-me para Gray, que sabe quem ele é – Você o conhece, não é?
– Sim. Ele é o neto do mestre. Laxus – Ele diz me encarando – O que ele quer com você?
– Não sei... Nem o conheço!
“Mina... O que ele quer conosco? E QUE BEIJO FOI ESSE?”
– Vamos voltar para a guilda e comer. Estou morrendo de fome – Fala Gray, colocando a mão na barriga.
ɸɸ
Já na guilda, vejo que todos estão bebendo, rindo, comendo, brincando, brigando, discutindo e etc. Coisas normais da Fairy.
Aproximo-me de Makarov, já é hora de saber mais sobre Laxus:
– Mestre... – Sorrio para ele, que me olha e sorri de volta.
– Olá, Mina! Como foi o treinamento com Gray? – Ele pergunta fazendo uma carinha maliciosa
– Co-como o senhor sabe? Gray havia me dito que não contara a ninguém! – Pergunto meio exasperada.
– Fique tranquila. Há coisas que não se pode esconder do mestre!
“Ah, claro... Super concordo com isso!”
– Mestre, você tem família aqui na guilda? – Essa pergunta parece incomodá-lo.
– Sim. Todos nós somos família! – Ele tenta mudar de assunto. Mas isso não funciona comigo.
– E Laxus?
Fale com o autor