Wizard
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Mantive a calma o máximo que eu consegui, segurei firme a Venit e o Ice Wall. Naquele tipo de terreno com certeza era melhor manter leve e veloz, principalmente por conta do Caio e do Guto. Mantive a posição, esperando pacientemente por um ataque, mas eles não ousavam avançar. “Se Maomé não vai à montanha…”
– Não vão me dizer que vocês estão com medinho? – Gritei de onde estava.
– Ora seu… — O Guto se posicionou, os outros dois também. “Vamos Cláudia, acorda logo!”
– Não vê que é uma armadilha Guto? – Disse o Caio.
– Eu não sou tão burro. A Floresta vai nos engolir se chegarmos perto.
Me concentrei, era hora de por em prática tudo o que eu treinei durante tanto tempo em Dreams. Primeiro eu precisaria criar uma espécie de base pra minha magia, como a Latin Silva da Cláudia ou o Cristals Kingdom do Arthur, talvez não fosse necessário. Olhei pra cima, as nuvens ficavam cada vez mais escuras. “Chove logo!”. Suspirei. Não adiantaria esperar, decidi atacar enquanto tinha chance. Corri na direção deles, o que por si só era uma grande surpresa.
– Lapidem Sectione! – O Guto e a Júlia criaram diversas estacas em volta deles, protegendo-os de diversos ataques diretos que poderia lançar. Vi a Júlia modelar a pedra, unindo-as e formando uma espécie de fortaleza, ela ficou lá dentro enquanto o Guto saiu, o Caio apenas levitou até o topo. Aquilo queria dizer uma coisa, merda.
Recuei um pouco, mantive a espada entre as mãos, ainda sobre o gramado. Se tentasse subir, era um prato feito para o Caio, se ficasse em terra, o Guto levava uma vantagem clara, isso sem contar a proteção da Júlia. Optei por aquilo mais irresponsável: Corri na direção do Guto. Eles esperaram até eu ganhar uma pequena distância da magia da Cláudia pra atacar.
– Lapidem Sectione! – A Júlia gritou, pude ver algumas estacas surgindo do chão, desviei de todas facilmente, enquanto isso o Guto cobriu a distância restante. – Punho de pedra! – Vi a mão dele ficar marrom, depois perder cor até ganhar um aspecto cinzento, protegi com o escudo, ele absorveu boa parte do golpe, mas mesmo assim recuei um pouco.
A outra mão ganhou o mesmo aspecto, ele desferia diversos golpes rapidamente, não dando tempo de armar um contra-ataque. Segurei até um deles passar pelo meu escudo, esquivei mas recebi um chute em troca. Assim que meus joelhos tocaram o chão ele deu outro chute, me forcei a dar um rolamento pra trás e outro para a esquerda, ele estava a dois passos de mim, protegi um golpe com o escudo, empurrando-o em seguida, e o golpeei na altura do peito. Ele defendeu com o direito e contra-atacou com o esquerdo, facilmente defendido pelo escudo.
– Ice Wall! – Gritei, criando uma parede de gelo entre nós dois, me dando tempo suficiente pra recuar a uma distância razoável. Tinha um limite pra usar aquela magia, mas não me restara outra opção. Ele deu alguns socos na parede, que logo se rompeu.
– Só isso fracote? – Ele correu na minha direção, criei um círculo de água e subi nele, me levando o mais distante possível do Guto. Assim que me afastei, senti diversas rajadas de vento me atingir, cada vez mais fortes, até uma esfera de vento me acertar e derrubar. Criei uma estaca de gelo, formando uma rampa por onde escorreguei até o chão. “Droga!”, pensei enquanto me afastava deles, em direção ao Cristals Kingdom. Eles não me deixaram alternativa a não ser ter que usar as minhas habilidades ao máximo, só que poderia ficar sem energia. Devia guardar o máximo de energia que eu puder pra quando chovesse, foi quando lembrei da minha alternativa.
