Wolf Ice
10 Illlllllll
Notas iniciais
Capítulo 10
Espreguiço-me na cama. Na minha cama. Essa é a primeira, em muito tempo, que posso chamar uma cama de minha. Na verdade, que eu posso dizer que eu tenho uma cama. É difícil ficar viajando e não ter dinheiro para alugar um quarto. Era isso que acontecia comigo. Eu morava bem longe da Magnólia e o dinheiro que eu tinha, guardei para as refeições ao em vez de pegar o trem. Mais viver como um gato nas arvores, era até legal.
Não, não era.
“Bom dia, loba!” – Ela boceja. Aproveito e faço um coque frouxo no cabelo.
“Bom dia, Mina-sun! Que noite de sono gostosa...” – Boceja mais uma vez, me levando a bocejar também.
Levanto da cama, esticando os braços para cima. Sinto a camisola subir, mas não me incomodo, pois estou sozinha em casa. Estralo o pescoço, as juntas, pareço uma velinha que abaixa para pegar alguma coisa no chão e as suas costas, joelhos, e todas as juntas possíveis estralam. Mas eu não sou tão velha assim! Tenho apenas 19 anos.
Caminho para o banheiro, vou tomar um banho bem demorado. Pego uma toalha sobre a cômoda, uma calcinha e um sutiã na gaveta.
“Não vai pegar uma roupa para vestir?” – questiona a loba.
“Não, quando sair do banho eu escolho uma”.
Coloco a banheira para encher. E enquanto isso, começo a me despir e soltar o cabelo do coque. Fecho a torneira da banheira e entro na mesma. A água está morna, perfeita para começar a relaxar. Acomodo-me na banheira e coloco a cabeça para trás, encostando-a na borda da banheira.
– Hora de descontar todos os banhos perdidos... – sussurro, tentando não fazer qualquer barulho que possa me atrapalhar.
“Mina, você nunca perdeu um banho se quer...” – Sussurra a loba de volta para mim.
– Loba, faça silêncio, por favor.
ɸɸ
Após muito tempo dentro da banheira, minha pele quase ficou parecendo uma uva passa. Sorte que a minha loba me disse, carinhosamente, que se passava mais de meia hora que eu estava mergulhada na banheira.
“Levante daí, sua preguiçosa! Quem é que irá pagar o aluguel se você ficar deitada o dia todo aí? Vamos levante e vá procurar um trabalho para você fazer!” – Ela gritou em minha mente. Como eu disse, carinhosamente.
Saio de dentro da banheira e seco-me com a toalha que havia pegado na cômoda. Começo a me vestir novamente. A calcinha e, depois, o sutiã. Coloco a toalha na cabeça, pois molhei o meu cabelo.
“Você é a única que consegue molhar o cabelo encanto relaxa na banheira...”.
“Vamos falar de você e sua fome, loba?”
“Já parei!”
Calço meu chinelo e caminho para fora do banheiro. Paro instantaneamente ao ver todos na minha casa:
– O que estão fazendo aqui? – Pergunto para os quatro seres que estão mexendo nas minhas coisas.
– Mina, desculpe-nos, mais precisávamos saber se você estava bem! – Diz Erza – Onde estão suas roupas?
– Eu ainda não me troquei... – Não dei muito valor para o fato de estar somente de lingerie em frente a eles – Por que precisavam saber se eu estava bem? Não passou pela cabeça de vocês que eu estava dormindo? – Perguntei exasperada.
“Como eles entraram aqui? A porta estava trancada! E Mina?”
“Sim!”
“Vista-se logo, pois o Gray está te olhando assustadoramente!” – Arregalo os olhos ao ouvir isso e olho diretamente para ele, que está me encarando, como se seu olhar fosse me atravessar à qualquer instante.
– Pedi para que Happy voasse até a sua janela e visse se você estava aqui – Disse Natsu, que também começa a me encarar. Sinto minhas bochechas corarem.
– Aye sir! Eu não vi você na cama, então achei que fosse estive morta! – Mais o que?
– Agora eu sei como é entrar no quarto dos outros... É emocionante! – Diz Lucy. Vejo que um pequeno ser, estranho, muito estranho, está atrás de Lucy.
– SAIAM DO MEU QUARTO! – Grita minha loba que usa a minha voz para isso. Sim, ela pode fazer isso. O que é extremamente ruim em certos momentos.
“Calada, Mina-sun!”
– OK, sir! – Todos gritam em uni som, saindo do meu quarto. Suspiro fechando os olhos.
“Que pessoas estranhas!”
Porém eu não estou sozinha no quarto. Há outro coração batendo aqui. Viro meu corpo e então o vejo. Gray, que ainda me encara, está parado no mesmo lugar.
– Eu acabei de pedir para sair! – Falo apontando para a porta. Porém, o que eu não esperava, é que Gray Fullbuster sorrisse encantadoramente e começasse a dar passos para frente, aproximando-se, perigosamente, de mim – O-O que está fazendo?! – Pergunto recuando um passo, e isso o faz rir. O que me assusta. Gray continua avançando, sem retirar os olhos dos meus – Gray...
“Não deixe-o fazer isso, Mina”
“Não consigo evitar... Os olhos dele...”.
Encosto as costas na parede. Parede que eu jurava que não existia. Meu peito sobe e desce rapidamente, meu coração bate como se fosse saltar do meu peito. Os olhos negros de Gray são lindos, nem por um minuto ele tirou os olhos dos meus, eu não sei qual é a sua intenção, mas isso está mexendo comigo.
