Wizard
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Capítulo 16
POV Cláudia
Acordei em cima da árvore, acho que desmaiei devido a magia, mas ao menos consegui criar a Latin Silva perfeitamente. Senti um domo de água lá em baixo, até achei que fosse o Edu até ele se desfazer e os meus cipós atacarem. Algumas estacas de pedra subiram, criando um pequeno espaço irregular, nela estavam o Guto e a Júlia, parecia que ele a protegia dos cipós, ela mal se mexia, parecia ter se esgotado e precisava acumular energia. O Caio subiu na estrutura e começou a criar um tornado, mas alguns cipós o atrapalharam e ele foi forçado a se defender.
Foi quando reparei na estrutura que cercava a mata, um muro de cristais com cerca de dez metros, lá fora parecia que rolava algo, apenas podia sentir a energia de lá.
– Com a gente vai conseguir derrotar ele? – Sussurrei pra mim mesma, se o Edu estava lutando, então tinha um tempo pra enfrentar os três primeiro.
Desci da árvore e cantei uma leve melodia, pra mim era mais fácil cantar ao invés de nomear as magias. Andei pela mata sentia o chão abaixo de mim se mover, ganhar forma, algumas árvores na ponta passaram a se mexer e ganhar forma também, algo sutil pra que eles não percebessem.
– Vou invocar ela.
– Aquela estátua idiota?
– Essa mesmo, ela, ao contrário do que você pensa, funciona, fiz aquilo só pra achar que era inútil mesmo. Saxea ut effigies! – Três estátuas de pedra se levantaram lentamente, primeiro um braço, depois o rosto foi se formando, como se levantasse do chão lentamente. As estátuas tinham o mesmo formato do Guto, mas tinham cerca de três metros e meio e eram idênticas. — Lapidem Golem! – Uma mão com cerca de dois metros surgiu, depois outra e ambas levantaram uma criatura enorme, quase do tamanho do muro, ele era uma forma humanoide, mas completamente disforme e irregular. Os cipós tentaram inutilmente prendê-los, eles acabavam arrebentando sempre que podiam, e avançavam lentamente pra orla da floresta.
– Droga. – Acelerei a canção, as árvores começaram a cair em montes, formando aos poucos três estátuas de madeira. Era do mesmo tamanho das estátuas do Guto, mas com a minha forma, elas conseguiriam rivalizar com os três, mas o golem, não ia conseguir fazer nada contra ele. Podia apenas me defender. Logo ,as estátuas começaram a lutar, enquanto nós lutávamos embaixo. Passou dois minutos e ainda continuava num impasse, o golem do Guto não se movia, mas já tinha perdido duas estátuas, enquanto eu perdi apenas uma.
– Vá e acabe com elas. – Ele gritou com o Golem, ele se moveu lentamente, mas era muito difícil escapar de algo tão grande. Em um golpe varreu as estátuas restantes, sobrando apenas ele. A outra mão se ergueu e desceu, rapidamente, quase não consegui evitar o golpe. “Tá na hora de invocar a minha surpresa.”, pensei. – Acabe com a floresta!
– Acho que não. – Uma voz firme e forte ecoou sobre a floresta. Acima da muralha vi um Eduardo diferente: os olhos de um azul intenso, a musculatura mais firme, a pele estava mais clara e voava sem a necessidade de água, um denso nevoeiro começou a passar por cima da muralha, um barulho, como vários tsunamis destruindo tudo no seu caminho; a medida que o nevoeiro se aproximava, o barulho intensificava, ia adicionando a chuva que também causava um barulho infernal. O Caio tentou afastar o nevoeiro, mas depois de alguns segundos se ajoelhou e levou ambas as mãos no ouvido. Por algum motivo, apesar do barulho me incomodar, não era tão intenso.
– Edu! – Gritei de onde estava. Ele pareceu nem se importar comigo, se preocupava em apenas trazer o nevoeiro. Assim que cobriu completamente o lado de dentro da muralha de cristais, ele levitou até mim, vi o golem parar o golpe no ar, há alguns centímetros da orla da floresta. – Edu, o que tá acontecendo? – Gritei por cima do barulho, o que por si só já é impossível. Ele envolveu o meu rosto com as mãos, logo o barulho reduziu, como se fosse uma leve garoa.
– Bem melhor não? – Ele disse sorrindo.
– C-Como você…
– Eu tinha esse truque em mente desde que ameaçou chover, sabia que a Tempestade Infernal ia ser a minha melhor arma.
– Como ela funciona? E por que eu não to sendo afetada?
– Você não é afetada por que eu decidi. — Ele disse calamamente, mas com o tom firme. Ele ergueu a cabeça, fechou os olhos e ficou assim por um instante, depois se focou em mim e continuou. — Ela funciona eliminando os seus sentidos: a névoa nubla a sua visão, a chuva atrapalha o olfato e o paladar, ela caí mais forte pra eliminar o tato e o barulho acima de tudo, vai abafar até o grito mais alto. Eu criei uma proteção a sua volta, impedindo os efeitos dela em você, exceto é claro a visão. – Ele olhou para os dois. Vamos acabar com isso?
– Vamos. – Disse confiante. Ele andou até o Caio e pegou o sensor, o eliminando. Eu os envolvi com minhas vinhas, por estarem vinculadas a mim também não eram afetadas. Prendi a Júlia e a eliminei. Quando tentei chegar perto do Guto, escutei um grito de cuidado, logo uma parede de gelo impediu o golpe certeiro do Golem. A névoa começava a se dissipar, mas em volta do Golem ainda era muito densa.
– Vai, eu seguro ele. – Ele sacou uma espada e voou em volta do Golem, parando os ataques que me acertariam, me preocupei em ir até o Guto. Ele estava em cima do Golem, criei uma estaca pra me levar até lá. Pulei dela e aterrissei do lado do Guto, ele estava deitado em posição fetal. Peguei o sensor e ia eliminá-lo quando uma bola de pedra acertou a minha barriga. Larguei os dois e caí de joelhos no chão.
– Não… vai ser… assim tão fácil. – Disse ele com uma certa dificuldade.
– Vai sim. – Vi o Edu pegar o sensor e eliminar o Guto. A chuva cessou e a névoa terminou de se dissipar.
– Como…
– A chuva acabou a dez minutos, eu que acumulei energia suficiente pra mantê-la. – Disse com um tom de arrogância, mas vi nos olhos dele que estava muito cansado. As nuvens também começaram a se dissipar, criando faixas de luz sobre a floresta, como pilares espectrais de um templo sagrado. Soou em um ponto distante uma espécie de trombeta, indicando o fim do torneio. – Ganhamos – Disse ele, o brilho do sol refletido no seu rosto, com um sorriso que me fez sentir viva. Abri um sorriso, e olhei para o sol, sentia a felicidade tomar conta de mim, o sentimento de que tinha finalmente feito algo de certo, de realização. Ele pegou de leve na minha mão e me ajudou a levantar, — apesar do ferimento, que estranhamente se curava rápido – e coloquei o braço em volta do seu pescoço.
– Ganhamos.
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