Wizard

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Ganhei uma hora de folga do chefe e finalmente consegui de escrever esse cap. Espero que gostem, mesmo. Boa leitura pra todos!!!

Levantei cedo, não estava tão cansado como eu pensava. “Acho que finalmente to me acostumando com essa rotina”, pensei enquanto tomava o meu primeiro banho. Vesti a minha roupa de treino e caminhei até a frente da casa. Coloquei os meus fones, descobri que o meu MP3 veio comigo e que o Eduardo havia “confiscado”. Corri por cerca de uma hora até o local da pedra. Lá eu desliguei o MP3 e sentei para descansar e me concentrar para o que viria. Depois de um tempo, caminhei até um ponto da floresta atrás de mim e retirei duas sacas fechadas, feitas com couro de boi. Dentro de uma delas, retirei pequenas pesos de madeira, com chumbo dentro, coloquei-os em volta do braço e das pernas, além de uma couraça, também preenchida com chumbo. Senti aquele peso familiar, sabia que o objetivo era me deixar mais lento, mas fisicamente me tornaria mais forte. Devia pesar, o conjunto todo, metade do meu peso atual, cerca de quarenta quilos. Esperei alguns minutos, caminhando para que o meu corpo se acostumasse com o peso extra. Depois fiz uma série de exercícios para aquecer e depois para fortificar os músculos. Terminado, voltei a sentar sobre a pedra, cruzei as pedras e tentei me acalmar.

Depois do que podia jurar que foram horas, o meu “mentor” resolveu aparecer. Ele também usava a sua roupa de treino e carregava as duas espadas de madeira, além de outras duas de prata pura. Ele colocou as de prata no chão e lançou uma das de madeira a seguir. Assim que eu agarrei no ar, ele deferiu um ataque na diagonal, facilmente defendido por mim, segurei a espada com as duas mãos e desferi um golpe na coxa, ele desviou, mas não impediu que a ponta o acertasse. Ele golpeou a minha couraça, desviei por milímetros, e contra-ataquei tentando acertar a sua cabeça, mas ele desviou com certa graça. Depois de duas horas tentando acertar um ao outro, sem sucesso de ambas as partes, ele desferiu um golpe da direita pra esquerda, numa tentativa de parar o meu golpe, ambas as espadas partiram devido a força do impacto.

– Acho que previa isso mais cedo ou mais tarde. Você evoluiu bem nesses últimos doze meses garoto. – ele pegou as duas espadas de prata, uma era a espada que ele usava quando me testou. A outra, ela era menor e mais fina que a dele, a bainha era um azul límpido, como se a bainha inteira fosse de safira pura, tinha alguns detalhes em prata, mas cerca de 95% era azul. Ele retirou a lâmina, ela era feita de prata pura, segundo ele, mas dificilmente era, devia ser alguma liga que continha prata. Tinha algumas linhas curvas que percorriam toda a espada, agora eram quase da mesma cor que a lâmina, um pouco mais escuras talvez. Ele a lançou na minha direção, eu peguei-a com a mão esquerda. A palma da minha mão brilhou com a mesma intensidade de quando toquei na minha cromatina e me tornei um Wizard. Os veios na minha espada começaram a brilhar na mesma intensidade, como se eles estivessem se reconhecendo e se conectando. Depois de alguns segundos o brilho desapareceu, a minha espada ganhou o aspecto anterior.

– O que foi que aconteceu?

– O que você sentiu.

– Quer dizer que me conectei a espada? – Ele acenou positivamente com a cabeça.

– Assim como o que você chama de computadores. O seu corpo é como um computador sem processador, no caso a Gem Navitas. Quando você a tocou, seu corpo se conectou com ela, se tornando completo, funcionando perfeitamente. Agora é como se tivesse instalado uma placa extra ou um programa, tornando esta espada parte de você. Você, assim como no computador, você pode torna-la oculta e ativá-la pelo nome. Primeiro de tudo, qual o nome que você escolheu para ela? – Pensei por algum tempo, não ia dar um nome tosco a ela. – Vamos pode ser qualquer um, você muda depois.