Gray coloca as mãos na parede, prendendo-me completamente.
“Se você chutar, nesse momento, as bolas dele, terá uma saída!”
“Agora não é hora para as suas piadinhas infames!”
“Sempre é hora para elas, meu amor!”
Passo os olhos pelos seus lábios. E isso faz meu coração acelerar mais. Deus como esse homem é lindo! Ele aproxima os lábios de meu ouvido. Minhas pernas começam a tremer, como se meu peso tivesse aumentado e as minhas pernas não conseguem me sustentar:
– Mina... – Ele sussurra em meu ouvido, passando os lábios pelo mesmo.
– O-o-o-o que você q-quer? – D-d-d-droga!
“Até por pensamento você está gaguejando? O que está acontecendo com você?”
“N-nada!”
Ele ri. Droga, ele deve estar achando que sou uma garotinha boba e apaixonada!
– Me encontre na beira do rio da cidade, próximo à uma ponte, daqui a duas horas... – Ele sussurra de novo, tirando os braços do meu redor e saindo pela porta normal, como se nada tivesse acontecido.
“Você ouviu os batimentos dele, loba?” – Pergunto a ela, voltando à minha forma normal. Espero que ele não tenha desconfiado sobre a minha farsa de garota apaixonada.
“Acelerados, mais do que o normal...”.
“Ele não estava jogando... O que será que ele quer comigo?”
“Você fingiu bem... Pena que os seus batimentos a entregaram!” – Além dela ter ignorado a minha pergunta, ela tira sarro do meu erro.
“Loba! Eu não estou gostando dele!”
“Eu não disse isso... VOCÊ ESTÁ GOSTANDO DELE, MINA!”
“De onde você tirou essa ideia?! Eu mal o conheço!”
”E ele gosta de você!”
“O que?! Você acha mesmo que... Loba!”
“Ah! Você gosta dele!”.
“Não sei...!”
ɸɸ
Ok. Duas horas se passaram. Eu me troquei, falei com o pessoal (vulgar Natsu, Happy, Erza e Lucy) e eles me disseram que como eu ainda nãoo havia feito meu primeiro trabalho e eu ainda não sei como isso funciona, eles disseram que eu poderia participar do próximo trabalho deles! E até mesmo fazer parte do time mais forte da Fairy Tail! Eu aceitei, obvio!
“Depois de minutos processando a informação...”.
“Calada, viral-ata!”
Duas horas haviam passado.
Gray havia me dito: “Me encontre na beira do rio da cidade, próximo à uma ponte, daqui a duas horas”.
Duas horas.
Ok. Ele quer conversar... Crio eu.
E onde fica a beira do rio da cidade?!
“Você está nervosa... O que estava havendo, Mina-sun?”
“Eu não sei se posso ir!”
“Você vai! E vai descobrir o que aquele garoto quer de você!”
“Mais eu nem sei onde fica essa tal ponte!”
“Siga o rio, que uma hora ou outra você irá encontrar!”
“Isso, boa ideia!”
“Não sei o que seria de você sem mim!”
Começo a andar próxima ao rio. O clima estava agradável, nem tão quente, nem tão frio como eu gostaria.
Sinto falta da neve caindo. Dos treinos do velho. De tudo o que eu deixei para trás e o que se foi para sempre. Queria poder voltar no tempo para aproveitar cada momento com minha família, ter feito às coisas diferentes. Queria que isso tudo fosse um sonho, para o qual eu pudesse acordar e correr para os braços de minha mão, sentar no colo de meu pai e brincar com o meu irmão. Queria... Tantas coisas!
Suspiro exausta de querer, suspiro exausta de perder. Vou começar a seguir em frente e deixar todos os pesadelos para trás. Como eu queria. Pena que não é tão simples.
Avisto ao longe uma pequena ponte, onde um homem de cabelos negros está.
Mais afinal, o que ele quer de mim?
Conforme me aproximo, meus passos fazem ruídos que o alertam que uma pessoa se aproxima. Gray vira para me olhar, e sorri ao me ver. Um sorriso que não mostra o seu dentes:
– Fale o que você quer, Gray? – falo direto.
– Quero lhe fazer umas perguntas, mais... – suas bochechas coram – Não queria que os outros ouvissem.
Ótimo. Agora as minhas bochechas coram, violentamente.
E ele percebe isso, e me encara com cara de curiosidade.
– Então... que tipo de perguntas são? – Pergunta desconfiada.
– Não! Não é nada disso que você está pensando! – Ele levanta as mãos – Eu queria saber qual o tipo de treinamento que você costumava fazer para se acostumar com o frio?
“O que? Como é que é? É isso o que ele queria lhe perguntar?”
– Ah! Isso! – Passo a mão na nuca pela vergonha... – Eu nadava em um lago congelado todos os dias... E por que você queria saber disso?
– É que achei estranho o fato de você não... – Suas bochechas coram novamente – Tirar as roupas como eu!
– E por que eu tiraria as roupas como você!? – Rio do comentário dele.
– Devido ao meu treinamento... – Ah claro, tudo se encaixa agora – E qual é a graça?
– Sua exasperação.
E então ninguém fala nada. Decido ficar em silêncio por mais alguns segundos. Aproveito e me encosto no muro, cruzando os braços abaixo do peito.
– Mina... Eu posso lhe pedir uma coisa? – Gray pergunta.
– Fique a vontade! – Falo carinhosamente.
– Você aceitaria me ensinar algumas de suas magias?
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