Wizard

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Boa leitura a todos!!

– Vai nos explicar ou não garoto? – Ela não parecia tão furiosa assim. Parecia. – Você ficou em coma por um mês! UM MÊS!!! – Ela levou a mão até o meu soro e tirou o suporte. — Me dá um bom motivo pra não acertar a sua cabeça com esse tripé?

– Por que você me ama? – Disse fazendo cara de menino inocente. Ela foi e me bateu com o tripé. – Isso dói, para.. aí, pa...tá bom, tá bom, eu falo. Se eu pelo menos soubesse do que estão falando.

– Disso aqui. – Ele pegou o colar da palma da sua mão e o deixou pendurado, tentei pegá-lo, por instinto, mas ele rapidamente tirou do meu alcance. Ele trocou um olhar com a minha mãe, ambos não pareciam felizes. – Não devia de ter te dado essa pedra, só trouxe problemas pra você. – “Graças eles não entrarem no quarto antes.”, pensei enquanto formulava uma desculpa convincente. – Não adianta tentar me enganar, eu e sua mãe conhecemos Gem Navitas, mais do que você pensa. Antes de inventar uma desculpa tosca, vamos nos explicar, ok pra você?

– Explicar o que? – Acho que agora eu boiei.

– A história da nossa família. – Disse o meu pai, lançando aquele olhar que eu tanto conhecia. Aquilo não era bom sinal. Minha mãe fez menção de interromper, mas meu pai logo interviu. – Olha, ele tem o direito de saber, afinal ele é um de nós, querendo ou não.

– Um de nós nada, olha o elemental dele, de onde ele puxou isso? Não veio de um de nós dois.

– Você sabe muito bem que não precisa ter sangue pra ser Wizard. – Ele a encarou nos olhos.

– Você está com medo da sua família rejeitá-lo?

– Não é isso, você sabe que não é isso...

– Então o que é?

– O Governo vai acabar pegando ele, por isso a gente parou.

– Vocês eram... Não, não é possível, vocês não tem afinidade, jeito nenhum com magia.

– Desculpa ter enganado você por muito tempo. – Ela se sentou ao meu lado e passou a mão sobre o meu rosto. – Bom, eu e o seu pai éramos Wizards, não faça essa cara. Antes de você nos crucificar, deixa a gente terminar de contar primeiro.

“ Eu e o seu pai nascemos ambos de famílias Wizards, ambos por parte de pai. Como na minha família nasceu apenas três garotas, meu pai dividiu a pedra em três partes, duas partes iguais e uma maior, que acabou ficando comigo. Apesar de sermos sempre unidas, as minhas irmãs acharam injusto eu ter ficado com a maior delas, apenas por ser a mais velha, isso acabou dividindo a família. Eu decidi me mudar, foi quando conheci o seu pai...

– Eu também ganhei a minha pedra por parte de pai, mas no nosso caso, quando o nosso irmão mais novo completou doze anos, a nossa família fez um jogo para decidir quem ficaria com a pedra, é uma tradição. Por meu pai ser filho único, ele simplesmente ganhou a pedra, mas eu tive oito irmãos, sendo o sexto da linhagem. Nosso pai treinou a todos até os doze, depois disso ficamos por conta própria. Nos colocaram em um terreno desconhecido, com uma argola. Aquele que pegasse todas, ficaria com a pedra e ganharia o treino do nosso pai. Bom, eu ao contrário dos três mais velhos, fiz armadilhas pra prendê-los, como fazia quando caçava, então acabei, no final, pegando todas as argolas. Ele me treinou até os dezoito, onde me passou o punhal, junto da pedra e um sobretudo. Me mudei para a capital, procurando aventura, até que conheci a sua mãe, nos apaixonamos e nos casamos. Mas alguém nos dedurou, o que quase custou a nossa vida. Quando soube que sua mãe estava grávida, entregamos as nossas armas e pedras as nossas famílias e viemos para cá criar você e rezar para que não viesse a ser um de nós. O que não deu muito certo.

– Mesmo assim, como você já sabe, a pedra já tinha nos dado alguma magia, mesmo que pequena, agradeço todos os dias por aqui ser uma zona morta. – Quando um Wizard dizia que um lugar era zona morta, queria dizer que o governo não fiscalizava a região, por alguma falha do sistema ou proteção natural, nunca descobrem ao certo, mas ao menos dava uma chance para que possam viver sem ter que se registrar.

– Você não está zangado? Depois de tudo que escondemos de você?

– Podem me entregar o pendante? – Eu disse friamente. Meu pai o colocou na minha mão, pendurei no pescoço, senti uma energia voltar novamente para mim. – Só não entendo o por que de não me contarem antes. Acharam que ia sair gritando aos quatro ventos que sou um Wizard? Acham que sou criança o bastante para não saber da verdade?

– Nós só queríamos proteger você.

– De algo que, mais cedo ou mais tarde, eu ia saber? – Eu deitei na cama. “Então, isso faz mais sentido. Mas porquê de me contarem agora? Talvez pelo colar, mas podiam esconder e dizer que entrei em coma, ou algo assim. Não tem algo mais.”, pensei olhando para o teto, eles não falaram nada, apenas me observavam. Não podia ficar irritado com eles por não terem me contado, só queriam o meu bem. Olhei para o meu pai, ele observava a paisagem lá fora, o fundo do hospital dava para uma área preservada, uma mata virgem intocada, que se estendia por hectares, cobrindo algumas serras e as nascentes e margens dos rios da região. – Vocês discutiram sobre a nossa família me rejeitar. Por que? — Ainda mantive o tom frio. Se continuasse assim, iriam me contar.