Criei uma esfera de água e me levantei, indo em direção ao Caio. Novamente as rajadas de ar tentaram me desestabilizar, mantive a minha concentração, quando ele lançou a esfera de vento, fiz com que uma esfera de água a atingisse, ambas se desfizeram. Quanto mais perto eu chegava, maior era a pressão, segui até uma “zona segura”, depois desfiz a esfera, formando apenas uma prancha. Antes dele conseguir lançar alguma magia, criei um pequeno raio e o lancei em sua direção, não deu tempo pra Júlia protegê-lo, o Caio se envolveu em uma cortina de ar grossa, mas se esqueceu que a energia ia se propagar mais rápido. O Raio o acertou com força suficiente pra desacordá-lo por uma ou duas horas.
Subi no topo da estrutura, a Júlia tentou me acertar com estacas enquanto envolvia o Caio com uma parede de pedra, impedindo de conseguir tirá-lo em definitivo do jogo.
“Essa fortaleza… Como ela vê lá dentro?” pensei me levantando e vendo um panorama geral. O Arthur ainda estava envolvido por cristais, a Cláudia desacordada na Latin Silva. Aquela fortaleza… é claro, aquilo era o Reino de Pedra! Uma das poucas magias criadas aqui no Brasil, a própria pedra era os olhos e ouvidos dela, a única forma de derrotar é…
Desci até o térreo, o tempo fechara de vez, conseguia sentir tudo lá em cima. Um raio caiu em cima de um dos pilares do Arthur, ele brilhou intensamente e se partiu em diversos pedaços. O Guto se distraiu, o suficiente pra prendê-lo em uma esfera de água. Ele tentou sair de diversas formas, mas nenhuma conseguiu quebrar a esfera, a Júlia tentava me distrair o máximo possível, mas consegui mantê-lo até se desacordar. “Ótimo, agora só falta a Julia e…”, senti um cristal perfurar a minha barriga.
Vi o Arthur sair de um dos cristais e investir contra o Reino de pedra da Júlia. O Cristal que me acertara ainda estava preso no chão e se estendia por mais cinco metros além. Água não seria suficiente pra quebrar, e se usasse raio ia morrer. “Sua anta, você é usuário da Ray, inbecíl!”. Senti a eletricidade lá em cima, um raio desceu, usei quase toda a força da Ray pra desviar os raios e acertarem o cristal. Ele se desfez, e absorvi o máximo de energia que pude, mas mesmo assim sobrecarregou e sem um fio terra, meu corpo era obrigado a absorver a energia. A dor era insuportável, caí de joelhos no chão, mal conseguia respirar.
Fiz um esforço enorme pra ver o Arthur atacar incessantemente o Reino de pedra até ele ruir em diversas estacas feitas de quartzo. Usei a minha magia pra conter o sangramento e tentar ao máximo evitar uma hemorragia. Assim que os cristais voltaram, não havia nada nos escombros. Vi uma esfera enorme subir do meu lado, ela se desfez rapidamente e se refez, me incluindo. A Júlia surgiu do meu lado, mas nem me atacou. Dentro dela estavam o Caio e o Guto, ambos ainda inconscientes.
– Por que? – A dor não passava, mas se tornava mais… suportável.
– Ele ia me matar e, enquanto os dois estiverem caídos, você vai me ajudar.
– Vamos pra floresta, ele vai precisar muita energia pra manter os cristais inteiros. – Já conseguia me mover um pouco, a medida que me acostumava com aquela carga de energia.
– Cê tá maluco! Aquilo vai nos engolir inteiro!
– Não se estiverem em uma das minhas esferas, elas não atacam magias de água. – Consegui me manter de pé. Subimos nos limites da floresta, assim que saímos vários cipós surgiram pra nos atacar, logo que a esfera se desfez os protegi com o Ice Dome, elas recuaram e voltaram pra floresta.
Guardei o escudo e a espada, invoquei o arco no lugar dos dois. Criei um círculo de água e me elevei, em direção ao Arthur.
– Então teve coragem o suficiente pra me atacar de frente? – Gritou o Arthur em cima de um dos seus cristais. – Vamos garantir que não vão nos incomodar. – Ele retirou do pescoço um colar, com uma cromatina quadrada, na cor amarelo claro, o Elemental Arena. Ele, que era branco com olhos e cabelos castanhos, mais ou menos da minha altura e físico, simplesmente mudou. A pele ficou meio amarelada, como se tivesse hepatite, os olhos ficaram na cor âmbar, parecia um pouco maior. – (Obsidio!) – Uma linha de cristais com mais dez metros surgiram ao redor da Latin Silva, impedindo a Cláudia de expandir.
