Wizard

27 Capítulo 10 - Second Season


Notas iniciais
Boa leitura a todos!

Durante o tempo que permaneci naquele hospital, recebi a visita de poucas pessoas, a maioria familiares. Muitos, apesar de reprovarem a ideia de ter me juntado aos oficiais estampado em suas faces, mantiveram a opinião consigo mesmos e apenas desejaram melhoras. De todos, a visita mais surpreendente foi a da família do Guto. Eles vieram no final do meu período de reabilitação, os outros preferiram usar mensagem de texto. Estava melhorando rapidamente, em partes por conta da magia que havia no meu pendante. Ainda era um total mistério pra mim de como isso acontecia, tanto que achava de alguma forma que ele tinha uma espécie de consciência, o que foi motivo de piada dos meus pais.

Voltava andando da fisioterapia, como a dor não me incomodava mais, os enfermeiros pararam de me acompanhar. Fui até o jardim, situado nos fundos do hospital, nos bancos de pedras o Guto e o seu pai, Lucas.

— Já está podendo andar assim? – O Meu tio perguntou.

— Sim, só estou proibido de treinar por enquanto. – Me sentei no banco em frente.

— Que azar o seu. – O Guto disse.

— Foi mais... descuido. – Disse respirando fundo.

— Bom, vou deixar os dois a sós, preciso falar algo com o seu pai. – Assim que o Lucas entrou para dentro do hospital, ele olhou em volta e se sentou ao meu lado

— Ok. O que foi? – Perguntei um tanto suspeito.

— Bom, preciso saber se estar forte o bastante pra entrar em um certo lugar.

— Como assim, certo lugar? — Disse estreitando os olhos.

— Ouvimos falar de um lugar no Norte, que tem uma Medusa atacando um vilarejo. O meu pai ia te chamar, mas por causa da sua situação atual, quem sabe, talvez só o seu pai.

— Uma Medusa? – Ele concordou.

— Ah, tinha esquecido você ainda conhece direito tudo sobre o mundo dos Wizards. a maioria dos monstros e lendas da mitologia, assim como algumas coisas consideradas mágicas, realmente existe. Como por exemplo o monstro do lago Ness, Iete, dragões e Medusas. Bom não é bem a Medusa da mitologia, mas o poder e aparências são semelhantes, Metade mulher, metade cobra, olhos que podem petrificar quem vê, o conjunto todo, se arrancar a cabeça o efeito permanece... A questão é que mesmo pra nós, o olhar ainda é mortal. Então meu pai quer chamar alguém que pode ler o ambiente antes de ataca-la, e alguns mais experientes.

— Ele quer usar a minha névoa. – Ele concordou.

— Acha que dá?

— Depende de quando for.

— Provavelmente semana que vem. Só dar uma checada.

— Se conseguir alta. Mas vai depender dele também. – Olhei para o céu lembrando do mito de Perseu. “Será que ele existiu e foi um de nós?” – Só uma dúvida, o Aegis existe?

— Não que eu saiba. – Ele se levantou assim que o seu pai apareceu na porta. – Melhoras.

— Valeu. – Disse. Depois da saída deles, o meu pai se aproximou e sabia do que eles tinham falado. Assim que cruzamos as informações, ele olhou para o celular antes de falar.

— Sinceramente, não quero que você vá, não ainda.

— Entendo.

— Não vai nem tentar?

— Tentaria, mas dessa vez vou seguir o que o médico diz. – Ele olhou confuso. – Sobre ir mais devagar.

— Estranho, você é o meu filho?

— Quem sabe. — Eu sorri olhando pra longe.

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Depois de dois dias, segui para casa, ainda estava de atestado, então minha rotina era ir à fisioterapia na parte da manhã e alguns exercícios leves a tarde, principalmente para que a minha flexibilidade voltasse ao normal. E assim se passou mais duas semanas e finalmente chegamos em abril. Voltei às aulas e sendo normal na medida do possível. Assim que fui liberado, voltei para a Black Thunder e, estranhamente não sentia tanta raiva ou ressentimento dos outros pela Gabriela, mas mesmo assim me tratavam com uma certa indiferença.

O meu trabalho lá era apenas entregar alguns papéis e principalmente ajudar na organização dos arquivos de lá, tanto nos computadores quanto os impressos. Se eu tinha algum tempo livre, estava estudando ou aprendendo táticas policiais, tanto contra humanos quanto Wizard, o que ia desde negociações quanto confronto direto. Além de outras coisas desse meio.