– O seu pai vem de uma família cujo Elemental é Petra, eu venho de uma linhagem de Ignis, é óbvio que não iam aceitar você, afinal não tem como você ter puxado o sangue de nenhum de nós.

– Isso quer dizer que a pedra me escolheu? – Ambos concordaram. Contei a eles sobre o que passei no um preso naquele lugar e do que eu fiz. Eles não questionaram nem perguntaram nada, o que eu achei estranho. Depois de algum tempo sem dizer nada, eles se despediram e saíram, dormi por efeito dos analgésicos, apesar de não precisar deles. Acordei ainda no hospital, o sol já estava alto, o que indicava que devia de ser duas ou três da tarde, o médico veio me examinar e me deu alta. Meus pais me levaram para casa, onde apenas entrei no quarto de decidi por dormir mais um pouco. Chamei pela esfera de gelo, ela apareceu na minha mão, observei por m instante, aquilo era muito perfeito. “Vou dar uma olhada nisso depois.”, Mandei de volta para o depósito, sentei na minha cama entediado, não ia querer dormir, não agora, não olharia aquelas coisas, teria tempo depois. Puxei a minha mochila, ainda estava jogada em um canto da estante.

Abri e puxei o relógio, abri e encontrei apenas o ponteiro dos segundos, brilhando fracamente e apontando para mim Fechei-o e peguei o livro, assim como o meu, ele ela lacrado, não tinha como abrir sem danificar, sem tranca ou segredo, com a capa lisa, sem nenhum adorno ou escrita. Coloquei de lado e puxei o meu colar, o rolava entre os dedos, perdidos nos meus pensamentos, quando minha mãe bateu na porta. Assustei e deixei (joguei) o colar de lado, ela perguntava se estava tudo bem, se pudesse descesse mais tarde para poder conversar comigo, disse que iria. Levei a mão ao colar, ele estava brilhando fracamente, pensei fosse por que ele estava com pouca água acumulada, quando olhei para o livro. Ele estava verde, com um título em latim que entendi por “Magia Básica – Plantae”, linhas marrons vivas se misturavam ao a verde forte, como se estivesse batendo uma leve brisa sobre a árvore. Na lateral tinha uma tranca com encaixe perfeito para o me pendante.

Levantei rapidamente e fui até a estante, puxei o meu livro, encostei a minha pedra no livro. A capa ficou branca, com as linhas pratas se mexendo levemente em uma única direção. “‘Magia Básica – Aeris’, não tenho sorte mesmo; mas eu sei de alguém que tem.” guardei o livro na mochila. Por sorte, ou azar, meu tempo em coma coincidiu com as minhas férias escolares, nem acreditava que esse seria o meu último ano naquele maldito lugar.

Desci as escadas atrás dos meus pais, eles estavam na sala escutando rádio, como sempre. Assi quem me viram, desligaram e pediram para me sentar.

– Bom filho, nós não contamos ainda, bom, por que você não era um Wizard, estava em coma e voltou agora. Mas, minha família ligou a mais ou menos um mês. – Disse o meu pai, ele parecia feliz, apesar dos olhares da minha mãe. – Eles estão reunindo todos os primos para participar do game. Vai ser no mesmo lugar de antes, mas os atuais donos decidiram modificar um pouco o lugar, achando que você participaria, disse que você não ia, mas agora, devido as circunstâncias, acho melhor você participar.

– Mas não é obrigatório, tá filhinho. – Ela parecia um pouco mais nervosa que o habitual. – Você já tem a sua pedra. Não precisa ir ok?

– Por que? O que acontece se eu for?

– Você, assim como alguns dos seus primos, já tem cromatinas, então, se você participar, você coloca a sua no prêmio. Mas pra vocês vai ser opcional.

– Acha que eu tenho chance?

– Deixa eu ver... Além de você com o elemental Aqua, tem apenas cinco com cromatinas, sendo que um já falou que não vai, o Caio, com o elemental Arena. Dois, o Arthur e o Guto, já confirmaram, ambos com elementais Petra, ia servir como um bônus. Sobra apenas confirmar a Cláudia, Plantae, e a júlia, também Petra. Talvez você ganhe, se aquela história for mesmo verdade, então você só tem que se preocupar com uma pessoa, a Cláudia.

– Diz a eles que eu vou. – Meu pai ligou para eles e confirmou a minha presença. Eu tinha sete tios, todos eles com filhos de doze anos pra cima. Devia ter por volta de vinte a trinta primos, apenas o meu pai teve um único filho. – Marcado, vai ser daqui a um mês. Sempre que voltar da escola, venha direto pra casa, nós, — minha mãe o olhou de forma que até eu fiquei com medo. – Sim você também vai, ele vai precisar de sua ajuda. Quem sabe a sua família não ceda a sua ignis...

– Não, nem pensar, você sabe que não. Talvez ele já até tenha passado a pedra pra uma das duas.

– Não custa tentar...

– Custa muito dinheiro, que eu já sei que o SR. Não tem!

– Eu pago amor. Vamos?

– Não mesmo. – Ela subiu as escadas bufando de raiva.

– Deixa que eu falo com ela.

– Fui para o fundo do quintal, sentei e comecei a meditar, isso ajudava a por as ideias no lugar, mas só conseguia pensar nas estratégias para usar nos games. Depois de algumas horas, já tinha até escurecido, meu pai me chamou.

– Arruma as suas malas. Vamos pra o Guarujá, na casa dos seus avós.

Notas finais
Espero q tenham gostado, quanto a outra fanfic, ainda estou bolando um final digno a ela, então tenham um pouquinho de paciência, ok? Até o prox. cap.!!!