Puxei uma flecha e posicionei-a, sem deixar de me aproximar dele. Concentrei uma boa quantidade de energia na ponta e atirei. Ele invocou um cristal pra se proteger, mas ele simplesmente explodiu. Ele ficou surpreso, mas sempre que atirava uma flecha, ele se protegia com um cristal. Senti as cargas elétricas acima de mim, as concentrei e criei um raio, acertou em cheio o cristal onde ele estava, mas ele saltou um pouco antes do impacto. O raio o deixou surdo por alguns segundos, tempo o suficiente pra envolvê-lo em água, congelando logo em seguida, mas a areia se juntou ao redor do gelo e de alguma forma o furou. Pois o gelo se partiu em vários pedaços. Vi um corte por todo o antebraço, com certeza o gelo que o fez.
– Você me paga! – Vi toda a areia daquele mini deserto ir até ele, aquilo era mau sinal. – Tempestade de Areia.
Toda aquela areia começou a me seguir, protegi a minha pele com uma camada de água, mas a areia logo venceu, senti aqueles grãos me esfolarem vivo, vez ou outro um cristal me acertava. Caí do círculo, areia não suavizou a minha queda, um das estacas perfurara o meu ombro esquerdo. A tempestade se desfez, revelando os cortes e outras escoriações que ganhara, além da estaca no meu ombro, havia outras duas, uma na perna direita e outra na barriga, no mesmo lugar.
– Como se sente agora? Acho melhor desistir, antes que eu termine o serviço o que acha?
Enquanto ele falava, senti algumas gotas d’água caírem, logo depois uma garoa fina caiu. Ele olhou pra cima, eu quase não acreditava. Alguns raios caiam na muralha que ele fez, ele se levantou e começou a refazer. A chuva engrossara se tornando uma tempestade. Me concentrei usei a minha magia pra retirar as estacas de mim, depois retirei energia do ambiente ao meu redor e comecei a me curar, das mais graves pras mais leves, mas durou poucos segundos. Apesar da quantidade de energia que absorvi em volta, fiquei completamente esgotado, o meu colar perdera o brilho, mas aquilo não importava.
– Me segurei até agora Arthur. – Disse me levantando calmamente. Ele se virou, não antes de transformar os pingos a minha volta em pequenos cristais de gelo, acertando-o de raspão. Ele criou um cristal ao seu redor. – Sabia que sem a chuva seria difícil ganhar aqui, não teria energia suficiente. Mas agora, — disse erguendo os braços. Vi as feridas se curando lentamente. – esse é o meu domínio. – Usei a magia Caligine belli pra criar uma névoa bastante densa, depois usei a Feel the Mist, seguido por uma última magia: Tormenta, uma magia que aumentava a velocidade que os pingos de chuva caíam, causando um barulho insuportável, isso sem contar o número de raios que caíam. – Bem vindo a Tempestade Infernal!
Fiz com que um raio caísse sobre o cristal, ele quase não foi atingido; assim que estava do lado de fora, levou ambas as mãos aos ouvidos, fiz os mesmos cristais de gelo e o atingi repetidamente, acrescentando alguns raios, de baixa potência. Ele tentou ao máximo se proteger, principalmente dos raios, mas os cristais logo o debilitaram. Me aproximei dele o bastante, pra que conseguisse me ver.
– Sabe fazer só isso? – Apesar da fúria, sentia a tristeza e a raiva que ele sentia, era visível nos seus olhos. Ele voltara ao normal, vi o colar dele, estava no limite. – Eu não vou perder, não aqui, muito menos pra você. SACRIFICE!!! – Cristais surgiram dele, me afastei rapidamente, senti se prolongarem por uns dez metros ao redor dele. Assim que pararam de crescer voltei lá, estava dentro de um deles, transparente, mas irradiava um brilho próprio. Precisei de três raios pra chegar até ele e usar o meu sensor, retirando-o do jogo.
– Bom descanso, guerreiro. – “Falta só um grupo agora.” Pensei me levantando até a muralha. Vi a Cláudia tentando lutar com eles, mas a chuva não iria permitir, debilitando a todos, principalmente o Caio, que levantara agora. — Que tenham um vislumbre do meu poder! – Disse levando a tempestade infernal até eles.
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