– Eu já sei qual eu escolho. – A minha primeira lição foi seu fluido como a água. Precisava fazer com que a energia passasse por mim como se fosse o receptáculo dela, como se ela sempre tivesse feito parte de mim. Assim como a minha ligação com a espada. – Eu a nomeio Venit ex Aqua.

– Ele saiu da água ou veio da água?

– Veio da água, afinal o poder dela e meu vem da água, certo?

– Humanos e seus nomes toscos.

– Pelo que eu me lembre você também é um humano.

– Não mais, graças a Deus.

Eu prendi a bainha na cintura e a embainhei. Ela emitiu um leve brilho e desapareceu.

– O que...

– Ela desaparece, ou você vai sair por aí com uma espada nas mãos?

– Como ela volta?

– Você invoca a sua espada conectando com a magia da sua cromatina e a chamando pelo nome.

Senti a energia passar por mim, a palma da minha mão começou a brilhar mais intensamente. Conectei aquela energia invisível, que sempre sentia quando me ligava a magia.

– Venit ex Aqua! – Pensando melhor agora, esse não foi o melhor nome que dei a alguma coisa. A minha mão brilhou mais intensamente e vi um brilho azul ganhar forma até que o brilho parou e em seu lugar estava a espada na minha mão e a bainha presa na cintura. Se fosse no dia que cheguei aqui, eu teria desmaiado, mas agora mal fez cócegas em mim.

– Agora que já entendeu como funciona vamos treinar um pouco. Essa espada, assim como qualquer lâmina, perde o fio, além de que se você ficar batendo gume contra gume, ela vai ficar cheia de sulcos e acabar quebrando. Então um jeito que os Wizards acharam de proteger a espada é concentrar a energia na lâmina, como se criasse um casulo em volta dela. Isso vai evitar ambos os problemas. Entretanto, essa não é uma magia de, como você disse, nível baixo, então nas primeiras vezes vai se sentir cansado. Só que você pode recarregar, pra não precisar de usar a sua, entendeu?

– Sinceramente? – Disse fazendo uma cara de sarcasmo, ele colocou a mão no rosto em sinal de decepção, não aguentei e ri. – Entender eu entendi. – Eu comecei a transferir energia para a espada, as linhas começaram a brilhar, subindo sempre, como se fosse o marcador da bateria do celular. Quando chegou por volta da metade, comecei a sentir o cansaço, realmente gastava muita energia. – Viu? – Ele ficou surpreso por ter aprendido tão rápido. Ele invocou surpreso por ter pegado invocou sua espada, Glaciem Glow, não entendia muito de Latim, mas sabia o que significava.

– Brilho de Gelo? Sério? Depois eu que invento nomes toscos.

– Não é brilho de gelo e sim Ice Glow, Fulgor de Gelo, por que quando a toquei ela brilhou de uma forma que nunca tinha visto antes, como se colocasse uma luz dentro do gelo.

– E reclamou de Venit ex Aqua. – Ele a energizou rapidamente e me atacou, defendi com a mesma força, não houve o choque metálico e sim o barulho alto, como se uma represa tivesse ababado de romper, me assustei m pouco, o que o fez me desarmar e me render.

– Não perca o foco ou morre!

Peguei a minha espada do chão e voltamos a lutar, ficamos nisso durante mais uma hora, sem vencedor. Retirei os meus pesos e os guardei no lugar habitual. Caminhamos até a casa para o almoço, ele já o deixara preparado.

– Quando as nossas espadas não estão com a gente, onde elas ficam, num plano “espiritual” ou algo assim?

– Não exatamente, na verdade ela fica dentro de sua Gem Navitas. Quando você a invoca, ela saí de lá, caminha pelo seu corpo até a palma da sua mão, o mesmo para a bainha.

– Ainda é muito confuso todo isso.

– A sua Gem Navitas não é apenas uma pedra de poder, os originais, como essa, podem ser considerados um receptáculo, não só do seu Elemental, como de energia e itens. Esse mundo em que estamos, acha que surgiu de onde?

– Voc-cê q-quer dizer q-que...