Já em casa, estudava o livro de Ray, assim como as memórias que ainda tinha, treinando sempre que podia em Somnia. Nesse meio tempo, acabei vendo alguns vídeos e consegui, depois de algumas tentativas, montar algumas flechas para o meu arco, elas ficaram aceitáveis, mas se quebravam ou estouravam com o impacto caso usasse minha magia nela.

Depois de todos esses preparativos, guardei tudo com minha magia e subi para o meu quarto, agora que meu corpo melhorara e tinha o equipamento que precisava, conseguiria entrar na Dungeon. Peguei o meu telefone e mandei uma mensagem para Alice. Sorri quando ela mandou um emoji de coração junto com a resposta. Olhei para as outras mensagens, ainda mantinha contato com a maioria das pessoas que conheci, mas geralmente conversava com mais frequência com a Alice e a Carla. Depois de olhar novamente se tinha alguma nova mensagem de uma das duas, tomei um banho e fui dormir.

Acordei e depois de conferir tudo novamente, peguei o meu material de escola e desci as escadas. Peguei o lanche com a minha mãe e antes de sair ela pediu que voltasse pra casa assim que desse, por que teríamos visita. Respondi que tentaria e saí, seguindo em direção à loja de antiguidades. O dono de lá tinha me chamado no dia anterior para ajuda-lo com algumas coisas mais pesadas.

— Bom dia. – Disse entrando na loja. Ele estava em uma pequena escada, pegando uma caixa que parecia pesada. Deixei a minha mochila no chão e prontamente o ajudei. Depois de coloca-la sobre o balcão de madeira, ele desceu e pegou uma pequena garrafa, bebendo o líquido transparente rapidamente. O cheiro forte lembrava à álcool.

— Dia. Desculpe fazê-lo acordar tão cedo, mas uma pessoa vai chegar hoje e precisava entrega-la antes das oito.

— Sem problemas. – Ele apontou um canto atrás do balcão, tinha uma pequena mesa de madeira rústica, onde já se encontrava outras duas caixas menores. Depois de tirá-las pra mim, coloquei em cima da mesa e sentei no sofá. Ele se sentou ao meu lado e trouxe uma das caixas, retirando uma par de tubos de ensaio, um na cor azul e outro com um líquido transparente.

— Aqui o seu pagamento. — Peguei os dois vidros, ele sorriu ao ver a minha expressão curiosa. – Ouvi boatos de que finalmente encontrou um calabouço. Bom se você um dia for se aventurar, leve isso com você, o azul acelerará a sua cura e outro é bom contra uma grande quantidade de venenos.

— Não são caros?

— Nem tanto, leve esses como uma amostra grátis. Já que troquei de fornecedor, não pude testá-los ainda. Depois passe aqui e me diga o que achou. – Fiz que sim com a cabeça. Quando fui pra coloca-lo em Somnia, ele segurou a minha mão. – Acho que vale mencionar que eles perdem o efeito se imbuídos com magia. Tome leve a caixa e guarde com cuidado, isso é meio que ilegal de se usar.

— Ok. Realmente obrigado.

— Eu que agradeço, afinal matei dois coelhos com uma cajadada só. – Ele disse dando uma longa risada. – Não se esqueça de passar aqui e comentar se são boas. – Depois de me despedir, segui para o colégio. Lá encontrei com a Alice na porta da escola e após as aulas fomos direto para a Dungeon. Assim que entramos, peguei os itens para destravar a porta e coloquei na mochila. Entramos na casa, subimos a escada e no quarto mais ao fundo, segui em direção a uma pequena cômoda. Coloquei os meus materiais ali e retirei de Somnia o arco, a aljava com as flechas, o escudo e a espada do Eduardo, Glaciem Glow.

Depois de todos esses dias de treino, não era mais tão desajeitado com ela. Era uma espada de uma mão e meia, um pouco pesada e com meio palmo de largura e quase 1,5 m de comprimento, mais ou menos depois da metade, ela afinava até a ponta suavemente. Ainda apresentava as marcas de magia e a mantive sempre carregada, não por causar dano adicional, mas sim para proteger o fio da lâmina. Olhei para os lados e como a Alice estava no quarto ao lado, retirei o tapa-olho e olhei para ela. Tinha uma pequena runa no cabo, onde residia uma linda safira, a partir dali linhas azuis claras percorreram todo o cabo e lâmina, fornecendo um desenho leve e contínuo, formando um curso d’água. A embainhei e verificando se estava bem presa, coloquei o arco e a aljava nas costas, pegando a mochila com água, comida e as poções. Coloquei o escudo no braço e vesti o tapa-olho novamente.