– Isso mesmo, esse mundo é gerado dentro da pedra quando você dorme, para treinar e guardar os seus itens. Veja. – Acabávamos de chegar a aldeia, ela ficava na borda do lago. Tinha as três casas onde geralmente ficamos, o casebre no qual acordei e... uma casa, podia jurar que não estava aqui antes. – Ela realmente não estava aqui. Ela surgiu quando você usou a pedra para guardar a espada. Mundo espiritual, hunf.

Ele foi direto para a sua casa, caminhei até a minha. Ela era bem pequena, devia de ter 4x3 metros, a fachada era toda de um azul escuro, quase preto, a porta feita inteiramente de carvalho, com a maçaneta e as dobradiças de uma prata fosca. Abri calmamente, o cômodo não tinha nada a não ser uma estante de carvalho, própria para espadas, com a minha Venit pendurada. A cor interna era azul bem claro, e o piso totalmente branco. Invoquei a minha espada, ela desapareceu da estante e apareceu na minha mão, a embainhei e ela voltou para o seu lugar.

...

Depois do almoço e de um breve descanso, descemos para o nosso local de treino, ele passara os últimos três meses me ensinando magia, ou melhor, tentando me ensinar, apenas recentemente tenho tido algum sucesso. Vesti os mesmos pesos de antes e fiquei perto da margem. Distante uns cem metro, estava uma plataforma de madeira. Ele se concentrou por alguns instantes e fitou o horizonte fiz o mesmo.

– Está pronto? – Concordei com um aceno. – Uma disputa até a plataforma? – Apenas me posicionei e corri o mais rápido que eu pude, por cima da água até a plataforma, custei a conseguir fazer aquilo, mas agora parece bastante fácil, apenas determinar nos pontos aonde for pisar que a densidade fique maior, forte o suficiente para conseguir correr ou ficar de pé por algum tempo, dependendo do quanto de energia eu tinha. Chegamos a plataforma ao mesmo tempo, isso já estava ficando irritante.

– Muito bom. Vamos começar com o básico, ter o domínio do seu elemento. – Fiz uma série de exercícios, como levantar pilares de água, criar esferas, controlar a maré, fazer ondas, bem simples, o mais difícil foi me defender e atacar usando apenas magias básicas, mas me sai bem. Depois começamos a manipular mesmo o meu Elemental. Criar pilares de gelo, controlar o vapor, dentre diversos outros, esse também acabou com uma batalha. Por último sentamos na plataforma, ele me fitava seriamente. –Sinceramente, pensei que fosse um caso perdido, mas até que se saiu bem. De agora em diante não vou estar mais presente, você aprendeu a se virar, agora é por sua conta e risco. – Ele invocou a sua espada, sua armadura e seu escudo, junto de uma esfera de gelo. – Deixo com você os itens que me ajudaram na minha jornada e as minhas memórias, presas nessa esfera, quebre-a e deixe o vapor te envolver, para que você sempre possa se lembrar do que eu fiz. Até. – Ele me empurrou da plataforma, fazendo com que afundasse rapidamente, até eu não ter mais ar nos pulmões e apagar.

Acordei na cama do hospital, com uma sonda nos meus braços. De repente uma dor terrível surgiu no meu corpo, durou por algumas horas, e ninguém parece ter escutado ou se importado. Quando consegui me mover sem dor, toquei o meu pescoço, mas o meu pendante não estava lá, tentei procura-lo mas eu apaguei. Quando chegou o que pareceu ser a parte da manhã, acordei, tentei me levantar, a enfermeira apareceu e me conduziu de volta a cama, prometendo trazer o meu café assim que eu acordasse. Nesse depois que ela saiu, estava espalhado pelo chão as coisas que vieram comigo. Utilizei minha pouca magia e as escondi, e voltei a cama bem a tempo dos meus pais chegarem ao quarto.

– Você nos deve muitas, muitas explicações mocinho!!! – Ela disse fechando a porta. Meu pai se posicionou do meu lado e colocou o meu pendante na palma da mão dele. – Você vai se explicar ou não?

Notas finais
Bom o final não foi dos melhores, gastei o máximo que eu pude nessa passagem de tempo ,realmente necessária para a evolução da fic. Deixei os seus comentários com dicas sugestões, críticas ou simplesmente o que acharam do cap. de hoje. Até o próximo capítulo!!!