Desci as escadas e a vi abrindo a porta do porão, estava com algumas proteções de couro enegrecido em ambos os braços e pernas, além da mochila, uma faca com o cabo prateado no cinto e na mão esquerda uma lança com um pouco mais de dois metros de comprimento. Parecia ser fina, mas cabia perfeitamente nas mãos dela. A ponta prateada era alongada, na outra extremidade tinha uma esfera perfeita e assim como o cabo, era totalmente branca. No meio tinha uma espécie de borracha, também em uma cor clara.

— Então, pronta? – Perguntei assim que ela me viu. Ela olhou para baixo um pouco indecisa, mas concordou com um aceno. – Então vamos. — Descemos as escadas e indiquei o caminho até o globo. Depois de ativarmos, a Alice desceu às escadas, e assim que comecei a descer, senti o ar um pouco mais quente.

— É aqui que você se esconde hein? – Uma voz veio do meio do porão. Estiquei por impulso a minha mão direita, mas parei quando reconheci aquela voz.

— Cláudia? – Uma chama revelou quatro silhuetas em maio a escuridão. Além da Cláudia, estavam o Arthur, Caio e a Carla, o que realmente me surpreendeu. – Como vieram parar aqui?

— Bom, o pai do Guto juntou todos os nossos tios para ir à caçada dele, como tínhamos tempo livre, resolvemos te visitar. No caso dela, a sua mãe passou o contato de uma das irmãs pra ele também, já que ela pode manipular em até certo nível calor e encontrar outros seres. – O Caio disse olhando o porão a sua volta. “Não muito útil contra uma cobra mas...”. A Carla olhou de cima abaixo pra mim e sorriu, parecia muito que estava aliviada com algo.

— Que lugar é esse? Sei que tem uma sensação ruim nele.

— Então... – A Carla deu um passo à frente e invocou a sua espada. — É aquilo que você me falou por telefone?

— Não, é lá embaixo. – Ouvi um grito vindo do calabouço, rapidamente pulei o buraco da escada e vi a porta aberta. Saquei a Glaciem Glow e depois de passar pela porta, vi a Alice com a mão no peito e uma sombra humanoide pairando sobre a sala.

— Então humano, finalmente retornou para completar o meu desafio? — “Desafio? Ah, ele fala da Dungeon.”

— Sim.

— Ótimo, apenas lembrando que magias são inúteis depois de adentrá-la, então estejam avisados. – Ela desapareceu e onde residia a pedra negra, uma fumaça escura saiu e a parede começou a se mover, revelando uma área de 2x2 metros com um pedestal no meio, em volta um círculo ligado diretamente ao pedestal.

— Você está bem? – Disse se aproximando da Alice. Estendi a minha mão, ela se apoiou nela e levantou.

— Estou, ele só me pegou de surpresa. – Ela olhou para trás de mim e viu os outros parados na porta me encarando. – Quem são eles?

— Minha família, eu acho. – Disse estreitando os olhos.

— Haha. – A Carla se aproximou agora com um kimono e com as mesmas proteções no braço e pernas, além de um coturno preto e uma pequena bolsa na cintura. – Então, como vai ser?

— Por sua conta e risco. – Disse.

— Então você tinha o seu próprio parquinho e nem pra nos falar? – O Caio disse, mexendo no bracelete dele.

— O Guto ia pirar entrando aqui. – o Arthur falou em um dos cantos da sal, enquanto tirava algumas fotos com o celular.

— Então, os três vão querer descer também? Eu não tenho garantia nenhuma lá dentro.

— Bom, como você disse, é por nossa conta e risco. – A Cláudia disse invocando um escudo de madeira polido, assim com um conjunto de arco e flechas e uma lança completamente em madeira. O Caio era o único sem arma nenhuma, mas logo pegou alguns punhais de cristal do Arthur, que além disso contava com um machado nas costas.

— Ok, se estão todos prontos, vamos lá.

Notas finais
Essa próxima semana será m,ais corrida, então não sei se vai ter como postar um cap até quinta que vem, esperem algo mais para sábado ou na outra segunda. Qualquer Crítica ou sugestão só comentarem! Até o próximo capítulo!